Problem Girl
1 Prólogo
Prólogo
POV'S Gabriela
Eu estava na sala de aula, impaciente, e com a minha maquiagem já desgastada. Mordia a ponta da caneta enquanto trocava olhares entre o relógio da parede e os botões que fechavam a camisa do professor.
Olhei para o meu colega do lado e ele parecia concentrado. Meu olhar desceu analisando cada centímetro do seu rosto até cair nos rabiscos que ele fazia no caderno.
– O que é isso? — Perguntei não muito interessada.
Ele não respondeu, me encarou seriamente alternando olhares entre minha boca e olhos.
–Parece um esquilo. — Falei após ele voltar sua atenção ao desenho.
Ele deu um meio sorriso devido à minha tentativa desastrosa de dedução.
O observei por alguns segundos e voltei meu olhar para o professor. Até gosto de história, mas nasci para ficar dormindo mesmo.
O sinal finalmente tocou depois de anos.. Suspirei de tão prazerosa que foi aquela sensação.
Alexy me olhou malicioso durante o meio segundo em que eu gemi, percebi seu olhar e involuntariamente corei.
– A propósito, era um lobo, não um esquilo, você é péssima. — Disse Alexy com um sorriso que acabava com qualquer psicológico.
Ele pegou sua mochila e saiu da sala, ia fazer o mesmo, mas lembrei que eu tinha que tirar foto das anotações do quadro, e, com o canto do olho, espiei Maicon e Ellie, estavam claramente flertando, decidi não interferir em nada e saí da sala.
Me direcionei ao banheiro e entrei em uma das cabines.
– Gabriela! Você viu?? — Fui surpreendida pela Amber pendurada na porta da cabine.
– Amber! Que merda é essa?! — Gritei desesperada enquanto tentava me cobrir com papel higiênico.
– A Ellie e o Maicon! Não é romântico?? — Ela continuou falando como se nada de mais estivesse acontecendo.
– Sai dessa porta! Eu quero fazer xixi! — Joguei um dos meus sapatos na cara dela.
– Ai! — Ela gritou e ouviu-se o barulho do seu corpo estatelando no chão.
Utilizei o banheiro e sai rapidamente para ver se ela estava bem. Ao sair não vi ninguém e entrei em desespero.
– Amber? Amber! Amber!! — Comecei a chamá-la e de repente uma porta solta que estava jogada no banheiro se atirou em mim.
Gritei tão alto que chamei a atenção de todos da escola, naquele momento senti que todos os meus ossos haviam sido quebrados.
Ouvi passos apressados vindo em direção ao banheiro.
– Isso é pra você aprender a nunca mais empurrar as pessoas de portas de ba.. — Amber não pôde terminar de falar pois uma voz conhecida a cortou.
– Mas o que é que ta acontecendo aqui? — Ellie perguntou assustada.
– Ellie.. — Tentei falar quase sem ar.
– Ai meu Deus.. Gaby! — Ellie correu para me ajudar e Amber também ao perceber que eu estava quase morrendo.
Elas me ajudaram a levantar, apesar da dor, eu estava bem, e meu rímel continuava intacto.
– Você está bem Gabriela? — Ellie perguntou limpando gentilmente a poeira da minha blusa.
– Estou, eu acho.. — Mal consegui terminar de falar quando senti uma pontada de dor nas costas.
– Ai! Não, não estou. — Choraminguei enquanto me aproximava do balcão mais próximo.
– Gaby, desculpa amiga, eu não queria te machucar, eu juro! — Amber desculpou-se enquanto me abraçava.
– Ai! Cuidado Ambs! Aí dói!! — Gritei após ela ter me apertado.
– Desculpa! — Ela se afastou e esfregou meu braço cuidadosamente.
– Será que alguém pode me explicar que porra está acontecendo??! — Ellie gritou com uma mistura de nervosismo, raiva e preocupação.
– Bom.. — Amber começou a contar, porém foi interrompida por um grito histérico.
– Que gritaria é essa?! Mas o que.. — A diretora adentrou o banheiro e pôs-se assustadoramente surpresa ao se deparar com a situação.
Eu, Ellie e Amber nos entreolhamos.
– Fudeu... — Amber sussurrou.
A diretora nos olhou demoniacamente. Agradeci à Deus naquele momento pois se um olhar matasse, tenho certeza que nós três não estaríamos mais ali.
– Detenção pelo resto da semana!! Para as três!! — Ela gritou tão alto que Amber saltou para trás.
Confesso que a diretora nunca foi paciente, mas jamais tinha a visto dessa forma. Por um minuto, achei que ela estava possuída.
Amber foi a primeira a sair correndo. Ellie foi logo atrás revirando os olhos, o que deixou a diretora ainda mais furiosa. Andei devagar até a porta devido à dor.
– Rápido! — A diretora gritou.
Assustei-me e acabei tropeçando e caindo. A dor foi ainda pior naquele momento.
Ainda no chão, levantei os olhos e me deparei com sapatos masculinos.
– Gaby, você está bem?...
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