Private Collections: Beauty and Rage
1 "Eu sou metade agonia, metade esperança."
Notas iniciais
1.
Escrito por G. de Oliveira
Alemanha, 1942
Abril
Suas mãos pequenas e pálidas estavam trêmulas, o que piorou quando se viu obrigada a andar por aquele estúpido, escuro e fétido corredor. Os tons escuros, a ausência de janelas e todos aqueles canos a deixavam assustada e com vontade de correr sem olhar para trás. A água escorria pelas paredes, formando poças no chão grosso e mal acabado. Estava sozinha, lidando com a própria sorte — ou azar — e rezando para que acabasse logo; isso explicaria muito bem seus passos apressados, os pequenos saltos ecoando e deixando tudo ainda mais sombrio.
Quando começou a ver a porta de ferro e os seguranças que a cercavam, sentiu seu corpo relaxar numa espécie de alívio, ainda que o motivo de estar ali a causasse ansiedade. Passou seu cartão de identificação, e logo a enorme porta de aço se abriu, exibindo um pequeno corredor com mais uma porta idêntica à primeira. Só após esta é que chegou ao laboratório.
A Área Sete era um lugar tenebroso ainda que todas as suas paredes fossem brancas como a própria neve e tudo cheirasse a desinfetante. Ninguém parou para cumprimenta-la ou olha-la, assim como ela. Seguiu seu caminho e passou por mais uma porta antes de entrar no elevador.
Era um cubo feito de aço que a deixava sufocada. Os números iam seguindo rapidamente até chegarem ao vigésimo andar. O som que comprovava sua chegada ecoou pelo novo corredor que teria de encarar. Assim como tudo naquele lugar, as paredes ainda eram brancas, exatamente como eram também as enormes portas com grades.
Sua respiração voltou a se acelerar, as mãos trêmulas estavam descontroladas; a vontade de sair correndo só aumentou. Tentou manter-se controlada, sã e sem receio do que viria a acontecer, porque nada demais realmente aconteceria.
O corredor do Andar Vermelho era o mais silencioso de todos, mas dela desejou que fosse justamente o contrário. As demais portas não importavam a ela, apenas uma, a última delas. A mais distante de todas.
O quarto 007 era o último e mais protegido quarto do Andar Vermelho. No total, eram quatro grades que só se abriam com a devida identificação. Ninguém adivinharia o que se passava lá dentro se não fosse cientista e muito discreto. Hyuuga Hinata tentava, todos os dias, descobrir como conseguira chegar até ali.
Demorou cinco minutos até que a porta se abrisse por completo. O cenário era igual sempre, e Hinata sempre sentia suas pernas bambearem quando entrava naquele lugar. Respirou fundo e deu os primeiros passos para dentro, sentindo cada pelo de seu corpo se arrepiar enquanto as portas se fechavam atrás de si.
Lá dentro havia um enorme breu. Ela sabia muito bem onde estava o interruptor, no entanto levava alguns minutos até se sentir segura para respirar. O quarto era escuro, silencioso e o ar era muito mais pesado do que o adequado. Deveria estar acostumada com isso, é claro, mas a cada vez fica mais impossível lidar com a situação.
Após dez minutos, a Hyuuga moveu-se e acendeu as luzes. A claridade fez com seus olhos perolados doessem um pouco, o que foi momentâneo. Piscou algumas vezes e segurou a prancheta em sua mão com mais força do que necessário. Grades grossas desciam do alto teto até o chão, formando uma barreira de proteção entre ela e ele.
Uzumaki Naruto, um jovem rapaz enganado pelo próprio país. Hinata se perguntava por que eles faziam aqueles experimentos cruéis e desumanos. Haviam acabado com a vida daquele garoto, haviam sido injustos e mentirosos. Talvez isso explicasse grande parte do ódio que ele sentia pela humanidade e autoridades do Japão. E também a vontade incessante de mata-la, arrancar cada pedaço de sua pele — palavras que ele mesmo usou para descrever como se sentia.
Receosa, aproximou-se do rapaz que continuava com a cabeça apoiada nos joelhos. Ela preferiu não dizer absolutamente nada, esperando apenas que ele a percebesse. Na verdade, ele já sabia que ela estava ali desde o momento em que estacionou o carro em sua vaga. Ele não era humano, não era um rapaz qualquer.
— Olá, Hinata. — ele disse inexpressivo num tom de voz baixo. — A que devo a honra da sua visita?
— Você terá treino hoje. — ela respondeu calmamente. — E depois passará por alguns exames.
O rapaz levantou totalmente a cabeça para olha-la. Hinata não gostava nem um pouco de como ele era alto e forte, mas nada a deixava mais vulnerável do que ser observada por aqueles orbes azuis. Para ela, eram dois oceanos tempestuosos e profundos que insistiam em arrasta-la para as profundezas sem sua autorização.
Lentamente, ele se ergueu. Sua postura era ereta e transmitia imponência. Apesar de bonito com aqueles cabelos louros e os olhos tão azuis, Hinata sentia muito medo daquele Naruto. Ele não era mais o humano que era um dia, e já não sabia se poderiam recuperar a parte mais sensível de sua alma. Era como encarar um abismo de nada*.
Ela se aproximou e acionou as coordenadas para que as grades se abrissem. Todas as barras foram se erguendo, dando espaço para que Naruto saísse. Hinata se lembrava do medo que sentia no começo de que ele a atacasse nesses momentos, mas, incrivelmente, ele não o fazia. As correntes estavam numa mesa no canto do quarto e ela as usou para prender as mãos e os pés de Naruto.
Não era permitido que ele saísse de lá, porque era o experimento mais perigoso que tinham. E o melhor também. Tinha espírito assassino e sanguinário. Não se parecia em nada com o rapaz que era há muito tempo. A única forma de deixa-lo passar por aquelas grades era com as correntes, feitas do aço mais potente e grosso possível. Em geral, Hinata sempre sentia pena dele nesses momentos, porque seus pulsos e tornozelos ficavam machucados e sangravam muito.
— Eu poderia mata-la agora mesmo. — disse provocando-a.
— V-Você poderia ter feito isso muito antes. E ainda assim, estou viva. — respondeu nervosa.
Hinata estava tão ansiosa que se atrapalhou com as correntes. Naruto apenas observava os movimentos atrapalhados da moça, esperando pacientemente que ela terminasse. Seus grandes olhos azuis a observavam sem deixar passar nada. De fato, no começo, queria muito poder mata-la, aquela sede de vingança que ele queria saciar. No entanto, passou a se acostumar com aquela presença que ela impunha. Nunca admitiria, mas gostava de tê-la por perto, mesmo com o medo massacrante que ela tinha de si.
— Você deveria fugir disto tudo, Hinata. — murmurou. — Isso não é mundo para alguém como você.
— Como assim? — ela perguntou, erguendo o rosto mostrando dúvida no olhar.
— Tenho certeza de que você não quer se tornar um monstro como eu.
A morena pareceu que diria algo para Naruto, porém nada saía. Sua voz parecia ter sumido, assim como o ar em seus pulmões. Lá estavam os orbes azuis de Naruto a perscrutando, analisando cada reação que esboçava diante dele. Ele tinha razão, ela deveria fugir e nunca olhar para trás, mas tinha muitas coisas a fazer ali.
— Eu tenho deveres, Naruto-kun. — murmurou, voltando seu olhar para as correntes. — Não posso sair assim.
O loiro nada mais disse e seguiu a cientista após estar devidamente preso pelas correntes. Seguiram o caminho do corredor e usaram o elevador para chegar ao Andar Amarelo, onde havia áreas para que os experimentos treinassem sua capacidade de lutar. Naruto seguia a seu lado quieto, não perguntava nada nem fazia qualquer ameaça. Hinata também não dizia nada, porque sabia que não havia nada a dizer.
Quando o elevador parou, Hinata guiou Naruto até a área onde treinava usualmente. Deixou-o lá dentro, tirando as correntes de seus pulsos e tornozelos. Como sempre, estavam machucados. Por instinto, os acariciou como se seu gesto pudesse aliviar o machucado — mesmo sabendo que Naruto não sentia nenhuma dor.
Naruto a olhou com dúvida no olhar, tentando entender o que era aquele gesto. Apesar das mãos frias e trêmulas da Hyuuga, sua pele sentia um calor que desconhecia, era algo bom, longe daqueles toques imundos dos experimentos que era obrigado a passar.
— Vá, Hyuuga. — murmurou fazendo-a voltar à realidade.
Percebendo o que havia feito, a morena corou e soltou-o rapidamente. Apenas assentiu e saiu, levando as correntes consigo. Antes que as portas se fechassem, virou-se para olha-lo mais uma vez. Queria ter sorrido e passado confiança a ele, mas isso era algo fora de seu alcance. Já não sabia o que era sorrir.
{...}
A verdade era que se sentia ridículo. Em geral, os treinamentos ao qual o submetiam se baseavam em lançar animais selvagens sobre si ou então uma série de tiros esperando que ele desviasse. Para os cientistas, Uzumaki Naruto era a arma perfeita, o animal que eles precisavam para que pudessem vencer a Guerra e mais algumas coisas mais sombrias que ninguém precisava saber.
Estava apenas parado aguardando que os animais aparecessem. Estava calmo e seus batimentos num ritmo considerado normal e aceitável. O corpo relaxado, porém em posição de ataque. Uma das portas se abriu e então, diferente das outras vezes, surgiu um homem. Ele era tão alto quanto Naruto, no entanto era ruivo, cabelos tão vermelhos que era impossível não sentir os olhos doendo. Havia, em sua testa, uma tatuagem: o kanji para amor. Seus olhos eram de um verde vibrante e frio. Naruto não teve medo do rapaz a sua frente, ainda que estivesse surpreso com a nova estratégia.
O rapaz aproximou-se apenas o suficiente para ficar dentro do local. Ambos se olhavam profundamente, sem desviar o olhar nem por um segundo. Naruto tinha certeza de que ele era apenas mais um nessa vida horrenda que vivia. Um experimento, alguém enganado com a ideia de que poderia defender seu país e trazer dias melhores. De qualquer forma, o rapaz não parecia se importar nem um pouco com isso.
Nada ocorreu durante alguns minutos até que o cientista chefe do experimento se pronunciou.
— Naruto, este é Gaara. E a partir de agora, vocês serão bons amigos e lutarão por suas vidas. — disse o homem com uma empolgação duvidosa. — Sejam bons experimentos e façam o que têm de fazer.
Continuaram se olhando e analisando, esperando quem atacaria primeiro. No final das contas, atacaram ao mesmo tempo. Naruto investiu em um chute, enquanto Gaara apenas defendeu a enorme perna do loiro com sua mão. O impacto foi intenso, fazendo com que eles se afastassem imediatamente. O Uzumaki entendeu que naquele momento estaria lutando de igual para igual e isso era realmente muito divertido; se alguém prestasse atenção, encontraria um sorriso sarcástico nos lábios do loiro.
Naruto decidiu que estava na hora de tornar as coisas mais divertidas, por isso atacou. Claramente, não conseguiu atingir Gaara, porém ficou próximo o suficiente para ver aqueles olhos esverdeados de perto; não ficou muito surpreso em ver a sede de sangue naqueles orbes.
Esquivou-se apenas o suficiente para tentar chuta-lo. Gaara franziu o cenho achando bobagem do ato do loiro, o que foi suficiente para Naruto soca-lo no queixo, fazendo-o ir parar do outro lado do recinto. Havia sido suficiente para deslocar o maxilar e quebrar duas costelas, o que deixou o ruivo bastante irritado. O rapaz se levantou com uma feição completamente diferente. Linhas sombrias surgiram em seu rosto dando a Naruto a certeza de que aquilo seria realmente muito divertido.
{...}
Havia uma sala que ocupava os cientistas enquanto os experimentos treinavam — Hinata odiava usar tais palavras como se eles fossem apenas animais horrendos. Ela detestava assistir a esses treinamentos, porém nada era tão detestável quanto o que acontecia naquele momento. Uma luta entre dois experimentos. Ela ainda não sabia como aquele lugar não havia virado pó.
Naruto estava desviando de um potente soco de Gaara para logo em seguida ataca-lo e joga-lo do outro lado. Ambos estavam severamente machucados, e ela sabia que passaria o resto do dia costurando aquelas feridas do loiro, ouvindo-o resmungar durante todo o processo e fazê-la desistir daquilo.
Não sabia por que, mas lembrou-se da primeira vez que viu Naruto treinando. Haviam lançado cinco leões sobre o loiro e, mesmo que tivesse medo dele, ficou preocupada. Ele ainda tinha um corpo de carne e osso e odiava assistir alguém se machucando. No entanto, para sua total surpresa, ele apenas lutou com todos e matou um a um sem piedade e ainda terminou com um sorriso no rosto. Em seguida, vieram os tiros, granadas e bombas, que foram devidamente desviadas pelo loiro. A cada vez que ela o via se afastando sem se machucar seriamente, agradecia aos céus por isso. Entretanto, ele sempre acabava com vários arranhões, cortes e outros ferimentos — graves ou não — e era sua função cuidar dele.
Aquela era a primeira vez que ela o via lutando com outro experimento. Na verdade, não sabia da existência de outro. Até então, todas as tentativas foram em vão. Naruto era, provavelmente, o único que havia dado certo. Claro que com Gaara ali, isso mudava. Eles se atacavam e defendiam o ataque um do outro, porém era uma luta para matar. Se fossem simples mortais, aquela batalha não teria durado cinco minutos.
— É um sucesso, Madara! — exclamou um dos homens. — Já temos dois e eles são perfeitos.
— Falta pouco para que sejam três. — disse Madara, rindo. — E posteriormente, muitos mais.
— O mundo será seu, meu amigo! Todo seu.
Hinata sentiu um calafrio, uma sensação horrível em ouvir aquelas palavras. Ela sabia muito bem do que aqueles homens eram capazes, mas não se atrevia a pensar nisso nem mesmo gostava de se lembrar das coisas que via dentro daquele lugar. Queria poder nunca ter ido parar naquele lugar, porque era odioso o que eles faziam.
Continuou acompanhando a luta que seguia acirrada. Já estavam lá há duas horas, e ela começou a rezar para que acabasse logo; não aguentava mais ficar ouvindo aquelas nojeiras e assistir aqueles dois tentando se matar. Ela realmente só queria sair dali o mais rápido possível.
Foi quando Gaara jogou Naruto do outro lado do recinto que a luta acabou. Não porque ele não pudesse mais lutar, e sim por ordens de Madara. Ela correu para pegar Naruto e leva-lo de volta para seu quarto. Enquanto passava as correntes nos pulsos e tornozelos do Uzumaki, o ruivo a observava e ela sabia disso. Aqueles olhos verdes a perscrutavam tentando saber quem era ela. Hinata apenas ignorou e já estava saindo com Naruto quando ele a chamou.
— Ei, garota.
Hinata virou-se e esperou que ele falasse logo. Só queria sair.
— Você vai morrer. — ele disse inexpressivo, porém a morena sentiu firmeza em sua voz, e foi isso que a assustou.
Engolindo em seco, ela apenas carregou Naruto como pôde. Diferente das outras vezes, ela praticamente correu com o loiro, sumindo das vistas de todos. Sabia que ele tinha exames para fazer, porém poderiam fazer isso depois. Aquele lugar era horrível, sentia-se perseguida, amaldiçoada e ameaçada com aqueles homens insanos querendo dominar o mundo. Hinata ficava irritada quando pensava que sua carreira havia se limitado a uma destruição que ela não queria, mas cooperava para que acontecesse.
Ao chegarem ao quarto 007, Hinata deitou Naruto numa maca que ficava ao lado esquerdo do cômodo. Havia todo tipo de instrumento para primeiros socorros, e ela sabia que isso seria suficiente já que Naruto se curaria sozinho. Pegou tudo que precisava e voltou para perto dele que estava deitado apenas acompanhando seus movimentos nervosos.
Ao constatar como estava descontrolada, Hinata parou e concentrou-se em respirar. Ali, dentro daquele quarto, estava segura. Por pior que Naruto fosse, a presença dele ainda era melhor do que a daqueles seres nojentos. Realmente, tinha vontade de vomitar e depois se jogar em sua cama e dormir até o fim dos tempos. Quando se acalmou, voltou-se para o loiro, cuidando de seus ferimentos.
— Isso é desnecessário e você sabe disso. — ele disse irritado.
— Cale-se e fique parado. — devolveu no mesmo tom. — É o meu trabalho.
Naruto segurou seu pulso com força, fazendo-a parar com os cuidados e olha-lo assustada. Ele nada fez, apenas manteve um contato visual com ela, o que foi suficiente para que ela voltasse a se sentir vulnerável mais uma vez. Perto do Uzumaki, ela se sentia ainda mais humana, e ela constatou que isso doía mais do que deveria. Ela percebia assim que não tinha nada em sua vida, apenas aquele trabalho que ela nem sabia por que se dedicava tanto em cumprir. Ele a fazia ver que sua vida era valiosa demais para ser perdida dentro daquele inferno de laboratório.
— O ruivo está certo. Você vai morrer aqui. — ele murmurou, soltando seu pulso. — Estúpida.
Sem forças para retrucar, ela apenas se afastou um pouco. Seu pulso não doía, mas ainda podia sentir o calor da mão de Naruto. Quão irônico era ele ser muito mais humano do que ela? Ele era quente tanto quanto o próprio Sol; e ela tão fria quanto à própria Lua. Voltou a olha-lo. Os olhos azuis não brilhavam, porém estavam suaves e a davam a certeza de que as palavras do loiro eram apenas um fato. No final das contas, ela era uma carta prestes a sair do baralho.
— Vou enfaixar seus pulsos e tornozelos. — disse suavemente pegando os esparadrapos.
Voltou a se aproximar e limpou as feridas dos pulsos do loiro com delicadeza e calma. Naruto já havia tido algumas pessoas cuidando de si antes, porém nenhuma o tocou como a Hyuuga fazia. Ela parecia querer preserva-lo, não permitir que qualquer mal o acometesse, e isso ele não entendia, já que ele mesmo era o mal. Como já havia ouvido, ele era uma arma humana e ambulante, um prisioneiro de pessoas que queriam apenas causar caos no planeta Terra. Por que ela haveria de se preocupar?
— Otou-san sempre me disse que independente de qualquer coisa, as pessoas possuem um lado bom. — ela começou enquanto enfaixava com calma o pulso direito de Naruto. — Eu acredito nisso, sinceramente. Escolhi a ciência como uma forma de ajudar às pessoas, mas estou aqui, contribuindo para o mal. Não é irônico?
O loiro apenas ficou quieto ouvindo enquanto ela falava. Hinata tinha um tom de voz baixo e doce, suave como uma canção de ninar. Era horrível gostar tanto de ouvi-la falar, e sabia que poderia ser assim por horas.
— Eu só queria mudar algumas coisas. — disse ela com amargo. — Queria poder permitir que as pessoas tivessem uma segunda chance. Onde está a sua segunda chance? Como eu deixei que você a perdesse?
Os olhos perolados encararam os azuis em busca de uma resposta ou uma esperança. O Uzumaki queria ter uma resposta para Hinata, porém, para ele, não havia segunda chance. Ele não acreditava que era merecedor de viver uma bela vida. No entanto, ele sabia, Hinata merecia sim. Diferente de si, ela era boa e gostava de ajudar as pessoas; ele só queria mata-las.
— Eu não preciso de uma segunda chance. — fez uma pausa enquanto voltava a segurar o pulso da Hyuuga. — Só preciso que você fuja daqui. E que seja para sempre, Hinata.
A Hyuuga o olhou sem entender. Ela já havia dito que não poderia fugir por mais que quisesse isso. Estava cercada por monstros invisíveis e ela sabia que tentar escapar de suas mãos seria suicídio. Segurou a mão de Naruto percebendo como a dele era enorme em comparação com a sua.
— Não me permitirei uma segunda chance se você não tiver a sua, Naruto-kun. — sorriu. — Tenho uma dívida com você.
O loiro não entendeu o que ela quis dizer, porém sentir aquele toque suave e delicado em suas enormes mãos calejadas e bronzeadas era muito mais importante.
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