Prision without Walls.

3 Dividir quarto com eles?


Ez levou a mão até a parte de traz da cabeça desfazendo o frágil laço que prendia o tapa-olho deixando-o cair no chão.

O olho direito levou alguns segundos até se acostumar com a luminosidade, ninguém disse nada, mas era possível ver o olhar de satisfação de Sarah, e um sorriso irônico em sua face. Ez ajuntou o tapa-olho e colocou-o novamente, mas dessa vez tapando o olho esquerdo, o azul.

–Idiota.. Sabe que não precisava fazer isso né? — falou Sarah com um ar de superioridade.

– Olhando de longe até parece que você se importa com ele — murmurou Ethan do outro lado da sala.

–Morra!- falou Sarah friamente e com um olhar tão assustador que nem o chefe da máfia se colocaria contra ela — E de perto parece que você vai apanhar!

– Vá para o inferno, sua… — antes que uma nova briga começasse, Sheng entrou na sala.

– Para a diretoria, agora.

–Ebaa, vou visitar o diretor… De novo! — falou Jess, saindo saltitando da sala.

Os oito, mais Sheng, seguiram por um corredor comprido com uma decoração militar meio macabra.

–Sinistro… — falou Mia sorrindo de canto — Gostei! Tem como decorar meu quarto assim?

– Não — falou Sheng seca.

Chegando à sala do diretor eles encontraram uma garota sentada de frente para a grande mesa de mogno. Ela tinha estatura média, olhos verdes, pele muito clara, cabelo loiro ondulado comprido, e como todos, vestia o uniforme, parecia ser mais velha que os outros.

O diretor estava mais sério que o normal, parecia ter um tique nervoso no olho esquerdo.

– Senhor, esses jovens delinquentes estavam brigando, achei que teria que chamar as autoridades, uma das meninas levou uma garfada — Disse Sheng.

– Isso não foi nada! Já recebi ferimentos muito piores! — falou Sarah virando o rosto

– Pare de se achar, por favor? Obrigada — disse a garota sentada.

–Não estou me achando! E quem é você!? — falou Sarah com sua tipica expressão seria.

– Arya — respondeu a garota seca.

– Prazer! Sarah! — falou cruzando os braços em frente ao peito;

– Será que o senhor poderia dar o castigo logo? — Perguntou Cassandra — Eu preciso ir ao banheiro e estou caindo de sono.

– Qual é o seu nome? — perguntou o diretor.

– Cassandra, senhor.

– Você me deu uma ótima ideia, os nove vão passar uma semana dividindo o mesmo quarto — disse o diretor com um sorrisinho.

– Você está brincando — disse Halt — Por favor me diz que o senhor está brincando.

– Não — respondeu ele.

– Mas senhor, meninos e meninas dividindo o mesmo quarto? — Perguntou Sheng.

–Ah… Alguém vai morrer… — falou Mia.

– E vai ser esse projeto de gente! — Berrou Ethan.

Cassandra deu um passo e se escondeu entre Jess e Selene.

– Agora arrumem suas coisas e vão para o quarto 645 — disse o diretor sorrindo — E um conselho, levem poucas coisas, não é um dos maiores quartos desse lugar.

–Eu mereço… — falou Ez saindo da sala junto com os outros. Quando se colocara pra fora do prédio em floco de neve atingiu o rosto de Cassandra, fazendo a menor sorrir.

–Neve! Está nevando! — comemorou ela. Selene e Jess deram grandes sorrisos, Ez, Arya, Sarah, Mia e Ethan sorriram de canto, Halt não esboçou expressão.

/Duas horas depois/

Depois de todos arrumarem suas coisas o quarto, escolherem suas camas, tomarem banho e se instalarem, cada um se sentou nas camas. Bom só haviam seis camas, então a contra gosto, os garotos dormiriam no chão. A temperatura abaixou consideravelmente, agora a neve caía calmamente do lado de fora.

O quarto nem de longe parecia agradável, das seis camas que ali estavam três eram de madeira e as outras de ferro,elas ficavam lado a lado, separadas por um pequeno armarinho,um para cada cama, haviam também dois grande armários que de tão velhos já descascavam a tinta lustrosa,para os meninos que dormiriam no chão foram arrumados colchões velhos e empoeirados,dava para sentir o cheiro de mofo e umidade de longe, a janela, que permitia a pequena entrada de luz no quarto,tinha grades enferrujadas, porém muito resistentes.As paredes de um beje fosco e cheias de rachaduras eram cobertas por uma fina camada de pó, assim como o restante do quarto, no piso gélido e escuro era possível enxergar os pequenos seres que ali viviam, formigas, besouros da luz e até uma lagartixa. Tudo naquele quarto era triste e sem vida, fazia muito tempo que ninguém entrava ali… Muito tempo!

Às 22:00 todas as luzes foram apagadas, como acontece todos os dias. O Frio fazia o queixo dos meninos tremer, exceto o de Ez que surrupiou um grosso cobertor.

– Alguém tem medo de escuro? — Perguntou Cassandra com a voz sonolenta.

– Eu tinha! — começou Ez — Mas quando eu era vivo, sabe? Ai depois da escuridão da morte eu me acostumei. Depois eu renasci, só que sem ver as cores, porquê eu nasci sem um olho. Esse aqui, o azul, eu roubei de alguém na rua, é muito ruim ficar sem olho.

– P-pare com isso… Ez… — falou a ruivinha se encolhendo.

– Tudo bem, eu tenho que trocá-lo todo mês, e já sei onde vou conseguir o próximo.

– O-onde? — Perguntou Cassandra.

– Ah, você escolhe, no lado direito ou no esquerdo do seu rosto.

– Ez, você é tão idiota — Murmurou Arya indignada.

– Não liga pra ele Cassandra! É mentira! — falou Jess fuzilando o garoto com os olhos, não que visse ele, mas o lugar onde provavelmente ele estava.

Todos ficaram alguns minutos em silêncio. Esse foi quebrado por Jess.

–Como vieram parar aqui? Por que? — perguntou Jess;

– Você já não perguntou isso mais cedo? — Alguém perguntou.

– Sim, mas ninguém me respondeu — disse a garota.

– Então responda você primeiro! — a voz de Mia se fez presente.

– Ta bom… Vim parar aqui por vandalismo… Me meti com as pessoas erradas… Sabe? Então… Aqui estou eu! E você Mia?

–Eu não lembro… Eu sei que fiz alguma coisa… Mas não sei o que eu fiz… Tive um tipo que amnésia… Ez!

– Eu roubei um carro, mas como eu não vejo as cores eu bati no primeiro semáforo — o garoto riu — Cassandra que vai perder o olho.

– Achavam que eu estava louca… Me mandaram para um hospício… Mas eu quebrei tudo lá! Então viram que eu não era louca! E sim uma delinquente… Como eles dizem! Halt!

– Eu…? Bom… Eu quase matei um cara que queria me roubar! Selene!

– Minha vez!? Me acusaram de colocar fogo em uma floresta!

– E você colocou?

– Não! Não coloquei! Arya!

– Baixou a louca em uma águia, e ela começou a atacar o pessoal da minha antiga escola, depois ela pousou no meu ombro… Então me acusaram! Sarah!

–Vim pra cá por que me acusaram de Hackear os computadores da minha antiga escola e destruir a sala dos professores! Ethan!

– Eu fiquei órfão... E vi uma coisa estranha na floresta… E me acusaram por tal coisa estranha! E acabou.

– Nossa — disse Ez olhando o celular.

– O que foi? Como você conseguiu um celular? — Perguntou Selene.

– Roubei. Meu irmão acabou de entrar na liderança da empresa da família, devia ter posto fogo nele quando eu tive a oportunidade.

–Fogo… — repetiu Selene de forma triste.

– Ei Ez empresta o celular!? — falou Sarah.

– Pega — Disse Ez jogando o celular na direção de onde a voz havia vindo.

– Qual é a empresa da sua família? — Perguntou Ethan.

– Devou Corporation, desenvolvemos tecnologia para o governo.

– Já volto! — falou Sarah, logo em seguida eles ouviram a porta se abrindo e se fechando.

– Espera, você é Ezra La Devou?

– Sim.

– Filho de Ernesto La Devou?

– Sim...

– Desgraçado! — Ethan berrou tentando acertar um soco em Ez, felizmente o quarto estava muito escuro.

– O que foi isso? — Ez berrou ao mesmo tempo em que as luzes acenderam, ele já estava longe de mais para Ethan acertá-lo.

– Sua família merecia queimar inteira no inferno! — Ele berrou — Por culpa de sua família eu fiquei órfão.

–Queimar , sim. — Repetiu Selene, mais triste ainda.

Sarah entrou no quarto de olhos fechados, jogando o celular para Ez.

–Obrigada! Foi de grande ajuda… Sinceramente… Foi mais fácil do que imaginei… — falou ela se jogando na cama — Acho que eu poderia desativar os alarmes e abrir o portão… Ai eu iria sair daqui…

Ethanestava pronto para acertar um soco bem nos dentes de Ez, quando seu punho alcançou sete centímetros de distancia ele se chocou com algo que não era Ez, algo estranhamente transparente e esverdeado. Ez arregalou os olhos e saiu correndo do quarto.