Princesa--Interativa
10 Sonhos, Aulas de Dança e Encontros- parte 3
Notas iniciais

POV. Katrina
Meu sonho começou com flores. Haviam várias flores a minha frente, e eu, por algum motivo, era forçada a escolher uma delas. Escolhi lírios, com sempre, já que sempre foram minhas flores favoritas. De repente o cenário muda. Eu estava no jardim do castelo, na minha frente havia um tapete branco que levava a um grande arco com flores nele. Usava um vestido longo e um véu, os lírios que eu havia escolhido estavam na minha mão, agora como um buquê. Eu era uma noiva. Henry pegou minha mão e me levou até o altar. Todos que eu conhecia estavam lá: minha mão, tia Célia, tio Aspen, as selecionadas, a família real, menos Charles, por algum motivo ele não estava lá.
O padre começou a falar. Eu não parava de procurar por Charles. Meus olhos corriam pelos rostos de todos os convidados a procura dele. Até que o padre disse:
–-Você, Katrina Leger Lancer, aceita Henry Schreave como seu legítimo esposo?
–-Sim.--Aquelas palavras saíram involuntariamente de minha boca.
–-E você, Henry Schreave, aceita Katrina como sua legítima esposa?
–-Sim.--disse ele, sorrindo. Eu sorri de volta.
–-Agora, pode beijar a noiva.
Ele me puxou pela cintura e olhou fundo em meus olhos e eu nos dele. Não era aquilo queria. Não era. Mas, por algum motivo, eu sorria, não queria sorrir. Eu não queria ter dito sim, assim como eu não queria beijá-lo. Eu fui com minha cabeça em direção a dele. Eu não queria. Quando nossos lábios se tocaram eu gritava, eu esperneava, mas ninguém parecia perceber, nem mesmo ele. Eu não estava gritando. Aquela não era eu.Eu estava dentro dela, ela podia ter minha aparência, minha voz, meu toque, meu cheiro, mas ela não era eu. Ela parecia estar feliz por estar ali. Ela não gritava, eu gritava, dentro dela.
O cenário mudou novamente. Agora eu estava na biblioteca do castelo. Estava com Charles. Nós estávamos procurando por "Romeu e Julieta" como na tarde do dia anterior.
De repente, Charles pegou a minha mão e me mostrou um livro com sua outra mão. Era ele. Romeo e Julieta. Eu peguei o livro, o analisei, pus ele de volta na mesa e dei um abraço em Charles, que pôs seus braços em volta de minha cintura. Ficamos por um tempo, ali, abraçados, até que meu rosto se afastou de seu ombro, e eu olhei fundo em seus olhos azuis esverdeados. Eu me perdi em seu olhar. Ele olhava para mim de um jeito que ninguém jamais me olhara antes, era como se com ele, ali, tudo estava bem, tudo ia ficar bem, eu estava segura.
De repente ele puxou meu rosto e me beijou com delicadeza. Eu, rapidamente o afastei e olhei em seus olhos novamente, ele estava confuso, não sabia o que fazer, se pedia desculpas, ou se simplesmente ia embora, ou se enterrava sua cabeça no chão. Eu também não sabia o que fazer, sabia que não era certo, mas, não pude ignorar meus sentimentos, então o beijei com voracidade, ele correspondeu.
Em meio dos beijos, me conduziu até a parede e apoiou minhas costas para que pudesse levantar minhas coxas. Os beijos iam ficando cada vez mais quentes, logo estávamos perdendo nossas roupas.
***
Acordei dando um pulo. Eu suava como uma porca. Não podia ter sonhado com aquilo, era errado, e o pior de tudo era que no fundo, acordei com o desejo de que fosse verdade. Mas não podia, e não seria, eu não deixaria que aquilo acontecesse. Prometi a mim mesma de que aquele sonho não mudaria nada em minha vida, afinal, era apenas um sonho. Mas, eu não podia ignorar o fato de que não conseguiria ver Charles, muito menos ficar a sós com ele sem que a cena viesse em minha mente, também não podia deixar de ignorar o trecho anterior do sonho. Eu sempre soube que não queria me casar com ele, mas desde que entrara na seleção, eu pensava que talvez ele me conquistasse e eu me casaria com ele, mesmo tendo uma chance muito remota nunca deixara de descartar essa possibilidade, mas também sempre tive medo de ele me escolher, e de eu aceitar por pressão, e acabar presa pelo resto da minha vida num casamento infeliz.
Naquele momento, eu não sabia de nada ao certo, só sabia que precisava me vestir para o café.
***
Henry
Eu peguei Beatrice Ludwig em seu quarto por volta das 9:30 da manhã. Os cavalos nos esperavam na posta do castelo. Nós cavalgamos por um tempo nos arredores dos jardins, então fomos até o gazebo, onde eu estiquei uma toalha para fazermos um pique-nique, quando finalmente tivemos a oportunidade de conversar.
–- Então, o que você faz?—perguntei a ela.
–-Essa é uma pergunta um tanto ampla. Profissionalmente, basicamente sou sustentada por meus pais, já que faço muitos trabalhos voluntários e tenho apenas 17 anos. Não profissionalmente, como hobbies, toco piano, violino, falo espanhol, japonês, alemão e francês.
–-Quem me dera ter tanto tempo para aprender tantas coisas legais assim, quem me dera poder escolher o que quero aprender e fazer, e você ainda arranja tempo para ajudar os outros, tudo por vontade própria, e não ganha nada em troca. Admirável.—falei, ela sorriu.
Seus lábios, por mais redondos e grandes que fossem, eram perfeitamente proporcionais ao seu rosto. Tudo combinava em sua aparência. Seus olhos azuis, sua pele levemente morena, seus cabelos longos e pretos, tudo caia bem. O príncipe não podia deixar de notar o fato de que ela era linda.
–-Muito obrigada, eu acredito que não é necessária uma razão para ajudar as pessoas.
Conversamos por mais ou menos uma hora. O encontro fora bastante agradável.
***
Digamos que meu encontro com Beatrice Watson não fora nada agradável comparado ao meu encontro com Beatrice Ludwig.
Eu a peguei em seu quarto por volta das três da tarde, nós conversamos um pouco, então ela acabou me falando que era uma boa jogadora de tênis, o que me deu a ideia de a levar para a quadra de tênis para jogarmos uma partida.
Pior ideia que eu jamais poderia ter tido.
Acontece que Beatrice Watson não era apenas boa, ela era uma fantástica jogadora de tênis, não só era fantástica como também era extremamente competitiva e... má. Comparado a ela, eu era uma mera ameba, e ela fazia questão de me provar isso, eu não conseguia defender uma bola, já que ela rebatia com toda sua força, resumindo, a única coisa que eu pude fazer durante a partida foi desviar das bolas e ouvir ela gritando o quanto eu sou um perdedor. Eu realmente acho que ela pensou que eu estava levando aquele jogo a sério.
Dei graças a Deus quando cheguei em meu quarto e me joguei na cama, eu estava exausto. Realmente precisava de um cochilo.
Que não aconteceu, já que não demorou dois minutos para minhas criadas baterem na porta de meu quarto para me avisar que faltavam menos de uma hora para o almoço, que naquele dia, eu era obrigado a comparecer, porque tinha que fazer um anúncio.
***
–-Senhoritas Beatrice Ludwig e Kelly Hogan, as senhoritas estão eliminadas da Seleção. Pode se dirigir para seus quartos, vocês farão as próximas duas refeições lá e partirão para suas casas amanha de manha. Haviam 19 garotas na competição, duas foram eliminadas, agora restam 17.—Eu disse, com um ar formal, que eu geralmente usava quando precisava falar coisas por pura obrigação .—Mas, hoje, gostaria de convidar vocês, que ainda estão na competição, para um baile de Halloween, que será daqui a uma semana. As senhoritas poderão convidar seus familiares para passar o total de três dias no castelo e todos irão comparecer ao baile.
–-Meninas, por conta do baile de Halloween, a presença de vocês será requisitada hoje ás 13:00 no salão de bailes para uma aula de dança, já que vocês não querem parecer babuínos balbuciantes balbuciando em bando durante este baile, ou durante nenhum dos outros bailes que virão a acontecer.—completou Elena.
***
Katrina
Havia um total de 36 pessoas dançando no salão de bailes: 16 selecionadas, 16 guardas, 2 príncipes e 1 princesa. E tinha Elenas, que estava supervisando tudo, e tinha eu, que estava fazendo qualquer coisa, menos dançando. Quem olhasse para mim poderia pensar que eu estava fazendo algum tipo de ritual satanista ou algo parecido, porque eu estava tentando dançar.
Dança, definitivamente, nunca foi meu forte. Quando eu danço, sempre alguma coisa acaba dando errado e eu sempre faço inimigos. O guarda que estava sendo meu parceiro de dança estava quase me dando um tiro no pé, porque as vezes que eu pisei no pé do pobre coitado, eram incontáveis. Eu era uma rebelde sem causa quando se falava de dança. Acho que boa parte de minha desabilidade com movimentos corporais se deve ao fato de que eu nunca tive um pai para me ensinar.
O esquema era o seguinte: 17 homens, 15 guardas 2 príncipes (Henry e Charles) dançavam com 17 selecionadas; cada homem com uma selecionada; quando a música acabava, as homens trocavam de parceira de dança, isso aconteceria repetidamente até que todos os 17 homens dançassem com todas as 17 mulheres. Complicado? Só um pouquinho. Isso significava também que no final, todas teriam dançado com Henry e Charles, o que queria dizer para mim, desespero.
Eu tinha diversos motivos para não querer dançar com ambos. Se eu dançasse com Henry, ele poderia me enxotar pelo fato de eu ser a pior dançarina do mundo; e eu não queria dançar com Charles pelo simples fato de toda vez que eu falava com ele, desde a noite passada, eu me lembrava do sonho, me lembrava de nossos beijos e todo o resto, o que não era legal. Então eu passei a evitar ele, (cheguei ao ponto de passar a manhã no salão das mulheres com Valentina Whorel e duas outras garotas da casta 2 que eu prefiro não me lembrar o nome, já que elas eram insuportáveis) o que funcionaria, a não ser que eu precisasse falar com ele, o que aconteceria se nós dançássemos juntos, o que estava prestes a acontecer.
Quando a música acabou, pude ver o guarda andando e mancando com o pé esquerdo, pobre homem. Então, de repente, Charles me cutucou nas costelas, na tentativa de me dar um susto, algo já esperado dele, mas me deu arrepios.
Revirei os olhos e me posicionei com ele para que a dança começasse.
–-Não pude deixar de notar que você estava me evitando à manhã inteira. —disse ele.
–-Eu? Não. —respondi, eu era uma péssima mentirosa.
–-Você passou a manhã no Salão das Mulheres, Kate, você nunca faria isso, a não ser que seja necessário. –Droga, ele me conhecia bem.
–-Claro que não, eu estava lá porque... fiz amizade com algumas meninas.
–-Tá, em primeiro lugar: você por acaso tem dois pés esquerdos? No ultimo minuto, você já deve ter pisado no meu pé pelo menos umas 15 vezes. Quer sabe? Vou te ensinar a dançar.—disse ele apertando mais forte a minha cintura.
–-Como se você fosse capaz.
–-Ah é? Segue as minhas instruções. Direita, esquerda, frente, trás, pe esquerdo aqui, agora o direito e... cai!—Ele me conduziu, e eu segui as instruções, tudo deu certo, e foi até bom. E quando eu estava lá, na seguinte posição, ele me olhou fundo nos olhos, eu estremeci e me desestabilizei e quase que caí, mas Charles me segurou e me levantou.
–-Está pronta para dizer o motivo de estar me evitando?
–-Nào estou, passei a manhã no salão das mulheres porque fiz amizade com...—olhei para todas as meninas presentes no salão. A essa altura do campeonato, eu já tinha uma ideia de como eram as meninas e Clarisse,Scarlett, Amanda e Melanie me pareciam ser razoáveis.—Clarisse, Scarlett, Amanda e Melanie, eu fiz amizade com elas então decidi passar a manhã com elas, satisfeito? E não é como se eu tivesse que te dar um relatório completo da minha vida ok?
Ele me girou e me desceu.
–-Ok.—ele disse, me lançando um olhar desafiador profundo.
***
Henry
Busquei Clarisse em seu quarto por volta das 19:45. Ela estava absolutamente linda. Seus cabelos louros estavam meio presos meio soltos, ela usava um vestido vermelho de alças decotado que batia no joelho e tinha uma fenda. O tom de vermelho do vestido combinava perfeitamente com o vermelho de seu batom. Uma combinação extraordinária numa garota extraordinária.
As criadas já haviam organizado uma mezinha numa sacada qualquer do castelo que dava uma vista perfeita para o jardim. Quando chegamos, a comida já estava servida, nos sentamos e começamos a comer. Pelo visto, Charles era um ótimo planejador de encontros.
***
Em apenas meia hora de encontro, eu já sabia muito sobre Clarisse. Pude perceer que ela é um tanto inquieta, já que não conseguia ficar sem se mexer em sua cadeira por 5 segundos, sabia tudo sobre seus irmãos, Jason e April, sabia que ela é do tipo que se começa a falar, não para, era adorável.
–-Então você já é estudante de medicina com apenas 17 anos?—perguntei.
–-Sim, mas eu já atuo voluntariamente com castas inferiores.
–-Muito bom, gosto de ver que você se preocupa com os outros. Admiro muito altruísmo. E... relacionamentos? Uma garota como você, já deve ter tido muitos namorados. –ela riu.
–-Muitos não. Eu tive um. Logan, ele foi meu primeiro amor. Ele é um músico da casta 5. Nós terminamos por causa de minha mãe, ela nunca quis aceitar nosso namoro, por conta da diferença de castas. Não vou mentir para você, é bem difícil pra mim superá-lo, ainda estou o superando. Mas, o amor é assim. E você? Já teve algum relacionamento?—perguntou ela, me lançando um olhar curioso e desafiador ao mesmo tempo.
–-Ahmm... não. Mas, não sei se você sabe, mas, estou prestes a escolher uma esposa.—respondi, ela deu gargalhadas altas.
–-Esposas? Uau! Uma competição! Mas que tipo de garota se inscreveria numa competição como essa?—disse ela com um tom irônico, eu ri.
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