Priorities
12 Sacrifícios - capítulo 11
Notas iniciais
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Ele fechou a porta, olhando para a médica com alguns traços de dúvida, assim como a esposa, ao deixá-los sozinhos. Elizabeth pediu-o para se sentar, pois havia algo muito sério com o que falar com ele.
– Então, Sr. Castle... – ela começou.
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– Então, Sr. Castle... – ela começou – Presumo que você e Katherine já tenham arranjado o quartinho do bebê.
– Sim, mais ou menos – ele gaguejou –, na verdade, nós iríamos começar a aprontá-lo por esta semana, porque queríamos saber o sexo do bebê antes de arrumá-lo.
A médica assentiu, rabiscando alguma coisa num bloquinho. Ele imaginou que não fosse nada de tão importante, e que só queria descontrair um pouco. Mas, pela expressão do rosto da médica quando ela subiu os olhares para ele, seus pensamentos estavam errados.
– Richard, eu sinto em dizer isto, mas, seu bebê não vai nascer completo. – ela suspirou.
– Como assim? – ele indagou, já com o coração acelerado.
– Assim como eu, você deve ter percebido que a gestação de Katherine está um pouco avançada para só cinco meses. – ela murmurou – Dá-nos a impressão de que ela está no oitavo mês de gestação. Por isso, temo que seu bebê vá nascer lá pro sétimo mês, bem como eu lhes disse.
O mundo dele caiu. Ela havia dito que, se um bebê nascesse de sete meses, não estaria com o corpinho completo, e isso daria várias complicações à criança. Cirurgias, vacinas não-desejadas, internação e várias outras coisas.
– Eu posso fazer o parto, mas você terá que conversar com Katherine. Se estavam planejando um parto normal, eu sinto muito, mas se ela ficar mais quatro meses com essa criança dentro dela, haverá vários riscos para a saúde dela. – ela suspirou – Eu sei, é difícil.
Ele apenas assentiu. Como diria a esposa que seu bebê teria que ficar internado logo após o nascimento, e que nenhum dos dois poderia, realmente, levá-lo direto para casa depois do parto? Doeria até mais para ele contar.
Elizabeth se pôs de pé, abrindo a porta e chamando por ela. Kate foi até a sala, andando com dificuldade, pois as dores nas costas já prejudicavam muito o seu andar. Quando Castle se levantou, indo até ela, a doutora pediu a ele que fosse até a sala de recepção, porque precisava falar com Kate sobre aquele assunto. Mas, antes de sair da sala, Kate pediu-o que fosse buscar Alex na escolinha e que, depois, ela ligaria para ele para ir buscá-la.
Castle a beijou levemente, apertando a mão da médica antes de sair da sala. E, quando a porta se fechou, o aperto no coração foi duro demais, e ele sentiu as lágrimas inundando seus olhos, transbordando e molhando seu rosto.
A recepcionista se aproximou dele, lançando charme e tentando acalmá-lo, porém, antes mesmo de ela oferecer-lhe conforto, ele correu para fora, entrando no carro e dando partida o mais rápido possível, afinal, ele ainda tinha Alex, e o menino precisava saber sobre a irmãzinha.
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O amontoado de pais na porta e os gritos das crianças quando saíam eram escutados, e algumas crianças até choravam, no colo dos respectivos pais. Os olhos de Castle se estreitaram, procurando pela cabeleira clara do filho.
Quando o menino saiu, conversando com uma menina, Rick sorriu. Não do jeito malicioso que lhe era suposto, mas um sorriso feliz por ele ter arranjado amiguinhos, porque mais duas crianças – um menino e outra menina – juntaram-se aos dois ali. E ele não se moveu, apenas esperou que Alex lhe visse.
E quando o viu, deixou os coleguinhas e saiu correndo – mas do mesmo jeito, foi seguido pelas crianças –, pulando no pescoço de Rick rindo enquanto ele o abraçava fortemente. As crianças riram junto e Alex pediu para que o colocasse no chão.
O celular dele começou a tocar, e Rick atendeu-o ali mesmo, de mãos dadas com o filho enquanto ele despedia-se dos amigos, que já saíam com os pais.
– Rick – a voz dela mostrava claramente o tom de choro recente –, acho que nós já podemos ir pra casa.
Ele assentiu, com um murmúrio e depois desligou. Ele fez o mesmo, pondo o celular no bolso e pegando o filho no colo. Alex lhe contava tudo sobre o primeiro dia na escola e o quanto ele havia gostado dos novos amiguinhos, como ele estava completamente errado quanto aos professores e como eles eram super legais e como desenhavam super bem, mas Castle parecia um robô, não interagia mais com o filho.
– Papai, o que aconteceu? – o menino logo perguntou, quando Castle o ajeitou na cadeirinha.
– Não é nada, querido. – ele sorriu encorajadoramente, bagunçando os cabelos molhados de suor do menino.
– É sim. – ele murmurou – Porque você não brincou comigo.
Rick sentiu o coração doer quando o menino fez a constatação. E Alex estava certo. Cabia a Castle lhe explicar detalhadamente o que estava acontecendo, mas ele pediu ao filho que fizessem isso antes que Alex fosse dormir, e o menino assentiu, fazendo-o prometer que interagiria com ele quando fosse buscá-lo da próxima vez.
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Ele não precisou descer, porque assim que estacionou, ela abriu a porta e entrou no carro, com os olhos marejados e com a mão sobre a barriga. O menino lhe deu olá, e ela fez o máximo para não quebrar em frente ao filho.
– Como foi a escolinha, amor? – ela perguntou a ele, com o tom de voz normal.
O menino lhe explicou tudo, enquanto iam para casa novamente, rindo e contando algumas piadas que os professores lhes ensinara hoje. Depois, disse que a escola não era ruim e que ele queria ir para sempre à escola. E também disse à mãe que todas as suposições sobre ninguém gostar dele estavam erradas, porque já tinha um novo melhor amigo e uma nova melhor amiga.
Novamente, ele estacionou o carro, e quando Castle foi desamarrar o filho da cadeirinha, ela o impediu, pedindo para ela mesma fazê-lo. Assentindo, ele jogou as chaves para ela e disse que prepararia o jantar.
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Na mesa do jantar, Castle pôs a mão na barriga da esposa por debaixo da mesa, para que Alex não visse. Ela continuou mastigando, mesmo que quisesse olhá-lo e enviá-lo um sorriso. Não era possível. Não àquele momento.
Elizabeth havia sido bem clara com ela: seu bebê vai precisar ficar por mais ou menos quarenta e seis dias no hospital, internado, se nascer como imagino que nasça.
Alex parou de mastigar e fez beiço. Castle balançou-a pela cintura levemente, chamando a atenção dela. Katherine largou o talher, deixando-o cair no chão.
– Eu... – ela começou.
A dor de cabeça começou a mostrar-se presente novamente, enquanto Castle catava o talher. Alex pulou da cadeira, ajudando-a a levantar. Puxou-a para as escadas, ajudando-a a subir, e ela não negou e nem pediu para que Castle chamasse Alex.
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O menino desceu as escadas novamente, com o rostinho cheio de mágoa, com os olhinhos brilhantes, mas não por felicidade. Brilhantes por conta das lágrimas. Castle tinha a cabeça entre as mãos, e Alex percebeu que ele também chorava.
Abraçou o pai, ou pelo menos, tentou fazê-lo. E foi quando Castle se pôs de pé e abraçou o menino, pondo-o no colo. Ele descansou a cabeça nos ombros do pai enquanto ele subia as escadas.
Abrindo a porta do quartinho azul do menino, ele deitou-o na cama, sentando na beirada, junto ao filho. O menino se cobriu, não retirando o uniforme da escola, dizendo que tomaria banho pela manhã e que estava muito cansado no momento.
Rick assentiu, rindo com o filho, acariciando os cabelos quase loiros dele, sorrindo amplamente, enquanto as lágrimas deixavam de existir. Explicou ao menino o que lhes assustava, o que os deixava daquela forma: completamente submissos à dor.
Por mais que não entendesse muito bem, Alex assentiu, dizendo que era um menino forte e que passaria por tudo aquilo com os pais e com a irmãzinha. Disse que já amava a menina, mesmo sabendo que ela ia ser estranha.
E quando Castle lhe perguntou por que ela era estranha, o menino apenas riu, deitando a cabeça no travesseiro e enxotando-o dali. Ele o fez, mas observou o menino adormecer pela fresta da porta, o rosto da criança iluminado pela luzinha noturna azulada que tinham ali desde o nascimento dele. Depois, ele fechou a porta e foi até o próprio quarto, vendo como Kate se esparramara na cama, e ele não a culpava. Àquele estágio da gravidez, devia estar difícil arranjar alguma posição boa para se dormir confortável. Então, ele só retirou as calças e pegou um cobertor.
Se, para o bem-estar de sua filhinha e sua esposa, ele precisasse dormir no sofá, assim ele faria.
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