Princess Haylley's Diary - Volume II
3 Of Humans and Ponies
Terça-feira, 26 de agosto de 2014
Não sei porque, mas desde que começaram as férias, achei divertido passear nas ruas de L.A. de madrugada sozinha. Todas aquelas luzes e cores me encantam de tal forma que acaba sendo muito mais interessante andar por aí do que simplesmente ficar com minhas melhores amigas — a Lua e a insônia — na varanda de meu quarto na calada da noite.
Acho que ninguém percebeu ainda.
Ou isso, ou elas disfarçam muito bem, porque ninguém parece suspeitar de nada.
E mesmo que soubessem, não me importaria. "Ah, mas uma garotinha de 13 anos não pode andar à noite sozinha!". Dane-se, cara. Sei me defender. Já matei um mini cavalo em legítima defesa, sei fazer isso de novo.
Claro, a espada é minha companheira inseparável.
Andando pela calçada distraidamente, acabei esbarrando em umas latas de lixo. Um gato saiu gritando dali do meio, e eu me liguei que já era meia-noite e tinha que prestar atenção nas coisas. O bichano subiu no muro baixo que havia ali ao lado.
—Foi mal, gatinho! — desculpei-me.
—Você me assustou, Haylley! — exclamou ele.
—Shadow! Pensei que fosse só um gato!
—Não sou um gato, sou o gato. O que você está fazendo aqui?
—O que você está fazendo aqui?
—Passeando, oras! Gatos passeiam à noite!
—Bem, então eu também sou um gato! Também estou passeando!
—Sério?
Shadow olhou-me da cabeça aos pés.
—Você não faz muito o tipo.
—Eu sei.
—Essa cauda não parece ser de gato. Ou qualquer outro felino.
—É porque é uma cauda de lobo! Caninos são bem melhores.
Ele fez uma expressão de nojo.
—Você me enoja, Haylley.
Desceu do muro e foi na direção oposta.
—Hey, espera! — exclamei.
—Eu não ia embora — disse Shadow — quero ir contigo.
—Pra onde?
—Pra ondo você estiver indo.
—Eu estava indo pra lugar nenhum...
—Lugar nenhum, que seja. Nossa próxima parada, todos à bordo.
—Já pegou seu bilhete?
—Pro trem da meia-noite? Pode apostar.
—Na verdade, é pro expresso da loucura.
—Oh, esse eu já tenho passe livre.
Shadow tinha parado algumas vezes no nosso caminho para tentar cantar algumas gatinhas, mas não deu muito certo. "Não funciona se elas não sabem falar", disse ele. Depois de alguns minutos, chegamos a um lugar que parecia muito uma fábrica, mas estava meio... abandonada.
—Que lugar é esse? — indaguei.
—Uma fábrica — replicou Shadow — abandonada.
—Mas parece tão... nova, sei lá.
—Tá afim de ir lá ver o que tem dentro?
—Piui! É o expresso da loucura! Próxima parada, fábrica abandonada e nada suspeita!
Nos aproximamos da entrada, e vimos que não estávamos sozinhos. Rapidamente nos escondemos atrás de uns compartimentos. Três cientistas estavam no lugar: um mais à frente, segurando uma prancheta, e mais dois carregando...
—Pinkie Pie!? — sussurrei — o que ela está fazendo aqui?
—O que esses caras estão fazendo aqui? — disse Shadow.
—Me soltem! — gritou Pinkie, se debatendo.
—Se não o que? — riu o cientista à sua esquerda.
—Eu vou fazer cupcake de vocês!
—Aw, a poneizinha vai fazer bolinho, é? — gargalhou o outro.
—Cale a boca, pônei — mandou o da prancheta — nosso chefe disse para fazermos experiências com você.
Os dois jogaram Pinkie em um grande compartimento de vidro em forma de cápsula e a trancaram lá dentro.
—Vocês vão ver só! — berrou ela, sua voz abafada pelo vidro.
Eles mexeram em alguns béqueres, tubos de ensaio e sabe Deus o que, com substâncias coloridas e coisas muito loucas. De repente, um deles foi até uma alavanca e ligou a energia, e Shadow e eu descobrimos da pior forma que nosso esconderijo na verdade era um gerador.
—Miaauu!
—Ai!
—Quem está aí? — bradou um dos homens.
Antes de qualquer coisa, saímos correndo para não sermos pegos. Mas aquele gerador provavelmente ligou algum sistema de defesa, fazendo com que surgissem arames farpados do nada. Como eu não tinha visto isso, acabei cortando minha mão e rasgando manga do meu vestido, deixando para trás um pedaço de pano ensanguentado.
—Tudo bem contigo, Haylley? — perguntou Shadow.
—Deixa pra lá — respondi — em casa a gente cuida disso.
Chegando no castelo, abri os portões com um grande estrondo, de propósito, pra acordar todo mundo. Escutando vozes aqui e ali, fui até a enfermaria, cobrir aquele corte com bandagens ou sei lá o que. Assim que saí de lá, quase todas estavam fora de seus quartos, nos corredores.
—Que foi, Haylley? — indagou Elen.
—Foi você que abriu o portão? — questionou Ariana.
—Foi, sim — repliquei — mas isso não importa agora, temos coisas mais importantes a fazer, como uma reunião!
—Reunião? — perguntou Gabita — desde quando a gente tem isso?
—Desde agora!
—Tá bom, mas aonde? — inquiriu Ariana.
—Na biblioteca! Geral na biblioteca, agora!
Quando estavam todos lá, contei o que eu tinha visto:
—Pinkie Pie foi capturada por cientistas!
Todos ficaram sérios, menos Gabita:
—Eba! Woo-hoo! Por que não estão comemorando?
—Por que não é motivo pra comemorar! — exclamei — e se alguma experiência deles deixar ela mais forte?
—Mas onde você viu isso? — perguntou Ariana.
—Numa fábrica abandonada, laboratório secreto, sei lá — respondi.
—Onde? — indagou Elen.
—Não importa, o que a gente tem que fazer mesmo é ir até lá e impedi-los! — gritei.
—Mas o que exatamente a gente tem que fazer? — disse Ariana.
—Chegar lá, impedir os caras de fazer seja lá o que for com Pinkie e jogá-la de volta no portal para Equestria.
Me surpreendi de ter um plano tão rápido na cabeça.
—Plano legal! — exclamou Ally — mas como a gente abre o portal?
Congelei. Não tinha pensado nisso.
—A gente... pensa nisso no caminho...
Shadow nos levou até o laboratório/fábrica. Chegando lá, os três cientistas estavam mortos, e havia uma risada maligna no lugar.
Aquela risada. A risada de Pinkie Pie.
Ela tinha a forma humana, e usava um jaleco ensanguentado. Segurava uma faca.
Acho que a gente se esconde muito mal, porque a ex-pônei rapidinho achou a gente.
—Vocêssss! — gritou.
—H-Hey, Pinkie! — exclamei, nervosa.
—O que houve com você? — perguntou Ariana.
—Esses caras me transformaram em humana — respondeu Pinkie — e, como eu sou malvada, matei eles também!
—Não, assim, meio... psicopata — disse Elen.
—Vocês mataram minha irmã, e agora eu quero vingança!
—Mas por que você ajudava ela? — indagou Lauren.
—Pra falar a verdade, nem sempre eu ajudei ela — explicou Pinkie, sentando-se numa cadeira — quando ela começou com essa história toda, eu até tentei fazer ela parar, mas alguma coisa me fez acompanhá-la. Alguma coisa me fez acreditar que o que ela fazia era para o nosso bem. Então, começou a coisa. Eu a ajudava sem saber o que estava fazendo. Quando ela morreu, percebi o que eu fiz...
—Oh, muito comovente essa sua história, Pinkie, hm... — eu disse — mas, se não se importa, a gente vai indo, tá?
—Tá bom. Não, esperem!
Tarde demais!
Saímos correndo em qualquer direção, como o bando de malucas que somos (afinal, quem corre de uma ex-pônei assassina por Los Angeles de madrugada?), até que avistamos uma casa velha e abandonada.
—Rápido! — gritei — ali!
A porta velha de dobradiças enferrujadas rangeu ao abrir. A casa tinha um clima estranho, triste e assombrado. Depois que todo mundo entrou, fechei a porta.
—Será que tem outra saída? — sussurrou Normani.
—Deve ter — repliquei — vamos procurar.
—Vamos ex-plo-rar! — riu Gabita, indo na frente.
—Agora ela acha que é o Doki, né? — disse Ariana para Elen e eu. Rimos.
Após um tempo andando por aquela mansão imensa, paramos em cima de um tapete roxo.
—Isso aqui tá muito sem graça — reclamou Gabita — vou pular um pouco!
—O que essa doida vai fazer? — indagou Elen.
Gabita deu três pulinhos, parecendo animada. Mas o chão de madeira, provavelmente por não suportar, quebrou, e todos nós começamos a cair.
—GABITA!! — gritamos.
—Foi sem querer... — disse ela.
—Ah, sim, sem querer! — exclamei.
E então, diminuímos a velocidade da queda, logo antes de pararmos totalmente, como se não houvesse gravidade.
—Legal, agora a gente vai ficar preso aqui pra sempre! — reclamou Ariana.
Depois de todo mundo reclamando e Gabita quase chorando, a luz começou a voltar, e nos teleportamos para a frente do castelo, a um metro do chão. Depois que caímos, Gabita levantou-se, limpou as roupas e disse:
—Viu só? Pular foi bom! Estamos em casa!
—Agora eu só quero dormir — eu disse — boa noite!
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