Private Collections: Beauty and Rage
3 "(...) hoje, eu vou chorar por você."
Notas iniciais
3.
Escrito por G. de Oliveira
Alemanha, 1943
Novembro
Havia acabado de descobrir algo sobre si mesmo: odiava coisas repentinas. Ter que assistir o caos acontecendo sem conseguir raciocinar era algo horrendo e ele desejava não se sentir tão inútil. Se realmente era aquela porcaria de arma ambulante, por que não podia fazer algo naquele exato momento?
Seu corpo continuava pesado, mas aos poucos entendia o que estava acontecendo. E nunca se odiou tanto. O que chamavam de culpa começava a nascer dentro de si, misturando-se com um ódio que nunca pensou que sentiria. Ele sabia que se estivesse solto, não teria piedade. E eles também sabiam disso, por isso o deixaram preso as correntes de aço que soltavam descargas elétricas a cada tentativa sua de fugir.
— Então, senhorita Hyuuga, o que realmente pensou quando começou a se relacionar com o experimento 007? — perguntou o homem rondando-a com um soco alemão em sua mão. — Achou que se o seduzisse poderia acabar com a minha carreira? Poderia ganhar os créditos por tudo que eu conquistei?
E então ele a socou. Primeiramente, na barriga. Depois, foi no rosto, o que a fez cuspir sangue e provavelmente um dente. Quando o soco foi na coxa direita, Hinata não aguentou e gritou. Naruto ficou tonto de choque e dor, porque dali ele podia sentir o que ela sentia. Ela estava assustada, com medo e todo seu corpo doía. Por que diabo ele não era capaz de se soltar daquelas porcarias de correntes?
— O que me entristece, senhorita Hyuuga, é que realmente acreditou que poderia passar despercebida. Dormindo com o meu experimento? E sabe-se lá o que mais andava fazendo com aquele monstrengo.
— Ele não é um monstro. — ela disse esforçando-se para não gritar ou vomitar ainda mais sangue. — Ele não é como você. Nunca o coloque no mesmo nível que você.
O homem se irritou com a fala, por isso a socou mais uma vez. E doeu. Naruto sentiu que a qualquer momento ela desmaiaria, porque já estavam lá há horas e o homem não tinha piedade alguma. Maldito ser que era Madara! Ele queria entender por que fazia aquilo com a morena. Só porque ela havia sorrido para ele.
— Você se acha superior. É exatamente como aquele inútil do seu pai. Hiashi sempre achou que poderia fazer coisas boas. E a custa de quê? Ah, é mesmo! A custa da própria mulher. Pobre homem, não é mesmo, Hinata?
Hinata não respondeu, apenas abaixou a cabeça. Naruto percebeu a tristeza em seu rosto. Lembrando-se de seu sonho, entendeu que aquela era uma parte delicada da vida dela. A morte da mãe sempre seria uma ferida que jamais se fecharia. Ficaria aberta para sempre e não havia ser no mundo que poderia mudar isso.
— Deixe-a em paz, Madara. — berrou. — Ela não tem nada a ver com isso.
O homem virou-se lentamente, já com um sorriso sádico em seus lábios. Parecia realmente contente que Naruto estava acordado e observando a tudo. Hinata levantou a cabeça surpresa, porém logo ficou com medo, balançando a cabeça querendo que ele não dissesse mais nada. Não queria que ele se machucasse. O único problema era que ele não faria isso. Aliás, faria de tudo para que Madara não a machucasse novamente.
— Vai bancar o herói, 007? — zombou. — Pergunto-me como vai salvar a donzela em perigo.
Naruto esboçou um pequeno sorriso. Diferentemente daquele que usava quando estava com Hinata, este demonstrava todo o ódio e nojo que sentia por aquele homem. As palavras de Hinata eram verdade; o monstro não era ele, e sim aquele homem. Madara sempre tinha sido o único ser que merecia sofrer como ele havia em todos esses anos. Todos aqueles socos que a Hyuuga recebeu, deveriam ser em Madara.
— Você não deveria ter encostado essas mãos asquerosas nela. — murmurou sério e furioso.
Madara riu, divertindo-se. Estava um pouco surpreso que seu experimento pudesse sentir algo, mais ainda naquela situação. — Então, eu estava errado, não é mesmo? Você não é perfeito.
— Decepcionado?
— Eu o criei para não sentir. Agora, é um inútil. — virou-se para Hinata. — Conseguiu o que queria, Hyuuga; ele está ridicularmente apaixonado por você. Eu deveria mata-la por ter estragado meus planos.
Ela sorriu. — Faça o que quiser, Madara, porque nada mudará o fato de que Naruto-kun é o ser humano mais puro deste mundo. Você não sabe como eu estou feliz por ter estragado seus planos.
Apesar de furioso, Madara riu. Era uma gargalhada cruel e que mostrava que aquilo não seria esquecido. Não, ele jamais deixaria que uma qualquer como Hinata apenas estragasse seus planos e saísse ilesa.
— E o que você acha desse ser humano puro não existir? Tenho certeza de que você não ficará tão contente assim.
— Não se atreva, Madara. — ela disse não acreditando que ele pudesse matar Naruto.
O homem não se preocupou em responder. Apenas deu as costas a ela e caminhou até o outro lado da sala. Naruto não sentia medo, muito menos receio do que aconteceria. Só queria que Hinata tivesse tempo para fugir dali e sumisse para sempre. Só queria que ela saísse ilesa daquela situação horrenda.
Observou enquanto o homem caminhava em sua direção. Ele possuía linhas de expressões marcantes que demonstravam todo o ódio que sentia naquele momento. Naruto não acreditava que sairia vivo, isso não importava. Era uma pena que não teria a oportunidade de saber como era o Sol.
{...}
O fato de saber muitas coisas não era garantia para escapar dos perigos da vida. Hinata havia acabado de perceber que saber sobre o nível de maldade de Madara não era suficiente. Ela se sentia culpada por ter se arriscado tanto, por ter posto a vida de Naruto no covil de cobras. Deveria ter se controlado, sabia disso, no entanto não conseguia escapar daqueles braços, especialmente depois dele confessar que “se precisasse demonstrar a palavra ‘segurança’, seria com aquele abraço”. Fora tão ingênua.
Madara agora socava Naruto. Diferente de como foi com ela, ele usava uma barra de ferro. Queria tanto conseguir se soltar, porém as cordas estavam firmes em seus pulsos. Vê-lo sendo espancado daquele jeito doía muito mais em si. Ela não queria que ele sofresse, não queria assistir enquanto seu sangue jorrava pelo chão. Havia feito uma promessa a si mesma de que jamais permitiria que ele saísse machucado daquele inferno.
Parou de se mexer e deixou as lágrimas saírem quentes e grossas de seus olhos. Sua respiração estava sendo sufocada pelas lágrimas e o sangue preso em sua garganta. Desviou o olhar de Naruto e Madara, porque sabia que era demais para suportar. Não, não conseguia apenas assistir. Só então observou a pistola sobre a mesa a seu lado. Foi assim que percebeu o que precisava fazer.
Agarrou a mão esquerda com a direita e usou de toda a sua força para quebrar seu pulso. Sentiu que desmaiaria, porém aguentou a dor. Madara nem ao menos reparou no que estava acontecendo, por isso ficou mais fácil. Com isso, ela sentiu o nó mais fraco, de forma que pôde soltar-se de uma vez por todas. Mais silenciosamente possível, soltou também os pés. Rezava todo momento para que ele não percebesse.
Ao ver-se livre das cordas, pegou a pistola. Torcia para que estivesse carregada, porque do contrário tudo daria errado e tanto ela quanto Naruto não sobreviveriam. Aproximou-se devagar dele, até estar a, aproximadamente, três metros dele. Atirou a primeira vez atingindo o ombro direito. A barra de ferro caiu de sua mão e ele se virou surpreso.
— Talvez eu realmente seja uma arrogante como meu pai, e até mesmo burra como ele, mas eu jamais deixaria que você controlasse a minha vida. Eu jamais permitiria que você arrancasse a melhor parte de mim mais uma vez, Madara. Isso acaba aqui e agora. Dessa vez, para sempre.
E então, pela primeira vez em sua vida, se permitiu deixar toda a raiva sair. Descarregou todas as balas em Madara, tomando cuidado para que algumas ficassem em sua cabeça. Hinata só parou quando não havia mais nenhuma bala na pistola. Jogou-a no chão, voltando-se para Naruto. Ele tinha os olhos arregalados, provavelmente se perguntando como ela havia se soltado, mas decidiu que explicaria depois. Explicaria tudo depois.
Foi correndo até a sala de controle e desligou as correntes que prendiam Naruto. Ele conseguiu arrebenta-las facilmente. Estava fraco, mas se esforçou para ficar de pé. Hinata voltou e o ajudou. Só então puderam se olhar e sentir o alívio de saber que estavam vivos. Era a certeza de que tudo daria certo.
— Naruto-kun, eu preciso que você se esforce só mais um pouco. Eu vou nos tirar daqui, iremos para um lugar seguro, e resolveremos essa situação. Você consegue?
— Sim. — disse, e foi suficiente para Hinata.
Ela apenas sorriu e assentiu para ele. Naruto realmente se esforçou e conseguiu. Mesmo mancando e sentindo dores fortes em suas costelas, ele caminhou juntamente com Hinata. Claro que tiveram problemas com a segurança, mas fizeram tudo o mais silenciosamente possível — o que resultou em guardas jogados no chão. Como Hinata conhecia aquele lugar como a palma da sua mão, não foi tão difícil chegarem ao estacionamento. A Hyuuga apenas pegou uma caixa com documentos importantes e saíram dali com outro carro.
Quando viu que estavam longe daquele inferno, ela se permitiu chorar. Chorou, agradeceu a Kami-sama e, mais tarde, ligou para o pai.
— Otou-san, estamos indo para casa.
{...}
Naruto se permitiu dormir durante o trajeto. Não sabia para onde Hinata estava indo, mas confiava nela e sabia que faria de tudo para que ficassem em segurança. Madara havia injetado tranquilizantes pesados em suas veias, o que fazia com que suas pálpebras pesassem assim como seu corpo, e a surra que havia levado só piorava. Naquele momento, só precisava de paz.
Desta vez, não teve sonhos nem pesadelos; seu sono foi neutro e o suficiente para dá-lo descanso. Quando acordou, a primeira coisa que viu foi o pôr do Sol. Seu choque foi tão grande que precisou virar-se para Hinata para entender o que estava acontecendo. Ela não precisou dizer nada, apenas seu sorriso confirmava o evento, e a promessa de que ele teria sua segunda chance.
Era lindo. A cor do Sol era maravilhosa. Enquanto se punha, o alaranjado cobria grande parte do céu, e apesar de seu calor estar fraco naquele momento, Naruto podia senti-lo. A sensação era a mesma de quando abraçava Hinata: conforto, paz, segurança. Ficou se perguntando como as pessoas se sentiam tendo a oportunidade de presenciar tal acontecimento todos os dias. Será que elas realmente prestavam atenção ao Sol?
— Por que você fez isso, Hinata? — murmurou a pergunta ainda observando o pôr do Sol. — Por que se arriscou tanto?
A morena não respondeu, porém ele percebeu os batimentos de seu coração se acelerando. A mão apertou o volante como se quisesse um suporte. Só então ele percebeu o pulso quebrado. Ele se perguntava por que ela havia feito aquilo. Hinata era uma mulher linda, madura e independente, capaz de fazer o que quisesse; portanto, por que se arriscar por alguém como ele? Valia mesmo a pena?
— É uma longa história. — ela respondeu lentamente.
— Não estou com pressa. — ele disse virando-se para ela com o semblante sério. — Eu sou só um experimento.
— Você era um experimento. Agora, você é aquele que sempre foi. Uzumaki Naruto. — ela disse, aumentando o tom de voz. — Esse é você.
O loiro franziu o cenho sem entender muito bem o que ela disse. Realmente queria saber sobre seus motivos e o que pretendia tirando-o da Área Sete. Não sabia o que faria dali em diante, talvez conseguisse se tornar alguém, mas tinha medo. Era inseguro, porque não conhecia nada do mundo externo, não sabia sobre as pessoas, muito menos como viviam ou o que faziam. Se soube uma vez, eventualmente se esqueceu. Seria como aprender a andar e falar, de novo.
— Naruto-kun, existem muitas coisas que precisavam ser esclarecidas. No momento, você só precisa saber que está a salvo e nunca mais voltará àquele lugar. — fez uma pausa. — É uma promessa.
— Você age como se pudesse me proteger de tudo, Hinata.
— Não sei se posso, mas vou morrer tentando. — ela disse sorrindo.
Ele arregalou os olhos. Aquela ideia não era nada agradável. — Não morra. Só... Não morra.
Observou-a franzindo o cenho enquanto mantinha a atenção no trânsito. Ele queria poder explicar por que estava dizendo aquilo, porém não conseguia. Não era bom com palavras, não sabia quais nem como usa-las. Era um completo ignorante quanto aos sentimentos humanos e jamais seria capaz de dizer a Hinata como ela havia o despertado para um lado seu que nunca imaginou que teria. Quantos “obrigados” seriam necessários para que ela soubesse quão agradecido estava?
Passaram-se duas horas de viagem de carro. Hinata os levou para uma casa bem simples dentro de uma mata que ele jamais seria capaz de conhecer totalmente. Havia vários animais por lá, foi o que sentiu. No entanto, nenhum sinal de humanos — além de Hinata e ele, é claro. Estavam sozinhos e, até então, em paz. Naruto apenas se preocupava com o que aconteceria quando percebessem que um experimento havia fugido e o cientista-mor estava morto. Temia por Hinata, e pela família que ela tinha. Teria de protegê-la.
Quando entraram, ele ficou encantado com tudo que havia ali. Não sabia o nome nem da metade das coisas que via, porém gostava de vê-las. Mais tarde, Hinata o explicou sobre a lareira e como ela funcionava. Depois disso, saiu da casa para buscar madeira e ela teve de explicar mais uma vez sobre como não poderia levar as árvores para dentro de casa; era para serem apenas alguns pedaços.
Naruto também descobriu algo maravilhoso chamado ramén. Apesar de ser um prato tipicamente japonês, Hinata sabia fazer muito bem e era muito bom. Disse à morena que ela, com certeza, cozinhava muito bem, apenas não entendeu por que ela ficou vermelha. De alguma forma, aquela cor combinava com ela.
Mais tarde, quando estava de frente com a lareira para se aquecerem, ele não conseguiu se controlar. Precisava saber melhor sobre o que fariam, o que aconteceria com ele e se ela precisaria de alguma ajuda com o futuro, porque com certeza Madara não daria descanso a eles, mesmo depois de morto.
— Eu sei o que fazer com relação a isso, Naruto-kun. — ela disse sem olha-lo. — Ele não morrerá como um cientista revolucionário. Se eu aguentei viver aquele inferno, foi por uma razão. — fez uma pausa para suspirar e virar-se para ele. — Eu estava reunindo provas.
— Como assim?
— Otou-san já havia trabalhado com Madara, mas aposentou-se alegando problemas de saúde. Na verdade, queria apenas se livrar do peso que era trabalhar com aquele homem. Ele não gostou da ideia de que eu trabalharia lá, ainda que isso não tenha me impedido. Passei esses anos morrendo de medo de não conseguir cumprir com meu objetivo, mal conseguia respirar pensando se ele descobriria minhas intenções. No final das contas, deu tudo certo. Quero dizer, quase tudo. Queria que ele estivesse vivo para pagar pelos próprios crimes.
— Você conseguiu essas provas?
— Sim. — riu. — Todas as que eu precisava e muito mais. O problema de Madara foi acreditar que era realmente invencível. Apesar de cuidadoso, ele não foi muito esperto.
O Uzumaki não disse mais nada. Finalmente entendeu por que ela havia feito tudo aquilo. Ele sempre soube que Hinata era diferente de todos daquele lugar. A morena era muito melhor do que todos eles, muito mais humana. Suas ações eram para impedir que outras pessoas passassem por tudo que ele passou. Gaara veio a sua mente. O rapaz não era seu inimigo, era apenas uma vítima assim como Naruto. Ficaria satisfeito em saber que ele estava livre para viver.
— E eu? Por que me ajudou?
Ela suspirou. Naruto começava a se irritar com aquele silêncio como se ele fosse um segredo de Estado, impossível de ser discutido. Estavam falando dele, portanto queria saber mais sobre aquela situação. Conseguia perceber no ar que havia muito a descobrir; não havia razão para Hinata arriscar tanto só por causa dele.
— Existe uma história entre nós, Naruto-kun. Mas eu não posso nem quero contar agora, porque há mais pessoas envolvidas. E você precisava vê-las. — fez uma pausa para bocejar. — Amanhã iremos pegar um voo direto para Tóquio.
— Por quê?
— Porque é nossa casa. — sorriu enquanto se levantava. — Estamos indo para casa, Naruto-kun.
A Hyuuga estendeu a mão para ele. Ao aceita-la, ela os guiou para o quarto. A cama era grande, de casal, porém Naruto teve que ficar com os pés para fora do móvel. Seus 1,90m não cabiam naquela humilde cama. Acabaram demorando a dormir, porque Hinata achou graça e passou um bom tempo rindo dele.
Só quando ela já dormia tranquilamente que Naruto se permitiu pensar sobre o que aconteceu. Nos últimos dez anos ele havia vivido como um prisioneiro, sem família, sem carinho, sem contato humano. A verdade era que havia se tornado um ninguém dentro daquele inferno. Acreditou que jamais seria salvo dali e que sua família havia o abandonado, até que chegou o momento em que não pensava mais nisso. Passou a deixar que fizessem o que quisessem com ele, tornou-se um verdadeiro experimento. Foi remexido, virado de ponta cabeça e, enfim, transformado naquela arma ambulante. Por um tempo, sua revolta voltou, queria sair, fugir e até matar. Qualquer coisa que o tirasse dali.
Quando Hinata surgiu tímida, assustada e pequena, ele achou que seria a oportunidade perfeita de sair dali. Como era tão inocente e doce, mata-la faria com que todos se revoltassem e ele poderia fugir ou morrer — na melhor das hipóteses. No entanto, foi devido à doçura dela que o fez não mata-la. Aos poucos, ela foi se esgueirando por sua pele, penetrando nas camadas mais profundas a liberdade que ele buscava. Apesar de nunca demonstrar e fazer de tudo para mantê-la assustada, Hinata não se afastava e ele não sabia o que fazer para mantê-la longe. Eram aterrorizantes todas as sensações que ela causava nele com apenas um olhar.
Vê-la sendo agredida por Madara despertou as piores sensações no rapaz. Ele não conseguia acreditar no próprio ódio, aquela vontade incessante de destruir tudo e a todos, porque haviam tocado no ser mais precioso daquele mundo imundo. E, em algum momento, desejou matar a si mesmo por permitir-se tamanha incapacidade para protegê-la. No final das contas, foi exatamente o inverso.
A morte de Madara o aliviou. Ele sabia que haveria consequências, porque aquele homem havia espalhado a maldade usando de toda a sua influência, porém sabia que suas bases estariam enfraquecidas. Era com isso que contava e tinha certeza de que sua liberdade estava cada vez mais próxima.
Olhou para Hinata adormecida a seu lado. Seu rosto delicado estava inchado e roxo, mas nem isso era suficiente para deixa-la menos bela. Naruto queria saber como era possível uma pessoa guardar a própria esperança dentro de si. E também como era possível que ela tivesse transformado um monstro como ele em um humano. Era isso que chamavam de “amor”? Como se o respondesse, ela sorriu em meio ao sonho que estava tendo. Talvez realmente fosse isso.
Naquela noite, ele dormiu. E pela primeira vez, como um humano.
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