Princess Die
1 Prólogo
Notas iniciais
Harry tinha 9 anos
Um par de olhos observava a chuva insistir passagem pela janela. Se não fosse o clima e a localização, a casa poderia muito bem estar de frente para o mar. Era bem cuidada e lembrava muito um chalé de praia. Mas hoje a pobre menina sentia algo estranho dentro de si. A felicidade e descontração que sempre preenchia a casa, hoje estava longe de estar presente. Ela percebia que sua mãe e seu pai conversavam em silêncio na cozinha com expressões sombrias, mesmo estando com as mãos dadas.
Isso já era comum na rotina da menina de 10 anos. Durante a noite era normal ver seus pais apreensivos e ultra-protetores com ela. Mas hoje, ao invés de estar acostumada, ela também sentia uma tensão no ar. No fundo só queria que a tempestade passasse logo.
-Porque não toca uma música querida? — disse sua mãe ao ver a pequena apreensiva.
A menina concordou com a ideia. A música sempre acalmava seus nervos. Ela se sentou em um banco em frente ao piano azul de cauda enquanto seus pais decidiram que era um bom momento para uma dança descompassada e sem ritmo. Como já era de costume nas noites de tensão, uma boa música logo desfez toda e qualquer preocupação da família.
Eles cantavam e riam quando a menina viu o primeiro feixe de luz pela janela.
-Mãe…? — disse apontando para a direção de onde agora vinham cada vez mais feixes de luz como aquele — Eu acho que tem um homem na chuva…
-Eles nos encontraram.
O pai da menina a levantou no colo rapidamente e correu com ela para um armário de casacos perto da escada.
-Madridssa, minha filha, fique aqui está bom? Só saia quando o tio Arthur chegar está me ouvindo? Apenas com ele ninguém mais.
-Pai, Mãe, o que esta havendo? — perguntou a menina vendo os olhos dos pais encharcados de lágrimas.
-Minha linda, promete que vai se cuidar tá bom? — disse a mãe em prantos dando um abraço apertado na menina que agora também chorava assustava — Não deixe ninguém fazer nada de ruim para você.
-Mãe…?
-Petrificus Totalus! — antes que a menina terminasse a frese, o feitiço lançado pelo pai já a tinha imobilizado por completo.
A última coisa que viu foi o rosto corajoso da mãe fechando a porta do armário. A partir desse momento tudo o que ouviu foi um estampido na porta de entrada seguido por muitos gritos e feitiços.
Ela tentava gritar com todas as forças mas seu esforço não fazia efeito algum com o feitiço. Ao ouvir um baque contra o chão e um grito de seu pai, ela parou de tentar lutar.
Um riso estrondoso cobriu a sala:
-Demoramos dez anos! Dez anos… Mas encontramos vocês, grifinórios de merda, de coragem não tem nada… Se esconderam no fim do mundo só aguardando a morte… Mas ela chegou… Avada Kedavra!
Mais um baque no chão seguido de risos foi escutado pela garota. Ela já sabia o que tinha acontecido.
…
Arthur correu pela estrada de pedras arredondadas que levavam ao imenso chalé no meio da fria Escócia. Ele pedia com todas as forças que o pior não tivesse acontecido.
Recebeu o chamado pela manhã. Mesmo sabendo há anos que isso poderia acontecer a qualquer momento, ainda não podia acreditar que aquela era a hora.
Mas o casal frio no chão da sala não negava. O tão temido dia tinha chegado. Seu choque foi interrompido por um choro que vinha de dentro do armário. O coração de Arthur deu um pulo ao ouvir esse som, e o homem agradeceu aos céus pela parte crucial do plano ter funcionado.
-Madridssa, querida? — perguntou levemente se aproximando da porta — É o Arthur Wesley aqui…
A menina chorava no chão do armário com a cabeça entre os joelhos. O efeito do feitiço havia passado. Mas ela ainda não tinha tido coragem para abrir a porta.
Arthur a pegou no colo e tampou seus olhos enquanto saia da sala rapidamente. Outros representantes do Ministério chegavam para avaliar o local. Ele só queria sair dali o mais rápido possível.
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