Probably Tania (Em Revisão)
1 Provável é bom
Notas iniciais
Capitulo 1
Provável é bom
— Tania Enfron
Castigo
Uma palavra que defini a isolação do mundo.
Espera aí!
Eu sou isolada do mundo, sendo assim castigo é uma recompensa para mim. Meus pais me deixaram de castigo só por que ameacei tirar os olhos e as cordas vocais da filha da diretora, qual é? Ela merecia, ela jogou sorvete na camisa da Megara, minha melhor amiga nerd e alta demais.
Ela estava merecendo umas cirurgias a sangue frio.
— Então você ficará conosco por três dias — escutei minha tia falando, só o final, mas enfim.
Na verdade eu já levo três dias de viagem só no ônibus, mais dois dias aqui e os três dias de viagem de volta para Miami... oito dias no total e eu só ganhei sete dias de suspensão. Ops, parece que alguém faltará um dia de aula!
— Tá tia, não me importo – respondi dando de ombros.
Não foi culpa minha meu pai dar um de pão duro e me colocar para dentro de um ônibus ao invés de um avião.
— Que bom, por que eu também não — escutei a voz da única pessoa que realmente me compreende, Stella, minha diva do vudu. Vi David ao lado dela e não pude pensar em coisas feias. Ele é gato.
— Fala aí, bundudo, já tá livre pra mim? — perguntei para David que estava com os dedos entrelaçadas com os de Stella. Acho que já sabia a resposta, que triste pra mim.
— Sinto muito, Tania, mas continuo a amar a Stella – ele explicou com um sorrio de canto.
— Que droga — falei revirando os olhos – Oi, Stella, minha musa — fiz biquinho pra ela.
— O que fez dessa vez, Enfron? — ela me perguntou se abaixando pra me dar um pescotapa, sim, se abaixando. Eu tenho 1,58 ela tem que se abaixar bastante.
— Ai! — falei esfregando meu pescoço – Só ameacei tirar os olhos e as cordas vocais da filha da diretora.
— Já disse pra parar de ameaçar e fazer logo, que coisa. Assim você é pega — ela falou revirando os olhos novamente e David ficou rindo.
Agarrei-me no primeiro poste que vi.
— Por que eu não tenho um namorado gato assim? Por quê? — me perguntei.
— Pensei que não ligasse para ter namorados, querida — minha tia falou ao meu lado.
— E não ligo — disse me desgrudando do poste — mas como a senhora acreditou, eu estou indo bem na minha atuação. — falei tentando dar um sorriso carinhoso para ela.
— Seu sorriso seria mais bonito se tirasse esse piercing — ela disse apontando para o piercing em meu lábio, no canto direito.
— Então se eu colocar mais um piercing vai ficar mais feio meu sorriso? – perguntei fingindo tristeza.
— Sim! – ela respondeu animada, como se realmente sua indignação estivesse funcionando.
— Vou colocar mais três — falei pegando minha bolsa do chão e partindo para o carro. Quando sai da rodoviária vi Stella se despedindo de David que ia embora em seu carro.
— Tchau, bundudo — falei mexendo os dedinhos acenando em despedida.
— Tchau, Tania — ele disse rindo e acelerando o carro.
— Ele é bem maneiro, você é muito sortuda — falei para Stella.
— Eu sei — ela disse deixando um sorriso surgir em seu rosto — Um dia você encontra alguém também.
— Pra quê? Só se for pra eu matar!
— Pode ser – ela deu de ombros.
— Meninas, vamos para casa — meu tio nos chamou e fomos em direção ao carro que meus tios já tinham entrado.
— Quero sua ajuda para acabar de arruinar minha fantasia – Stella pediu enquanto nos dirigíamos para o carro.
— Fantasia? — perguntei confusa.
— Vai ter uma festa de Halloween na escola e meus pais me obrigaram a ir, então eu preciso acabar com a minha fantasia de fada – ela me explicou.
— Vai de fada zumbi? – supus, não iria conseguir imaginar Stella com algo colorido demais.
— Exato — ela confirmou com o sorriso louco dela e um brilho no olhar.
— Ok, ajudo sim – respondi.
— Ótimo, por que temos que fazer as fantasias dos meus pais também – ela disse me surpreendendo.
— Por quê? Eles também vão? – perguntei quando alcançamos o carro e ela abriu a porta para mim.
— Eles vão ser os pais responsáveis na festa – ela respondeu revirando os olhos.
— Ah — soltei imaginando meus tios vestidos de super heróis. Por que, ao contrário de Stella, aqueles ali eu consegui imaginar com algo bastante colorido.
A casa de Stella era próxima a rodoviária, então não demorou a chegar a casa e poder se jogar na cama dela.
O quarto de Stella não era muito diferente do meu em termos de arrumação, era azul escuro com a parede próxima a janela em bege onde ficava um mural gigante de fotos dela. Era praticamente toda a parede. Fotos coladas uma por cima das outras, alguns adesivos em forma de balões com falas, algumas tachinhas pretas prendendo certas fotos tortas ao redor das outras e lembretes de algum evento como um convite ou um simples lembrete de geladeira.
— Sempre achei estranho o tipo de garota Dark ter um mural gigantesco de fotos — falei me aproximando do mural.
— Eu gosto de guardar minhas lembranças — ela disse pegando algo em seu armário — é bom. Nos faz ter momentos feliz mesmo quando não queremos.
Eu concordei com a cabeça e comecei a olhar as fotos, tinham milhares de fotos dela pequena com meus tios. Por acaso encontrei uma minha e dela no dia de Ação de Graças, eu estava com o braço quebrado e ela desenhava em meu gesso uma guilhotina, eu comecei a rir. Tinha uma foto dela e do David em uma festa que não consegui determinar o tema, mas os dois estavam sorrindo um para o outro. E tinha uma na pizzaria da cidade com um garoto que nunca tinha visto antes, Stella estava comendo pizza ao lado de uma amiga dela, se não me engano chamada Amélia, e com um garoto atrás do balcão fazendo pose de Super Homem.
— Stella — chamei -, quem é esse garoto? — apontei para a foto. Ela foi até sua cama largar algumas coisas que tinha pegado no armário e veio até onde eu estava.
— Esse é o Kevin, ele é filho do Charlie, o dono da pizzaria. Por quê? – ela perguntou voltando para sua cama.
— Só achei ele gato! — respondi voltando a olhar a foto.
— Além de gato ele é muito filosofo. Sempre está inventando uma nova teoria de alguma pessoa, e normalmente ninguém entende essas teorias – Stella disse com uma risada.
Achei engraçada essa definição dele, olhei novamente para a foto e o mirei.
— Interessante — disse e fui me jogar novamente na cama da Stella.
— Vamos começar logo — ela disse jogando uma bolsinha em cima de mim.
Peguei a bolsinha e abri, era uma bolsinha de costura. Pegue a linha preta e uma agulha, desci para me sentar no chão assim como Stella para ser mais fácil de espalhar todo o material e começamos a arrumar aquela coisa cheia de cor.
Não foi tão difícil, cortamos o vestido e costuramos uma renda preta por baixo, depois rasgamos várias partes e colocamos tecidos mais escuros, ficou bem divertido e sombrio.
— Estou com fome — reclamei me jogando no chão — e minha bunda esta doendo de tanto ficar sentada no chão.
— Já deve ser a 6° vez que você fala bunda, só hoje.
— Bunda é uma palavra maneira e a sonoridade dela é muito show. B-U-N-D-A — soletrei devagar — Até soletrando fica maneiro, admita!
— Pode deixar que quando você morrer eu arranco sua bunda e coloco na sua lápide – ela disse ainda costurando uma parte de seu vestido.
— Você é dois anos mais velha que eu, você vai morrer primeiro – eu apontei.
— Quem disse? — ela me perguntou me encarando enquanto eu também a encarava, ficamos assim por uns dois minutos até que desistimos e vimos que aquele encara encara já estava ficando chato.
— Continuo com fome — falei voltando a deitar no chão.
— Também tô com fome, mas é fome de pizza – ela fez essa observação e eu fiz uma careta de alegria.
— Boa pedida – a informei.
— Vou fazer o pedido — ela disse se levantando e saindo do quarto.
Fiquei olhando o teto e sentindo a dor na minha pequenina barriguinha de verme até que escutei a porta do quarto se abrindo com força.
— Quê isso? — levantei devagar olhando o pé de Stella esticado indicando que ela tinha chutado a porta do quarto para abri-la — Por quê? — perguntei apontando para seu pé.
— Estão sem entregadores, alguém vai ter que ir lá buscar a pizza. – ela explicou com raiva.
— E você vai né?!
— Não, você que vai.
— Não.
— Sim.
— Não!
— Você quer que eu arranque esse piercing ridículo da sua boca?
— Tenta – falei subindo as sobrancelhas em uma clara demonstração de superioridade.
Ela se jogou em cima de mim, começamos a rolar e gritar pelo quarto. No meio do caminho ela conseguiu pegar um alicate.
O QUÊ?
Ficou por cima de mim e apontou o alicate em direção a minha boca.
— EU VOU ARRANCAR! – ela gritou aproximando o alicate da minha boca.
— ONDE VOCÊ ARRANJOU ISSO? – gritei de volta completamente confusa.
— TENHO ALICATES PELO QUARTO TODO, ESSA É A MINHA ZONA DE ATAQUE, MEU BEM! – ela se gabou.
— Você não teria coragem – eu afastei meu rosto.
— Como tenho! – ela deu de ombros.
— Ok, eu vou — falei bufando e tentando tira-la de cima do meu corpo.
Ela saiu de cima de mim jogando o alicate pra baixo da cama.
Antes de levantar do chão dei uma olhada na direção em que ela jogou o alicate e havia uns quatro alicates de tamanhos diferentes ali de baixo, ok, eu realmente tenho muito que aprender com a Stella.
Levantei-me e coloquei minha jaqueta, ajeitei meu coturno e peguei o dinheiro com Stella.
Fui em direção a bosta da pizzaria do Charles, tá, a pizzaria não é uma porcaria, apenas o caminho e as pessoas.
Entrei na pizzaria e bati na campainha que havia em cima do balcão. Um garoto alto se levantou do chão, ele se virou pra mim e vi que era o garoto da foto de Stella.
Como era o nome dele? Devin, Jefin, Levin...
— Olá — ele falou com um sorrisinho, que sorrisinho é aquele?
— Pizza da Stella — falei o que foi mandado que dissesse, Stella não é muito de explicações e nem eu sou fã também.
— Então você é mensageira da Stella nauseante – ele disse concordando com a cabeça.
— Mens.... Nauseante? — perguntei enrugando a testa.
— Sim, nauseante — ele olhou para o teto o admirando. Não consegui evitar olha-lo também pra ver se tinha algo lá, mas não tinha nada e quando voltei meu olhar para o garoto ele estava próximo ao meu rosto. Eu arregalei os olhos por um instante com o susto e depois voltei ao normal.
— Tenta ser durona — ele disse sorrindo e novamente balançando a cabeça em concordância. Concordância com o quê?
— Como é? – perguntei me afastando um pouco do balcão.
— Você — ele apontou pra mim se aproximando por cima do balcão, se aproximando de mais -, tenta ser bem durona, mas não é tanto assim.
— Seu esquisito – falei com uma careta.
— Eu sou esquisito? – ele perguntou com inocência.
— Sim, todo estranho me analisando e sendo...sei lá estranho – balancei as mãos em sua direção.
— Então sou esquisito e estranho. Mais alguma qualidade? – ele perguntou curioso.
— Preciso de mais que uma conversa de 1 minuto pra saber – disse cruzando os braços e voltando para perto do balcão a fim de pegar logo minha pizza.
— Mais conversa ou ações? – ele perguntou iluminando seu rosto com uma feição que eu desconhecia de outras pessoas.
— Tem diferença? – eu questionei.
— Tem, conversa é o que estamos tendo e ações é tipo isso — ele puxou minha nuca e me beijou.
Os lábios deles se colaram com os meus de uma forma tão intensa que não consegui evitar de fechar os olhos assim como ele havia feito. Mas minha mão também não evitou bater na cara dele.
— Seu lerdo, tá pensando o que? – exclamei alarmada.
— Opa! Mas uma qualidade, três em um dia só. Acho que isso é um recorde – ele juntou o braço ao corpo e fez a típica comemoração do “Yes!”.
— Vou ter também o recorde de socos em um cara, em um dia só — falei me preparando pra cair em cima dele nem que eu fosse cair de cara no chão.
— Você pareceu gostar — ele disse se apoiando no balcão — Até fechou os olhos.
— Como? — eu perguntei. Como ele percebeu? Ele já estava de olhos fechados.
— Não sei — ele falou sorrindo — Meu nome é Kevin, qual o seu nome desconhecida dos lábios de mel?
— Lábios de mel? – fiz mais uma pergunta ainda mais confusa.
— Sim, seus lábios tem gosto de mel. – ele explicou sorrindo — E eu tenho uma paixão doentia por mel. – ele disse passando a língua nos lábios como se ainda sentisse o meu gosto.
Dei um sorriso fraco.
— Você não pode sair beijando qualquer uma por aí, sabia? – perguntei tentando desviar do assunto boca dentro de mim.
— Não foi qualquer uma — ele fez cara de bebê indefeso, ele era bom em fazer caretas -, foi a garota com lábios de mel!
— Para com isso — comecei a bater o pé com raiva e me sentindo muito confusa com aquilo tudo -... isso é... fofura demais!
— Ok — ele disse rindo e apoiando a cabeça na mão -, qual o seu nome?
— Chuta — falei mordendo o lábio e não conseguindo evitar deixar uma incógnita para ele resolver. Ele já tinha deixado duas na minha vida: Por que eu ainda estava de papo com um estranho? Por que eu estava gostando tanto?
Aguardando a resolução do problema! Tem gabarito na internet?
— Deve ser um nome forte e diferente – ele observou.
— Nem tanto — falei mostrando a língua.
— Ok, poder ser Morgana – ele tentou.
— Por quê? – perguntei erguendo uma sobrancelha.
— Não sei, combina – ele me encarou.
— Nem um pouco. – admiti com um sorriso nos lábios.
— Úrsula? – ele tentou novamente.
— Não.
— Foi mal, me lembrei da Pequena Sereia.
— Por qual motivo? – perguntei descruzando os braços e levantando as mãos em pergunta.
— Se eu falar vai dizer que sou todo meloso – ele piscou pra mim.
— Ok, meu nome é Tania.
— Gostei, tenho que escrever no meu bloquinho de notas.
— Bloquinho de garotas que você já beijou?
— Não, garotas que quero conquistar.
— Deve ter várias.
— Errou, ela está vazio. Nunca quis conquistar alguém.
— Então, por que eu? Eu sou uma desconhecida.
— Seu lábio não.
— Não, mas antes eu era.
— Antes você era a garota bonita e com estilo que entrou na pizzaria e não me deu atenção. E eu gostei disso — tentei me controlar e não ficar vermelha, sim eu tenho controle sobre o meu corpo.
— Provavelmente esse seu bloquinho vai se encher de nomes e o meu será esquecido.
— É provável que amanhã você ainda lembre-se do beijo?
— Sim.
— Então o provável já esta bom.
Eu ri.
— Eu só quero minha pizza — falei rindo.
Ele olho atrás de mim e depois voltou a me olhar.
— Já está escuro — ele disse pegando uma chave atrás do balcão — eu te levo.
— Eu não pedi que você me levasse.
— E eu não perguntei — ele disse voltando a me encarar.
— Só quero a pizza.
— E eu só quero que você chegue em casa em segurança.
— Quem disse que preciso da sua segurança.
— Ai — ele colocou as mãos no peito — essa doeu.
— Por que doeria se você nem me conhece.
— Me responde uma coisa! Quantas pessoas que te conhecem desde pequena sabem o gosto dos seus lábios.
— DÁ PRA PARAR — gritei com raiva — você me pegou despreparada.
— Desculpa, mas eu te conheço. Pouco, mas conheço.
— Idiota imbecil do caramba.
— Ok, vou pegar sua pizza — ele disse e foi em direção a uma porta atrás do balcão.
Enquanto isso eu planejava como iria pegar pizza das mãos dele, ele era mais alto que eu então seria um pouco difícil.
Ainda mais por que ele é alto e forte e eu baixa magra fraca. Sim, isso foi uma expressão de definição da Tania.
— Prontinho — ele falou passando pela portinha do balcão com a pizza nas mãos.
Eu me joguei em direção a pizza a qual ele tirou do caminho e eu dei uma freada pra não bater de cara na parede.
— Que feio, pegando pizza sem pagar.
— Eu ia pagar, mas você me beijou e isso já foi o pagamento.
— Se você me deixar te levar em casa a pizza vai ser de graça
— Quem vai pagar é a Stella e não eu.
— Mas se você não deixar eu te levar, vou deixar a pizza bem cara.
— O dinheiro da Stella — dei de ombros — Não me importo — falei cruzando os braços com o semblante de vencedora.
— Mas a Stella não vai gostar nada de você ter gastado o dinheiro dela e se eu bem conheço a Stella, ela é ótima em dar castigos.
Eu engoli em seco, tá eu não tenho tanto medo da Stella, mas é melhor prevenir.
— Ok — falei bufando — Você pode me levar.
— Ótimo — ele disse dando um sorrisinho de canto, um cafajeste de carteirinha.
— Vamos logo — disse me arrastando para a saída da loja.
Ele foi em direção ao carro e abriu a porta pra mim, eu fiquei o encarando ate que ele desistiu e foi para o outro lado entrar no carro, entrei depois dele.
— Qual casa?
— Stella.
— Ela é sua parenta? — ele me perguntou enquanto ligava o carro.
— Não te interessa.
— Que resposta feia.
— Eu vou deixar sua cara feia.
— Então minha cara é bonita?
— Dirige!
— Que resposta feia.
— Eu vou deixar sua cara feia
— Então minha cara é bonita?
— Dirige!
Ele deu partida no carro e se direcionou a casa da minha prima, eu fiquei virada para janela o tempo todo.
Agora já estávamos no outono e o clima era perfeito, provavelmente em Miami estava mais quente.
Minhas queridas praias e meu lindo sol me aguardavam em casa, mas enquanto isso eu tinha que aturar o pequeno e ridículo calor de San Diego.
— É aqui?
Eu me virei para ele que estava olhando a casa de Stella.
— Sim — falei sorrindo, peguei a pizza que estava no banco de trás e sai correndo do carro. — ATE NUNCA MAIS — gritei abrindo a porta e me trancando dentro de casa
— Por que demorou tanto? — Stella perguntou me vendo respirar rápido.
Sou sedentária, qualquer tipo de esforço fico cansada.
— Toma sua pizza maldita — falei tacando a pizza pra ela.
— Cadê o troco? — ela perguntou começando a comer uma fatia de pizza. Coloquei todo o dinheiro em cima da mesinha que tinha perto da escada.
— Foi de graça — falei subindo as escadas — infelizmente.
(...)
— Já terminamos a minha fantasia e a do meu pai, só falta o da minha mãe — Stella me fala enquanto estou plantando bananeira no meio do quarto.
— Ok — falei caindo de costas no chão — Ai, como isso dói.
— Ãrrã — Stella soltou com sua típica cara de "vai doer mais se eu te matar".
— Fome é o que sinto — falei me arrastando pra cama.
— Vou pedir uma pizza.
— O que você tem contra fazer comida.
— Eu não sei fazer comida, mas se for carne humana talvez eu consiga.
— Eu vou fazer a comida — falei me levantando e descendo para a cozinha.
Eu abri a geladeira e vi que tinha arroz pronto, já era alguma coisa. Tinha ovos.
— Perfeito, melhor do que aquela pizzaria do cão — falei pegando os ovos.
Comecei a bater os omeletes, coloquei-os no fogo e fui ao banheiro.
Demorei uns 2 minutos no banheiro e quando voltei a frigideira estava em fogo.
— STELLA — gritei desesperada, corri ate o extintor que tinha na porta da cozinha.
— O que foi? — ela perguntou aparecendo na porta da cozinha, ela olhou para fogo e continuou parada — Se queria queimar a casa me falava antes.
— Me ajuda abrir a droga desse extintor, eu não aguento.
— Tá — ela disse vindo em minha direção e apagando o fogo com o extintor.
— Vou pedir a pizza — ela disse largando o extintor na minha mão me fazendo cair.
— Droga de omelete — falei encarando a frigideira caída no chão.
Demorou alguns minutos e a campainha tocou e ninguém foi atender, ela tocou de novo e nada.
— Stella, vai atender.
— Eu apaguei o fogo.
— Estupida.
— Ridícula.
Levantei-me e fui abrir a porta e ao abrir eu me arrependi.
— Olá lábios de mel — Kevin disse com um sorrisinho no rosto. Ele me puxou pela cintura e me beijou de novo. Eu o empurrei pegando a pizza, entrei para dentro de casa e bati a porta.
— Que foi? — Stella me perguntou pegando a pizza da minha mão.
— Aquele Kevin é um doente.
— Por quê? — ela perguntou com a boca cheia de pizza
— Ele me beijou, duas vezes
— Eita — ela fingiu surpresa — E você gostou?
— Sei lá, acho que sim — dei de ombros.
— Ah tá — ela falou colocando a caixa de pizza na mesinha perto das escadas — Ele esta ai fora?
— Acho que sim.
— Ok — ela falou segurando meu braço.
— O que você esta...
Ela abriu a porta e me jogou pra fora de casa.
Vi Kevin sorrindo quando fui jogada para fora de casa. Virei-me rapidamente pra porta e comecei a bater desesperadamente na porta e a gritar que nem uma retardada.
— DIVIRTA-SE — escutei Stella gritar.
Virei-me completamente raivosa para Kevin que tinha um sorrisinho sacana nos lábios.
— Parece que começamos com o pé esquerdo.
— Nós? — perguntei rindo ironicamente — Você começou, eu não fiz nada.
— Por isso que fomos nós, você aceitou as circunstancias.
— Argh!
— Enfim, você gostaria de...
— Não.
— ...sair...
— Não.
— ...comi...
— Não.
— ...go...
— Não.
— Para o Point Lomar?
— N...- eu travei por uma momento.
— Então você gosta de faróis?
Fiquei em silencio. Eu realmente tenho uma paixão louca por faróis, eles são tão maneiros e tão luminosos.
Mas logo ele que tinha que me convidar.
Entre todas as pessoas no mundo, logo ESSE SER!
POR QUÊ?
— Vai querer ir?
— Você só vai ser a pessoa que me mostrará o caminho para o Point Lomar.
— Tudo bem — ele disse rindo — Vamos desconhecida, irei te mostrar o caminho.
Caminhei ate seu carro de braços cruzados, quando eu ia abrir a porta ele a abriu antes de mim.
— Sou educado, desconhecida.
Ignorei e entrei no carro. Logo ele entrou e começou a dirigir e eu observei o caminho, a cidade de San Diego realmente é linda. Um lugar perfeito para turistas e tudo mais.
Eu observei Kevin pelo canto do olho vi-o sério dirigindo. Ele não notou me olhando, foi o que pensei ate o ver dando um sorrisinho e me olhando rapidamente.
— Chegamos — ele anunciou depois de um tempo.
— Já? — perguntei olhando o local — Não estou vendo nenhum farol.
— É por que estacionei atrás dele, tem um lugar maneiro por aqui.
— Entendi — disse saindo do carro.
— Vem, vou te mostrar o farol com a vista mais linda do mundo- ele veio até mim e começou a me puxar pela mão.
Eu não sei por que mais aquela maluquice de ser impulsivo demais me contagiou, ele era espontâneo ate demais e chegava a irritar o modo como ele agia sem pensar em nada. Mas era maneiro esse jeito de agir por vontade própria, sem ligar para o que os outros pensam e nem para as consequências, apenas para o que acha certo.
Comecei a ver o farol bem mais perto, estávamos realmente atrás do farol, fomos por uma estradinha que havia para indicar o caminho ate o farol.
— E aqui esta o farol de Point Lomar, vou te levar lá em cima.
— Gostei daqui de baixo, já tá maneiro.
— Tem medo de altura? — ele me perguntou.
— Deus me fez baixa pra isso, ele não queria que eu ficasse no alto.
— Tem certeza? A vista é linda.
— Rápido.
— Será bem rápido.
Ele abriu a porta e entramos, tinha uma escada enorme em caracol, começamos a subir devagar e quando estávamos no final aceleramos o passo.
— Valeu a pena? — ele me perguntou ao chegarmos ao topo.
Realmente a visão era linda, já estava escuro e a praia ficava perfeita, as ondas quando batiam nas pedras formavam bolinhas, era tão magnificava aquela visão.
E o lugar em si passava a maior tranquilidade do mundo.
— Quer iluminar, Tania?
— Iluminar? — me virei para ele que estava perto da lâmpada gigante do farol.
— Sim, meu avô era o dono do farol. Ele que controlava isso daqui e eu sou um dos que tem a chave daqui. Então, quer iluminar?
— Quero — falei sorrindo é indo em sua direção.
— É só girar essa chave — ele me mostrou e eu girei.
O farol se acendeu e foi tão incrível que eu levei um susto, a luz era bem forte e eu não conseguia mais olhar.
— Vamos já esta bem tarde.
— Ok — falei indo em direção as escadas.
Descemos mais rápido e logo chegamos ao carro onde comecei a tremer de frio. Sem perceber eu já estava com uma jaqueta por cima dos meus ombros.
— Valeu — falei colocando a jaqueta — Nossa, que enorme! Olha isso — falei apontando para minhas mãos não conseguindo alcançar o final da manga da jaqueta.
— Você realmente é muito pequena.
— Sim, obrigada por lembrar — falei entrando no carro enquanto ele ria.
Fomos direto para a casa da Stella no silencio que fomo para o farol e eu gostei, ele não ficava forçando conversa nem nada disso. Essa parte dele também era bem maneira.
— Entregue desconhecida — ele falou desligando o carro.
— Você me chamou pelo nome no farol, acho que você não é um desconhecido.
— Tem razão, alias meu nome é Kevin Marchol.
— Ok — disse tirando sua jaqueta e o entregando — Até nunca mais.
— Por quê?
— Amanhã eu volto pra minha terrinha.
— Tá só de passagem?
— Sim.
— Vou ter que roubar seu celular pra conseguir o número.
— Meu celular não esta comigo.
— Então, te vejo amanha na rodoviária.
— Como sabe que vou de ônibus?
— Acabei de descobrir.
— Droga – sussurrou.
— Até amanha desconhecida — ele veio em minha direção, eu já estava preparada para dar um tapa nele, por que ele iria em direção aos meus lábios. Mas ele apenas me deu um beijo no rosto e em minha opinião me fez ficar mais vermelha do que quando ele me deu um beijo mesmo.
(...)
— Até logo psicopata da minha vida — eu disse abraçando Stella.
— Até mais bombeiro — Stella me abraçou falando o novo meu novo apelido.
— Tchau tia — abracei minha tia que retribuiu sorrindo.
— Sinto muito pelo Jorge não poder vir se despedir.
— Não se preocupa, só mande um beijo para o tio — falei ajeitando minha mochila nos ombros — E Stella manda um beijo para o bundudo.
— Ok, mando um beijo para o Kevin também.
— Valeu — agradeci rindo com escarno.
Virei- me e fui em direção à plataforma, quando cheguei em frente ao ônibus vejo Kevin encostado na placa que estava escrita o numero da plataforma.
— Falei que viria — ele disse se aproximando de mim — E irei te achar.
— Como?
— Eu estudo em Miami — ele falou sorrindo e beijando minha bochecha — te acho — sussurrou em meu ouvido.
— Provável que sim — falei sorrindo.
— Provável é bom.
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