Priorities
4 À Luz de Velas - capítulo 3
Notas iniciais
Ele abriu a porta de casa, esperando que ela estivesse esquecido, e já estivesse adormecida, porque era o que acontecia normalmente. Seus passos eram cuidadosos, e quando ele fechou a porta, de costas para a sala, percebeu a iluminação de velas. Virou-se lentamente, observando o cenário escurecido. Aos seus pés, pétalas de rosas estavam numa trilha, quase que o forçando a ir atrás delas.
Ele trancou a porta, sorrindo para o nada, caminhando sobre as pétalas. Passou pela sala de jantar e pelo corredor, notando que a luminosidade apenas ia diminuindo, e o sorriso apareceu em suas feições quando chegou ao escritório.
A trilha de pétalas parava bem na frente do quarto extra. Abriu a porta, espiando o lado de dentro. Voltaram as velas, e, novamente, a trilha de pétalas. Ele riu baixo, voltando a segui-las, e, por uma passagem, subiu as escadas por trás, parando bem na frente de seu quarto. Bateu à porta, e, como ninguém respondeu, ele abriu a porta, vendo-a deitada, de costas para a porta, na transversal.
O ar faltou aos seus pulmões, enquanto ele fechava a porta sem emitir som algum. Continuando a se aproximar, ele viu que ela estava com o celular nas mãos, escrevendo alguma mensagem. Logo, seu celular vibrou no bolso, e ele retirou-o, olhando a mensagem de texto.
“Você vai demorar muito para chegar em casa? Alex já me ligou, disse que estava tudo bem. Deixei algo para você comer na bancada da cozinha.”
E é claro que ele não percebeu a comida na bancada. E é claro que ela tentava parecer uma mãe de família normal. Mas a questão é: eles nunca foram ligados ao normal, diretamente. Desde que começaram seu relacionamento, eles sabiam que, se, um dia, tivessem uma família, não seria uma família normal, aliás, seria até bem... Peculiar.
Ainda sem som, ele digitou rapidamente: Vire-se.
O celular dela apitou, e ela riu, virando a cabeça de lado. Depois, deitou-se com as costas no lençol de seda. Ele olhou para ela, memorizando cada traço novo do corpo dela. Cada nova marca – inclusive as do biquíni.
– Você demorou... – ela sussurrou, coçando os olhos.
– Segui as pétalas. – ele sorriu, e ela riu abertamente.
– Era para ser uma coisa romântica. – ela suspirou, derrotada consigo mesma.
Ele deitou por cima dela, ainda vestido, beijando-a levemente nos lábios. Kate sorriu durante o beijo, e ele retirou a blusa de linho que usava. Ela mordeu o lábio inferior, tentando se desvencilhar do peso dele sobre si, mas ele não se moveu.
Beijando-a novamente, ele pôs-se a retirar o cinto. Ela impediu-o, rolando-os na cama, ficando por cima. Mordeu o lóbulo da orelha dele, sorrindo para ele depois. Com as mãos ágeis, porém, trêmulas, ela conseguiu retirar o cinto negro, puxando as calças em seguida. Ele não ajudou, só fez observar. Ele se levantou, sentando-se na cama, puxando-a junto a si.
Não retirou a parte de cima da lingerie, como ela esperava que ele fizesse. Ao contrário, ele somente retirou sua calcinha, deitando-a, ficando por cima, observando seu centro com uma volúpia incontrolável. Depois, deliciou-se ali. Sugou, enquanto ela segurava em seus cabelos, tentando conter gemidos altos, que já não eram escutados tão altos desde o nascimento de Alex.
Quando espasmos começaram a vir, ela puxou-o para cima, beijando-o com toda a volúpia necessária. Ele retirou a única peça de roupa que ainda lhe restava no corpo, completamente preparado para estar dentro dela, compartilhar seu desejo com ela.
Ainda beijando-a, ele se posicionou em sua entrada, e ela percebeu, beijando-o com mais vontade. Uma vez dentro dela, os gemidos não puderam ser segurados, e nenhum deles tentou, na verdade.
Os movimentos eram ritmados, a dança que só eles sabiam fazer, o encaixe perfeito de seus corpos. Nenhum dos dois havia tido uma experiência como esta antes, o que era completamente satisfatório, porque, então, sabiam que mereciam um ao outro, que pertenciam um ao outro.
Ao final, ele explodiu dentro dela, enquanto ela beijou-o mais forte, arqueando as costas. Caindo no colchão completamente arquejantes, cansados e imersos em suor, respirando pesadamente, ele puxou-a para seu peito, deitando-a ali. Conforme seus batimentos cardíacos normalizavam, iam seguindo o mesmo ritmo, criando uma melodia.
– Eu amo você. – ele disse, beijando o topo da cabeça dela.
Ela não respondeu, apenas levantou a cabeça, beijando-o levemente. Abraçados, ela os cobriu, protegendo-os do sereno das noites dos Hamptons.
°°
Kate acordou no meio da madrugada, desceu as escadas e foi apagando as velas, uma a uma. Não se sabia se haveria a imprudência do desabamento de uma das velas, causando a criação de fogo no terreno.
Ouviu passos na escada, e adentrou o escritório, voltando a assoprá-las. Quando foi abraçada por trás, deixou-se levar, perdendo-se nos beijos que eram dados em seu pescoço. A este ponto, já estava vestida novamente, com o robe azul cobalto cobrindo seu corpo.
– Eu amo você, Kate. – ele sussurrou, beijando o pescoço dela.
– Também amo você, Rick. – ela respondeu, virando-se de frente, beijando-o também.
Atrapalhando seu momento juntos, o telefone fixo começou a tocar, e Kate correu para atendê-lo. Não que a noite com o esposo não tivesse sido boa, mas queria saber do filho. Ele havia jantado? Havia tomado banho? Escovado os dentes? Estaria dormindo?
– Alô? – ela atendeu.
– Kate, querida, Alex está com uma dorzinha estomacal, e está pedindo vocês. Acho que ele não está muito bem, pois já vomitou duas vezes. – Sasha vociferou, a voz completamente trêmula e preocupada.
– Oh, céus. – ela murmurou, com os olhos marejando – Certo. Diga a ele que o pai dele está indo aí buscá-lo.
– Direi, querida. Até. – ela disse, enquanto Kate desligava.
Depois, ela deixou o corpo amolecer sobre o sofá, caindo sentada. Rick sentou ao lado dela, beijando seus lábios levemente.
– O que houve? – indagou ele, acariciando sua bochecha.
– Alex está passando mal. – ela suspirou – Você pode ir buscá-lo?
– Sim, claro! – disse, rapidamente.
Já de pé, ele ajeitou a bermuda de pano, pondo o casaco por cima do peito nu. Abriu a porta rapidamente, correndo até o carro.
°°
Já mexia o chá para o filho, que em pouco tempo já estaria em casa com o pai. A porta se abriu, revelando os dois. Ela diminuiu o fogo, pegando o filho no colo. Ele reclamou de dor, e ela ajeitou-o em seus braços.
– Vou dar um banho quente nele, você pode continuar a mexer o chá? – ela perguntou.
– Sim, sim. – ele respondeu, beijando-a levemente.
°°
No banheiro, ela retirou a blusinha vermelha com algo viscoso grudado. Provavelmente, vômito. Retirou a bermuda xadrez, combinada com mais um pouco do líquido viscoso. O menino já estava descalço, já que Castle retirara os sapatos do menino quando ela o pôs no colo.
– Vamos... – ela disse, pondo-o no colo, já sem roupas, enfiando-o na água em seguida.
O menino soltou um gemido frustrado, provavelmente reclamando da temperatura elevada da água. Porém, logo encostou a cabeça na borda da banheira, fechando os olhos rispidamente.
– Mommy, it hurts... – ele reclamou, pondo a mão na barriguinha.
– I know sweetie, I know... – ela murmurou, ensaboando o menino.
°°
Descendo com o menino envolto na toalha, vestido apenas pela roupa de baixo, ela observou enquanto o esposo punha o chá no copinho. O menino voltou a abraçar o pescoço dela, e, antes que ela pudesse pegar o copo, ele pediu para deitar.
Ela assentiu, deitando-o no sofá, cobrindo-a com a toalha enquanto não havia cobertor. Richard entregou-lhe o copo, assegurando-se de que estava numa temperatura boa para o consumo do menino.
Depois, ligou a televisão, esperando que aquilo, combinado com o chá, o fizesse dormir mais rapidamente.
°°
Ele desceu as escadas, desligando a televisão, puxando o copo das mãos do menino, deixando-o na pia. Em seguida, pegou-o no colo, balançando-o como normalmente fazia para que ele não acordasse.
Subiu as escadas e adentrou o quarto do menino, puxando as cobertas para baixo, deitando-o na cama, que, logo, foi possuída pelo garoto. Cobrindo-o, Richard entregou-o o bicho de pelúcia, que foi agarrado com força.
Beijou-lhe a testa, desejando boa noite, depois, virando-se para a porta, deparando-se com ela ali. Ela entrelaçou seus dedos, beijando-o nos lábios suavemente. Abraçando-a, ele a levantou no colo.
– Castle! – ela sussurrou, surpresa.
Ele riu, levando-a para o quarto, donde fechou a porta, deitando com ela sob si. A noite ainda iria prometer, mesmo com o filho ao lado.
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