Prism
1 Capítulo 1
Notas iniciais
- Por que está fazendo isso?
Ele grita cuspindo as palavras como uma arma. Talvez seja realmente uma arma, me atingindo e fazendo meu corpo todo estremecer.
- É o melhor para mim! – eu digo um tom mais baixo – Não consigo mais viver assim!
- O melhor para você? Você é uma ingrata!
Naquele ponto, todas as pessoas presentes no fosso já estavam prestando atenção na discussão. Brigas de casais era a atração principal aqui.
- Você, – ele disse apontando o dedo para mim – não está nem ai para mim. Eu fiz TUDO o que você queria, fui seu chaveirinho todo esse tempo. Agora quer terminar? Você é estúpida!
Naquele momento perdi toda a paciência que estava disposta a conter.
- Estúpida? Estúpido é você que não sabe fazer nada além de usar a força e a coragem como resposta para tudo! Tenho nojo de você!
Dei meia volta e fui em direção à saída do fosso o deixando sozinho.
Era como tirar um peso das costas! Eu havia me apaixonado por Lewis ainda na iniciação. Na época ele era um garoto super carismático e se dava muito bem com as pessoas. Era iniciando já da audácia e adorava caçoar dos iniciandos transferidos. Era charmoso e muito bonito. Conhecemos-nos no refeitório e nosso relacionamento durou até hoje.
Nos últimos meses depois da nossa iniciação, ele se tornou mesquinho e rude. Seu trabalho era algo de orgulho para ele e não deixava de ser gabar por isso. Como tenho um trabalho menor, ele se sentia meu dono, alguém superior. Meus amigos bem sabem como eu odeio ser inferiorizada pelo meu emprego.
Eu trabalho com relações públicas. Represento a audácia, minha facção de nascimento. Vou a reuniões, congressos, e visito departamentos públicos todas as semanas. Aqui na audácia, o meu emprego, não é considerado muito “perigoso” por isso as vagas normalmente não são muito preenchidas.
Escolhi essa carreira porque quis. Quero conhecer tudo sobra à população da cidade, as facções e sua maneira de viver. Além disso, descobri recentemente que a maior parte da nossa história foi ocultada a cidadãos sem algum poder público. Isso me intriga e simplesmente me fascina!
Finalmente consigo percorrer o turbilhão de pessoas e saio do fosso. No corredor o ar está mais fresco e seco e consigo pesar melhor. Sei que foi a coisa certa terminar com Lewis, mas sei que não ficará assim. Apesar de ser como é, sei que ainda gosta muito de mim, ma não posso pensar o mesmo dele. Gostei muito dele um dia, mas hoje, não sinto nada.
Parte da coisa toda que é nascer na audácia é conviver com toda a coragem que extravasa de todos. Quase ninguém aqui tem medo de morrer, ou de ser magoado, muito menos de perder algo. Ninguém nunca tem nada a perder e sempre á coragem para usar. Apesar disso todos são muito possessivos e agressivos, o que sempre odiei na audácia.
Atravessei o complexo principal rapidamente e fui até o meu prédio, há uns doze metros de distância dos trilhos. Era alto, com vidros esfumados e com aspecto sombrio quando visto de noite. Mas naquele momento, todas as milhares de janelas brilhavam com a luz do sol e tudo aquilo parecia majestoso. Era um dos prédios que oferecia moradia as membros da facção. Era ali onde moravam aqueles com os cargos mais baixos, incluindo eu, claro.
Apesar de simples, tudo era bem arrumado. Meu apartamento era no décimo andar. Cheguei ao hall de entrada e apertei o botão do elevador. Quando as portas se abriram, dei de cara com a minha melhor amiga Zara.
- Amelia! – ela grita e me puxa para dentro.
- Sei que você já sabe – eu digo – e sim, terminei com ele.
- Ah, meu bem, as notícias do fosso correm! Como foi?
- Fiquei muito aliviada – eu disse e apertei o botão do meu andar.
- Ai querida, estou tão feliz por você! Ele não te merecia!
- Preciso descansar, trabalho amanha – eu digo – aliás, você não estava saindo do prédio?
Ela olha para mim com um grande sorriso no rosto.
- Depois de conto tudo!
E assim eu sabia que Zara entraria em mais uma de suas aventuras. Me despedi ao chegar no meu andar e sai pelo corredor.
Estava decidida a entrar e tomar um banho relaxante, descansar e esquecer o dia, até que meu celular vibra. Era uma mensagem do meu diretor.
Reunião administrativa de urgência na erudição.
Espero que não tenha planos para o resto da semana. Vamos sair às sete.
- Ótimo! – digo em voz alta. – Lá se vai meu resto de final de semana.
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