Princesa Emily
34 É errado se alegrar com a desgraça dos outros?
Notas iniciais
Em menos de uma hora o castelo inteiro já estava à par da situação, e em breve, não só o castelo saberia.
Emily não sabia se ficava preocupada ou feliz com isso.
Carter estava quase pulando de felicidade com a raiva que seu pai aparentava estar sentindo, porque isso significa que Dylan e Samantha estava BEM FERRADOS!
Obviamente o Rei estava muito furioso, afinal, Emily era sua garotinha, tinha 18 anos, mas continuava sendo sua garotinha, e já não bastava o ciúme que ele estava sentindo daqueles meninos, ainda vinha um desgraçado que traía sua filha? Ah, isso era o cúmulo!
Emily estava sentada no escritório de seu pai ao lado de sua mãe e seu irmão enquanto o Rei Edwin andava de um lado a outro com a mão no queixo reclamando, esbravejando e de vez em quando socando a mesa, a parede ou o que estivesse em sua frente na hora.
— Sabe qual é a minha vontade? – ele perguntou retoricamente olhando brevemente para sua família.
Ninguém ousou responder.
— De estrangular aquele moleque!
— A Samantha também não é santa – Carter murmurou.
— Mas ela é mulher e não estava competindo à mão da MINHA FILHA! – ele disse – o castigo dela deixo a cargo de seus pais, agora o garoto...
— Bate nele, pai! – Carter disse histérico quase pulando em cima da cadeira.
Anne segurou o ombro do filho olhando com aquela cara de reprovação.
— Eu não posso, infelizmente – disse Edwin apoiando as duas mãos na mesa de madeira.
— Gente... – Emily disse e todos olharam para ela calados – só tirem os dois do castelo rápido, eles vão sofrer nos países deles e já ta bom, né?
Emily como sempre boa demais.
— Como pode não estar possessa com isso? – Edwin perguntou admirado – ele fez uma baita de uma sacanagem, uma traição!
Emily deu de ombros. Ela não estava brava para falar a verdade, se sentisse algo por Dylan estaria brava e triste, mas não sentia nada, ele era apenas um aleatório por ai.
— Filha, admiro seu bom coração, mas eu teria dado um belo tapa na cara dele – disse Anne colocando elegantemente as mãos em cima dos joelhos.
Emily olhou espantada para mãe. Anne Davis, a delicada Rainha dizendo para a filha usar agressão física?
— O que? Eu não gosto que traiam minha confiança – ela deu de ombros ao ver o espanto da filha.
— E afinal, o que vamos fazer? – perguntou Carter cruzando os braços.
— Tirá-los do castelo, pronto – Emily disse decidida.
— Não senhora, eu vou dar um belo sermão antes deles saírem – disse Anne toda barraqueira se levantando.
— Mãe, não – Emily disse puxando a mãe de volta para a cadeira.
— Porque não? – ela perguntou, agora a adolescente ali parecia ela.
— Porque eu não duvido nada que você jogue alguma coisa neles ou algo do tipo – Emily disse erguendo as sobrancelhas para mãe esperando que ela se tocasse de que ainda era a Rainha e um possível evento daqueles poderia complicar as coisas para ela.
— Com isso não se preocupe, sua mãe tem classe – disse o Rei se sentando em sua cadeira novamente.
— Esqueça a classe quando mexem com a sua Princesinha – disse Anne ainda raivosa.
Emily colocou as mãos em frente aos olhos. Aquilo daria muito mais confusão do que esperava.
— Eu posso chutar ele de novo? – perguntou Carter depois de alguns segundos de silêncio.
— De novo? Você já o chutou? – perguntou Edwin com um sorrisinho no rosto.
— Claro, bem lá em baixo – ele disse fazendo uma cara engraçada – acho que ele não terá mais filhos.
Anne e o Rei se olharam e gargalharam fazendo Carter sorrir pensando que havia feito o certo. Já Emily já estava vendo a imprensa se meter nisso, e ela ter que dar entrevistas... ela não estava com a mínima vontade de falar sobre isso, ainda mais com a imprensa que com certeza destorceria tudo e complicaria tudo mais do que o necessário.
. . .
Charlie entrou no refeitório na sua hora de almoço.
Você entende o que é uma pessoa andar nas nuvens? Pois é, Charlie estava flutuando feito um idiota.
Os lábios de Emily ainda pareciam escorregar pelos dela e Charlie ainda tentava formular em sua cabeça o que havia sido aquela noite.
Toda vez que ele fechava os olhos ele via Emily com os olhinhos apavorados, morrendo de medo e parecia que ainda sentia a sensação de estar dentro dela, ele suspirava só de pensar.
Sentou-se à mesa sorrindo para sua comida feito um retardado. Realmente os homens mudam quando amam, se fazem o tempo inteiro de "fortes" e meio "insensíveis", mas eles são tão apaixonados quanto as mulheres e as vezes até mais bobos.
Logo um guarda se sentou com ele. Jay, um cara bem gente fina, 23 anos, casado e com uma filha de dois anos, sinceramente Charlie não entendia como ele conseguia ficar longe da filha e da mulher. Ele já surtava ficando horas longe da sua garotinha.
— Hey garotão – ele disse e Charlie sorriu.
— Oi Jay.
— Tudo certo.
— Sim, e você?
— To bem – ele sorriu.
— E a filha?
— Está falando – ele sorriu – eu perdi as primeiras palavras – ele disse com a cabeça meio baixa.
— Vai nas férias pra lá?
— Claro, eu não sou de ferro, preciso da minha família – ele sorriu – mas mudando completamente de assunto, você soube?
— Soube o que?
— Do Príncipe português e a insuportável Belga – ele disse.
— Não, o que aconteceu?
— Parece que a Princesa pegou os dois se pegando em algum lugar do castelo.
Charlie arregalou os olhos.
— E ai?
— Ah, vão ser expulsos do castelo com certeza – ele disse – ah, eu tenho uma bronca desse cara, parece muito metido.
Charlie assentiu sentindo seu sangue ferver de raiva.
— Na verdade, não acho que a Princesa goste de algum dos caras, ela sempre está conversando com alguém diferente, sei lá acho que esse casamento não vai dar certo.
Charlie apenas olhou para a comida. Não sabia se ficava aliviado por aquele babaca finalmente vazar, ou se ficava com raiva por ter feito isso com a sua Emily.
"Será que ela ficou triste? Não, ela não gosta dele não poderia ficar triste... ela não gosta dele, né?".
— Mas eu fiquei com pena dela, ela parece tão legal – Jay disse dando de ombros – deve ser complicado.
Ele suspirou assentindo lentamente.
— Disse alguma coisa sobre expulsão? – perguntou Charlie agora um pouco mais interessado.
. . .
Charlie fazia as ronda bem rápido pelo castelo. Estava vermelho de raiva. Como aquele loiro babaca teve a ousadia de trocar Emily pela aquela ruiva nojenta?
Ok, ele realmente ficava mais tranquilo por aquele energúmeno sair de perto da SUA mulher, mas ele não conseguia engolir aquilo!
E quanto à história de eles serem expulsos, então, ninguém disse concretamente que era isso mesmo que aconteceria, mas a agitação no palácio estava a mil e haviam dois carros parados em frente ao castelo, então era mais do que óbvio que a expulsão iria mesmo acontecer.
Ah, o loiro oxigenado iria ter uma "conversinha" com o Charlie antes de ir.
Ele andava em passos pesados e raivosos até ver um monte de guardas juntos e o capitão junto. Coisa boa não podia ser, com certeza.
Ele imediatamente mudou sua rota e foi para lá ouvindo alguns murmúrios.
— Preciso de um voluntário para cuidar da saída daqueles dois – o capitão disse com uma cara de nojo.
— De quem? – Charlie perguntou curioso.
— O loiro e a ruiva – disse um dos guardas.
— Certo, quem se habilita? – o capitão perguntou.
— Eu, eu cuido da saída deles – Charlie disse.
— Certo, é só colocá-los no carro. Precisa de ajuda?
— Não, eu me viro – ele disse sério.
— Ótimo.
Charlie se dirigiu até a saída dos fundos que era um lugar reservado e que ninguém nunca suspeitaria que os dois traidores sairiam por ali, por isso era perfeito para evitar olhares curiosos e especificamente as câmeras.
Chegou ali vendo que os dois carros já estavam a postos e ficou apenas aguardando, só o motorista lhe fazia companhia.
Olhou para os lados esperando dois certos traidores até que os abençoados apareceram.
Ambos arrastavam suas malas, e Charlie não pode evitar um mínimo sorriso pensando "se ferraram". É errado se alegrar com a desgraça dos outros?
Charlie olhou bem para Dylan literalmente se controlando para não ir com tudo em cima daquele idiota, mas tudo foi para os ares quando ele praticamente jogou suas malas em cima de Charlie.
— Tome cuidado, são preciosas – ele disse apenas.
O sangue de Charlie ferveu e ele voou em cima de Dylan o derrubando no chão.
— Emily também é preciosa, mas você não ligou para isso, não é? – Charlie estava furioso apertava o pescoço de Dylan que estava com os olhos arregalados de medo e susto.
— Solte ele, seu serviçalzinho abusado – disse Samantha.
Charlie obviamente, não ligou.
— Isso é pelo beijo – Charlie socou o rosto dele – isso por ter a traído – ele o socou novamente – e isso por ser você – ele o socou novamente vendo o sangue escorrer do nariz dele.
Sentiu um chute nas costas e viu Samantha tentando fazer alguma coisa, e por piedade, pura piedade ele saiu de cima do loiro azedo.
— Tem sorte de ser mulher – Charlie disse tirando um lenço do bolso e o lançando para Dylan.
— Você quebrou meu nariz, seu imbecil! – Dylan ignorou o lenço indo apressadamente em direção a Charlie que não ficou com nem um pouco de medo, pelo contrario, ficou paradinho.
— Não – Samantha segurou o loiro – quer apanhar mais? – ela sussurrou no ouvido dele.
— Eu vou te estraçalhar!
— Vai droga nenhuma, agora para se não eu te chuto lá em baixo, fui clara?
Dylan parou de se contorcer nos braços dela.
Charlie sorriu irônico.
— Bom garoto – ele disse com os braços cruzados.
— Cala a boca! – Dylan gritou – você faz ideia do que acabou de fazer? Você bateu em um Príncipe! E sabe o que isso significa?
Charlie sorriu vendo o raiva em Dylan, queria que ele ficasse com raiva assim como ele estava e Dylan ao ver isso obviamente tentou avançar novamente em Charlie, mas foi segurado por Samantha.
— Olha aqui, bonitinho. É melhor você calar a boca se não eu solto ele e você vai se ferrar – ameaçou Samantha.
Charlie abriu os braços.
— Pode soltar – ele disse – vem, pode vir.
Samantha permaneceu o segurando forte.
— Foi o que pensei, agora entrem ai e saiam desse castelo antes que eu os tire a força.
Samantha empurrou Dylan para dentro do carro e olhou feio para Charlie.
— Isso não vai ficar barato, guardinha.
— Acho que a senhorita devia se preocupar com o que vai acontecer com você, não comigo. Creio que já tenha problemas de mais para se preocupar com mais um. Quer que eu seja um problema?
Ela não disse nada, apenas entrou no carro e os dois saíram dali.
Charlie olhou para sua mão vendo um pouco do sangue de Dylan ali. É obvio que ele não deixaria o castelo sem antes apanhar de Charlie, merecidamente.
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