Prisioneiros Do Passado
3 afraid again.
Notas iniciais
- Vai fazer o que agora, Kendall? A única culpada de algo aqui é você, nem adianta arregaçar as mangas.
- Adianta sim, porque com a família Fletcher não dá pra resolver as coisas dialogando. Elle é um belo exemplo disso. Cabeça dura. — revirei os olhos.
- Não ouse tocar no nome dela. Você a fez sofrer por demais.
- Ela não quis me ouvir. Não tenho culpa se a sua irmã prefere acreditar em mentira.
Vi Jennifer vir pra cima de mim, então empurrei-a com força, atirando-a no chão.
Ela se levantou depressa e encarou.
- Te odeio.
Virei-me de costas e ia andando até o carro, até que Jenna pulou em cima de mim, me derrubando no asfalto.
Empurrei-a pro lado e subi em cima dela.
- Mamãe não disse pra você parar de se meter em confusão? — murmurei dando um tapa na cara de Jenna, que logo revidou.
Bati a cabeça dela no chão, o que a fez sangrar um pouco.
- Você me paga.
Essas foram as últimas palavras que ela disse antes de desmaiar.
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Horas depois, no hospital da cidade...
- Elle me mandou uma mensagem. Ela está na recepção. — Kaio ainda estava trêmulo. Talvez arrependido por ter deixado a noiva no altar, plantada. E depois ter que avisar sobre o acidente ocorrido com a Jenna.
- Eu nem sei qual vai ser a minha cara quando eu ver.. Oi. — meus pensamentos foram interrompidos assim que a vi com aquele vestido branco desfilando pelo hospital, num fracasso imenso, se afundando em lágrimas.
- Cadê. A. Minha. Irmã? — disse entre os dentes.
- Sala 16. — respondi seca. Pode parecer estranho, mas estou feliz em te rever.
- Que bom. Pois eu não. Você arruinou a minha vida inteira. Qual o seu problema comigo?
- Nenhum, eu juro que..
Elle sibilou:
- Eu não acredito mais em você. Porque eu acreditaria em alguém que dedura a doença da melhor amiga, transa com o namorado dela, rouba seu noivo e machuca sua irmã? Cara, eu não consigo entender.. E quanto a você, Kaio, quero mais é que suma. Acabou.
- Mas eu ainda te amo, Elle! — confessou Kaio.
- Belo amor esse que você demonstra. Já reparou na minha roupa? Já reparou no estado da minha maquiagem? Você estragou tudo. Aliás, vocês dois. Formariam um belo par.
Desliguei-me por um minuto da DR maluca e recordei do bilhete. A data e o local.
- Ainda dá tempo.. — disse à mim mesma. Me desculpem, mas eu preciso ir. Eu estou atrasada.
- Já que não vai adiantar eu te pedir pra ficar, eu também vou embora Elle. Desculpa.
Kaio me deu as mãos, o que foi um tanto estranho, e fomos até o estacionamento.
- Tem certeza que quer fazer isso? — perguntou antes de entrar no carro.
- Mais do que nunca. Eu preciso saber o que tem nesse lugar, pode ser importante.
- Tudo bem. Se é assim que você quer.. — murmurou abrindo a porta do passageiro.
- Não, espera Kaio.. Eu queria ir sozinha, se é que você me entende; não sei o que me espera.
- Entendo. E respeito. Pega o meu número. — pediu, me alcaçando um pedaço de papel. Que tal um cinema amanhã?
- Estou com a cabeça cheia. Pode ser na sexta?
- Sim. Nós vemos na sexta. Te pego em frente ao Parque de diversões, na Avenida principal, às 8.
- Combinado. — sorri, arrancando o carro. Observei ele acenar pelo retrovisor.
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Duas horas de viagem pra me deparar com uma casa velha, possivelmente abandonada, caindo aos pedaços. Já estava escurecendo, então a minha única solução era entrar.
Empurrei o portão de metal, feito com lanças afiadas que lembravam a época medieval.
Caminhei pelo espaço gramado e comecei, novamente, a observar a casa. Era uma construção antiga, uns dois andares de pura poeira.
Conduzi-me até a porta enorme da entrada, feita de madeira escura. Empurrei-a, e ela abriu com um rangido insuportável. Estava escuro lá dentro.
Dei no máximo dez passos, até tropeçar em alguma coisa que bloqueava a minha passagem. Resolvi iluminá-la com o celular.
Uma lágrima escorreu pela minha bochecha. Eu estava à frente de uma estátua. Não era uma estátua qualquer. Linda Lefévre não foi enterrada. Ela foi empalhada e colocada em uma exposição ridícula na qual eu estava presa agora. E sabe-se lá por mais quanto tempo (...)
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