Prisioneira da Liberdade
1 Prisioneira da Liberdade
Notas iniciais
Não sei se alguém irá ler, eu espero que sim, e que comentem sff.
Fic também encontra-se noutros sites, como Tumblr e AKB48Friens
Espero que gostem
Prisioneira da Liberdade
Tinha-se passado já cinco anos desde que conseguimos nos ver livre da prisão. Não posso dizer que estar lá dentro tenha sido mau, porque seria mentira. Lá dentro aconteceram muitas coisas boas, que no meu ponto de vista conseguem superar as más.
Depois daquela confusão toda que armamos, e de mostrar toda a verdade, a Prison Hope foi oficialmente encerrada. Nós? Bem muitas fugiram, mal tiveram oportunidade. E é certo que a maioria estará noutra prisão a esta altura.
Mas muitas de nós permaneceu lá dentro até decidirem o que fazer da vida, ou até alguém ir buscar. As que ficaram até aquele dia, a maioria foi entregue a familiares, ou a instituições mais psiquiátricas. Eu fui parar nos dois lados.
Uns tios meus aceitaram-me de volta. Tinha descoberto que os meus pais tinham morrido dias depois de eu ter sido detida. Mas os meus tios acharam por bem que eu consultasse esses médicos. E eu acabei por aceitar. Aceitar que se calhar eu tinha mesmo um problema, e não a sociedade que me odeia.
Não vou dizer que foi fácil. Porque não foi. Principalmente, depois de me ter afastado de todas as minhas amigas. De me terem afastado da Tetsuo. Eu nunca mais as vi. Nunca mais soube nada delas. Eu fui das últimas a sair, mas mesmo assim sai antes da Tetsuo.
Foi ela que me fez ficar lá e não fugir. Foi ela que disse para ir com os meus tios e dar um novo significado à vida. E que me prometeu que nos íamos encontrar. Não era dela dizer tal coisas. E muito menos, era meu aceitar.
Mas cedi.
Contudo passaram cinco anos, e nunca mais a vi. E sinto tantas saudades dela, como nunca pensei possível. Nunca pensei que o sentimento que tinha por ela era tão forte como é. Pus a hipótese de ir a prisão ver se ela está lá. Mas não consegui aproximar-me. Prefiro pensar que um dia irei encontra-la de novo, por obra do destino.
Eu não mudei fisicamente, durante estes anos de terapia que tive. Contino com o mesmo físico, e a levantar pesos diariamente, o cabelo, deixei crescer até aos ombros, um penteado mais "normal", como a minha prima costuma chamar. Sem aquelas vestes da prisão, não tive vontade de continuar a vestir-me como uma yankee, mas posso dizer que contino muito masculina, para o facto de ser mulher. Mas isso não incomoda ninguém.
Psicologicamente, acho que foi ai que mudou mais. Contino cabeça quente, fervo em pouca água, agressiva, mas nada como antes. Não sinto vontade de bater em ninguém, já não uso um vocabulário tão sujo nem agressivo. Não quero magoar ninguém. Não quero roubar, não quero ser posta de lado de novo pela sociedade. Apenas adaptei-me a minha nova vida sendo assim.
Claro que sei que a minha orientação sexual me pode por de novo de parte, mas isso, o meu psicólogo ajudo-me a não preocupar. E acho que com isso eu vivo bem. Se ao menos a tivesse aqui comigo.
Mas no geral tinha mudado muito. Já não era a mesma de quando estava presa. Até o meu sorriso tinha-se tornado mais verdadeiro, mais sincero.
- Haruu, vem comer. — A minha tia grita da cozinha, tirando-me dos meus pensamentos.
Outra coisa que tinha mudado muito, foi o meu nome. Deixei de ser chamada de Uruseeyo, e voltei ao meu nome de nascença, Haruka, ou Haruu como toda gente me chama.
Chego a cozinha e vejo já todos na mesa a minha espera. Como sempre o jantar parece delicioso. Eu ando aprender umas coisas com a minha tia. No início foi apenas porque eles me deram emprego no seu restaurante, mas agora é mesmo por gosto, um hobby até.
- Auu como ela é linda! — Exclama a minha prima, fazendo com que eu tira-se os olhos babados da comida e olha-se para a televisão, que reparo que estão todos olhas fixamente.
Passava algum desfile de moda sem interesse. Nunca achei piada aquelas bonequinhas falsas. Mas mal o meu olhar caem sobre a modelo que desfilava, o meu coração falha uma batida. Eu tinha de concordar, era linda. Só de a ver, o meu corpo aquecia e reagia de forma que não acontecia há anos.
Aquele olhar. Aquele sorriso. Nada me era estranho, mas não conseguia lembrar de onde. Eu tenho a certeza que não ia esquecer um sere tão lindo como aquele.
- É a tal modelo nova que todos falam. Muito bonita. Adorava ter uma filha assim. — Explica a minha tia enquanto nos servia a todos.
- Hey mãe escusas de ofender. Quem sabe um dia ela não vá ao nosso restaurante e vejas que eu sou melhor. — Eu nem prestava atenção a discussão entre a minha tia e a minha prima. Continuava hipnotizada como um burro a olhar para um palácio.
- Haruu estás bem? — Pergunta o meu tio. Por sorte a modelo tinha saído de cena, e assim consigo prestar atenção ao resto.
- Sim, sim. Estava distraída...
Uruseei♥Tetsuo
O dia estava quente de mais para o meu gosto. Mas finalmente tinha chegado a hora da minha pausa no restaurante, onde podia descansar os pés e comer comidinha deliciosa.
O local estava ainda um bocado cheio, por isso decido ir sentar-me na esplanada, onde o movimento era menor. Nem olho para ninguém que lá estava. Apenas sento-me na mesa vazia mais perto da rua, e começo a disfrutar da minha refeição.
As pessoas e os carros que passavam na estrada tinham tomado a minha atenção. Tinha ganho um gosto por ver as pessoas a fazerem a sua vida. Acho que senti-me atraída pela liberdade e pela felicidade, mesmo que seja das outras pessoas.
Mas algo parecia que precisava de mais atenção que as pessoas naquele dia. Num dos prédios à frente, tinha um grande placar com uma publicidade qualquer a uma marca que não me interessa. Apenas a modelo é que atraia os meus olhos. Era a mesma que eu tinha visto na televisão a três noites. E nos dias que passaram não consegui esquece-la. Algo nela despertava algo em mim.
Tinha uma vontade enorme de encontra-la. Não a conhecia, mas sentia saudades sempre que a via. Aqueles choques que o meu corpo senti-a, eram algo que devia estar reservados apenas a uma pessoa. Eu não conseguia entender porque ele reagia a uma modelo, a qual o nome me era desconhecido.
Claro que não podia negar, que a modelo, tinham uma beleza que deixa qualquer um maluco. E essa só podia ser a razão para eu me sentir assim. Era isso, decerto.
- Abe Maria!! — Ali estava o nome da modelo em letras grandes ao lado da sua foto. Era um nome de deusa, condizia com ela de certeza. Alguém tão puro, tão diferente de mim. Estou poluída até há ponta dos cabelos. Já me mentalizei que permanecerei um lobo solitário para sempre.
- Quem te viu e quem te vê. Nem te reconhecia Uruseeyo.- Alguém fala atrás de mim. Aquela voz era-me conhecida. E era de alguém que julguei nunca mais ver, ou falar. Olho para trás e vejo que acertei ao reconhecer a voz.
- Messi? Yagi? — Lá estavam duas que pertenciam ao grupo rival do meu, enquanto estávamos presas. Mas nos últimos dias todas tinham-nos tornado amigas. Mas ao nos separar, podia apostar que estas duas seriam as últimas que alguma vez viria.
Elas sem cerimónias sentam-se a minha frente, podendo assim analisa-las melhor. Estavam iguais mas diferentes ao mesmo tempo.
Messi não usava já os óculos partidos, ainda tinha madeixas verdes, mas o cabelo caia-lhe naturalmente.
Yagi, tinha-se livrado da trela, uma das coisas que nunca percebi porque a usava. Parecia mais humana, e vestida como uma roupa mais "normal" para a sociedade, tornava-se uma mulher muito bonita. Se quisesse podia ser perfeitamente uma modelo. Mas duvido que naquele meio aceitassem pessoas como nós.
- Acho que todas nós mudamos. Não é? — Respondo da mesma maneira que antigamente, recebendo um sorriso de lado de Yagi. Acho que ela mantinha-se igual, afinal a mudança devia ser só física.
- O tempo anda, e nós também. — Responde Messi.
- Mas o que raio estão aqui a fazer? — Pergunto sem cerimónias. Encontrar antigas rivais apos cinco anos sem ter tido contacto algum com alguém de lá, era muito estranho.
- A Yagi estava a fotografar aqui perto, e viemos almoçar aqui. Quando deparamos contigo. E seria má educação não vir cumprimentar não achar? — Responde Messi.
- Fotografar? És modelo? — Aquilo era algo muito estranho. Afinal o mundo da moda tinha pessoas como nós? Afinal nós podíamos construir um futuro melhor?
- Sim. E por acaso vi que olhavas para ela. — Responde Yagi, apontado com a cabeça para o grande placar que eu antes observava.
- Duvido que tenhas visto alguém que tivesse connosco na prisão Hope, estou certa? — Pergunta Messi com um sorriso suspeito. Aquele sorriso irritava-me antigamente e pelo que parece, ainda me irrita agora.
- Ninguém. Há cinco anos que não vejo nem tenho contacto com ninguém. — Respondo. Não sei bem porque falava com elas, mas não tinha razão para mentir.
- Nem a Tetsuo? — Volta a perguntar Messi. Bastava ouvir o nome que o meu coração apertava e doida. Eu queria tanto poder encontra-la, mas nem sabia por onde começar. Nem o nome verdadeiro, nem a cidade natal dela, eu sabia. Como poderia encontrar alguém que só sabia o nome que era conhecida na prisão? Nem eu própria já era conhecida por Uruseeyo. Era impossível encontrar alguém. — Vejo que não. Não tens uma horinha ou duas?
- Tenho, só volto a trabalhar daqui a duas horas. — Respondo sem perceber as suas intenções.
- Então porque não vens connosco? A Yagi vai fotografar aqui perto ainda, e assim podias ver algo novo sem ser este restaurante. — A proposta era quase irrecusável, mas a maneira que ela falou inquietava-me. Parecia que sabia alguma coisa e não queria dizer.
- Possa ser que a encontres. — Diz Yagi voltando apontar para o placar.
- Porque não... — Aceito mas mesmo assim, meio receosa.
- Prefecto
- Respecto... — Sim havia coisas que não mudavam mesmo.
A minha tia achou estranho eu sair com amigas. Como eu tinha-as apresentado. Mas pareceu ao mesmo tempo feliz. Porem sei que à noite não me escapo de um interrogatório geral. Mas enfim. Ninguém disse que a liberdade era total.
Andamos pouco tempo, rapidamente estávamos no jardim lá perto. Nem sabia que estavam a fazer secções por lá. Mas vendo a quantidade de pessoas lá, acho que era mesmo a única. Ainda não me habituei totalmente a sociedade, e o mundo do entretenimento e da moda era o que ainda mais eu deixava escapar.
- Senhora Takahashi Juri, ainda bem que chegou, estavam todos a espera da menina Mariya. — Mal tínhamos metido os pés perto das camarás, tinha vindo varias pessoas levando a Yagi com elas e dando algumas explicações, quanto outras falavam com a Messi.
- Desculpem, acabamos por encontrar uma velha amiga e perdemos a noção das horas. — Desculpa-se Messi, sendo tão educada que eu pensava que mais seria impossível para um ser humano.
Enquanto eles trocavam algumas palavras eu apenas olhava para tudo à minha volta. Camaras, pessoas a correr de um lado para o outro. Era algo bem parecido com o restaurante afinal de contas. Até mesmo eles tinham horas a cumprir.
- Desculpa Uruseeyo. Esta gente adora chatear-me. — Explica Messi enquanto me arrastava para debaixo de uma árvore, onde dava-nos uma vista privilegiada do que acontecia.
- Chama-me Haruu, não estou já habituada a esse nome.
- Chama-me Juri então. Aqui toda gente me conhece pelo nome verdadeiro. A mim e a Mariya. Abandonamos os nossos outros nomes, como a nossa antiga vida.
- Assim como eu. — E como toda a gente possivelmente. Pelo menos aqueles que recomeçaram de novo como nós.
- Tens saudades dela?
- De quem? — Sabia bem de quem ela falava, mas preferia fazer-me de inocente.
- Tetsuo. Porque não a procuras-te?
- Não tinha como. E pelo que parece, deve ter toda gente recomeçado do zero. — Este encontro por algum motivo dava-me esperanças de a reencontrar. Se encontrei a Messi e a Yagi no momento menos imaginável, porque não iria encontrar quem eu mais queria?
- Olha o teu dia de sorte. — Ela bate-me no braço, com força que eu já não estava habituada a sentir. Ainda mantinha o sangue de delinquente nas veias. Mas nem liguem ao braço dormente, o meu olhar rapidamente segue o dedo de Messi, encontrado a modelo, que não me abandonava os pensamentos, falando com Yagi. Pareciam que eram amigas íntimas, porque Yagi falava como se a conhecesse há anos.
Ela era ainda mais linda ao vivo. Mesmo estando longe, e vestida e maquilhada de forma estranha. Continuava uma deusa. O meu coração parecia que tinha-se esquecido de como funcionar. Ela sorria de forma tão linda, um sorriso que me dava vontade só de sorrir por vê-lo.
- Haruu, eu vou ter de ir. Mas quem sabe não nós voltemos a encontrar. — Diz Juri. Nem tive tempo de responder-lhe. Quando me viro ela já não lá estava.
Volto o meu olhar para a modelo, mas já não a encontro em parte alguma. Já tinha sido bem bom poder tê-la visto de longe. Se calhar este sentimento é aquele que as pessoas têm por ídolos. Porque era a única justificação para me estar a sentir assim.
Não tinha já nada para fazer lá, seria bem melhor eu voltar para o restaurante e esquecer que este dia estranho tinha acontecido.
Uruseeyo♥Tetsuo
Tinham-se passado dois dias desde do meu encontro com Messi e Yagi. Por mais que tente não consigo trata-las pelo nome verdadeiro, soa estranho. Falta de hábito.
Não as voltei a ver, mas acho que não será por muito tempo. Sabendo elas onde eu trabalho certezas que me irão lá visitar. E eu por alguma razão sinto-me ansiosa por isso.
Uma das coisas mais chatas de ser praticamente dona do restaurante, é ter de ficar algumas noites até altas horas para o poder fechar.
Obviamente que não tinha medo de ir para casa à uma da manhã. Ninguém iria conseguir fazer-me mal. Eles que tentassem. Posso não ser já tão violenta como fui, há uns anos, mas ainda sei me defender, e não tolero certas coisas.
Era uma noite fria, o vento tinha decidido soprar forte. E tinha sido um ótimo dia para eu esquecer do casaco em casa. Mas não podia fazer nada sem ser andar de pressa e não pensar no frio.
- Pensei que este dia nunca mais chegava. — Uma voz feminina fala não muito longe de mim. Não sei se falavam para mim ou não, mas mesmo assim paro de andar e procuro a dona da voz. Mas a única pessoa que vejo é alguém sentado num muro, banhado pela escuridão da noite.
Não havia mais ninguém nas redondezas, por isso ela só podia estar a falar comigo. E eu não gosto de estar ao escuro. Encaro a pessoa, mas pondo-me em posição caso precisa-se de atacar rapidamente.
- Eu não te faço mal Uruseeyo. — Sendo tratada por aquele nome, faz com que eu baixasse um pouco a guarda.
- Quem és? — Pergunto tentando trazer todo o resto do meu ser como Uruseeyo ao de cima.
- Desde que sai da prisão sempre invejei as estrelas. Elas podia olhar para ti enquanto eu não podia. Queria ser uma estrela também, para poder olhar para ti. — Ela estava a enlouquecer só podia. Nada daquilo fazia sentido. E estava-me a irritar eu não conseguir vê-la e muito menos reconhecer a voz. — Mas depois de tanto as invejar comecei ama-las. Comecei a pensar que tu podias estar a olhar as mesmas estrelas que eu, onde quer que estivesses. Porem, não é amor...
Aquelas palavras paralisaram-me ainda mais. Se eu tivesse alguma guarda até ao momento, tinha-a perdido toda. Não podia ser ela. Aquela voz que eu tanto amava ouvir não podia ser ela. Poderia ser que eu tivesse em negação e não a reconhece-se?
Eu não vi-a a descer o muro, só dei por ela já a caminhar até mim a passos calmos. A luz do candeeiro que estava por cima de mim, ia aos poucos iluminando-a. Os sapatos de salto alto, notava-se serem caros, e muito femininos. As pernas eram finas e bem longas, que se destacavam pelo vestido curto.
Mas os meus olhos ou o meu cérebro pregaram uma partida. A pessoa que a luz iluminava não era a minha Tetsuo, era a tal modelo com quem eu sonhava.
- Tu... — Eu não conseguia perceber. Ela não podia ser a Tetsuo. Ela era linda como ela, mas pareciam duas pessoas...
- Estou diferente? Possivelmente. Mas contino a ser a mesma. A mesma companheira de cela. A mesma que seguia-te para todo o lado. A mesma que te amava.
- Tetsuo... — Era mesmo ela. Vendo-a mais de perto não tinha como enganar. Como eu não vi antes? Como não pude imaginar que sem aquelas roupas da prisão, um pouco maquilhagem e um penteado diferente, transformavam uma pessoa maravilhosamente linda? Mas ela continuava igual. Apenas eu não quis ver, mas o meu corpo sabia. E o meu coração tinha a certeza.
Não sei como ela conseguiu correr com aqueles sapatos, mas em poucos segundos estava presa nos meus braços, enquanto as duas chorávamos. Eu tinha de novo a pessoa que amava nos meus braços.
- Eu tinha tantas saudades tuas. Não imaginas o quanto eu quis-te procurar. — Digo sem a soltar. Eu não ia deixa-la fugir de novo.
- Eu também. Eu tentei procurar-te mas não consegui nada. Por isso decidi tornar-me modelo. Se eu não te encontrei, queria que tu encontrasses-me. Mas parece que não deu certo.
- Tu estás muito diferente. Vendo de longe eu não percebi que eras tu. Desculpa. Mas acredita o meu coração sabia. Sempre que vi fotos tuas ele doí-a, e eu não sabia porque. Eu ficava horas a olhar para um placar com uma foto tua. Não imaginas o quanto doí-a pensar que o meu coração estava a trocar-te.
Ela estava bem mais alta que eu, principalmente graças aos sapatos. Mas mesmo assim eu não a largava. Agora que a tinha não deixava ir. Agora que tudo começava a fazer sentido no meu cérebro, via que a mulher que amei quase a minha vida toda, era linda, era alguém que podia encantar todo o mundo. E mesmo com a violência que ela continha dentro dela, e o passado obscuro, a tornava uma pessoa perfeita. Perfeita para mim.
- Mas como encontraste-me? — Pergunto lembrando-me desse pequeno pormenor.
- Pedi alguém para te procurar. E podemos dizer que foi bem rápida no serviço.
- Messi... — Eu sabia que a visita delas trazia água no bico. Mas não importava mais nada agora. Eu tinha de volta a minha Tetsuo, agora eu podia ser verdadeiramente feliz.
- Eu não quero afastar-me de novo de ti Uruseeyo. — Ela pede. A maneira que ela tinha para pedir alguma coisa, ou quando estava nervosa continuava igual à de cinco anos atras.
- Chama-me de Haruu, não estou mais habituada ao outro nome. Mas não te preocupes, eu nunca mas nunca mais te vou deixar. Tu és linda, e perfeita. E eu amo-te desde do primeiro dia que te vi. Eu sofri tanto com a tua ausência.
- Eu também te amo muito... — Nem a deixei terminar. Puxei-a para encontro dos nossos lábios. Eu tinha já saudades do sabor dela, mas ainda conhecia-o bem. Aquela sabor só meu, que eu sei muito bem que mais ninguém provou. Porque eu sei que ela sente o mesmo que eu, com a mesma intensidade, e sofreu o mesmo estes cinco anos. Conseguia saber tudo graças ao beijo.
Uruseeyo♥Tetsuo
Depois daquela noite, a nossa vida voltou a mudar. Ela era minha e eu dela. Começamos a planear a nossa vida juntas, porque já bastava os cinco anos separadas.
Tínhamos dinheiro mais que suficiente para comprar uma casa, e foi isso que fizemos. Não perdemos muito tempo, em menos de dois meses já estávamos juntas de novo debaixo do mesmo teto.
A minha família aceitou bem, principalmente por saberem que era a pessoa que amava há tanto tempo. E a minha tia ficou felicíssima por ter uma nova "filha" linda e modelo.
Deixamos o nosso passado longe, enterramos os nossos nomes antigos, e juntas recomeçamos. Eu apenas a ser a Haruu e ela a Maria. A vida na prisão foi esquecida, mesmo ainda estando nas nossas memórias e escrita nas nossas almas. Contudo queríamos ser felizes, vivendo um dia de cada vez. Aproveitando cada dia como se fosse o ultimo.
Juri e a Mariya, foram as únicas coisas do passado que se mantiveram. Isso foi mais graças a Maria e a Mariya trabalharem no mesmo ramo. Mas elas não fazem o passado tão doloroso, como inicialmente achei que seria.
Somos todas pessoas diferentes. Adultas e com responsabilidades.
Ambas continuamos com os nossos trabalhos. Mas eu de há uns tempos para ca tenho pensado em abrir um restaurante só meu. Poder ser mais independente. Mas isso é planos para mais futuramente.
Tínhamos de ser cuidadosas em público, graças ao trabalho dela. Que a cada dia que passava a tornava mais famosa e mais conhecida. Não nego que isso incomodava um bocado, era praticamente ciúmes. Mas eu sabia que nada tinha que me preocupar. Ela seria sempre só minha. E mesmo quando estava no trabalho e eu não estava presente, tinha sempre a Juri e a Mariya de olho nela. Não posso confiar naqueles bonecos e naqueles empresários com quartas intenções só debaixo de um "olá".
Mas os nossos momentos juntos. Todas as noites que nos deitávamos na mesma cama, esquecia por completo todas as minhas preocupações. Mas era o preço a pagar por ter alguém tão lindo e maravilhoso só para mim.
Às vezes questiono-me como seria se não tivéssemos entrado naquela prisão. Como seria se tivéssemos sido adolescentes menos problemáticas?! Possivelmente não estávamos aqui. E decerto que a minha vida não ia fazer sentido.
Porque ela só faz, porque sei que tenho o amor da Maria, assim como ela tem o meu...
- Haruu? O que estás a escrever? — Rapidamente fecho o livro em qual escrevia a nossa história.
- Nada. Vem, vamos deitar. Que está tarde. — Puxo-a para a cama, fazendo-a ela rapidamente esquecer do livro.
- Haruu? Já disse que te amo?
- Não tens de o dizer. Eu sei...
Fim...
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