Probably Tania (Em Revisão)
21 Estou com febre
Notas iniciais
Capítulo 21
Estou com febre
– Tania Enfron
Eu me deitei nos colchonetes que Sasha espalhou pelo quarto, ao contrário de Lua que aceitou dormir na cama do Derek, pois Derek se recusava a dormir no mesmo quarto que a Meg. E eu acho que os dois não iriam conseguir dormir no mesmo quarto, mesmo.
Meg dividiu o colchonete comigo, ela dormiu bem rápido, rápido até demais. Depois de alguns minutos ouvindo o ronco da Lua escutei a porta se abrindo e vi a cabeleira ruiva se retirando do quarto.
Me levantei e a vi indo para um outro quarto no final do corredor, e como eu estava sem sono eu a segui.
Pelo que parecia o quarto em que entre estava vazio e era um quarto designado a empregadas. A janela estava aberta e eu já estava por lá mesmo, então, fui até a janela.
– Tentando fugir? — perguntei saindo pela janela e me equilibrando na roseira onde Sasha estava sentada.
– Não, por enquanto — ela respondeu sem olhar para mim.
– Valeu, por hoje — falei e ela me encarou
– O que? -ela perguntou com as sobrancelhas arqueadas
– Não vai me ouvir novamente.
– O mesmo, não vai me ver te ajudando novamente. Pra falar a verdade eu ajudei o Kevin.
– Aquele ridículo — sussurrei
– Aí que você se engana — Sasha falou segurando os joelhos dobrados contra o peito — Se eu não tivesse sido criada com ele eu com certeza já teria feito de tudo para conquistar o Kevin
– Eu não quero conquista-lo, eu nem o qu...- eu mesma me interrompi
– Quer sim — ela confirmou
– Sua mãe não é muito de te dar atenção, né?! — perguntei mudando de assunto
– Por ela ser diretora de uma escola já mostra que ela prefere saber dos filhos de outras pessoas ao invés dos dela. — ela falou se encolhendo mais. — Você nem pode falar nada, do jeito que você é eu aposto que sua família é completamente desajustada.
– Minha família não tem nada a ver com meu modo de ser — falei — Meus pais me passam muito amor e muita atenção, e eu os amos.
– Você tem razão, eu que sou a desajustada nessa família com talentos incríveis. — ela bufou, se levantou e entrou para o quarto.
– Desajustada — falei para mim mesma e olhei para dentro do quarto onde vi novamente a ruiva saindo — Talvez nem tanto.
(...)
Acordei com Lua cutucando meu braço.
– Que fo.. — ela tampou minha boca e apontou para o outro lado do quarto. Derek e Meg conversavam aos sussurros e ela estava com um sorriso tímido no rosto. Depois ele acenou e saiu do quarto.
– Danadinhos — eu, Lua e uma outra voz, que deveria ser Sasha, dissemos. Meg se virou assustada e completamente envergonhada.
– Nem acredito que meu irmão fez uma garota rir — Sasha disse entre gargalhadas e se contorcendo de tanto rir em cima da sua cama.
– Ela está bem? — Lua perguntou chocada com a cena.
– Acho que não — Meg sussurra
– Eu acho que sim — digo me levantando do colchonete e olhando para Sasha secando as lágrimas. — Ok, eu e as meninas estamos indo embora, só iremos nos trocar.
– E aceitar um café da manhã — Lua diz e Meg dá uma cotovelada nela — Não que a gente vá ficar, apenas se você nos convidar — Lua disse sorrindo e Sasha nos encarou — E você vai, né?! Por que eu estou morta de fome e eu...
– LUA — eu e Meg gritamos a interrompendo.
– Desculpa — ela pediu e escutamos Sasha soltando uma risada.
– Você tá rindo? — perguntei
– Sim, e eu não sou de rir na frente de qualquer um. Se sintam privilegiadas. -ela disse se levantando e pegando nossas roupas dobradas e nos oferecendo — Vou emprestar uma roupa para vocês, por que vocês não vão sair da minha casa fantasiadas.
Ela se dirigiu ao seu armário e começou a tacar roupas para fora dele.
– Até que ela está sendo maneira — Meg sussurra pelo canto da boca.
– Mas continua com a aura salsististica. — sussurro de volta
– Quê? — Meg e Lua perguntam ainda sussurrando.
– Aura de salsicha, entendam os códigos! — falei com ar de desistência e me encaminhei para perto de onde Sasha jogava as roupas.
– Que estranho — escuto Meg falar, eu e Sasha nos viramos e encontramos ela com uma jaqueta nas mãos. — Essa jaqueta é igualzinha a do cara que estava na feira de filmes antigos, e ele estava se agarrando com uma ruiva — ela olho para Sasha — E o garoto parecia o Jay, mas isso é besteira, por que a ruiva parecia a Sasha. — ela diz rindo e deixando a jaqueta na cama.
O que a Meg não sabia era que Sasha e Jay estavam na feira e eu tinha certeza que aquela jaqueta era a do Jay. Mas o que eu não sabia era que eles tinham se beijado. Virei-me lentamente para Sasha
– Essa jaqueta é do meu namorado — Sasha disse se desviando de mim e pegando a jaqueta da mão de Meg. — Peguem a roupa que quiserem e desçam para o café da manhã — ela saiu do quarto batendo a porta.
– Legal, ela nos convidou para o café da manhã — Lua comemorou enquanto eu ainda me recuperava da notícia.
Pegamos algumas roupas descentes, eu e Lua ficamos com os shorts para Meg poder ficar com a única calça comprida que Sasha tinha.
Quando descemos para o primeiro andar percebemos que a casa estava completamente vazia, só tinha a Sasha na cozinha. Fomos para lá e tomamos o café da manhã em silêncio.
– Já vamos — falei me levantando
– Obrigada pelo café da manhã — Lua agradeceu sorridente.
– É, obrigada — Meg disse. Nos levantamos e fomos em direção a porta junto das nossas sacolinhas com as fantasias. Sasha foi na nossa frente e abriu a porta.
– Tchau — Lua disse ao passar pela porta, Meg acenou e saiu, quando chegou a minha vez Sasha fechou a porta.
– Eu sei que você ama a minha presença, mas eu quero ir embora — falei para ela
– O Kevin está vindo para cá, ele vai te explicar tudo — Sasha disse me empurrando para longe da porta. Larguei minha sacolinha no chão e sorri.
– Sempre quis cair na porrada com você mesmo, salsicha — falei correndo pra cima dela. Cai por cima dela e começamos a girar no chão, eu a arranhava e ela puxava meu cabelo. — Só sabe puxar cabelo, sua sem bunda? — perguntei apertando o pescoço dela, ela girou e começou a puxar meu cabelo, deu para sentir alguns fios da minha cabeça se soltarem.
– VOCÊ VAI OUVIR O QUE ELE QUER FALAR — ela gritou puxando meu cabelo. Eu apertei mais o pescoço dela e ela puxou mais o meu cabelo, começamos a gritar e chutar uma a outra. Eu consegui soltar o pescoço dela e comecei a arranha-la, logo voltei a apertar seu pescoço.
– PODE ESQUECENDO, SUA RETARDADA — voltamos a gritar
– O que é isso? — escutamos alguém falar e eu sinto Sasha sendo puxada para longe de mim.
– Finalmente você chegou — Sasha falou para Kevin que a segurava no alto e eu me levantava tentando ter certeza que todos os meus fios de cabelo estavam no lugar.
– Valeu por segura-la, Sasha — Kevin falou enquanto a colocava no chão. — Pode nos deixar a sós?
– Posso — ela falou saindo de casa passando a mão nas arranhadas em seu braço. Kevin se virou para mim e me encarou, eu revirei os olhos e me encaminhei para o sofá mais próximo e me sentei.
– O que você quer? — perguntei bufando, ele andou lentamente até onde eu estava, ficou de pé de frente para mim.
– Você sabe que o que eu falei ontem foi tudo verdade, eu não ment...
– Pra falar a verdade eu não sei de nada — falei olhando para todos os lados, menos para Kevin. — Eu nem sei como eu vim parar na casa da Sasha
– Você está magoada — ele disse se sentando ao meu lado e ficando de um modo tão acabado no sofá quanto eu. — Eu também não sei o que rolou ontem, logo após eu fazer aquela bela declaração para você — ele soltou uma risada -, você sumiu e eu sai que nem um desesperado te procurando, foi aí que a Melissa me beijou. E, eu não vou mentir, eu fiquei sem reação — ele se virou para mim, seu olhar não estava animado como em todas as nossas conversas, aquele olhar eu não conhecia.
– E você só veio falar comigo hoje? — perguntei virando o rosto — Você nem precisava vir falar comigo, a gente não tem nada mesmo — me virei para ele, seu olhar só ficou mais obscuro.
– Vou te mostrar uma coisa, e se você não quiser falar mais comigo e nem me ver pintado em ouro, eu irei entender — ele diz se aproximando — Mas se isso for uma despedida, eu quero me lembrar.
Ele segura meu rosto com uma de suas mãos e encosta seus lábios nos meus em um ritmo calmo e saboroso. Pela primeira vez eu não tive a reação de retribui-lo ou de empurra-lo e fazer paga-lo pelo ato, eu queria apenas que aquele beijo durasse. Com os olhos fechados eu o deixei envolver seus braços em mim, me deixar confortável para um beijo que eu ansiava ser eterno.
– Droga — Kevin disse ofegando ao meu ouvido — Acabou — ele reclamou deixando a testa repousada em meu pescoço
– Droga — sussurrei e escutei sua risada rouca, abri os olhos — O que você tem? Você nunca me deixa pensar.
– Tenho medo que você pense de mais e veja que eu sou um completo erro — ele voltou a sussurrar em meu ouvido.
– Então continue não me deixando pensar — falei com a boca seca, seca da droga do gosto que Kevin me fornecia.
– Não vou deixar — ele disse deixando seus lábios fazerem o caminho até os meus.
(...)
– Oi — falei ao telefone — Te liguei umas mil vezes e você não atendia – reclamei.
– Eu retornei, e você tem a coragem de reclamar — Stella quase gritou no meu ouvido — O QUE VOCÊ QUER?- dessa vez ela gritou.
– Eu só queria conselhos da minha prima linda — falei sorrindo, mesmo ela não podendo ver meu sorriso.
– Para de sorrir — ela mandou, poderia até não estar vendo meu sorriso, mas me conhecia bem o suficiente para saber que eu estava sorrindo. — Conselho sobre o que? Como matar uma pessoa? Por que eu tenho um guia online sobre isso.
– Depois eu pego o link — falei e me sentei em minha cama ainda me sentindo perturbada sobre os beijos de hoje de manhã — É sobre o Kevin.
– O que tem ele?
– Digamos que a gente se beija constantemente.
– Retardados — ela falou e em minha mente se passou sua imagem furando um boneco meu, fazendo vudu.
– E eu o vi beijando uma outra garota
– Tá ficando interessante
– E ele diz não saber o que aconteceu, ele conversou comigo e quando ele me beijou eu realmente es...
– Esqueceu de tudo — ela completou — Dê um voto de confiança para ele, se ele não prestasse você ja teria se livrado dele, nenhum beijo recompensa uma pessoa ruim ao seu lado.
– Eu nem consigo concordar com você — falei bufando
– Você não precisa admitir que gosta dele, agora, mas por enquanto basta fazer as escolhas certas.
– Por que você tinha que morar em San Diego ao invés de Miami? — perguntei
– Por que eu odeio o Sol — explicou — E por que a vida funciona assim. Eu falaria mais com você, porém já está tarde.
– Ok, obrigada, beijos — falei
– Beijos e se cuida, bombeiro — ela disse relembrando o quase incêndio em sua casa, eu ri e desliguei a ligação.
Vou em direção ao meu banheiro trocar de roupa e escovar os dentes, quanso volto meu celular estava tocando.
– Alô — atendi
– Estou com a boca seca — Kevin fala deixando transparecer sua alegria na voz
– Bebe água — falo revirando os olhos com uma careta tentando reprimir um sorriso.
– Desde o nosso primeiro beijo água não me satisfaz mais. — ele diz e eu faço um som de vomito.
– Seu meloso!
– Adoro ser meloso com você, é divertido.
– Ok, eu quero dormir, posso?
– Óbvio, eu também quero dormir, me convida?
– Imbecil — falo e deixo um riso escapar.
– Estou mais que satisfeito agora.
– Por quê? — pergunto confusa.
– Só queria escutar essa risada deliciosa, eu queria seus lábios, mas a risada já está me satisfazendo.
– Tchau — digo e desligo a ligação com o coração acelerado e sentindo meu rosto vermelho — Devo estar com febre.
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