Priorities

8 Consulta - capítulo 7


Notas iniciais
Então, gente! Como vai ser a consulta? E a Kate? Será que ela vai gostar de o Castle ter marcado médico pra ela sem ela saber??

Ela se levantou num pulo, dando um tapa no ombro dele. Como assim, “temos uma hora e meia”? Será que ele sabia que demoraria até que conseguissem se arrumar por inteiro e viajar para outra cidade para conseguir visitar a clínica de um obstetra?

– Endoideceu? – ela perguntou, quando ele se afastou com as mãos no alto – Sabe quanto tempo vai demorar até chegarmos à outra cidade?

Ele sorriu, abraçando-a, por mais que ela tentasse se desvencilhar do corpo dele. Por fim, resistiu a ele, sendo levada pelo abraço. Depois, colocou-se na ponta dos pés, beijando-o de leve. Ele correspondeu, rindo no meio.

– O que foi? – ela perguntou – Meu beijo agora é engraçado?

Ele riu mais ainda, soltando-a do abraço. Depois, sentou-se na cama, olhando-a com perspicácia. Não havia mais a forma esbelta, por conta da pequena protuberância da barriga, por conta da gravidez, e, logo precisariam comprar mais roupas para ela, porque as antigas já não caberiam em algum tempo.

– Seu pai me indicou a obstetra de sua mãe, Kate. – ele sorriu – E ela mora aqui. Nos Hamptons, ou seja, não precisamos ir para outra cidade para visitar um obstetra, Kate.

Ela suspirou, mas seu olhar era de dúvida. Ele só podia ter feito aquilo enquanto ela dormia. Sorrindo para ele, beijou-o mais uma vez, separando-os quando notou que teria tempo de sobra para fazer aquilo, mas não podiam render-se agora.

– A obstetra, claro. – ela disse, mais para si do que para ele.

Caminhando até o armário, buscou roupas mais soltas, que não a deixassem enorme – por mais que não estivesse, insistia que estava – e optou por um vestido. Amarelo e florido, era aquilo o que ela precisava. Não se incomodou de trocar as roupas ali, aliás, nem fez menção ao banheiro. Simplesmente começou a se despir ali. Castle não se incomodou, mas seus olhos se prenderam bem acima do que normalmente se prendia. A barriga dela não estava grande, mas já se mostrava maior. “Mamãe engordou”, ele lembrou.

Passando o vestido pelos braços, ele caiu perfeitamente no corpo mais cheio da esposa, o que ele não falaria para ela, com certeza. Não queria um buraco de bala no meio da testa, certamente não.

Quando ela terminou, finalmente, de se arrumar, não havia nada mudado, ela não passara maquiagem alguma – o que ele achava extremamente raro, já que a maior parte das mulheres não conseguia viver sem maquiagem –, usava sandálias de dedo e os cabelos presos num rabo de cavalo malfeito.

Pegando a mão dela, caminharam até o quarto de Alex, que ainda dormia, agora, agarrado com o coelhinho azul. Ela olhou para ele, quase numa súplica, querendo saber o que aconteceria com ele, já que estaria sozinho.

Don’t worry. – ele beijou a testa dela – Seu pai está chegando.

Mal a última palavra foi pronunciada, a campainha soou na casa, e ela torceu para que aquele som não acordasse Alex, porque a última coisa que ela queria era que ele acordasse e fizesse birra para ir junto. E, claro que ele ficaria desapontado por não poder ir com os pais, mas não havia outra alternativa. Desceram de mãos dadas, e ele abriu a porta, revelando um Jim com olheiras roxas debaixo dos olhos.

– Papai! O que houve? – ela perguntou, soltando-se do marido e abraçando o pai – Parece que não dorme há dias!

– Não dormi noite passada. – ele sorriu – Fiquei acordado pensando no que fazer com meu neto, e lembrei que vocês têm piscina aqui atrás, então achei que eu e ele podíamos brincar juntos na piscina.

Kate sorriu, abraçando o pai novamente. Rick entregou-lhe a bolsa, que ela pendurou num dos ombros, beijando as bochechas do senhor. Dando-lhe um aperto nas mãos, Jim entrou na casa, despedindo-se do casal, que logo entrou no carro, afastando-se cada vez mais da casa.

°°

No caminho, ela encostou a cabeça na janela e fechou os olhos. Havia tempos que não dormia, e ele achou bom ela estar dormindo ali, já que, por um momento, estaria compensando as noites mal-dormidas.

– Na volta, eu quero ir atrás. – ela afirmou.

Não foi uma pergunta, foi uma afirmação, e ele não negou. Deixaria que ela voltasse atrás, dormindo. Afinal, ela precisava dormir – e comer – por dois, e não estava fazendo nada disso. Não comia muito – até menos do que comia antes – e não dormia nem por meia pessoa.

O resto do trajeto foi feito em silêncio, já que, nem ele nem ela queriam quebrar o silêncio que, desde que se casaram, não era mais incômodo ou vergonhoso.

°°

Assim que deram o passo que lhes pôs dentro da clínica, Kate pediu o celular do esposo, uma vez que esquecera o seu em casa, carregando. Ele entregou-o a ela, indo até a recepcionista. Ela revirou os olhos, pondo-o no silencioso para não serem incomodados durante a consulta.

Seus dedos foram ágeis ao digitar o número de casa, e ela pôs o celular no ouvido. Esperando cada toque, seu coração disparou quando o menininho atendeu cheio de sono:

Hello?

– Oi, bebê... – ela sorriu, olhando para as costas do esposo – Como está tudo aí?

Grandpa’s making breakfast to me...Vamos comer panquecas! – ele riu.

Ela riu junto, assentindo a cada palavra sonolenta e animada do filho. O menino tagarelava, falando o que fariam o dia inteiro, que veriam filmes, que brincariam na piscina e que leriam juntos.

– Que bom, Alex. Olhe, mamãe está no médico com o papai, mas nós já voltamos, ok? – ela vociferou, ainda sorrindo.

Can we buy ice-cream when you come back? – a voz do filho soava animada, e ela riu.

– Sim, Alex. Nós podemos. – ela respondeu – Certo, precisamos ir.

Bye, mommy... – o menino desligou antes que ela pudesse responder.

Assim que o esposo sentou-se ao seu lado, Kate encostou sua cabeça no peito dele, sendo abraçada, recebendo o calor que ele tinha a oferecer. Ela respirou fundo, fechando os olhos por um momento, antes de a doutora sair de sua sala, sorrindo para eles e chamando o nome dela.

Levantaram-se juntos, para que ele conseguisse apoiá-la nele, se preciso, e foram caminhando até a médica, uma senhora já, que lhes deu espaço para entrarem no consultório. Quando ela se sentou, entregou o celular ao esposo, sorrindo para ele. A médica entrou em seguida, fechando a porta.

Antes que pudessem falar alguma coisa, a médica se apresentou:

– Bom dia, meu nome é Elizabeth Anderson. Digam-me. – ela pediu – Há algum problema na sua gravidez, srta... Beckett!

O abraço que a doutora a deu foi algo surpreendente. Lembrava-se dela, porque quando era criança, ela normalmente visitava seus pais e ficava sorrindo assustadoramente para ela, o que era muito assustador.

– Olá... – ela murmurou, acariciando as costas da médica.

Voltando à postura normal, ela olhou para Castle, que mordia as bochechas, quase arrancando pele lá de dentro. Sua inquietação era algo bem visível, por mais que ele não quisesse mostrar.Elizabeth sorriu, sentando na cadeira de rodinhas, pegando o bloco e anotando o nome de Kate, pedindo para ela soletrar seu nome do meio. Isso só pode ser pegadinha, pensou Castle, apoiando-se na cadeira da esposa.

– Então, o que a traz aqui, querida? Não a vejo desde os seus dezessete anos. – ela sorriu, olhando para Castle, por mais que estivesse falando com Kate.

– Uhh, eu... – ela começou, porém, Castle a interrompeu.

– Nós estamos sendo pais novamente, e precisamos de você. – soltou.

°°

Novamente, ele estava na sala de espera, esperando Kate sair dos vários exames que Elizabeth pediu, “para a segurança do bebê”, “vamos ver se seu bebê está bem...”. Ele já escutara isso, mas não com tanta felicidade. Que eram muitos exames, sim, eram, mas quem sabe não era melhor mesmo.

– Senhor Castle? – chamou uma enfermeira.

– Sim? – ele respondeu, levantando-se.

– Sua esposa está sendo preparada para uma ultrassonografia, mas não quer que continuemos até você estar presente. – ela explicou – O senhor vai querer participar?

– Ora, mas que pergunta! – ele riu, correndo para dentro da sala.

Antes que pudesse entrar onde Kate estava deitada, com aquele pijama hospitalar, ele foi obrigado a pôr um também. Contrariado, colocou a roupa azulada e correu para segurar a mão dela, que sorria amplamente.

– Prontos? – perguntou Elizabeth, pondo o gel sobre a barriga dela.

– Uhhhh! – ela gemeu de desconforto.

– O que foi? – ele perguntou, nervoso.

É gelado. – ela sussurrou, para que só ele ouvisse.

Ao espalhar o gel pelo ventre dela, o som de um coração batendo – o som que era tão pouco conhecido por ela, mas tão bem conhecido por ele – começou a encher a sala, e o sorriso no rosto dos dois não pôde ser escondido. Logo, os olhos dela marejaram, e ele beijou-lhe a face, olhando enquanto Elizabeth procurava o bebê.

– O bebê de vocês ainda está muito recente, não está grande, por isso, não acho que seja fácil de achá-lo, principalmente com a minha idade, mas vou continuar, e quando achá-lo, farei um pequeno círculo ao redor dele, ok?

O casal assentiu, olhando ansioso para a tela. Revezando seus olhares entre a tela e a médica, Kate viu que ela ajeitava os óculos e viu o pequeno sorriso na face dela. Rick sorriu quando viu o pequeno círculo branco sendo feito no aparelho.

– Aí está o pequeno de vocês. – ela sorriu, continuando pressionando o aparelho no ventre de Kate, que sorria amplamente com a notícia.

°°

Já vestidos em suas roupas, saíram do consultório de mãos dadas, sorrindo um para o outro como um casal adolescente apaixonado. E, pensando bem, sim, eles eram um casal adolescente apaixonado, só que fora da adolescência.

Ele os parou no meio, beijando-a levemente, acariciando o ventre dela, onde seu bebê estava. Ela sorriu durante o beijo, pondo uma de suas mãos sobre a dele, colocando a outra em sua bochecha. Beijaram-se novamente, sendo interrompidos pelo celular dele tocando.

– Castle. – ele atendeu.

Kate coçou os braços enquanto ele falava ao telefone, brincando e rindo. Provavelmente, ela pensou, está falando com Alex. Quando ele estendeu a ela o telefone, Kate hesitou, mas pegou-o mesmo assim. Perguntou-o quem era com os olhos, e ele sussurrou o nome do filho.

Mommy? – ele chamou.

– Oi, amorzinho. – ela sorriu – Como vai o dia com o vovô?

He’s SO cool! – ele riu – E agora estamos fazendo o almoço. Vocês virão para almoçar conosco?

O tom do menino era melancólico, era quase como se estivesse implorando a ela que fosse almoçar com ele, e ela sorriu para o esposo, voltando a segurar a mão dele. Assentindo e rindo com o filho, ela pôs-se a caminhar até o carro com o esposo.

Chegando lá, ela desligou, entregando o aparelho para ele. Abriu a porta da frente, e ia entrar quando ele a impediu. Ela olhou para ele meio confusa.

– Você não ia atrás? – ele perguntou.

A expressão dela tornou-se feliz, e ela fechou a porta da frente com um baque, abrindo a de trás, deitando-se no banco, com as pernas dobradas, um braço apoiando a cabeça, enquanto o outro protegia seu filho.

Ele deu partida no carro, e eles foram conversando e rindo sobre hipóteses do almoço que Jim preparara com Alex.

Notas finais
*-* O que será que o pequeno Alex e o grande Jim prepararam pro almoço? Será que o casal vai gostar?? Reviews!