Pristine
1 único
Havia brigado mais uma vez por causa dele. Zoro não entendia por que protegia ainda aquele canalha, tudo que diziam sobre ele era verdade. Mas ainda assim era doloroso ver aqueles vermes da escola caçoando do seu melhor amigo, a pessoa que mais amava no mundo. E sempre que pensava nele, imaginava-o com os seus cabelos loiros esvoaçados pelo vento junto de sua camisa duas vezes maior que o seu corpo magro, sob o céu azul na encosta do arroio, tão frágil e tão poético. Não tinha como permitir que falassem dele.
Não, enquanto sorrisse tão verdadeiramente.
E Zoro decidiu vê-lo na encosta do arroio, um lugar que costumava ficar quando se sentia frustrado. Por sorte, decorou muito bem o caminho, pois era constante Sanji se deprimir. No entanto, antes parou numa máquina de bebidas e comprou duas latas de suco. Pensava que Sanji deveria estar com fome por não ter ido pra casa até aquele horário e, diferente dele, Zoro não sabia cozinhar para fazer uma marmita, coisa que Sanji fazia constantemente para ele.
Encontrou-o sentado na relva observando o regato enquanto fumava, ao seu redor havia entulhos como mobílias velhas e até mesmo um latão que os moradores de rua acendiam uma fogueira para aquecer as mãos em dias frios. O sol estava se pondo e Zoro se aproximou em passos lentos, até se sentar ao lado dele.
Sanji piscou os olhos, um pouco surpreendido, estava tão imerso nos problemas que não notou o amigo se aproximar. Viu o estado que o marimo estava e estalou a língua com desprezo.
— Tonto! Quantas vezes tenho que te dizer pra não se meter nos meus problemas?
Odiava vê-lo surrado por uma briga que não tinha nada a ver com ele.
— Ah, eles falaram da minha mãe também. — Respondeu indiferente, tudo que Sanji dizia entrava num ouvido e saia do outro. — Toma!
Zoro ofereceu o suco que comprara para Sanji, que aceitou sorrindo, depois levou sua mão até o rosto dele para tirar os fios loiros e ver o machucado embaixo deles.
— Eu só tô surrado, mas você está machucado.
O rosto de Sanji esquentou com o contato súbito, Zoro diminuiu a distância entre os dois e passou a deslizar seus dedos naquele rosto triste. Contudo, o loiro tirou sua mão do jeito mais brusco possível.
— Não toque em mim quando estou tão vulnerável!
Havia se passado quase 1 mês desde que Zoro se confessara para ele, mas Sanji rejeitou sem nem ao menos pensar duas vezes. Ele não queria, na verdade, não acreditava que uma pessoa pudesse amá-lo. Não, quando era um garoto abusado pelo pai, pessoa que sempre o lembrava de como era insignificante.
Bebeu um pouco do suco. — Eu sou um inútil...
— Ora, se for para te criticar, use os adjetivos certos como “desprezível” ou “tarado”.
— Ah, é? Tu sabe o que é adjetivo, marimo?
— Vá se foder!!
Sanji passou a rir por vê-lo com o rosto fervendo de raiva. Porém, sentiu um peso em seu colo e levou um susto, Zoro havia tombado a cabeça sobre suas pernas cruzadas. O loiro parou de rir para ficar completamente constrangido.
— Por favor, continue. — Disse Zoro com os olhos fechados. — Gosto quando sorri...
Ainda estava constrangido, olhou pro lado e coçou a cabeça, sentiu vontade de fumar e percebeu que não fumava, já não se lembrava de quando parou e nem de como tudo isso começou. Quando aquele idiota havia se apaixonado por ele? Zoro devia ser super carente por gostar de alguém tão fodido em vários aspectos, mas não era possível... diferente dele, o marimo era popular e só apanhava quando se metia nas suas brigas, tinha saúde por praticar kendô, foco por ter um sonho em ser um profissional nessa área, e uma boa família, onde seu pai que o ensinava tudo sobre a arte do bushido.
Como sentia inveja, como queria que seu pai sentisse orgulho e lhe ensinasse algo.
Mordeu o lábio inferior e resolveu tocar o rosto bronzeado envolvido no seu colo, era quente e Zoro não demonstrava nenhum traçado de incomodo, como se Sanji não estivesse o tocando, deslizando o polegar em seus lábios. Depois levou a mão até o cabelo esverdeado do amigo, cabelo que achava medonho e, com o tempo, passou a gostar — e que por sinal, estava estranhamente macio naquele final de tarde —, na verdade, passou a gostar de tudo em Zoro.
Estava apaixonado.
E todos os dias pensava caso Zoro se apaixonasse por alguém muito melhor — o que não seria difícil de acontecer. —, Sanji continuaria o vendo em tudo ao seu redor.
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