Prisão

2 Capítulo 1: A desolação


Notas iniciais
O capítulo ainda não está concluído

Há muito tempo atrás, a humanidade se dividiu em dois grandes grupos, a Federação das Capitais, que detinha grande parte dos países desenvolvidos e o Eixo das Transições, que era a maioria do planeta, os menos favorecidos.

O ódio entre essas facções era global, a tensão estava a flor da pele, vários contratos e tentativas de paz estavam sendo feitas, porém, uma ofensiva do Eixo ao tentar invadir uma mina de ouro da Federação foi a gota d’água, a Federação das Capitais tinha como símbolo de poder o ouro, era a moeda, era o ornamento e era a face das Capitais, de tal forma que invadir uma mina desse minério era o mesmo que esbofetear as faces da elite terrena.

Explodiram vários conflitos armados, tropas foram dizimadas, todas tentando alcançar as armas nucleares de sua rival, para desabilitá-las ou torná-las bombas relógio dentro do território inimigo. Os contratos firmados para a não agressão nuclear haviam a muito tornado-se passado, algumas áreas da terra eram inabitáveis mediante a explosão de fúria dos humanos, mas agora, com a guerra generalizada o perigo de uma autodestruição da raça era muito maior.

Em uma semana, morreram oitocentos milhões de soldados no total, as baixas foram na tentativa de desabilitar os sistemas nucleares, porém, ambas falharam, e nos dias seguintes a diplomacia tentou mais uma vez por fim aos conflitos, porém os termos eram muito caros, e desfavoreciam sempre o Eixo, foi então que a primeira ogiva foi lançada. Não se sabe ao certo que disparou aquela bomba, mas acredita-se que tenham sido uma terceira facção, para desencadear a destruição planetária.

A ogiva estava endereçada para uma cidade densamente populosa, no coração da Federação, cerca de três bilhões de pessoas morreram decorrentes daquela explosão, e os cientistas dizem que pode ser mais.

A resposta da Federação foi a única possível, os submarinos da mesma dispararam uma saraiva de ogivas, todas se chocaram contra os centros urbanos do Eixo, cerca de nove bilhões de vidas humanas foram perdidas e a facção foi totalmente expurgada da terra, a reação rápida e certeira das Capitais havia destruído as possíveis ameaças nucleares, a raça estava salva. Mas não o planeta.

Foi um total de 27 ogivas, radiação suficiente para matar todos os humanos por centenas de anos. A Terra foi evacuada, os sobreviventes, cerca de alguns milhões da elite e outras centenas de milhar dos remanescentes do Eixo, todos, sem preconceito foram para outro planeta, terraformaram o mesmo e vivem lá desde então.

A raça demorou a se estabilizar, ouve um numero de suicídios gigantesco, terrorismo e toda a discórdia humana imaginável, foi como se a caixa de pandora fosse aberta, porém, depois de gerações e muitas leis rígidas a Nova Terra se estabilizou em duas castas, a elite, remanescentes da Federação e todo o resto, que sobrevivera do Eixo ou dos países neutros, era algo hereditário.

Porém, onde vivem grandes quantidades de homens, há conflito, e depois de algum tempo o planeta começou a super popular, de tal forma que as prisões não eram mais um método eficaz de manter os marginais reclusos.

Matar a todos era a opção mais simples, porém, muitos se opuseram a essa alternativa monstruosa, alguns criminosos estavam cumprindo penas simples, outros, os mais cruéis e diabólicos crimes e assim punições gigantescas. Os Dourados (nome da elite, já que eles mantiveram o costume da Federação de adorar o ouro) tomou uma decisão, os criminosos palpáveis, aqueles que cometeram crimes leves, cumpririam punições na Nova Terra, e mesmo assim não em prisões, em algum tipo de trabalho comunitário ou domiciliar, porém os que denegriram totalmente a imagem da raça, os monstros, iriam para a Terra.

O planeta seria usado de prisão, os níveis de radiação haviam baixado, porém o planeta era seco, morto e por demais desabitado, uma pedra no sapato dos Dourados, e uma lembrança terrível para os demais.

Então ali seria o exílio dos monstros, um lugar para que toda a discórdia que haviam gerado se pagasse, fosse a fome e morte ou em lutas internas. Milhares de prisioneiros foram transportados, todos tiveram as memórias apagadas, de tal forma a prevenir qualquer rebelião.

Criaram-se centros de detenção, verdadeiras cidades em que os homens poderiam viver por conta própria, e esses centros logo viraram comunidades de detentos, e esses homens aprenderam a viver na Terra devastada, com todos os perigos e necessidades que o planeta gerava, eles aprenderam, e tiveram filhos, e se tornaram Kaa’la, que significa literalmente “os filhos da radiação”.

De nada disso sabia o prisioneiro de numero 1.800.584.158, não sabia que haviam sido transportados cerca de um bilhão e oitocentos milhões de prisioneiros nas ultimas três gerações desde que a Terra havia virado prisão, não sabia tão pouco que apenas os piores criminosos da raça humana estavam ali, e nem qual crime havia cometido.

O homem que estava ali só sabia que estava em uma enrascada tremenda, e que precisava de água.

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O sono demorou à vir, e sem ele as sombras e criaturas continuavam a assombrar o homem, finalmente depois de horas ele caiu no sono, uma mistura de pesadelos hediondos e flashes de memórias à muito esquecidas.

Um chiado insistente o acordou, os sentidos anuviados não permitiram que avista-se logo de cara, porém, junto com o sol nascendo ao leste vinha um grupo de vultos montados nos mutantes que ele vira no dia anterior, pareciam domar as criaturas com graça. Assim que esfregou os olhos encabulado pela visão ele percebeu que o chiado vinha dos vultos, eles estavam de alguma forma emitindo aquele barulho.

P158 se escondeu atrás da pedra e pôs a cabeça para funcionar. São Kaa’la, têm que ser, o que eu faço? Como eles me acharam tão rápido? E como eles dominam aqueles insetos? E que diabos de barulho é esse?! O turbilhão de perguntas teria que esperar pois a alguns metros dali o grupo parou.

— O transporte passou nas colinas Ghor ontem. — Disse uma voz rústica por sobre o chiado que estava bem nítido, não era insuportável e nem alto, era apenas contínuo.

— Sim, todos nós vimos Karlak, ninguém aqui é cego! — Era uma mulher e pelo jeito que chingava o outro eram próximos.

—Há! Cale-se, vamos ver se o franguinho sobreviveu à noite. Todos, estamos entrando no território dos Bao’a agora, respeitem-os, viemos procurar o mais novo traste e habitante dessa escória! — A voz rústica e masculina era Karlak e pelo visto ele era o chefe do grupo, após esse discurso de incentivo todos do grupo guiaram os mutantes até o deslizamento de sedimentos à algumas centenas de metros dali.

Ao chegarem lá desmontaram das criaturas e começaram a escalar os sedimentos, deixaram um homem com todos os insetos, ele carregava uma espécie de aparelho, estava muito longe para que P158 distinguisse o que poderia ser. Preciso sair daqui, eles não vão me encontrar e logo vão deduzir que eu fugi para a planície.

O homem que estava cuidando dos mutantes assentou-se no chão e começou a brincar com uma daquelas criaturas, boquiaberto pela coragem do homem o homem sem nome se esgueirou agachado para longe, para o norte, abaixado e usando a pedra como cobertura inicial, mas depois correndo em debandada, em direção a elevação rochosa. Tenho que fugir desses selvagens!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.