Problema Não Falta Em Ninguém
1 Baía de São Comué
Notas iniciais
Então lá estávamos eu e a minha bicicleta vendo o pôr do sol na minha velha '' casa '' na famosa Baía de São Comué. A minha '' casa '' por fora era mais uma cabana feita de papelão, alguns lençóis e alguma palha que restara ainda da seca que eu e meu povo estivemos passando há já alguns dias atrás. Eu vivera sozinho, independente e solitário, por um simples devastante motivo, que no caso, causara todo essa seca... um incêndio. Ele levou tudo o que era pertence meu, mas ele levou o que era mais importante ainda para mim, minha família, amigos e todo o povo da Baía de São Comué. Eu ainda gosto de pensar e dizer que eu tenho povo, que eu tenho alguma coisa para, você sabe, não parecer mais triste do que já é, foi e será.
Eu ainda vivo com alguns animais típicos de fazenda rural e vasta. Construí lares, moradias e cabanas para cada um desses animais, atualmente indefesos, no meu tempo livre, que no caso é... sempre. Um pouco antes de meus pais falecerem eles me deram uma bicicleta velha e enferrujada e a que está fazendo uma bela companhia há um tempinho e agora e nesta vista inaveriguável de qualquer local se não na Baía de São Comué. Já estava a anoitecer e então botei os animais ás suas respectivas casas. E já não tendo mais muitas forças naquele momento, me dirigi a minha humilde cabana, chamei o Niko, meu cachorro de estimação que também sobreviveu ao incêndio junto comigo, fechei a porta improvisada, me cobri com uma manta, deitei minha cabeça num travesseiro NADA mácio e então comecei a acariciar o meu cão e olhar as estrelas começarem a dar as caras pelo, novamente, inaveriguável, céu da Baía de São Comué.
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