Princesses to Illéa!
1 Prologue I
Notas iniciais
Princesses To Illéa!
Saga Selection
Prólogo I
Os passos soavam no corredor, o salto batendo no chão em um ritmo suave, mas com rapidez. A dona do sapato, com seu vestido vermelho e trabalhoso, era uma mulher de beleza e graciosidade sem igual. Seu controle de suas emoções era tão bom, que seu rosto não transparecia a irritação que sentia, mas a calma e seriedade.
Seu andar finalmente parara, em frente à porta dupla de carvalho. Respirando fundo, batera duas vezes, e esperara não muito, até escutar a voz rouca vinda do outro lado. Abrindo e logo fechando as portas, estava agora dentro do escritório do marido. Um cômodo com duas paredes cheias de livros e documentos em suas estantes, com poucos quadros. Havia dois sofás longos, e duas cadeiras estufadas em frente a única mesa dali.
E naquela mesma, estava o seu marido. O Rei de Illéa. Maxwell Schreave estava sentado em sua cadeira, seus olhos claros nunca deixando os milhares de papéis em suas mãos. A testa franzia de vez em quando, que a Rainha pode supor ser de desagrado de algo. Afinal, Illéa atualmente, não estava em boas condições; não que o povo saiba disso, ainda. Katherine Schreave caminhou com elegância até o ruivo, contornando a mesa e se pondo ao lado do homem.
Seus braços finos rodearam o pescoço do Rei, fazendo com que uma de suas mãos levantasse o queixo de Maxwell, o obrigando a olhá-la. Katherine sorriu, as covinhas em suas bochechas aparecendo, dando-a um aspecto de menina espoleta. Seu rosto se aproximou vagarosamente a do outro, parando por um momento, até tomar aqueles lábios para si, em um beijo sôfrego.
Beijo que não durara muito, com Katherine o quebrando. As respirações de ambos estavam descompensadas. A Rainha sorriu novamente, os olhos mostrando um brilho estranho que Maxwell nunca descobrira, e também, nem tentara. Ele lhe devolveu o sorriso, os olhos mostrando o amor que sentia por aquela pessoa ao seu lado.
— Que bela surpresa. — dissera, quando sua respiração voltara ao normal, o sorriso alargando-se. — O que faz aqui?
— Ora, não posso mais ter o prazer da companhia de meu marido? — rebateu brincalhona, apoiando-se na mesa, olhando diretamente para seu Rei.
— É claro, querida, sempre que quiseres. Mas achei que estivesse cuidando dos preparativos da festa.
— Sim, sim. Mas, sabe, eu cansei e resolvi dar-me uma pausa. — contou, enrolando uma mexa em seu dedo, olhando distraidamente pela janela a sua frente.
— Oh, claro, deve ser cansativo, querida. — comentou, já com a atenção se desviando para os papéis na mesa. Isso irritou a morena, mas não mostrara, em vez, sorrira.
— Max, não foi só por isso que eu vim até aqui. — começou a dizer, recebendo um breve olhar e um aceno, incentivando-a a continuar. — É sobre Nicklaus.
Como esperado, Maxwell parou com suas ações, olhando diretamente para a esposa. Seu cenho franzido, os lábios comprimidos e as mãos fechadas em punho. O suspiro cansado que o ruivo soltara era claro sinal de que metade dos planos da Rainha estavam quase ganhos; apenas só mais uma cartada. É tão fácil que chega a ser irritante, pensara a morena, contendo um sorriso de vitória que ameaçava aparecer. Não, não é hora, ainda.
— O que ele fez desta vez? — indagou o Rei, os olhos mostrando frustração e a voz era séria, quase chegando a ser fria.
— O mesmo de sempre. — dizia, olhando com olhos tristes ao marido. — Descobri que ontem, saíra para mais uma noitada de bebidas. — suspirou, passando as mãos no rosto. — Não sei mais o que podemos fazer para controlá-lo.
— Mais essa! — Maxwell rugiu raivoso, batendo o punho na mesa. — Será que ele nunca irá tomar jeito?! — o mais velho já estava começando a levantar-se, pronto para ir atrás do filho primogênito e lhe dar uma bela bronca, novamente.
Mas Katherine o impediu.
— Não, não faça isso, Max. — pediu ela, com sua voz doce, acariciando o ombro do outro, tentando o acalmar. — Acho que posso ter uma solução.
— E qual seria? — perguntou, depois de tomar profundas respirações. — As outras não adiantaram muito. Digo, só pioraram.
— Eu estava pensando, que tal... — hesitou, desviando o olhar por um momento. — Uma Seleção?
— Seleção?! — exclamou o ruivo, tomado de surpresa, olhando a esposa como se tivesse dito algo absurdo.
— Sim. Acho que está na hora. — dizia com convicção. — Vai fazer com que Nicklaus amadureça. Encarar novas responsabilidades o fará bem.
— Eu não sei... — murmurou, contrariado, ainda achando a ideia absurda.
— Ora, por que não? — ela levantou-se, contornando a mesa e ficando em frente ao rei. — Nicklaus já está com vinte e um anos completos. Acho que está na hora de ter alguém ao seu lado, e deixar essa vida de adolescente rebelde e encarar suas futuras responsabilidades como próximo sucessor ao trono.
— Talvez você tenha razão, mas ainda assim...
Katherine suspirou, irritada e já perdendo a paciência, seu marido podia ser tão teimoso às vezes. Acalme-se, acalme-se, não leve tudo a perder, pensava, como um mantra. Havia vindo ali, logo depois de saber, por um de seus amigos, o ocorrido com Nicklaus. Era a desculpa perfeita para convocar uma nova seleção, que não acontecia desde a época de seus sogros, America e Maxon Schreave; a Rainha e o Rei mais queridos de Illéa de toda a história do país. Já Maxwell, nem precisara de uma seleção, já que encontrara o amor naturalmente. Ninguém desconfiaria.
— Tudo bem. — a voz do marido a tirou de seus pensamentos, ficando perdida por alguns segundos, até poder raciocinar o que lhe dissera.
— Oh, isso é fantástico, querido! — disse, sorrindo com graciosidade e alegria. Estava pronta para abraçar o outro, mas parara ao escutar as próximas palavras proferidas por Maxwell.
— Mas Demmyan dividirá a Seleção com o irmão. — proferiu sério, vendo o sorriso da mulher se ir, substituindo por surpresa clara.
— Não! Definitivamente, não! — exclamou, parecendo escandalizada. As sobrancelhas franziam, e as mãos se fechavam em punho. — Demmyan ainda nem chegou a maioridade. Por que ele participaria da Seleção?!
— Oras, pelo mesmo motivo que Nicklaus. Responsabilidades! — retorquiu o ruivo, mais calmo.
— Responsabilidades?! Responsabilidades?! — a voz da mulher beirava a histeria — Demmyan é muito mais responsável que Nicklaus!
— Pois, uma seleção dupla não só animará a população, como pode muito bem acalmar os ânimos dos rebeldes. — Maxwell, ignorando o que a esposa falara, mostrara seu ponto de vista. — Além disso, você vive recusando as propostas das outras realezas para um casamento.
— Ainda não estou de acordo. — murmurou a morena, enquanto se deixava sentar em uma das cadeiras, aos poucos se recuperando de seu descontrole momentâneo.
— Então considere uma Seleção para Nicklaus sem chances de acontecer. — sentenciou, encarando friamente a Rainha, e esta suspirou, parecendo derrotada.
Não, não posso me deixar abalar, tem que haver outra maneira de fazer aquilo, pensava já calma e tomando controle de suas emoções. Os olhos castanhos encararam o marido decidido, levantou-se, indo abraçar o ruivo, beijando-lhe ambas as bochechas.
— Como quiser Mon Roi. — murmurou em seu ouvido, sorrindo como uma cobra pronta para dar o bote, ao se inclinar e beijar o rei.
Your House of Cards will collapse, My King.
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