Problem Girl
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Capítulo 3
POV'S Gabriela
– Ai meu Deus... — Lamentei com vontade de morrer.
– Jacob, me desculpe, eu não sabia, e-eu... — Gaguejei completamente sem jeito.
– E-eu achava q-que não tinha n-ninguém aqui... — Falei mexendo no cabelo nervosamente e procurando uma forma de me desculpar.
– E-então você apareceu e-e eu m-me assustei, eu... E-eu sinto muito, muito mesmo Jacob... — Eu disse totalmente envergonhada, mas percebi que ele me encarava como se estivesse se divertindo com o meu jeito.
– Ei, calma, tudo bem. Eu entendo, eu também me assustaria haha. — Ele falou segurando minhas mãos.
– Hahahan... — Eu sorri forçada, era mais do que óbvio o meu nervosismo.
– E pode me chamar de Jake. — Ele disse sorrindo.
– Ok... Jake... — Falei inteiramente boba.
– Calminha pepeca. — Sussurrei para mim mesma.
– O que disse? — Ele perguntou franzindo a testa mas ainda sorrindo.
– Nada! — Respondi rapidamente para evitar outro constrangimento.
– Ta... — Ele sorriu.
– E você? Como se chama? — Jake perguntou interessado.
– Gabriela, mas pode me chamar de Gaby. — Apresentei-me nervosa e ele continuava a se divertir com isso.
– Hum, ok... — Ele se afastou um pouco, visto que eu estava suando feito um porco de nervosismo.
– E então Gaby, eu ainda não conheço nada de interessante aqui além de você. Poderia perder mais alguns minutos do seu dia e me mostrar a escola? — Ele falou com um sorriso sedutor e uma voz completamente "meu Deus, minha pepeca está encharcada" . Era um conjunto quase impossível de dizer não.
– É c-claro... — Gaguejei tentando não parecer tão retardada.
Ele agradeceu com um sorriso gigante e deu um passo para trás, abrindo um espaço em sua frente como um gesto para que eu o guiasse.
Eu o mostrei toda a escola, ao mesmo tempo que era divertido estar perto dele, era incômodo, ele era muito simpático mas sabia exatamente como me deixar sem graça, o que não era lá uma das coisas mais complicadas do mundo.
Conversamos bastante e eu pude conhecê-lo um pouco mais. Ele tinha 16 anos, seus pais haviam se separado e por isso ele se mudou de Brasília com o seu pai para cá. Ele procurou se matricular em uma escola o mais rápido possível para o concluir o primeiro ano do ensino médio, e, por sorte, Jacob acabou parando na MINHA escola.
– Bom, já é tarde. — Ele falou ao olhar em seu relógio que aparentava ser mais caro que a minha casa.
– Que pena. — Eu disse com um ar triste fazendo-o sorrir.
– Obrigado por me mostrar a escola Gaby, a gente se vê amanhã. — Ele sorriu agradecido.
– De nada. — Eu ri nervosa.
Jake se aproximou sem pressa alguma olhando fixamente nos meus olhos, neste momento senti meu corpo estremecer por inteiro, e minhas pernas pareciam não conseguir mais sustentar-me. Ele estava ainda mais perto e eu podia sentir sua respiração quente próxima a mim, resolvi me deixar levar e fechei os olhos ao mesmo tempo em que também me aproximava.
Para a minha surpresa, Jake mudou de direção e beijou demoradamente a minha bochecha. Senti que eu estava inteiramente corada, não sabia o que fazer então fiquei ridiculamente imóvel.
Ele se afastou com um sorriso enorme e piscou irresistivelmente para mim antes de sair.
Após sua saída eu senti que finalmente eu pude respirar. Ficar ao lado dele era uma pressão sem fim, eu era confiante, mas ele era ainda mais.
Depois de não ser mais capaz de enxergar nenhum pontinho sequer no horizonte que poderia ser a pessoa de Jake, eu gritei com toda a minha alma, fogo e felicidade para o mundo, fazendo com que algumas atenções desconhecidas caíssem sobre mim, além de olhares que demonstravam dúvidas e críticas sobre a minha sanidade, mas eu não me importava.
Eu não poderia estar mais feliz, nem me afetei com o sermão que levei ao chegar em casa, mas, infelizmente, do interrogatório eu não pude fugir. Minha mãe me fez sentar no sofá da sala e responder todas as suas perguntas.
Ela me encarava com uma mão na cintura e batendo o pé no chão em sinal de reprovação.
– Gabriela.. — Ela chamou minha atenção friamente fazendo-me levantar o meu olhar e, igualmente, encará-la.
– Você não vai falar nada? — Minha mãe perguntou com uma expressão séria, mas não parecia querer que eu realmente respondesse sua pergunta.
– Você não me perguntou nada. — Eu falei irônica.
– Gabriela você me prometeu olhando nos meus olhos que não se meteria mais em problemas! — Ela falou alto.
– Eu não me meti em problemas. — Falei um pouco mais nervosa.
– Então porque você chegou tão tarde Gabriela? Você tem ideia de que horas são?! — Ela gritou.
– Er.. 17:00.. — Eu disse ao verificar as horas no meu celular.
Ela bufou e passou as mãos pelos cabelos tentando manter a calma e encontrar um pouco de paciência para lidar comigo.
– Gabriela, o que aconteceu? — Minha mãe perguntou, dessa vez ainda mais séria, mas era uma seriedade tenebrosa, como se a qualquer momento ela fosse pegar uma arma de dentro dos seus seios e me matar.
Eu suspirei e resolvi contar tudo.
– Aconteceu uma coisa no banheiro feminino (sim, professores de português de plantão, é "feminino". não "femenino") , mas eu não fiz nada, eu juro! — Eu disse.
– Gabriela eu não tô entendendo nada, explica isso direito. — Minha mãe falou impaciente.
– Eu estava no banheiro fazendo xixi, Amber apareceu na porta do banheiro e eu empurrei ela pois não admito essa invasão de privacidade, daí eu saí e a doida não estava lá, foi quando uma porta voou em mim e me machucou... — Eu explicava e a minha mãe franzia as sobrancelhas em sinal de "que porra é esta?".
– ... eu senti uma puta dor e Ellie apareceu para me ajudar, mas aí a diretora surgiu das profundezas do inferno e viu a loucura que fizeram no banheiro que EU não tive culpa alguma, e sabe o que mais o que eu não tive? Eu não tive como escapar, fui para a diretoria e ela me deu detenção, juntamente com Ellie e Amber, e tivemos que limpar a porcaria imunda do laboratório. — Eu continuei falando e a minha mãe me interrompeu.
– Ta, ok, calma... Mas... — Ela falou fazendo um gesto para que eu calasse a minha boca.
– A detenção, que eu saiba, é por 1 hora, então você deveria voltar para casa às 14:30, como você me justifica isso mocinha? — Ela me perguntou desconfiada, não havia como esconder nada da minha mãe.
– Bom... — Eu comecei a falar.
– Chegou um cara novo, e quando eu estava saindo da escola, ele apareceu e me pediu que mostrasse o colégio para ele... — Disse meio sem jeito.
– ... E acabou que conversamos demais... — Terminei de falar e encolhi os ombros.
– Só conversaram? — Minha mãe me provocou.
– Só... — Respondi sem jeito pois senti que corei levemente.
Olhei para a minha mãe e ela estava com um meio sorriso no rosto, pelo menos a raiva havia passado, isso significa que eu vou viver mais um dia.
Eu ativei o meu celular para ver as minhas mensagens e fui surpreendida por um abraço doce e caloroso.
– Eu fiquei preocupada com você sua doidinha.. — Minha mãe disse e depositou um beijo na minha cabeça.
– Desnecessariamente, você me conhece. — Retribui seu abraço.
Ela me olha sorrindo e duvidosa e automaticamente eu sorri junto.
– Nunca mais faça isso. — Ela me advertiu erguendo um dedo e se afastou.
– Não tem como, eu sou uma garota problema. — Falei alto após ela estar distante o suficiente para não me cravar com um olhar de repreensão.
Ativei novamente o meu celular para verificar minhas mensagens, e entre essas mensagens, havia uma de um número desconhecido.
" Oi Gabriela! ;) " – A mensagem do desconhecido dizia.
" Quem é? "
" Opa! Hehe, esqueci de dizer :3, sou eu, o Jake."
" Jake? Como conseguiu o meu número? "
" Eu tenho os meus contatos, e quando eu quero uma coisa, eu consigo ;) "
" Okay... "
" Então, você vai fazer alguma coisa sexta à noite? "
" Acho que não, por quê? "
" A gente podia ir no cinema, ou no parque, se você preferir.. :3 "
" Hum... Ok, qualquer coisa eu te aviso! "
" Blz, bjs ;) "
" XOXO ♥ "
Desativei o meu celular com um sorriso gigante e comecei a pensar em uma maneira de conseguir sair com Jake sexta à noite, eu não poderia desperdiçar aquela chance.
Eu tinha que pensar em algo...
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