Probably Tania (Em Revisão)
38 Mais de um
Capítulo bônus
Tania Enfron Marchol
Mais de um
— O que você está fazendo? — Kevin perguntou coçando o olho se encostando à porta da cozinha.
Ele estava como eu gostava. Cabelo bagunçado, sem camisa e usando apenas um short qualquer.
— Algo para comermos antes que morrêssemos de inanição! — respondi forçando meus olhos a se direcionarem de volta ao presunto que eu estava cortando para preparar um sanduíche.
— Podemos pedir algo! — ele disse enquanto enrolava os braços no meu corpo e me puxava por trás — Que tal, comida italiana?
— No Fratelli Milano? — perguntei terminando por deixar o talher que eu segurava cair e me deixar levar.
Havia acontecido a mesma coisa ontem à noite no nosso 3° ano juntos, me deixei levar.
— É o seu favorito, não é? — ele sussurrou em meu ouvido começando a descer beijos pelo meu pescoço.
— Mas achei que tínhamos ficado sem dinheiro — exclamei rindo e me virando para ele.
— Bobagem — ele disse dando de ombros e sorrindo.
Kevin era muita coisa, mas sempre foi bem responsável em seu trabalho. Para ele salvar vidas não tinha horário, ele estaria lá para isso e eu nunca me objetive em relação ao seu trabalho.
Ele saia cedo de casa e chegava bem tarde, muito tempo depois de mim. E eu nunca reclamei! No nosso primeiro ano de casados Kevin teve que realizar uma cirurgia de emergência no dia de nosso aniversário.
Ele chegou acabado em casa e pedindo mil desculpas. Eu poderia ter zoado com a cara dele, feito alguma ironia ou até mesmo ficar com raiva, só que eu não consegui. Terminei por dar um beijo nele e dizer que estava orgulhosa dele.
Ano passado também tivemos alguns imprevistos, no entanto conseguimos comemorar um pouco mais do que no ano anterior.
Mas esse ano Kevin fez diferente! Ele tirou as férias que nunca tinha tirado como médico — a direção do hospital já estava no pé dele por isso -, me forçou a tirar férias também e ontem ele me preparou o maior dos banquetes. Se bem que o que mais comeu foi ele por que continuo sendo magra demais para aguentar tudo aquilo.
E depois do jantar, bom, não conseguimos mais sair do nosso quarto e já eram 13h e eu estava começando a sentir meu estômago doer de fome.
— Então acho que podemos pedir algo — respondi e Kevin me beijou.
Ok, acho que vai demorar mais um pouco para que eu possa me alimentar e eu não me importo realmente com isso, mesmo que eu tenha que começar a me importar verdadeiramente com minha alimentação. Hoje será exceção!
Kevin se abaixou um pouco apenas para alcançar minhas pernas e me colocar sentada no balcão da cozinha que estava as minhas costas.
Enquanto eu segurava com força em sua nuca e em seu cabelo, ele me beijava por todos os lados e ....
A campainha toca e Kevin interrompe os beijos com uma careta.
— Esperando alguém? — ele pergunta encostando a testa na minha.
— E eu lá tô com cara de que estou esperando alguém, ô coisa! — eu perguntou com uma careta e ele sorri voltando a beijar meus lábios, dando a entender que não pretende ir até a porta, perfeito!
A campainha toca novamente, e dessa vez três vezes seguidas.
— Quem é? — eu pergunto sussurrando com desgosto ainda beijando Kevin.
Ele se afasta um pouco de mim ainda com os lábios presos nos meus.
— Volto já! — ele fala quando se solta de mim e se vira para sair da cozinha.
— Espera aí — eu tento alcança-lo sem sair do lugar. Ele se vira para mim e ergue uma sobrancelha em claramente uma pergunta.
— Como vou descer daqui? — pergunto assustada — Você sabe que odeio altura e se eu me jogar daqui não vou cair de pé — eu falo sacudindo as mãos.
Eu não estava exagerando, eu tinha que ficar na ponta dos pés para fazer algo nesse balcão, eu estava sentada na ponta do balcão e mesmo assim meus pés só batiam na metade dele.
— Eu sei, então fique quietinha — ele respondeu e se virou novamente.
— Mas eu quero descer! — protestei.
— Eu sei, mas você não vai! — ele olha por cima do ombro e sorri — Quero você onde está — ele piscou e voltou a se dirigir até a saída da cozinha.
Revirei os olhos e terminei por sorrir enquanto admirava o corpo maravilhoso que se direcionava para a saída da cozinha. Ele ficava lindo sem...
— OPA, OPA! — gritei — Volta aqui agora!
Kevin se virou confuso. Eu retirei minha blusa, que na verdade era dele, uma camisa que ficava gigante em mim, mas que ele dizia que ficava muito mais bonita em mim, e joguei para ele.
Ficando apenas de sutiã esportivo supernovinho, por que sou sedentária e nunca sai para correr, um short mais curto que os da Sasha e meu cabelo curto também!
Tá, isso é mentira! Sasha moderou com suas roupas depois que teve uma filha e também Jay proibia qualquer roupa supercurta ou decotada demais, ele era um pai e marido bastante ciumento.
Que bom que eu tinha a minha liberdade. Tá, outra meia mentira. Kevin me dava sim a maior liberdade, mas se eu tinha liberdade ele também tinha, então se eu saísse com um short supercurto ele sairia apenas de cueca.
E da vez que isso aconteceu eu não gostei muito de ter várias garotinhas olhando para o traseiro do meu marido, depois disso eu comecei a maneirar nas minhas vestimentas.
E o meu cabelo curto eu explico com uma revolta que me deu após o Kevin negar adotar um cachorro no novo canil da cidade, mas isso acabou após uma longa conversa com ele. Temos um cachorro chamado Thor que é um fofo e no momento se encontra no hotel de cachorros curtindo a vida.
— Vai logo, Kevin — o apressei depois que ele ficou me olhando ainda vestindo a camisa — Eu vou sair daqui! — falei e ele correu para a porta enquanto eu ria.
Escutei a porta ser aberta e alguém falando, estava muito distante para eu identificar a voz e saber quem era.
— Ah, oi dona Cristina — Kevin falou alto.
Droga! Ferrou, ferrou, ferrou!
Logo a minha mãe, logo ela?! Minha mãe adorava o Kevin e amava o meu casamento, mas ela meio que agia ainda como mãe MEGA protetora. Ela ainda não aceitava muito bem eu já ser casada e ter saído de casa. A última vez que ela me pegou agarrando o Kevin — vamos dizer agarrando para não dizer coisa bem pior — ela surtou e quase chamou a polícia. E se ela me visse agora do jeito que estou, vai chamar os bombeiros e a polícia. É capaz até de meter o juizado de menores no meio da história.
— Cadê a Tania? — escutei minha mãe perguntar.
— Tá passando mal — Kevin respondeu de imediato.
Idiota, lerdo, imbecil do meu marido! Era mais fácil ter falado que eu havia morrido!
Se minha mãe queria me ver antes agora piorou mais ainda, vai chamar todo tipo de médico para me verificar mesmo o próprio Kevin sendo médico.
— Er...a senhora vai entrar? — Kevin perguntou, usando seu tom alto novamente.
— Sim, eu quero ver minha filha — ela respondeu como se fosse óbvio.
Eu tinha que sair daqui e agora. Engatinhei para o outro lado do balcão onde ficavam os bancos que eram conectados a ele, coloquei devagar meu pé em um deles e escalei para o chão o balcão. Quando consegui chegar ao chão me agachei e engatinhei para o outro lado do balcão enquanto escutava passos vindo na direção da cozinha.
— Onde ela está?- minha mãe perguntou.
— No quarto! — Kevin respondeu e veio para trás do balcão onde eu estava escondida. Ele olhou rapidamente para baixo tendo certeza de onde eu estava.
— Então vá lá chama-la — ela exclamou.
Ótimo, agora eu tinha que ir até o quarto sem que minha mãe percebesse e depois descer de volta com uma roupa aceitável no corpo.
— Mas o que ela está sentindo? — minha mãe perguntou preocupada.
— Só uma dor no estômago e tontura — ele deu de ombros e eu dei um soco na coxa dele.
A pior coisa que ele poderia ter feito essa manhã era fornecer sintomas para a minha mãe, agora ela iria correr escada acima e entrar no quarto para ver roupas ao chão e uma cama bagunçada, sem nenhuma Tania.
— Kevin, a minha filha está grávida? — ela perguntou e eu arregalei os olhos.
— Tania, você está grávida? — Kevin perguntou olhando para mim assustado.
— Imbecil! — murmurei.
— Tania! — minha mãe resmungou com raiva.
Eu me levantei e me virei para ela devagar.
— Oi, mãe! -sorri para ela da melhor forma possível.
— Que tipo de roupa é essa? — ela me perguntou abismada olhando para mim.
Ah, para de drama! O sutiã era esportivo, todo tampadinho.
— E isso são modos? Meu Deus, garota! Você está com um homem e não com uma mulher! — ela brigou comigo.
— Oi, meu nome é Tania e eu tenho 24 anos, prazer — falei com ironia para ela -, e aquele mané ali — apontei para onde Kevin estava, se direcionando até a mesa e pegando uma maçã e começando a morde-la — é o meu marido e não um homem desconhecido.
— Desculpe, mas eu ainda não aceitei que você cresceu — ela disse vindo me abraçar e começou a soluçar.
— Crescer — Kevin disse dando uma risada e eu lancei um olhar furioso para o homem que estava tirando sarro da minha altura.
— Relaxa, mãe, tá tudo tranquilo! — afaguei suas costas enquanto ela derramava suas lágrimas.
Escutei a risada de Kevin enquanto ele ainda mastigava uma mordida da maçã e fiz cara feia novamente para ele.
— Não está, não! E nem consigo aceitar que você — ela sorriu se afastando — "cresceu" — ela riu fazendo aspas no ar e começando a secar as lágrimas.
— Ok, vocês são tão engraçadinhos — falei revirando os olhos.
— Minha filha, acho que só irei acreditar que você "cresceu" — ela fez novamente aspas no ar — quando você tiver seu próprio bebê!
— Espere só um pouquinho então — eu sussurrei cruzando os braços.
Ela me olhou de canto de olho arregalando discretamente os olhos. Lançou a cabeça em direção a Kevin e eu neguei. Minha mãe sorriu e veio em minha direção me abraçando.
— Vai contar hoje? — ela perguntou acariciando minhas costas.
— Sim, acho que daqui a pouco — eu sussurrei e ela riu.
— Parabéns, Tania — ela sussurrou de volta — Eu te amo! — ela disse me apertando forte e me soltando.
Ela tirou do bolso de sua calça um chaveiro com duas chaves de sua casa.
— Eu vim aqui para pedir a vocês para darem uma olhadinha em nossa casa enquanto eu e seu pai viajamos por uma semana — ela esclareceu deixando o chaveiro em cima do balcão — Bom, eu vou indo!
Ela se afastou me lançando um sorriso e chegando próximo de Kevin e bagunçado seu cabelo.
— Nos falamos logo — ela disse e se dirigiu a porta cantarolando.
Eu terminei deixando uma risada escapar quando ouvi a porta se fechar.
— Como uma notícia pode mudar o estado de espírito de uma pessoa, né! — falei andando até o Kevin.
Chegando a sua frente peguei a maçã de sua mão e dei uma mordida enquanto me sentava no colo dele.
— Qual notícia? — ele perguntou segurando minhas pernas ao seu redor.
— Lembra a pergunta que você me fez?
— Se você queria fazer pedido de comida? — ele perguntou enrugando a testa.
— Essa eu respondi — apontei para ele e dei mais uma mordida na maçã -, próxima pergunta.
— Quem estava na porta? — ele perguntou ainda confuso e deu a última mordida na maçã, eu deixei seus restos mortais na mesa e depositei minhas mãos em seu pescoço.
— Essa você descobriu sozinho — eu disse com um sorriso malicioso -, próxima — mandei encostando minha testa na dele.
Ele riu confuso com a meu rosto que expressava empolgação e divertimento.
— Então o que...- ele parou de rir e falar para me encarar sério.
Eu afastei minha testa da sua e levantei uma sobrancelha.
— Tania, você está grávida? — ele fez novamente a pergunta e dessa vez eu concordei com um sorrisinho.
Kevin transferiu suas mãos das minhas pernas para minha cintura e olhou para lá com um sorriso se formando nos lábios. A reação dele foi a que eu esperava, aquela que me deixou com o coração se sacudindo, um arrepio leve e a certeza de que aquele ser dentro de mim seria feliz.
— Temos que arranjar um nome que se inicie com U — ele falou olhando para mim pensativo.
— Não iremos seguir sua teoria idiota — eu relatei rápida e fria saindo de seu colo e voltando para meu presunto, no caminho pegando o telefone para pedir minha comida italiana.
— Vamos sim, é minha teoria, amor — ele resmungou me seguindo — Que tal Úrsula?
— Não quero lembrar de A pequena serei toda vez que olhar para minha filha — me virei rindo e cortando um pedaço de presunto e jogando em minha boca — E não sabemos se vai ser menina!
— Vai ser! — ele afirmou me colocando de lado e cortando mais rápido alguns pedaços de presunto e colocando em minha boca — Eu sinto que vai, e que tal Una?
— E depois Secundus, Terceirus e por aí vai? — perguntei incrédula sem desviar a vista do telefone — Não obrigada!
— Meu Deus! — ele gritou chamando minha atenção — Você quer fazer mais de um filho comigo! — ele disse se virando para mim.
— Você é muito imbecil — eu falei rindo e tentando sair da cozinha antes de ele me alcançar.
— Eu te amo, mulher — ele falou me segurando e dando mais um dos beijos maravilhosos dele.
É, eu vou ter que me contentar com o presunto por enquanto para matar a fome.
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