Priorities
1 Prólogo
Notas iniciais
Já era meia-noite, e a luz da sala da casa nos Hamptons ainda estava acesa. Havia algumas cadeiras postas sob lençóis azuis e cor de abóbora. Castle estava atrás do balcão da cozinha com a arma de laser jedi, Kate estava escondida com o pequeno na cabaninha. Os cabelos dele eram iguais aos dela, mas os olhos...
Ah, os olhos eram do pai.
Com passos curtos e sem som, ele se aproximou da cabana, apagando a arma, para que sua chegada fosse bem sucedida. Com os reflexos de policial treinada, Kate segurou o filho e saiu da cabana com ele debaixo dos braços, enquanto o pequeno apontava a espada de brinquedo para o pai. Encostou a ponta no peito dele, e disse:
- Você está preso!
Kate riu, enchendo o filho de beijos e cheiros no pescoço. Ele riu, contorcendo-se sob seus braços. Castle o puxou para si também e os dois começaram as carícias no filho. O menino ria e ria mais ainda.
- Parem! Parem! — ele pediu, respirando fundo. Eles pararam e o menino apertou-se contra o peito do pai, pedido o colo dele. Kate o deixou ir e arrumou o coque malfeito pela brincadeira. Pôs um braço na frente do rosto e respirou fundo. O menino aninhou a cabeça no vão do pescoço do pai, que acariciava os cabelos castanhos-claro calmamente, quase que lhe fazendo um cafuné.
Ele grunhiu e sussurrou com a voz falha:
- I'm hungry.
Kate sorriu levemente e deixou um risinho sem graça sair de sua garganta. Castle fez o mesmo, seguindo a esposa até a cozinha, onde pôs o filho — de apenas três anos — sentado na bancada, onde ele se recostou no tronco da mãe.
••
O menino já deleitava-se com o achocolatado morno, agarrado ao ursinho azul que seu avô materno havia lhe dado. Kate contava uma historinha para ele, num dos livros que Castle havia comprado, e ele terminava de escrever um capítulo da próxima série de Nikki Heat no escritório.
Quando a história acabou, Kate virou seus olhares para o filho, que mal tinha a boca ao redor do bico do copo. Ela sorriu com a serenidade e inocência que seu filho tinha. Fechou o livro e colocou-o na estante, donde haviam muitos outros, e, depois, tirou o copo dos braços do menino adormecido, para cobri-lo.
Uma vez que fez isto, saiu do quarto, ligando a luzinha noturna em forma de foguete e desligou a luz do quarto, fechando a porta em seguida. Desceu as escadas e pôs-se a lavar o copinho, jogando o restante de achocolatado na pia.
Castle, no escritório, pôde ouvir o barulho da água e imaginou que o primogênito já estava num sono profundo. Saiu do escritório, com tanto silêncio que até se assustou.
Aproximou-se dela por trás e abraçou-a pela cintura, fazendo-a enrijecer os músculos. Beijou-lhe o pescoço calmamente e sorriu, cheirando os cabelos.
O cheiro característico dela.
O cheiro que ele nunca se cansaria de sentir.
O cheiro... Dela.
Ela sorriu e se afastou lentamente. Quase não tinham momentos como aqueles... A sós. Era tudo sempre ao redor de Alex e suas brincadeiras de moleque, mas eles não podiam negar: adoravam aquilo.
- Que tal uma noite de filmes? — ele sugeriu, puxando-a pela cintura. Ela fingiu pensar.
- Romance, comédia ou suspense? — ela perguntou. Ele sorriu.
- Você escolhe. — ele disse.
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Os dois já estavam enroscados um ao outro no sofá, com um balde de pipoca e copos de refrigerante ao lado. Pouco se importavam com o mundo naquele momento. O menino dormia no andar de cima, e os dois tinham seu momento. Ela pegou o controle da televisão e diminuiu um pouco o volume do filme.
- Só para nós não acordarmos Alex, ok? — ela disse, não esperando uma confirmação.
Ele sorriu, afundando o rosto no vão do pescoço dela, cheirando novamente os fios dos cabelos dela. Kate sorriu, fechando os olhos, rendendo-se ao cansaço. As olheiras não eram evidentes, o que era bom, muito bom.
Quando menos esperavam, ouviram a voz sonolenta do pequeno chamando por eles:
- I can't sleep... — ele sussurrou, coçando os olhinhos.
Kate se apressou para pegá-lo, mas Rick a parou, levantando, e pedindo-lhe que fosse para o quarto, e que, em menos de meia hora, ele estaria lá. Ela assentiu, relutante, mas assentiu. Afinal, ele era o pai. Merecia estes momentos com o filho, ela sabia. Não que se importasse com os dois juntos, mas queria ser muito presente na vida do menino, e todos da delegacia entenderam aquilo.
Ela ainda recebia uma pensão da polícia, mas o que os sustentava era a renda da venda dos livros de Castle. As histórias agora tinham de ser contadas por Esposito, que as oferecia de bom grado.
Ela sorriu, vendo o menino pondo o rostinho sonolento nos ombros do pai, enquanto subiam as escadas. Kate sorriu, subindo atrás deles, virando para o lado oposto quando chegou ao topo.
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Richard pôs o pequeno na cama, cobrindo-o em seguida. O menino balbuciou algumas palavras, inerte pelo sono. Ele sorriu, afagando os cabelos claros do menino. Quando viu que os olhos azuis, uma miniatura de si, estavam se fechando, ele sorriu.
Continuou afagando os cabelos do menino, cantarolando uma melodia infantil, para que isso o ajudasse a dormir, ele esperava. Pegou o ursinho azul que Jim havia dado ao pequeno e ajeitou-o nos braços da criança, que mal se movia, tamanho era o sono. Richard sorriu, quando percebeu que ele já estava dormindo.
Levantou-se e fechou a porta, para que o menino não se assustasse com o escuro depois.
••
Encostou a cabeça no travesseiro e suspirou, sentindo o cansaço consumi-la novamente. A cabeça latejava e as juntas doíam, mas a sensação de ser uma mãe presente era a melhor coisa. Era algo que batia o cansaço.
Sentiu a cama ficar mais quente, e logo sentiu os braços dele em sua cintura. Abriu os olhos, deparando-se com os grandes olhos azuis do esposo.
Ela sorriu, beijando-o de leve. Ele abraçou-a ainda mais forte, deitando a cabeça dela em seu peito, e, quando menos esperavam, adormeceram juntos.
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