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4 4°Capítulo: As Pessoas Mudam
Belo dia, depois de arrumar tudo que tinha que ser arrumado no novo apartamento, a avó de Luan resolveu voltar a fazer suas viagens costumeiras. Ficaria fora de sexta a segunda, deixando o apartamento nas mãos do neto, como sempre fazia na casa em que viviam. Ao contar a novidade a Marcos e Felícia, a garota logo se animou.
— Vamos fazer uma festa!
— Festa? Ah, o apartamento é muito pequeno, sem contar que vai ficar uma zona depois.
— Não uma festa festa, mas, sei lá, vamos dormir lá, nós três, que tal?
— Sendo assim beleza, a gente coloca um colchão na sala e é isso ai – concordou Luan.
— Ah, não sei não, sua vó não vai brigar – disse Marcos, tentando se esquivar do convite.
— Que nada, ela nem se importa, contanto que tudo fique limpo.
— Ta bom então – cedeu Marcos, virando os olhos para cima.
— Eba! – gritou Felícia, que pegou os dois pelo pescoço e deu um selinho em cada um. Os dois ficaram surpresos pela reação da garota, que, ao perceber, logo disse – desculpem, me empolguei – soltou os dois e saiu saltitando e rindo.
Os dois ficaram parados, vendo aquela menina andando, com seus cabelos verdes ao vento, como se nada pudesse abalá-la.
Isso aconteceu na segunda-feira da semana em que a avó de Luan viajaria. Eles estavam no parque como sempre faziam. Passava grande parte de suas tardes no parque perto do condomínio, de vez em quando levavam algumas coisas e faziam um piquenique na grama, ou então, ficavam no parquinho do prédio. Costumavam sentar-se em um triângulo, Luan com um cigarro aceso (isso foi uma surpresa para Marcos, pois ele não tinha nem cheiro nem aparência, nem dentes de fumante), Felícia deitada, olhando para o céu e mexendo no cabelo, e Marcos olhando os dois. Já não tinha medo de ficar perto de Luan, não temia mais que ele o agarrasse. Luan se sentia mais confortável, também, ao lado de Marcos e Felícia, não via mais segundas intenções nos olhares de Marcos.
No decorrer da semana, os três combinaram que passariam a noite de sábado para domingo no apartamento de Luan, que cada um levaria alguma coisa pra comerem, um baralho, filme... Essas coisas que acabam nem sendo usadas. Na escola, Luan e Marcos andavam sempre juntos, com alguns inconvenientes de algumas menininhas excitadas que vinham falar com o novato, que, a esta altura, não era mais tão novato assim. Com o tempo, Luan notou que Marcos não tinha muitos amigos, mesmo na escola, tinha apenas algumas pessoas que conversava esporadicamente, isso fez ele entender o motivo do distanciamento inicial do garoto.
Finalmente o fim de semana chegou. Por volta das dez da noite, Felícia tocou a campainha da casa de Luan, que abriu a porta e se deparou com uma garota vestida com um pijama que mais parecia uma fantasia. Era um macacão, semelhante àqueles de bebês, mas em tamanho maior. Ela carregava um edredom, um travesseiro, alguns filmes e uma sacola cheia de coisas para comerem.
— O Marcos já está ai? – perguntou entrando.
— Ainda não. Pode colocar encima da mesa – disse ao notar a expreção de “onde eu coloco isso” da garota.
— Então vamos chamar ele! – Largou as coisas na mesa e foi em direção a porta, que ainda estava aberta. Luan permaneceu no lugar em que estava, Felícia tocou a campainha e cruzou seus braços. Luan notou que a garota tinha alguns movimentos parecidos com os de desenhos animados, principalmente vestida daquele jeito.
Depois de alguns segundos, a porta se abriu e surgiu, atrás dela, a figura de um homem muito parecido com Marcos, porem, com cabelos cacheados.
— Sim?
— O Marcos, por favor.
— Marcos, pra você! – gritou o homem.
— Obrigado! — disse Marcos, que apareceu rapidamente com um travesseiro e um cobertor na mão. O homem se afastou, dando passagem para o garoto, que entrou na cozinha, pegou uma garrafa e saiu, fechando aporta atrás de si.
Os três entraram, ligaram o som, sentaram-se no colchão, que já estava na sala, e começaram a conversar, Luan foi para perto da varanda, acendeu seu cigarro com toda a classe de sempre, Marcos sentou-se perto do som e Felícia se jogou, literalmente, no sofá.
Depois de alguns copos de cerveja, caipirinha e uma partida de jogo da velha com tequila, os três estavam bem alegres, mas não chegavam a estar bêbados, eles resolveram jogar baralho, e ficaram, até que isso se tornasse uma atividade tediosa, então deitaram-se, Marcos, Felícia e Luan, nesta ordem e ficaram conversando, olhando para o teto e ouvindo a musica, que ainda rolava, porém, em volume baixo, devida a algumas reclamações.
— To adorando isso! – exclamou Felícia.
— Mas nós já vamos dormir? Pensei que ficaríamos a noite toda acordados! – disse Marcos.
— Isso por que ele não queria vir – disse Luan.
— Pois é!
— As pessoas mudam, sabia?
— Ah é? Vamos ver então! – então Felícia, virou-se para ele, segurou-o num abraço apertado, e lhe deu um beijo.
Luan não sabia, mas Felícia já tinha tido uma leve atração... Não, uma queda, melhor, um tombo, por Marcos, porém, ele a rejeitara. Marcos ficou surpreso pela reação da garota, nem ele se lembrava disso.
“Por que mesmo que eu não quis ficar com ela?” Foi o que ele pensou naquele momento.
Depois disso, Felícia perguntou:
— Mudou de idéia?
Marcos ficou sem resposta, as palavras não saiam de sua boca.
— Ótimo!
Os três voltaram a conversar, Marcos ficou um pouco distante por um tempo, mas logo voltou a si.
Alguns minutos depois, o sol já ameaçava aparecer, e Felícia já tinha pegado no sono, pelo menos, era o que parecia.
— Nossa, que horas são?
— Cinco e meia.
Marcos e Luan ficaram conversando por um tempo, até que os assuntos acabaram e os dois ficaram olhando, um para a cara do outro e para o ombro de Felícia. Ali foi surgindo um clima diferente do de sempre. Os dois foram se erguendo até ficarem sentados, então foram curvando seus corpos, até ficarem cara a cara, testa com testa, e se beijarem. Felícia abriu um dos olhos e viu a cena, que, de certa forma, já esperava, embora Luan nunca tenha lhe dito que era gay, mas ela sabia, sentira isso. Ao perceber que o beijo estava por terminar, Felícia fechou os olhos rapidamente, para que os dois não percebessem que estava acordada, e quando fez isso, uma lágrima escorreu pelo seu nariz, parando na ponta e se jogando contra o precipício que erra até chegar ao travesseiro.
Os dois garotos, sem perceber que a garota tinha acordado, deitaram-se, cada um do seu respectivo lado, e pousaram suas mãos, uma encima da outra, no quadril de Felícia, fecharam os olhos e logo adormeceram. Ao sentir isso, outra lágrima surgiu, e não pararam de surgir, e, para que seu choro não acordasse os dois, enfiou a cara no travesseiro e colocou sua mão entre a dos dois, que nem notaram.
“Realmente, as pessoas mudam...”
Notas finais
espero por seus comentarios, críticas, sujestões e observações. Não se esqueção de colocar no comentário caso tenha notado algum erro de digitação ou ortográfico!!
Obrigado!
Beijos ;X
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