Priorities
6 Futebol - capítulo 5
Notas iniciais
Ela não pôde se proteger do abraço de urso e do beijo feroz que ele lhe deu, segurando-a pela cintura, depois, agachando-se, passando a mão pela barriga – ainda meio lisa, porém, já mostrando a protuberância da gravidez noviça -, depois, levantando a camiseta, plantando um beijo ali.
Ela sorriu, pondo as mãos no cabelo dele. Logo, ele já falava com a criança. Não notaram quando o menininho desceu as escadas, e nem quando parou atrás deles. Somente foram notar quando o menino pronunciou-se:
– Daddy? – ele chamou – Por que você está beijando a barriga da mamãe?
Ele levantou-se rapidamente, puxando o filho pela mão. Apontou para a barriga, perguntando ao menino o que ele via de diferente. Quando o menino não respondeu, ele pediu a Kate que virasse de lado.
– Mamãe engordou. – ele disse, sem nenhum peso de culpa.
Kate riu, abraçando o filho. O menino não entendeu, e retribuiu o abraço, por mais que não estivesse entendendo nada, e ainda estivesse sem a resposta do por que o pai estar beijando a barriga da mãe.
– Lembra de quando você pediu um irmãozinho, Alex? – Richard perguntou, acariciando os cabelos do menino, logo após Kate soltá-lo.
– Yes.
– Então... – ele suspirou, olhando para Kate.
– Mamãe! – ele gritou, abraçando-a novamente, só segurando suas pernas. Depois, acariciou a barriga dela – Oi, irmãozinho ou irmãzinha.
Kate olhou para o esposo, que também sorria diante àquela cena. Era de amolecer o coração de qualquer um. Richard puxou o filho, mandando-o para o banho. Ao invés de perguntar, Kate apenas sentou-se no sofá, esperando o esposo voltar.
°°
Havia alguém acariciando seus cabelos, e ela abriu os olhos lentamente. Quando viu, Rick estava ao seu lado, uma mão acariciando seus cabelos e a outra, sua barriga. Ela sorriu levemente, levantando a cabeça e beijando-o.
– Vejo que sleeping beauty conseguiu dormir. – ele ironizou.
– Yeah, e há quanto tempo eu não durmo, nossa. – ela balbuciou.
Voltando a acariciar o lar de seu mais novo bebê, Rick olhou diretamente nos olhos dela. Kate olhou-o, ainda sorrindo, aquele sorriso bobo, o mesmo sorriso de quando haviam saído antes do nascimento de Alex. O mesmo sorriso bobo de quando ela falou com Alex, ainda dentro de si.
– Kate, veja bem... – ele cortou o silêncio – Como descobriu que estava grávida? É claro, além da menstruação atrasada e dos sintomas da gravidez de Alex. – ele indagou.
Ela engoliu em seco. Como diria que esperara ele sair com o filho para fazer algo escondido dele? Seria uma pessoa horrível se mentisse, mas seria ainda mais, se lhe contasse a verdade sob aquilo tudo.
– Certo, veja bem, não quero que fique com raiva de mim – ela disse –, mas eu já não estava me sentindo muito bem, então, assim que vocês saíram, eu...
Os olhos dele estavam atentos a cada pausa, a cada vírgula pronunciada, e, por mais assustada que ela estivesse com aquilo, sua razão a forçou a continuar.
– Eu liguei para a farmácia e pedi um teste de gravidez. – ela anunciou, ainda escondendo-o no bolso.
– Mas eu não vi nenhum teste no lixo ou coisa parecida. – ele estranhou – Onde está?
Neste momento, ela retirou o pequeno objeto de seu bolso, mostrando-o a ele. Os olhos do escritor brilharam ao ver o pequeno sinal de adição no resultado. Ela mordeu o lábio inferior, com medo do que ele teria a dizer depois. Ao contrário do que ela pensou, ele não utilizou palavras. Apenas deixou o teste sobre a mesa, em cima de algumas revistas e livros de colorir do filho.
– Kate, eu... – ele sussurrou, impedindo a si mesmo.
– Eu sei que combinamos de não termos filhos tão cedo, mas... – ela gaguejou – Oh, nós fizemos sexo sem proteção, e eu engravidei, Castle.
– Ei, ei... – ele riu, segurando-a pelos ombros – Eu não vou dizer que odiei a notícia, porque nós vamos ter mais um filho, Kate.
Ela assentiu, com os olhos marejando. A visão já estava embaçada por conta do líquido morno que se acumulava ali.
– Tudo o que eu sempre quis foi ter uma família com você. – ele sorriu, limpando uma lágrima que escorria pelo rosto dela – Sim, vai ser o meu terceiro filho, mas quem liga?
Ela riu, secando as lágrimas que caíram depois. Depois, suspirou.
– Eu achei que você não ia gostar da notícia, Rick. – ela sussurrou – Achei que ia brigar comigo, e eu estava com medo de você não gostar da criança.
– Kate! – ele se fingiu de ofendido – Como pode pensar algo assim?
Depois, beijou-a suavemente, acariciando a barriga novamente. Ouviram o burburinho do filho, no andar de cima, reclamando porque não achava as roupas do clubinho de futebol.
– Ah... – ela reclamou, pondo-se de pé – Vou arrumá-lo.
°°
Penteando os cabelos do menino para trás, ela via enquanto ele jogava no smartphone do esposo. O menino se entretera tanto no jogo, que mal percebeu quando ela parou de mexer em seus cabelos. Beijou a cabeça do filho, voltando a se levantar, pondo o pente e o pote de gel sobre o criado-mudo. Depois, encostou-se na parede do quarto, respirando fundo.
O menino olhou para ela, bloqueando a tela do telefone. Levantou-se também, indo até a mãe. Uma vez próximos, ele a abraçou, murmurando palavras carinhosas. Kate sorriu, abraçando-o de volta.
– Daddy’s waiting. – ela murmurou, soltando o filho.
– Bye, mommy! – ele disse, abraçando-a mais forte, depois, acariciando a barriga – Bye, little brother!
Ela sorriu diante a animação do filho. Viu o menininho correndo escada abaixo, e se sentou na caminha dele, alisando o edredom. Seu rosto se contorceu de dor, causada por cólicas abdominais. Coisa normal, dissera Lanie, quando Kate ainda estava na gestação do menino.
Lanie.
Ela precisava ser avisada sobre a gravidez. Todos mereciam, mas, antes de todos, vinham seu pai, Martha e Alexis. Achou que mereciam saber antes de todo mundo. Pegou o celular do esposo, digitando o número do pai. Conforme os toques iam soando, ela sentia as mãos suarem contra o material.
– O que há, Rick? – atendeu ele.
– Papai? – ela chamou.
– Oh, Katie! – ele riu – Espere, seus amigos estão comigo, vou pôs no viva-voz.
– Papai, eu prefiro falar com você em particular, mas, depois, você pode falar com eles. – ela suspirou.
– Ora, então, tudo bem. – ele balbuciou, meio confuso – O que houve?
– Você... – ela começou, sendo chamada no andar de baixo – Você vai ser avô de novo, pai. Eu... Preciso ir. Depois nós falamos, beijo.
E desligou antes mesmo que ele pudesse responder. Segurou o telefone contra o peito, levantando-se da cama e correndo escada abaixo no terceiro chamado. Alex tinha os braços cruzados na frente do peito, fazendo birra.
– O que houve? – ela perguntou.
– Alex não quer ir ao treino sem a mamãe e o irmãozinho. – Richard vociferou, apontando para o menino, que batia os pezinhos no chão.
Kate bufou, correndo para cima, trocando de roupas. A nova gestação vinha com mais problemas do que a de Alex, principalmente pela carência do filho. Principalmente pela exigência da presença dela com o novo bebê em qualquer lugar que ele fosse.
Descendo novamente, o menino se meteu no meio dos pais, segurando as mãos deles. No carro, ele quis a mãe atrás, com ele. Sem outra opção, Kate sentou-se ao lado do filho, sorrindo e acariciando as costas do menino enquanto ele falava com o irmãozinho.
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