Princesa de Gelo

1 Capítulo único.


Notas iniciais
Olar
Se ficou ruim? Talvez.
Se ficou amador? Com certeza.
Mas tá aí. :D

Keid

A lenha caiu no chão e ouviu-se um grande estrondo. Ele ficou paralisado. Tudo estava sem vida e gelado, cheirava morte. Até que ele a viu. Seus olhos estavam abertos, e a íris, antes escura, possuía um azul fraco e assustador. Sua pele estava gelada e pálida, e ela ainda carregava uma xícara na mão direita. Mil coisas passaram pela cabeça dele, mas nenhuma fazia sentido.

O estrondo se repetiu, e ele viu aquela estranha, não deu tempo de falar ou se defender. Tudo ficou escuro.

Algum tempo antes

A neve não caía mais, e a temperatura diminuíra consideravelmente. Keid não sentia os dedos dos pés, nem o nariz e as orelhas, mas a lenha que ele carregava era boa demais para não arriscar um resfriado.

As árvores cobertas de neve pareciam grandes fantasmas, mas isso não o assustava, não como quando era menor. Não como quando os invernos eram terrivelmente rigorosos. Não como quando não havia lenha o suficiente. As coisas haviam melhorado, afinal.

O caminho de volta a sua casa não era realmente longo, mas a estrada era íngreme escorregadia, isso o fazia demorar três vezes mais.

Gaya

A casa estava toda aquecida, e isso a fazia sentir-se aconchegada. O gato dormia tranquilamente perto da lareira, de vez em quando soltava um barulho de satisfação.

Era cedo e Keid já havia saído, mas ela não se sentia nem um pouco culpada por estar na sua cama quente, apenas pensando em coisas sem importância. Ficava grata por não ser sua vez de buscar lenha.

Calculava que demoraria cerca de três horas para que ele voltasse. E não havia coisas interessantes para fazer.

Ela ainda lembrava de quando haviam se conhecido. Ele estava vendendo couros com seu pai. Era pálido e o cabelo desgrenhado, parecia doente. Ela o achou patético. Ele não tirou os olhos dela.

Lembrou também do dia em que haviam se casado e iriam finalmente morar sozinhos. Estavam animados, mas não sabiam como fazer as coisas.

Depois de sair da cama e alimentar o gato, foi escrever uma carta aos pais. Não os via há bastante tempo, sentia falta de estar com eles e até mesmo de trabalhar na taberna.

Gaya notou que mesmo com o fogo alto havia ficado mais frio, e pela janela podia ver a cor anil do céu, estava lindo e diferente.

Enquanto colocava mais lenha, ouviu uma batida na porta. Ela pensou que fosse Keid, apesar de ser cedo demais. Não era.

O que ela via era uma mulher, que parecia uma rainha ou princesa. Logo ela descobriu que se chamava Alba, e que vinha de longe. Gaya queria saber quem ela era, de onde ela vinha exatamente. Parecia nobre demais para ser daquele lugar pobre, e não se parecia nada com as pessoas daquela parte. Tinha uma pele muito escura e os olhos eram diferente de tudo o que ela já havia visto.

- Por que você veio aqui, na minha casa? Há lugares mais nobres.

A pergunta pareceu divertir Alba, porque ela riu bastante. Gaya ficou confusa.

- Foi a primeira casa que eu encontrei. Na verdade, a única que me recebeu. Você também não é deste lugar, não é?

A casa havia esfriado ainda mais, Gaya já estava tremendo.

- Na verdade, não. Por que as pessoas não te receberam? Há algo de errado com você?

-Não sei. Alguns dizem que sim. Não me olhe desse jeito, Gaya.

Gaya sentiu-se enjoada. O olhar gelado de gelado de Alba parecia atravessá-la. Queria saber o que havia de errado com aquela mulher. Tinha que haver algo de errado, não é frequente que uma mulher majestosa e de um lugar distante apareça por aí.

Então Gaya lembrou dos pais de Keid, que sempre mantinham fogueiras acesas, mesmo no verão. Eles diziam que o fogo mantinha a princesa do gelo afastado. Mas para ela, era lenda.

- Por quando tempo você esteve fora?

Alba notou que Gaya estava confusa.

- Por muito tempo. Eles não gostavam de mim. Ainda não gostam. Eles me expulsaram daqui.

Agora Gaya tinha certeza, e medo também.

- Acho que ouvi sobre você.

- E você não acredita no que disseram, não é? Não fique com medo, o que eles falam é mentira. O frio é bom. Olhe para este inverno, quando eu estava no comando era maravilhoso.

Gaya sabia que não. No tempo da princesa de gelo as coisas funcionavam miseravelmente. O povo de Keid quase fora extinto, tamanho frio. Mas a princesa de gelo e sua família haviam sido expulsos de lá, pelo menos era o que as lendas diziam. As lendas diziam também que a princesa de gelo não podia viver no calor, e que se fosse preciso, ela destruía as pessoas para conseguir o desejado frio.

- Você é a princesa de gelo?

Pergunta estúpida.

- Você faz perguntas óbvias de mais, Gaya. Vou fazer uma pergunta mais óbvia ainda: você é esposa do Keid? A família dele expulsou a minha daqui. Eles se fingem de miseráveis, para parecerem inocentes.

Gaya não tinha ideia do que Alba se referia. Como ela sabia de Keid?

- Do que você está falando? A família do Keid não expulsou ninguém.

- Você não sabe, pobrezinha. Eles foram capazes de reunir um exército para nos tirar daqui. Só sobrou eu. Sofri tanto, ninguém imagina o quanto. Mas esse lugar é meu.

- E o que você vai fazer?

Alba caminhou lentamente até Gaya, que sentia cada vez mais frio. Estava paralisada. Apertou seu braço, congelando aquela parte. Depois disso, ela não viu mais nada, e a única coisa que ficou gravado em sua pupila foi o olhar assustador de Alba.

Notas finais
Tchau! y.y
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!