Probably Tania (Em Revisão)
31 Encrenca da boa
Notas iniciais
Capítulo 31
Encrenca da boa
– Perseu Morgan
– Olá – Melissa falou quando fechou o portão do condomínio de sua casa. Ela estava com um vestido curto de um azul bem vivo, eu conseguia ver a parte de cima de seu biquíni branco que era amarrado ao pescoço. Ela olhou para mim sorrindo enquanto eu a observava de cima a baixo, ela se concentrou no que estava atrás de mim e franziu a testa. – O que é isso?
– Isso é o nosso transporte – eu expliquei me apoiando com a mão na lata velha que era a Kombi branca com suas portas verdes. Não um verde muito escuro, pois aí ficaria aquela coisa indesejável de ser vista, não, era mais um estilo harmonioso.
– Mas você odeia dirigir, principalmente nos seus dias de folga – ela disse e eu senti a vontade de agarra-la ali mesmo e sumir com ela, esconde-la de todos os olhos, ela seria só minha. Era muito incrível com o pouco de tempo que passávamos juntos já sabíamos tudo um sobre o outro. Eu sabia que ela odiava sorvete de baunilha, que tinha alergia a amendoim e que nunca tinha comido camarão. E ela sabia meu amor pela música, que eu era alérgico a bicadas de abelha e que odiava com todas as forças o desconforto de um automóvel.
Mas mesmo assim eu me controlava, eu me controlava muito! Tínhamos idades muito distantes e mesmo os pais dela permitindo nossos encontros e sendo a favor do meu pedido de namoro para ela, para mim isso era estranho.
– Bom – falei prendendo meus braços para trás -, vamos para o Ocean Drive.
– Então por que não vamos de bicicleta, ele é aqui perto – ela disse como se fosse obvio.
– Por que eu quero levar minha prancha de surf, meu violão e você – eu disse segurando mais forte meu braço para trás das minhas costas quando ela deu um passo na minha direção.
– Está com medo de me agarrar? – ela disse me encarando séria, ela odiava quando eu me controlava– Está?
– Estou — falei quando ela segurou meu rosto com as duas mãos.
– Por favor, pare com isso! Eu quero você, Perseu – ela implorou – Por favor, eu quero aquele homem que me convenceu que eu mesma sou melhor que tudo, que me convenceu que o mundo é belo.
– Eu sei – eu soltei meus braços ao lado do meu corpo – Eu sei, foi mal, é difícil...
– Para – ela me interrompeu – Me beijar é tão difícil assim?
– Nem um pouco – eu disse e depois arregalei os olhos quando percebi que tinha encerrado a discussão dando um ponto para ela na guerra.
– Que bom! – ela disse entrando na Kombi – Vamos logo.
– Estou indo – eu disse caminhando até a porta do motorista e coçando minha cabeça. Era incrível como eu conseguia me meter em cada encrenca, o pior é que eu amava essa encrenca.
Entrei na Kombi e Melissa me encarou, eu a encarei de volta e não entendia a pergunta que se passava no seu olhar.
– Que foi? – perguntei confuso.
– Você vai para o trabalho nisso? – ela perguntou devagar – Não que eu me incomode, ele é fofinho, mas para o trabalho é muito estranho.
– Não — eu respondi rindo – Não mesmo, eu não vou para meu trabalho com isso aqui! Essa Kombi é meio que uma herança – eu disse enquanto girava a chave e o ligava -, minha mãe que comprou para o meu pai e...
– É muito legal – Melissa me impediu de terminar, outra coisa que ela sabia de mim, eu não gostava tanto assim de falar da minha família. Gostava de lembra, mas falar era muito mais doloroso. E ela entendeu isso, ela entendeu!
Nenhuma outra garota reparava essa dor quando eu contava algo da minha família, mas também nenhuma outra garota ficava tempo o suficiente na minha vida para saber algo do meu passado, algo que ela não iria tocar e nem beijar.
– E hoje vai rolar apresentações de cantores amadores – eu disse ligando o tocador de música e acelerando o veículo.
– Por isso está levando o violão? – ela perguntou alegre – Não te vejo cantar desde... – ela parou para pensar — ...ontem, é, ontem! – ela afirmou e eu sorri.
– Se você estiver enjoada de escutar minha voz eu posso te trazer para casa antes da apresentação.
– Eu nunca vou me cansar da sua voz – ela disse sorrido em direção a janela, eu a encarei por um prevê segundo e depois me direcionei para a estrada. – Eu conheço essa música – ela disse se virando para mim novamente, eu comecei a prestar atenção na música.
Estava tocando a música Route 66 do Chuck Berry, era uma música bem antiga, eu a adorava pelo simples fato de eu adorar viajar pela Rota 66, era magnifico toda aquela beleza, antiga e muito caseira. Eu gostava daquilo.
– É do filme Carros – ela disse e me encarou, eu parei no sinal vermelho.
– O quê? – olhei para ela que já estava gargalhando – Não! Sim, tocou na trilha sonora do desenho Carros, mas não é de lá que eu conheço.
– Tudo bem, Perseu, você gosta de música. E você gostou da trilha sonora! – ela disse ainda entre risos.
– Melissa, deixa de ser criança! – acelerei o carro logo que o sinal mudou para o verde.
– Eu sou criança – ela beijou minha bochecha e continuo ouvindo a música e dando algumas risadas.
Em poucos minutos chegamos até o Ocean Drive, eu desci da Kombi antes que Melissa e abri a porta do passageiro para que ela saísse e fui direto tirar minha prancha de cima da Kombi.
– O que vamos fazer primeiro? – Melissa perguntou enquanto eu verificava a prancha, ela ainda estava inteira, mesmo com as balançadas estranhas que a Kombi insistia em ter. Mesmo eu a levando em um mecânico bem caro essa Kombi não parava de modo algum de se chacoalhar.
– Eu pretendia dar uma surfada, você se importa? – perguntei pegando a trava de segurança da prancha e prendendo em meu tornozelo.
– Sem problemas, vou pegar um bronze enquanto isso – ela disse, eu me virei e tive que fechar os olhos por que o sol me atingiu em cheio.
– Ok, mas tome cuidado – eu falei e abri os olhos quando me acostumei com o clarão do sol e encontrei Melissa apenas de biquíni, seu biquíni era branco e para mim não tampava droga nenhum – Que porcaria é essa? – perguntei pegando o vestidos dela, que estava pendurado na janela do passageiro e a enrolei.
– Que foi homem? – ela perguntou confusa.
– Mas que porcaria é essa que você está usando? — a encarei bem de perto – Não cobre nada! – ela deu um sorriso e me roubou um beijo.
–Você é muito ciumento – ela disse rindo – É um biquíni super normal – ela respondeu e tentou se desprender de mim para conseguir fugir para praia, até que conseguiu.
Eu tentei correr atrás dela, mas a prancha já estava presa a mim, desprendi meu tornozelo, taquei a prancha dentro da Kombi, a tranquei e sai correndo para a praia. Mel ainda corri pela praia e eu ia atrás dela que nem um desesperado, pedindo desculpas as poucas pessoas que eu esbarrava e tentando alcança-la.
Melissa ria de tudo aquilo que eu não achava a mínima graça, até que eu a alcancei mas terminamos tropeçando um no outro, eu cai por cima dela e mesmo assim ela continuava rindo da situação.
– Oi – ela disse tentando recuperar o folego.
– Não venha com esse seu oi, já para a Kombi colocar uma roupa descente – mandei com o rosto por cima do dela.
– Admite que tem ciúmes de mim e eu vou com prazer – ela se apoiou nos cotovelos aproximando seu rosto mais ainda do meu.
– Sim, eu sinto até demais – falei encostando meus lábios nos dela e ela sorriu -, sinto ciúmes da garota incrível por quem me apaixonei e eu...- bufei e continuei a falar – desisto de tentar esconder meus sentimentos! Gosto de você e fim de papo.
Melissa deu o maior dos sorrisos e se levantou devagar me forçando a levantar junto dela, ela segurou meu rosto e beijo levemente meus lábios.
– Eu gosto muito de você, Perseu – ela riu com seus olhos fechados-, muito mesmo!
– Eu também – falei sorrindo.
(...)
– Ora do show, pessoal – o apresentador da noite anunciou.
Já fazia algumas horas que estávamos na praia, o sol estava se pondo colorindo o céu com suas mil e uma cores de laranja. Melissa ficava olhando para o sol e ria de suas cores, seus cabelos castanhos voando pelo ar e eu só conseguia observa-la, junto com um bando de garotos de sua idade.
– E o primeiro a se apresentar – eu me virei para o palco onde um homem de meia idade apresentava o show que estava prestes a se iniciar, uma pequena competição na praia antes da iniciação do luau – Perseu Morgan.
Melissa desviou o olhar do horizonte e me encarou com um sorri, beijei sua testa e me dirigi ao palco junto de meu violão.
– Boa noite, pessoal – falei quando cheguei ao microfone – Hoje eu..- respirei fundo e encarei Mel que me olhou confusa -, bem, eu iria tocar uma música antiga como sempre faço em minhas apresentações mas decidi tocar uma música para minha namorada Melissa que está bem aí na plateia e já vou avisando que quem chegar perto dela vai se ver comigo – eu disse sério e a plateia riu.
Comecei a tocar meu violão e a população feminina começou a aplaudir, quando soltei minha voz os gritinhos vieram a tona, era Just The Way You Are do Bruno Mars, não estava nem um pouco acostumado a cantar músicas que se ouviam nas rádios atualmente, mas decidi abrir uma pequena exceção para a encrenca da minha vida.
Os acordes corriam leves sobre meus dedos, eu cantava leve e com a mesma voz rouca de sempre o que até combinou um pouco com a música em si. Logo que terminei todos aplaudiram e vi Melissa pulando no meio da plateia.
Desci do palco antes que o apresentador aparecesse e agarrei Melissa no meio de todos, eu não queria mais ligar para os pensamentos dos outros. Ela era minha namorada, eu sentia ciúmes até demais e era isso aí mesmo!
A sociedade que se ferrasse, eu era namorado da maior e melhor encrenca que se instalou na minha vida.
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