Prisona

1 Único


É sempre assim. Esse ciclo vicioso que me persegue, me aflige, me dissolve.

Nesta mesma superfície gélida repouso minha cabeça, tento descansar minha alma, mas tudo que consigo é deixá-la mais histérica. O silêncio me ensurdece, pois nele que a verdade me dá tapas nas maçãs do rosto, destruindo o pouco que me sobra de sanidade.

Não posso ceder, não posso permitir que o monstro que em mim habita me rasgue de dentro para fora. Preciso levantar do fundo deste penhasco que apenas me puxa mais para baixo, porém não acredito conseguir.

A dor não é mais psicológica, se torna física a medida que tento solucionar as questões que não me permitem dormir. Estou cansada de dar voltas e mais voltas ao redor da mesma poça de sangue.

Quero cair na inconsciência para não percorrer esse trajeto escarlate que tanto me corrói. Entretanto, se o faço não somente minha ferida estará mais estampada em meus pés, mas de inúmeros do mesmo modo. Jamais aceitaria o fato.

O medo de superar e a besta voltar sem avisos prévios do mesmo modo se torna preocupante. Dizem que a felicidade se esvai rápido e é necessário tomar conta para que não se deixe fugir, mas como senti-la em sua totalidade vivendo com a aflição destes assombros voltarem?

Assim o que me sobra é virar o corpo por sobre estas molas que dão equilíbrio apenas ao meu corpo e deixar-me perder os sentidos ao menos por algumas poucas horas. Deixar o alívio incerto me tomar para então, quando finalmente abrir meus olhos, estar descansada para enfrentar mais rasgos e feridas, porém com a certeza de que um dia se passou e com isso, me tornei mais forte, capaz e, quem sabe, o dia reserve um pouco de paz.

Afinal, é tudo que me resta, acreditar que existe luz em algum lugar desta escuridão que me cerca.

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