Probably Tania (Em Revisão)
23 Espetacular maioridade
Notas iniciais
Capítulo 23
Espetacular maioridade
– Perseu Morgan
Domingo à noite, era meu dia e meu horário favorito em toda a semana. Era o dia que eu ia para o bar e o horário que eu tocava para os que não iam para lá apenas para encher a cara, mas sim para aproveitar a companhia de algum amigo e relaxar um pouco.
Ao contrário de todos os outros que tocavam e cantavam, naquele bar, eu não bebia, preferia estar sempre com uma bala de menta na boca e fornecer apoio ao meu irmão mais novo que tentava parar de beber. E eu também não queria voltar a trabalhar em uma segunda com enxaqueca.
– Só veio você? — perguntei para Jason, meu irmão mais novo, que acabava de sentar ao na cadeira ao lado da minha.
– Sim — ele concordou batucando os dedos na mesa a nossa frente — Meg não pode vir, Lua está com o namorado e a Nia...
Ele parou de falar e olhou para o teto.
– O que houve com a pinscher? — perguntei
– O nome dela é Tania, Perseu — ele falou com raiva.
– Baixa, nervosa, raivosa e bonitinha — falei fazendo biquinho — é igual a pinscher.
– Argh — ele revirou os olhos, ele achava que eu a estava xingando, mas a Tania sabia que era um modo carinhoso de chamar a garota que me deu um puxam de orelha quando eu bebia, que me mostrou do que eu era capaz para poder proteger meu irmão, mas acima de tudo me mostrou que sabe perturbar uma pessoa.
– O que houve com a Nia? — falei dando ênfase em seu nome.
– Ela estava triste por causa de — ele fechou o punho — um cara. Mas pelo que a Meg me contou eles já se resolveram.
– Que falta de sorte a sua — digo e Ruty aparece sorridente, como sempre — Olá, joia rara — falou com um sorriso, ela revira os olhos.
– Perseu, meu caro Perseu — ela diz fingindo sorrir — Pare de me dar mole, sou uma bartender muito bem casada — ela mostra a aliança e eu rio.
– Não te dou mole, mas adoro te ver irritada — falo me debruçando sobre a mesa a encarando, ela revira os olhos novamente e olha para Jason. Apesar de ser apenas um ano mais velha que eu, ela tem a sabedoria de mais de um milênio de experiência e o instinto protetor de duzentas mães.
– Olá, Jas — ela fala dando um beijo na testa de meu irmão — A coisa mais saudável que tenho por aqui — ela coloca duas caixinhas de suco de uva na mesa — Por que sei que um menino descente como você precisa se fortalecer — ela fala bagunçando seu cabelo o fazendo rir. Tento pegar uma das caixinhas de suco e levo um tapa ardido na mão, logo a recolho a esfregando. — É para o Jas.
– Poxa, Ruty — falo fazendo biquinho e ela me manda língua e sai de volta para o balcão.
– Não vai cantar? -Jason pergunta furando a caixinha de suco com o canudo e bebendo que nem uma criança, assim me trazendo recordações de quando nossa mãe era viva e nosso pai vivia conosco. Sorrio com a lembrança e desvio o olhar para o pequeno palco do bar, minha segunda paixão era com certeza a música, mas a primeira ganhou, sendo meu trabalho fixo, engenharia.
Não que eu fosse um engenheiro famoso, longe disso, mas dava para sobreviver muito bem.
– Claro que vou — falei me levantando
– Vai logo, que eu quero ir para casa, quando você terminar eu saiu daqui. — ele disse e abaixou o olhar — Tá difícil ficar por aqui.
– Por isso gosto de ficar aqui — falei para ele que levantou o olhar para me encarar -, sempre é um desafio ficar tão perto do que já foi seu vício, gosto de me sentir orgulhoso, por ter superado a bebida. — falo e pego mais uma bala de menta do bolso e a ponho na boca — Quer uma?
– Não — ele falou com um sorriso fraco — Vai logo cantar — ele me apressa e eu vou para o palco.
Subi no palco e todos aplaudiram, mais que a metade do público já me conhecia.
– Boa à noite, pessoal — falei e acenei para o DJ que iria colocar o fundo da música, mas eu poderia usar minha guitarra como apoio e poderia cantar livremente.
– Vamos agitar um pouco isso aqui — iniciei com a guitarra, logo todos reconheceram a música, um clássico do rock, não tinha como não reconhecerem Eye of the tiger. Comecei a cantar e vi Jason gritando algo que não entendi muito bem, mas vi Ruty rindo e pulando. Logo os casais estavam dançando enquanto eu cantava.
O sentimento rolava solto através da música, mesmo sendo uma música que sempre usavam para zoar ou para relembrar uma cena de um filme, aquela música era bem mais para mim. Era a música em que meus pais gostavam de cantar e ficar dançando pela casa enquanto eu e Jason brincávamos na escada, se machucando e rindo.
Terminei a música rindo e todos aplaudiram, eu me curvei ainda rindo das lembranças.
– Gato — ouvi uma voz feminina gritar ao fundo, sorri para quem quer que fosse.
– Isso só foi para agitar um pouco — falei sorrindo e olhando para o JD que já sabia qual era a próxima música — Que tal um pouco de Beatles?
– Manda vê, gatão — dessa vez eu vi da onde vinha a voz feminina, era uma loira com cara de bêbada até demais. Vi Jason a encarar e depois dar de ombros.
– Ok, então vamos de Come Together — disse e todos aplaudiram.
Comecei a tocar e abaixar o tom da minha voz, essa música tinha seus pontos altos, mas era para ser usado com sabedoria ou sua voz se tornava um lixo. Deixei minha voz mais rouca e próxima microfone, vi Jason assoviando e quase perdi o foco rindo. Quando veio o ponto forte da musica foi perfeito como eu havia planejado, todos aplaudiram e eu prestei mais atenção na loira que continuava a beber e me encarar com um sorrisinho.
Consegui terminar muito bem a música e logo vi de longe Jason se despedir de Ruty e me mandar um aceno, ele sabia que eu gostava de ficar por aqui mesmo conversando. Depois que terminei de agradecer ao DJ pela ajuda na música e de guardar minha guitarra fui para o balcão encontrar Ruty.
– Como fui — perguntei para Ruty logo que ela conseguiu servir todos os clientes.
– Bom como sempre — ela disse e bagunçou meus cabelos — Posso te pedir dois favores?
– Claro que pode, senhora Vinkin — disse dando ênfase em seu sobrenome de casada.
– Adoro meu sobrenome — ela falou debochando.
– Claro que gosta, nem lembra a Vikings — falei rindo — Em Minesota todos adorariam seu nome -falei lembrando do time de futebol americano que se chamava Vikings, e ela deu um sorriso amarelo.
– Vai fazer o favor ou não?
– Fale logo, gloriosa bartender — falei a ouvindo.
– Primeiro quero perguntar se pode ficar até o fechamento para me levar para casa — ela explicou -, meu marido vai ficar preso no trabalho e não vai poder me buscar.
– Isso vai ter um preço — eu disse com o olhar malicioso e ela revirou os olhos, se abaixou atrás do balcão, quando levantou trouxe consigo uma barrinha de doce de leite — Beleza, te levo em casa — falei pegando o doce e ela riu.
– Só você mesmo, parece uma criança. — ela bagunçou novamente meu cabelo.
– Qual o segundo favor? — eu perguntei enquanto começava a comer meu novo doce.
– Sua nova admiradora — ela falou apontando para a loira no canto do bar sozinha enchendo a cara de tanta bebida. — Ela é menor de idade, mas o ridículo do Eddy — ela disse apontando para o patrão que estava sentado a duas mesas da garota — a deixou beber mesmo assim. Então, por favor, vê se consegue convence-la a parar de beber, pelo menos na minha frente. — ela disse angustiada.
– Ok, o macho alfa esta indo resolver a missão — falei e ela ficou rindo, porém mais tranquila.
Fui caminhando lentamente para a mesa da loira, que logo que me viu deu um sorriso malicioso. Mas como eu estava cansado de loiras, Suzan, Vanessa e Giselle. Nenhuma que prestasse e todas loiras.
Nada contra loiras, mas elas não são para mim.
– Olá, gato — a garota, loira, me cumprimentou logo que sentei a sua frente.
– Olá — eu disse e peguei a garrafa da sua mão
– Nossa, só veio pegar a garrafa, mas um interesseiro — ela bufou
– Não sou interesseiro, só que já está na hora de você para. Você é muito nova para estar bebendo.
– Nem sabe quando anos tenho — ela bufou com raiva
– Dezesseis — cruzeis os braços
– Dezesseis e sete meses — ela disse furiosa — E sim, eu conto os meses.
Eu ri da sua cara emburrada e de seu jeito escandaloso, ela me olhou de cara feia e eu ri mais.
– O que traz uma garota de dezesseis anos e sete meses a um bar? — pergunto curioso
– A depressão — ela diz quase que em um grito.
– Por? — insisti
– Por um amor não correspondido, por uma pessoa que você ama desde sempre, e quando você acha que tudo esta certo, tudo desmorona em cima de você — ela falou triste e com os olhos transbordando em lágrimas.
– Chora, é o normal de bêbado — falei apoiando minha cabeça nas mãos.
– Não vou chorar — ela fungou -, isso é coisa para idiotas. Eu ou mais esperta e vou me acabar na bebida.
– Não, você é mais burra que os bêbados normais — falei rindo, Ruty apareceu recolhendo as garrafas vazias, e sem a loira perceber, as cheias também.
– Foi aquela loira com um piercing ridículo que o pegou! — ela fala quase chorando
Loira....com piercing....rouba alguém...
– Por acaso ela é anã?
– Sim, ainda por cima, ou melhor, por baixo. Ela é anã! — ela exclama
– É a pinscher — falo rindo
– Quem?
– O nome dela é Tania? — pergunto para me certificar, nesse momento eu realmente achei que ela explodiria em ódio, mas ela apenas abaixou a cabeça derrotada e comecei a ouvir soluços. Revirei os olhos e suspirei.
– Pode contar, sou todo ouvidos.
– Eu o amo, muito — ela diz virando a cabeça em minha direção, nesse momento eu não vi uma loira bêbada e escandalosa. Vi apenas uma garota meiga, chorona e indefesa. — E de repente ele chama outra garota de mel, ele sempre me chamava por cabelos de mel, agora a chama de lábios de mel — ela soca a mesa — Que droga!
– Por acaso ele te mostrou algum afeto?
– Claro que sim — ela confirmou fervorosamente
– De amor e não fraternal — eu falo e ela se encolhe — Foi o que pensei.
– Por que o amor tem que ser tão difícil? — ela pergunta secando as lágrimas
– Essa é uma coisa que não sei explicar — falei deixando minha mão cair sobre sua cabeça e acaricia-la. Ela me encarou e deu um pequeno sorriso.
Eu me liguei no que estava fazendo, pelo amor de Deus, eu estava quase que dando em cima de uma garota oito anos mais nova que eu! Tá de brincadeira, Perseu?!
Recolhi minha mão de um modo tão brusco que até ela levou um susto com o movimento.
– Desculpa....Qual é o seu nome?
– Melissa — ela falou com um sorriso discreto — E o seu?
– Perseu, você deve conhecer meu irmão mais novo — ela ficou confusa — Jason — expliquei
– Moreno que é apaixonado pela anã? — ela perguntou e eu assenti.
– Sei quem é — ela bufou — Todos apaixonados pela anã, mas e eu?
– Todos se apaixonam por ela por que ela mostra quem é e não tem medo do que vai causar, todos a conhecem do jeito que ela é, e se não a aceitarem não faz diferença para ela.
Ela me encarou angustiada, depois deitou novamente a cabeça na mesa e continuou a me encarar.
– Já tentou ser mais original? — perguntei passando a ponta dos dedos em seu cabelo, vendo que seu cabelo não era um loiro natural.
– Ser uma morena sem graça? — ela perguntou indignada
– Não — falei me aproximando dela -, uma morena espetacular. — sussurrei antes de me levantar.
Ela ainda ficou me encarando enquanto eu me levantava e me retirava da sua mesa.
– Só faço burrada — falei para Ruty quando cheguei ao balcão.
–Por quê? — ela perguntou e depois olhou para a mesa da garota, eu também dei uma espiada e lá estava ela ainda me encarando enquanto pagava a conta.
– Perseu, sério que tu conquistou a garota? — Ruty perguntou com um meio sorriso.
– Sei lá — falei coçando a nuca -, nem falei o suficiente para isso. E também nem sei direito o que fiz — falei com minha mão direita ainda quente pelo toque em seus cabelos — Que droga! — falei passando as mãos no rosto.
– Ela tá vindo — avisou Ruty se retirando de perto de mim
– Ruty, espera — já era tarde, a garota já estava ao meu lado e Ruty não.
– Por que espetacular? — ela perguntou parecendo envergonhada.
– Você parece ser espetacular — dei de ombros.
– Normalmente falam que você parece ser legal e não espetacular — ela deu um meio sorriso.
– Gosto de variar nas qualidades — dessa vez não foi um meio sorriso, foi um sincero sorriso completo.
– Entendi — ela disse e se calou. Se passaram alguns minutos e eu me levantei — Aonde vai? — ela perguntou assustada.
– Que eu saiba a lugar nenhum — falei erguendo uma sobrancelha.
– Ah — ela deixou escapar e voltou a olhar para o balcão.
– Perseu — Ruty me chamou de trás do balcão -, meu marido vai poder me buscar, então se você quiser ir embora, pode ir.
– Então eu vou indo — eu disse e vi Melissa se levantar. Ruty olhou pra mim e apontou com a cabeça para a garota que já estava quase saindo do bar — Esquece — falei botando fim na ideia.
Fui pegar minha guitarra perto do JD e logo sai para ir caminhando até a minha casa, eu nunca gostei de dirigir e quando podia evitar, eu evitava.
Sai do bar e vi Melissa sentada no chão e alguns caras a olhando de longe, ainda mais pelo modo que ela estava toda curvada e de short curto.
– Você deve ser espetacular mesmo — falei me abaixando perto dela.
– Eu cai, estou vendo tudo dobrado — ela disse me olhando mais de perto agora — Seus olhos que são espetaculares.
– Vem — me levantei a trazendo junto de mim — Está tudo bem?
– Sim, eu só não sei ir embora daqui — falou esfregando os braços nus, ela tremia compulsivamente.
Deixei minha guitarra, que estava dentro de sua capa, no chão e tirei minha jaqueta, coloquei por cima de seus ombros e fechei a jaqueta até o final. Minha jaqueta ficou quase na metade de sua coxa, ela continuou esfregando uma perna na outra, mas os braços pelo menos estavam aquecidos.
– Não quer me dar outra peça de roupa? — ela perguntou sorrindo
– Sinto muito — falei pegando a guitarra do chão — Onde você mora?
– Perto de South Pointe Park- ela explicou
– Não esta tão longe de casa, mas vai demorar um pouco a caminhada.
– Estou de carro — ela balançou as chaves na mão e eu peguei — Ei!
– Como um adulto responsável eu não posso deixa-la dirigir nessas confissões
– Quantos anos você tem? — ela arregalou os olhos e eu ri de sua cara.
– Vinte e quatro — falei com um sorriso, ela me olhou de cima a baixo e depois fez o caminho de volta.
– Tá em forma — ela disse rindo.
– Vamos logo — falei e começamos a caminhar.
– Por que você não dirigi?
– Por que odeio, já tenho que usar um veiculo para ir trabalhar, prefiro andar a pé nas minhas folgas.
– Trabalha com o que?
– Engenharia elétrica, eu amo isso.
– Prefiro engenharia de produção — ela falou com um sorriso e pareceu se encolher mais dentro da jaqueta.
Os mesmos caras que a estavam olhando na saída do bar estavam agora na outra esquina, dois cara, eram magrelos. Mas contra Melissa eles não iriam perder. Envolvi seus ombros e a puxei para perto de mim, depositei um beijo no topo de sua cabeça e passamos pelos dois garotos, eu os encarei e seguimos até o fim da rua desse jeito.
– Já passamos pelos garotos — ela falou se virando para mim
– Você os percebeu? — perguntei e ela deu de ombros.
– Pode me soltar, se quiser — ela me olhou e sorriu
– Melhor prevenir — a apertei mais
– Concordo — ela sorriu e se apertou contra mim.
caminhamos o restante do caminho em silêncio, apenas a sentia se remexendo em baixo da jaqueta. Quando chegamos em frente a seu condomínio ela avisou.
– Obrigada — ela disse tirando a jaqueta, coisa que não conseguiu sozinha, a jaqueta tinha uma pequena trava no final que ela não soube tirar.
– Deixa — falei e destravei para ela, Melissa continuou com os dedos na trava até eu tirar os meus. — Pronto — falei e ela tirou a jaqueta e me entregou
– Valeu, por tudo — ela agradeceu e eu assento com a cabeça, deixando a jaqueta pendurada na alça da capa da guitarra que estava atravessada em meu peito.
Melissa se aproximou rapidamente de mim e me deu um beijo na bochecha, mas se demorou quando foi voltar para seu lugar a minha frente.
– Desculpe — ela pediu com seus lábios próximos de mais dos meus.
– Tudo bem — falei segurando sua cintura e a colocando mais rápido em seu lugar. — Isso é bem errado
– Por causa da idade? — ela perguntou confusa
– Também, e acabamos de nos conhecer — eu cocei a nuca
– Que legal, você é educado — ela sorriu.
– Sim, sou sim. — falei com uma risada.
– Vai querer esperar eu ter dezoito? — ela perguntou cruzando os braços
– Algum problema? — perguntei me aproximando e ela se assustou com a minha resposta.
– Tá — ela disse olhando para baixo e ficando corada. — Tchau — disse e me roubou um selinho e saiu correndo para dentro do condomínio.
Sorri e fui caminhando para casa pensando no prazer que tive dos lábios dela no meu, por meros segundos, mas foram segundos até que bons.
Cheguei em casa deixando minha guitarra em canto e me jogando no chão.
– Tu tá bem? — Jason perguntou me chutando, eu me virei ficando de barriga para cima.
– Vou ter que esperar dois anos por uma garota — falei bufando — Odeio a maioridade.
– Você sabe — ele começou se abaixando ao meu lado — que se a garota for maior de treze anos, os pais souberem e não verem problemas e você não abusar dela, você não vai preso, certo?! Você sabe disso, né?!
– Verdade? — perguntei confuso
– Tu é muito burro — ele levantou subindo as escadas
– EI — gritei me levantando — Eu que te sustento! E vem aqui me explicar mais dessa parada aí.
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