Problemas
37 Newcastle
Notas iniciais
Abro porta ainda receosa de como reagir quando eu ver o Matthew, para minha sorte ele parecia ter esquecido de tudo.
– Oi. — Ele diz todo animado.
– Oi. — Respondo toda confusa.
– O que aconteceu com a casa que você morava com a sua mãe?
– Como eu decidi ficar aqui, meu pai vendeu e usou o dinheiro pra comprar esta casa. — Digo sem entender a pergunta.
– E todas coisas sua e da sua mãe? Você me disse que não tinha nada dela.
– É que nossa casa foi roubada depois que fugimos.
– Ai é que esta! Sua casa não foi roubada, meu pai pegou tudo e guardou no sótão da nossa antiga casa.
– Oi?
– Isso mesmo que você ouviu: todas as suas roupas, as roupas da sua mãe, sapatos, acessórios, álbum de fotografias, documentos e muito mais, estão na minha casa.
– E você e sua mãe não perceberam?
– Minha mãe tem rinite e eu odeio o sótão, então depois que o meu pai foi preso ninguém mais entrou lá. Só agora por causa da mudança.
– Quando eu posso ir lá? — Pergunto animada.
– Melhor quando a gente pode ir lá. — Diz Ethan de braços cruzados. — E você não pode se esquecer que o seu pai também tem o direito de ir ver.
– Esse é o problema, tem que ser hoje porque minha mãe já vendeu a casa. Ela foi lá, anteontem só pra conferir se estava tudo certo pro novo proprietário e encontrou o sótão cheio de caixas.
– Então vamos agora, trazemos tudo para cá!
– Zoe, lembra que temos um compromisso. — Diz Ethan apontando discretamente para a janela. Mesmo ainda estando de dia, a lua cheia já estava no céu.
– Se acharem melhor eu posso ir buscar tudo pra vocês. Acredito que dez horas eu chegue aqui.
– Não! — Digo rapidamente.
– O Bryn vai estar aqui, não precisa se preocupar. — Diz Ethan.
– Eu não quero esperar.
– Não é melhor a gente pensar primeiro, foi essa sua presa que te deixou dois meses de castigo.
– Meu pai vai entender.
– Tem certeza?
– Pra falar a verdade, não.
– Zoe, não faça nenhuma besteira...
– Desculpa, mas eu não vou conseguir. — Corro para meu quarto e pego um tênis. — Vamos? Não podemos perder mais tempo.
– Será que você consegue tudo o que quer?
– Isso quer dizer que você vai comigo?
– Sim.
Dou um beijo no Ethan.
– Obrigada.
– E aquele negócio que a a gente não podia perder tempo? — Pergunta Matthew brincando.
***
– Como você acha que seu pai vai reagir? — Pergunta Matthew me olhando através do retrovisor.
– Ele vai ficar muito bravo, por isso pedi pro Noah contar pra ele. Ele já está acostumado a lidar com o meu pai assim.
– Que cidade nós vamos mesmo? — Pergunta Ethan.
– Newcastle. Não se preocupe é somente uma hora e quarenta de viagem.
– Eu já estou me preocupando.
– Já te falei que perto da onde eu morava tem um lindo parque?
– Não. — Responde Ethan se virando para mim. Ele encosta na porta traseira e coloca suas pernas em cima da minha. Jogo elas para o lado.
– O nome dele é Town Moor Park, é o maior da cidade.
Ethan entende rapidamente o que quero dizer.
– Adoraria conhecer esse parque.
– Claro.
– Então você morava numa parte mais calma da cidade, já a minha casa é num dos bairros mais movimentados. Meu pai adora lugares cheios de gente onde tudo é perto, já minha mãe adora sossêgo. — Diz Matthew.
– É, minha mãe adorava a natureza.
Vejo Ethan abrindo o vidro desesperado. Para quem morou a vida inteira na floresta, ficar num carro na noite de lua cheia era sufocante. Abro vidro, pois também me sinto um pouco sufocada.
– Nossa, esta fazendo tanto calor aí atrás? — Pergunta Matthew sorrindo maliciosamente.
– Não! — Respondo rapidamente e constrangida. Matthew sempre que quer, me faz sentir a vontade; mas sem querer, ele conseguia me deixar totalmente envergonhada.
– Eu sou claustrofóbico mesmo. — Fala Ethan e depois põe a cabeça pra fora da janela e respira fundo. Estava sendo muito difícil para ele ficar ali dentro.
– Sério?
– Parece que eu estou brincando?- Pergunta Ethan sério. Uma gota de suor escorre na sua testa.
– Nem um pouco. — Responde Matthew levantando uma mão em sinal de rendição.
O carro fica num silêncio constrangedor por um bom tempo.
– Falta muito? — Pergunto tentando quebrar o silêncio.
– Meia hora.
Ethan me puxa para perto e cochicha em meu ouvido:
– Eu não vou aguentar.
– Tive uma ideia, mas pra isso você tem que estar com muita energia.
– Tudo o que eu preciso agora é gastar energia.
– Matthew, para o carro vamos continuar a pé.
– O quê?!
– Isso mesmo que você ouviu. Não se preocupe, a gente consegue.
– E se alguma coisa acontecer com vocês?
– Relaxa, não vamos pela estrada. Conheço um atalho.
– Não!
– Eu conheço o Ethan, daqui a pouco ele vai vomitar no carro da sua mãe.
Matthew da uma freada brusca.
– Saiam agora então.
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