Priston Tale

12 Capítulo 11


Notas iniciais
Meu casal preferido da fic *-*

O céu parecia estranho, o que não o impedia de transpassar uma bela noite. Estrelas no seu lugar, a lua prateada, os astros a girar. O infinito manto negro, quase azulado pela claridade tênue das estrelas que formavam um doce pontilhado, trazia um peculiar brilho, quase uma aurora, quase um rastro perolado. Momentaneamente, as nuvens vagavam pelo céu, encobrindo o orbe gigantesco que era a lua. Momentaneamente, as nuvens iam embora, e a noite pairava delicadamente sobre os telhados de Richarten.

Mystic POV On.

Como combinado, eu estava ao lado do portal da cidade do comércio. Eram nove horas, e imaginei que não era comum naqueles tempos um homem se atrasar mais que a mulher em seu compromisso. Bufei, imaginando as piores hipóteses. Certamente, meus pensamentos estavam atulhados de tantas idéias. O que Electro estava fazendo que não aparecera até então? Ele havia desistido? Ele havia tido uma recaída pela Sacerdotisa e resolvido me abandonar de vez? Era verdade que não tínhamos nada além de uma frágil amizade, mas quem provaria aquele fato ao meu coração?

Cansada de esperar, prontifiquei-me nostálgica a ir embora dali. Porém, quando avancei meu primeiro passo, braços surgiram pelas minhas costas, prendendo minha cintura em um elo que me fez vacilar. Eu não precisaria me virar para encarar um rosto que imediatamente surgira em minha mente. Estupidamente, minha superficial ira se foi de imediato. Era estranho descobrir que uma pessoa tinha tal poder de dominação sobre minha mente e meu corpo, afinal, aquilo era algo inédito em minha vida. Os braços apertaram-se ao redor de minha cintura, prendendo-me ali enquanto um rosto surgia cautelosamente sobre meu ombro. Oras, se eu pudesse explicar exatamente a maneira como meu corpo tremeu naquele momento, eu estaria perdida para sempre.

- Onde pensa que vai? — a voz perguntou-me num suave tom de ironia; ninguém além de Electro sabia como fazer aquilo

- Imaginei todos os motivos para sua ausência, exceto que depois de trinta minutos você estaria aqui. — disse num sutil sorriso

- Perdoe meu atraso. — pediu ele, soltando os braços de minha cintura e indo para minha frente — Você não acreditaria se eu lhe dissesse o motivo disso. — sorriu ele, embora eu não pudesse ver seus lábios se esticando por baixo da máscara

- Tente. — propus, cruzando os braços e lhe fitando com curiosidade

- Eu não consigo chegar na hora. — ele revelou, dando de ombros — Nunca. — completou, assombrosamente

- Realmente não acredito. — admiti após gargalhar brevemente diante daquele motivo absurdo

- Bom, eu disse. — e deixou os ombros cederem, sorrindo — Aff.

- Então, para onde vamos? — sondei, erguendo uma das sobrancelhas meticulosamente

- Venha. — pediu ele, virando de costas para mim e curvando-se sutilmente para frente

- O quê? — olhei-o confusa

- Suba logo. — disse ele, permanecendo naquela posição para que eu peculiarmente subisse em suas costas

- Oras, que ridículo. — bufei, rindo — Não vou sair por aí nas suas costas. — neguei

- Se não subir, você pagará o jantar. — Electro anunciou aos risos zombeteiros, olhando-me de canto de olho

- Ah, você não se atreveria. — disse incrédula enquanto meus olhos explodiam nos dele

- Hum, você que sabe. — ele deu de ombros, rindo malicioso; meu sorriso preferido

- Putz, você não é nada cavalheiro. — reclamei em suspiros mergulhados em risadas de escárnio

Percebendo que eu não tinha alternativa a não ser pular nas costas dele e deixar que me levasse para onde quisesse, eu aceitei aquela proposta. De modo algum eu pagaria um jantar para um homem, estava fora de meus parâmetros femininos. Após algumas risadas abafadas pelo receio de que algum engraçadinho me visse naquela situação lamentável, subi nas costas metálicas de Electro devido à sua armadura, encaixando meu corpo no firme dorso que ele tinha. Sentindo suas risadas irônicas, ele ergueu-se comigo nas costas, com suas mãos elegantes em minhas coxas. Realmente, aquilo me fez corar, e eu agradeci por seu rosto não poder fitar o meu naquele momento. Envolvi os braços no pescoço de Electro e escondi meu rosto na curva de seu pescoço, temendo que aquilo parecesse ridículo demais. Imediatamente, fui obrigada a desabrigar minha face surpresa daquela nuca calorosa, pois quando percebi, estávamos no ar. O portal havia ficado pequeno, distante abaixo de nós. Electro saltava com uma agilidade incrível sobre os telhados altos das casas e construções de Richarten, e a cada momento que seus pés tocavam algo sólido e nos impulsionavam para mais um salto, eu sentia que estávamos literalmente voando devido à maciez daqueles movimentos.

Eu estava boquiaberta, atônita. Sentia o vento chocar-se com meu rosto, bagunçando meus cabelos para trás na medida em que ganhávamos velocidade. Suave velocidade, que nos permitia praticamente levitar sobre a cidade de Richarten. Não percebi de imediato, mas meus braços e pernas estavam fortemente enlaçados no corpo de Electro enquanto ele traçava um caminho incrivelmente peculiar sobre os altos telhados. Certamente, ele havia se aproveitado daquela aproximação, apertando com uma lasciva força as mãos em minhas pernas. Eu o estapearia, se pudesse soltar os braços de seu pescoço. A parte mais inusitada daquilo, era a melhor de todas. Embora parecesse estranho estar saltando sobre a cidade, meu íntimo adorava aquela sensação surreal. Eu estava realmente adorando me sentir um pássaro noturno que facilmente alcançaria a lua.

Logo, Electro deu seu último salto, e este então fora em direção ao chão. Ele pousou suavemente no chão, e percebi que estávamos na parte mais afastada de Richarten. Pateticamente trêmula, desci lentamente de suas costas quando ele curvou-se sutilmente, largando minhas pernas. Recuei um ou dois passos, cambaleando até estabilizar meu equilíbrio quando minhas costas encontraram o tronco de uma árvore. Electro virou-se na minha direção, e pelo seu olhar eu soube que ele havia se divertido com nosso fantasioso passeio. Incrivelmente irônico, ele gargalhou, inclinando a cabeça para trás enquanto eu era a sua diversão.

- Do que está rindo?! — ralhei, não hesitando em saltar sobre seu corpo e estapear-lhe até que meus braços cansassem

- Ei, calma! — ele curvou-se, colocando as mãos sobre a cabeça e protegendo-se de meus murros ensandecidos — Pare! — ria ele

- O que você tem na cabeça?! Está pensando que pode fazer o que quiser comigo e zombar da minha cara?! — eu continuava a espancá-lo, mas sabia que meus tapas não surtiam um mínimo efeito se quer sobre seu corpo forte, porém, era satisfatório poder bater-lhe

- Ei, Mystic! Você tem um péssimo humor. — comentou ele com escárnio, gargalhando enquanto recebia inutilmente meus tapas

- Ora seu cretino! — bufei irritada, batendo-lhe sem parar — Seu imbecil, maldito, desgraçado..! — o chingava com todos os nomes sujos que surgiam em minha mente

- Ei, pare! — ele continuava a rir, divertindo-se, até que tomou o controle da situação; segurou-me pelos punhos, delicadamente, enquanto seu olhar profundo invadia o meu de muito perto; eu parei por completo, atônita — Suas mãos são macias demais. — disse ele com sua voz mais lasciva

- ... — o encarei encantada por longos momentos, então despertei daquele fascínio ao soltar meus punhos de suas mãos — Não brinque comigo. — protestei, virando de costas

- Eu faço o que eu quiser, sabia? — provocou ele com sua elegante voz irônica

- Electro... — rosnei entre dentes pronta para explodir em uma nova cessão de tapas, mas quando me virei com os punhos forçosamente fechados, o vi sentado brevemente distante a admirar o mar escuro

Onde estávamos, havia um porto que misteriosamente não recebia barcos há séculos. Um porto que belamente contemplava a imensidão do mar. Electro permanecia sentado na beira de uma pequena plataforma de concreto que flutuava sobre as águas calmas e profundas, com seu olhar perdido para a imensidão das águas. Como minha raiva subitamente sumira, eu lentamente caminhei até onde Electro estava, sentando-me ao seu lado. Ao espichar o olhar para seu rosto, notei a beleza de sua face sendo iluminada pela claridade da lua. Seus olhos de um azul escuro brilhavam, tomando um tom especialmente distinto. E por baixo daquela misteriosa máscara, notei as curvas suaves de um sorriso congelado. Não entendi exatamente o motivo, mas meu corpo iniciou uma sequência de espasmos que eu tentei esconder, simulando a expressão mais natural que podia. Meu coração palpitava, eufórico, como se eu acabasse uma maratona de três dias consecutivos de exercícios pesados. Precisei controlar imensamente minha respiração, pois por alguns segundos, esqueci-me de como era o ritmo normal de uma respiração. Electro tinha toda aquela influência sobre mim?

Calmamente, ele olhou-me com seu olhar profundo e satisfeito. Senti-me a mais tola das mulheres, de modo que permanecia estática, quase como uma pedra de gelo que derretia a partir de seu interior.

- É bonito, não é? — comentou ele, não precisando lançar seu olhar novamente para o mar para que eu entendesse do que ele estava falando

- Sim. — assenti, fraquejando meu tom de voz quase embalado

- Espere aqui. — disse-me ele, levantando-se e correndo velozmente por entre as fileiras de árvores atrás de nós, sumindo na sombra das mesmas

Contemplei minha breve solidão. O mar reluzia a imagem da lua, como se a abraçasse com suas águas frias e profundas, tão profundas com o olhar azul marinho de Electro. Foi o primeiro momento que percebi aquela ligação tão semelhante entre o mar e o Pike que me acompanhava, e decidi definitivamente que seria a melhor de todas as comparações. Não havia nada mais belo, e mais misterioso que o mar e Electro. Duvidei que a vida de Electro tivesse sido dada por Poseidon, o Deus dos mares. Não precisei prometer aquilo, mas eu sabia que a partir daquela noite, em todas as vezes que eu olhasse para o mar, eu lembraria de uma única pessoa. Um único Pike.

- Pegue. — só então percebi que ele havia voltado

- Hum? — olhei-o curiosa, percebendo que ele sentava-se ao meu lado com dois espetinhos com pedaços de frutas cobertas por uma camada de chocolate, então estendeu um dos espetinhos para mim — Ah. — murmurei surpresa, pegando a iguaria

- Aproveite. Esse é nosso jantar. — anunciou ele, rindo enquanto comia um pedaço da fruta com chocolate

- Aff, você não tem nem dinheiro pra pagar algo decente. — revirei os olhos com sarcasmo, comendo — Hum, mas ao menos isso é bom. — fitei o espetinho em minha mão

- Estou guardando dinheiro pra comprar um bracelete novo. — ele deu de ombros e riu

- Seu pão-duro. — zombei, comendo meu delicioso espetinho

- Você também é. — ele riu, lançando-me um olhar divertido

Rimos, na mesma sincronia. O silêncio reinou entre nós, um silêncio agradável e extremamente confortável. Não nos importávamos de não ter nada pra falar, nossos corpos faziam esse trabalho. Enquanto seu olhar azulado me dizia que aquele momento estava sendo especial, o meu mostrava que em muito tempo eu não me divertia como naquela noite. Nossos corpos lado a lado, escorados pelos ombros, como se ambos fossemos o apoio um do outro, o conforto, o abrigo. O mar nos admirava, e nós o admirávamos. A luz do luar era o suficiente para nos iluminar, afastando as sombras das árvores para longe de nossos rostos. Não pude explicar o quanto o som das águas calmas daquele porto era agradável, embalando aquele momento com suavidade.

Mystic POV Off. Electro POV On.

Era como se eu e Mystic estivéssemos totalmente ligados em uma simetria perfeita. Nossas almas traziam o encaixe adequado, a melhor sintonia. Simplesmente nos dávamos bem, de uma maneira incrível. Éramos quase parecidos, e por isso mesmo tínhamos aquela sensação tão deliciosa quando estávamos juntos. Ela com suas ações intoleráveis, e eu com as minhas toleráveis. Enquanto ela desejava a minha cabeça, eu desejava suas mãos no meu pescoço. E como eu havia dito antes, aquelas mãos eram extremamente macias e confortáveis.

Havíamos nos deitado sobre a plataforma, lado a lado, e nossos olhos vagavam pelas nuvens no céu. Não soube no que ela estava pensando, mas eu naquele momento pensava em como desejava permanecer ali pelo resto de minha vida.

- Ei, Mystic. — chamei, admirando as estrelas no céu encobertas pelas nuvens

- Hum? — ela murmurou, com as mãos debaixo da cabeça e as pernas cruzadas; eu podia ver quando ela balançava a perna cruzada acima do joelho, e a ponta de seu pé pequeno entrava em meu campo de visão; era agradável

- No que está pensando? — perguntei, calmamente

- Ahn, em várias coisas. — revelou ela, tão ou mais calmamente do que eu; parecíamos não nos preocupar com nada

- Me diga. — pedi, sorrindo ao virar meu rosto para o lado; nossos olhares se encontraram graciosamente

- Por que você não tira sua máscara? — sondou ela, curiosa; então era naquilo que ela tanto pensava

- Você quer ver? — ergui as sobrancelhas para ela, sorrindo daquela delicada curiosidade

- Você pode mostrar? — nossas respostas pareciam um jogo de perguntas

- Se você quiser ver, eu posso. — disse, assentindo sem preocupação alguma

- Eu quero. — ela afirmou, erguendo-se e sentando-se ao meu lado; eu permaneci deitado, observando-a

- Então vá em frente. — permiti, achando graça da expressão ansiosa no rosto dela

- Hum. — ela assentiu com o olhar, e então aproximou suas mãos do meu rosto, na direção de minha máscara

Fechei os olhos, risonho. Senti quando as pequenas mãos de Mystic tocaram as laterais de meu rosto, delicadamente baixando o tecido da máscara que cobria metade de meu rosto. Deixei que ela fizesse o que desejasse, afinal, ela já era especial para mim. Meu rosto foi descoberto, finalmente. Senti o ar fresco da noite tocando minha pele, entrando livremente pelo meu nariz, e saindo suavemente na forma de um suspiro por entre meus lábios. Aquilo era gratificante.

- Você... — murmurou ela, e foi então que abri meus olhos — Tem um rosto bonito. — afirmou, atônita; eu percebi o quanto ela me olhava de maneira atenciosa

- Você acha? — sorri, e aquela fora a primeira vez que ela vira meu sorriso livre

- Sua boca. — ela observou meus lábios, provavelmente se referindo à fina e longa cicatriz vertical que atravessava minha boca, de cima à baixo, desde o fim do nariz até quase o queixo; Mystic tocava as pontas dos dedos cuidadosos sobre o risco de minha antiga cicatriz, sentindo-a — É por isso que usa a máscara? — perguntou-me, perdida em seus pensamentos enquanto me fitava

- Ahn, digamos que sim. — assenti, totalmente satisfeito pelo toque macio da mão dela em meu rosto, em meus lábios

- Então todos os Pikes tem cicatrizes? — sondou ela, incrédula

- Ah, não. — ri baixo, olhando-a — É do costume de nossa classe usar máscaras, mas isso foi mais conveniente para mim. — lembrei

- Como você a fez? — ela perguntou, contornando meus lábios suavemente com a ponta de seu dedo indicador, como se brincasse com o contorno de minha boca

- Foi num treinamento. Bobagem. — expliquei levemente reflexivo — Já faz muito tempo. — sorri, admirando o toque dela em minha pele

- Você é impossível, Electro. — ela sorriu, doce e perdida em meu olhar

Sorrimos juntos, da mesma maneira encantada. Parecíamos dois tolos, duas crianças. E quando o sorriso dela se foi, subitamente, o meu também se apagou. Embora nossos olhos ainda brilhassem, talvez mais do que antes, não conseguíamos mais sorrir. Entendi então que nossos lábios precisavam agir de outra maneira, e soube imediatamente que ela também havia chegado na mesma conclusão. Mystic parou a mão que passeava sobre meus lábios na maça de meu rosto, aquecendo-me com aquela pele deliciosa e corada. Uma sensação quente se revelou em meu coração, agitando-me inteiramente. Eu só sabia que precisava de Mystic, e tudo nela me chamava, me atraía. Ergui a mão até o rosto dela, descendo meus dedos até sua nuca, onde a segurei delicadamente a trouxe para junto de meu rosto. Ela acompanhou aquele movimento, inclinando-se para baixo, sobre meu corpo. Fechamos nossos olhos no mesmo instante, e nossos lábios enfim se tocaram, na mais perfeita sincronia. Um beijo doce, profundo e caloroso aconteceu, eriçando-me por completo. Passei meus braços ao redor do corpo dela, enlaçando-o em um abraço que já sentia saudades antes mesmo de nos afastarmos futuramente. Aquilo era estranho, mas eu estava adorando. Mystic se deixou cair sobre o meu peito enquanto nossos lábios conversavam silenciosamente, deslizando desejosamente um sobre o outro. Eu a abracei e a fiz rolar por sobre o meu corpo, de modo que o meu se moveu juntamente, ficando praticamente sobre o dela. Minhas mãos em seus cabelos azulados, afagando-os, enquanto ela quase puxava os meus ao tirar o gorro de minha cabeça, jogando-o para o lado. Emaranhamo-nos inteiramente, e aquilo foi perfeito.

- Eu quero você. — sussurrei com a boca passeando pelo lóbulo da orelha dela, sôfrego e palpitante naquele abraço de nossos corpos

Ela olhou-me ofegante, e seu olhar fora tão profundo e caloroso que eu tive a certeza de que ela diria que também me queria, que tínhamos nascido um para o outro. Fantasiei, completamente levado por minhas emoções. No entanto, quando seus lábios corados por nossos intensos beijos se abriram para falar o que eu tanto esperava, algo nos despertou daquele momento. Barulhos de alguém passando entre as árvores atrás de nós se aproximavam, juntamente com uma voz que surgira no pior momento possível.

- Tem alguém aí? — a voz perguntou preocupada, e só então vi a imagem de um guarda do castelo se aproximando

- Não, vá embora! — gritei, furioso; como um simples guarda ousava estragar meu momento com Mystic?

- Electro! — Mystic rapidamente rolou para o lado, levantando-se e ajeitando o cabelo nervosamente — Preciso ir. — disse ela

- Não! Fique! — supliquei, arrastando-me até ela e segurando um de seus pés

- Ei, tem alguém aí? — o guarda continuava a se aproximar, intrometendo-se onde não fora chamado

- Cala essa boca! — ralhei, pronto para atirar aquele homem no mar

- Quem é? Apareça! — o guarda ordenou, aproximando-se ainda mais; eu queria trucidá-lo

- Electro, nos vemos amanhã! E não faça besteiras. — despediu-se de mim com um beijo rápido demais antes de sair correndo na direção oposta a que o guarda vinha — Eu também quero você. — revelou ela sem falar, apenas movendo os lábios silenciosamente enquanto se afastava, então sorriu graciosamente antes de desaparecer por completo

- Mystic... — murmurei, desejando inutilmente que ela voltasse; o maldito guarda apareceu entre as árvores, encarando-me

- O que faz aqui tão tarde? — o guarda do castelo interrogou-me, curioso

- Se você não fosse um guarda, eu lhe mataria agora mesmo! — gritei furioso ao passar bufando por ele, completamente transtornado

Minha ira era tanta, que se Mystic não tivesse me pedido para não fazer besteiras, eu certamente teria feito qualquer atrocidade contra aquele guarda. Mas do que adiantaria? Mystic não voltaria, mesmo que eu esfolasse aquele homem no chão rochoso de Richarten pelo resto da madrugada. O que importava era a lembrança daquele beijo, o qual eu ainda sentia o gosto em meus lábios. Meu coração palpitava, acalmando-se lentamente. Ela dissera que também me queria, e mais cedo ou mais tarde, eu cobraria aquilo, porque naquela noite eu descobri que Mystic era para mim muito mais que uma amiga.