Notas iniciais
'' O que você vê pode não ser aquilo que você pode sentir como aquilo que você pode sentir pode ser aquilo que você não possa ver. '' - Guilherme Bertoncini Bramorski

Voltando para casa, dessa vez a pé por ter feito um grande negócio com, talvez, uma chance única na vida, encontro um grupo de garotos com faixas na cabeça, armas de fogo na mão e um pouco sujos de barro e cimento. Eles começam a me parar, me abordam e começam a fazer perguntas, e então as respondo em seguida:

– Então você é o sortudo da vez. O escolhido. O novo... mimadinho, coitadinho da Baía de São Comué — disse o líder do grupo, o Bryan.

– Do que você tá falando Bryan? — disse eu, na verdade, já sabendo do que ele falara.

– AH VOCÊ SABE MUITO BEM DO QUE EU ESTOU FALANDO SEU... SEU MERDINHA — disse o Bryan tirando uma arma e começando a criar coragem para apontar para mim.

– Ah, você está falando da proposta boa proposta que eu recebi.. o que que tem?- disse eu bem firme e com muita claridade na fala.

– VOCÊ TEM QUE ME DAR ELA, VOCÊ VAI ME DAR ELA — disse ele apontando uma arma na minha cabeça há uns 3 metros de distância de mim.

– Ou se não? Você vai atirar? Pode atirar, mais depois, o que você vai fazer? Vai esconder meu corpo num lugar que, ao seu achar, ninguém nunca vai encontrar? Quer ajuda? Sem problema — disse eu mais tranquilo do que o normal para uma situação daquelas e encostando o revolve, ainda nas mãos do Bryan, na minha cabeça.

– Atire! — disse eu sem pensar duas vezes, ou ao menos, sem pensar ou estar preocupado com o que aconteceria depois da ação.

– ATIRE! VAMOS BRYAN, ATIRE! -aumentando o meu tom de voz.

Depois disso, ele abaixou o revólver, continuou andando e depois de um tempo, virou-se e disse:

– Você parece que gostar de se arriscar, arriscar com o perigo... moleque solitário e de Baía de sangue podre — disse ele conseguindo acreditar que ainda está respirando ainda.

Lhe respondi:

– Perigo é algo que eu tenho que botar no meu nome ainda Brayn...

– E SORTE — retrucou de forma rápida.

– Não... sorte e fé é algo que eu tenho que por pra andar do meu lado, não para amedrontar ao ouvir meu nome ou ouvir sobre mim — disse eu retrucando de forma mais certa, segura e significativa ainda.

–Tss.. tá — resmungou ele se virando e indo em bora do local.

Então continuei meu caminho, já meio percorrido e andado, para o meu humilde lar na Baía. Muitas pessoas gostam de companhias para andar, correr, jogar, brincar, passar o tempo e com certeza eu não era uma dessas pessoas. Eu, desde que meus pais faleceram, sempre gostei de passar o tempo focando em mim, no meu futuro, nos meus problemas e ás vezes, por um segundo que seja, acho que as pessoas deviam focar em suas preocupações, nas suas vidas e nos seus problemas, pro que... querendo ou não, problemas não faltam em ninguém.

Quando finalmente cheguei em '' casa '', eu tive uma surpresa, só não sabia se era boa ou ruim, no ponto em que eu cheguei da minha vida, não sei mais distinguir mais o bom do ruim e o ruim do bom, vice versa, ao contrário, DE TODAS AS FORMAS. Havia um garota mexendo, na verdade arrumando, mas de qualquer forma mexendo, nas minha coisas, e também '' dando o ar de sua graça ''. Sabe, por um lado era bom ser sozinho, minhas regras, minhas leis, meus cuidados e minhas coisa e também era bom uma companhia de vez em quando, mas de vez em quando e se tivesse!

Ela estava exatamente na minha cama, na minha cabana e na minha '' casa '' e apreciando o pôr do sol. Eu me aproximei dela e comecei a falar, ela me responder... uma conversa de verdade:

– Desculpa, mas você perdeu alguma coisa?

– Nada, mas tenho que admitir, quase que eu perdi esse lindo, maravilhoso e gracioso pôr do sol.

– É lindo mesmo...

– Lindo.... é único.

– Defina '' único ''.

– Baía de São Comué.

– Perfeita definição...

Ficou um silêncio de tipo, uns 10 segundos, e então perguntei:

– Posso me sentar ao seu lado?

– Bom, esse local não é meu e muito menos esse chão, e ainda por cima, somos livres...

Confesso que demorei pra entender o que ela quis dizer e então, só por garantia, perguntei:

– Então...

– Tss.. esquece, pode sim. — disse ela, além de estar me cortando, com um tom de tipo, '' valeu por estragar a minha teoria de que estamos na América e livres, numa América livre ''.

– Okay... como é o seu nome? Eu me chamo Gabriel.

– O meu nome, bom, o meu nome é...

BRUUUP. Um barulho estrondo foi escutado, não muito longe dali, na verdade, perto até demais, e rapidamente, começou outro incêndio. Só lembro de ter pegado o meu cão e ordenado a menina me seguir para um refúgio seguro e longe de qualquer perigo. Corremos muito pela Mata Okkeys, suado muito e com um ar muito ofegante na chegada ao refúgio. Niko e a ela, a menina, ficaram descansando enquanto eu fazia uma fogueira, arrumava algo '' aconchegante '' para todos passarem aquela noite ali e verificava a área para ver mesmo se estávamos mesmo longe de qualquer perigo.

Depois de tudo pronto, sentamos ao redor da fogueira e estarmos mais tranquilos, começamos a conversar de novo:

– Então... agora que estamos mais seguros e calmos... como você se chama?

– É... seguros... — disse ela se aproximando mais de mim, abrindo um sorriso, deitando no meu ombro e fechando seus olhos.

– É... seguros... mas então como você se chama?- disse eu com um tom de voz mais baixa por, também, meu coração já parara de bater tão rápido e forte.

– O meu nome é Aimee, Aimme Dhow. E o seu? — perguntou ela já sussurrando.

– O meu nome é Gabriel... — disse eu já fazendo silêncio em seguida por acabara de descobrir algo que, provavelmente, a Aimee perguntaria em seguida.

– Gabriel... nome bonito, mas... Gabriel do que? — perguntou ela já começando a olhar nos meus olhos novamente.

Eu comecei a tremer, suar frio pela resposta, talvez, abaladora que viera a seguir:

– Dhow... Gabriel Dhow, Aimee Dhow, Gabriel Dhow... — disse eu já me calando depois de terminar minha fala.