Princesa Emily
47 Um novo rumo.
Notas iniciais
Ela olhou para sua mãe, seu pai e seu irmão na primeira fila e depois novamente para Charlie e então para Simon, depois para o padre, olhou novamente a multidão e voltou para Simon.
– E-eu não posso fazer isso, não posso. Desculpa.
Ela soltou as mãos de Simon e não ligando para os olhares curiosos saiu correndo do salão segurando o vestido com as duas mãos para não tropeçar nele e tornar aquilo ainda mais constrangedor.
Imediatamente Simon e o Rei se entreolharam e Simon foi igualmente correndo atrás de Emily, mas ao invés de segurar o vestido ele segurava a corrente em seu bolso para não cair. Um guarda foi seguir Emily, mas Simon o parou com a mão.
– Pode deixar comigo, obrigado – Simon disse novamente saindo correndo atrás de Emily.
Ela ia para o jardim quando Simon segurou seu pulso, enfim havia conseguido alcançá-la.
– Emily, o que houve? – ele perguntou baixo respirando meio ofegante pela corrida desesperada.
Ela se virou para Simon o olhando por alguns segundos depois o abraçou com força o assustando, mas ele apenas a segurou contra seu corpo.
– Me desculpa Simon, eu não devia ter esperado chegar a esse ponto, eu devia ter feito algo antes – ela disse rápido de mais chorando um pouco – eu não posso fazer isso com você, eu não te amo e você merece alguém que te ame – ela disse agora olhando nos olhos dele.
Simon a olhou por um tempo e sorriu sem mostrar os dentes limpando o que borrou de seu rimel e lápis.
– Obrigado – ele disse a abraçando de novo.
Emily sorriu.
– Acho que precisamos voltar e... contar que não haverá casamento, não acha? – ele sorriu de lado.
Emily acabou sorrindo também.
– Vá você primeiro – ela disse – conte para sua família... o resto deixa comigo.
Ele a olhou, ela parecia confiante quando a sua decisão, mas ele ainda sim perguntou:
– Tem certeza que aguenta a barra sozinha?
– Tenho, mas primeiro pode chamar meu pai aqui fora, por favor?
– Claro.
Ele se virou para sair, mas Emily segurou o ombro dele o fazendo se virar novamente para ela. Ela sorriu para ele.
– Me desculpa, de novo – ela disse.
Ele sorriu segurando a mão dela e dando um beijo nas costas dela, piscou para ela com o olho direito e saiu apressado em direção ao salão.
Simon entrou no salão meio envergonhado por todos os olhares estarem em cima dele. O garoto foi apressado até o Rei e quase caiu ao parar pelo piso ser liso de mais.
– Onde ela está? – o Rei perguntou preocupado, bravo e todos os sentimentos que poderia sentir naquele momento se mesclando em um só.
– Na frente das escadas – Simon respondeu respirando meio ofegante porque havia corrido, duas vezes – ela quer falar com o senhor.
– Agora?
– Sim senhor.
Ele se levantou andando calmamente até a porta enquanto Simon se sentava ao lado de sua família e tentava explicar baixinho apenas para eles o que havia acontecido.
O Rei sem rodeios abriu as portas e foi andando até as escadas. Emily estava sentada no quinto degrau com as mãos em cima dos joelhos olhando para os pés.
Ao ver o Rei se levantou e foi até ele devagar.
– Emily o que foi aquilo? Você não pode simplesmente sair correndo do salão quando lhe der vontade...
– Pai – ela o cortou o surpreendendo – me escuta, ok?
Ele apenas ficou quieto e ela suspirou, não era o momento perfeito para se contar algo como aquilo, mas bem, era o único momento então não interessava que não era perfeito.
– Eu não vou me casar com o Simon – ela disse.
– O que? Não senhora, você vai sim!
– Não vou.
– E porque não? – ele cruzou os braços.
"Respira, respira, respira".
– Porque eu... amo outro – ela disse baixinho.
– Ama outro? – em compensação, ele quase gritou – eu disse pra você escolher bem...
– Não é nenhum dos garotos que você selecionou – ela disse o cortando novamente.
O Rei franziu o cenho.
– O quê? – agora sim ele gritou.
Ela fechou os olhos e respirou fundo, já estava ferrada mesmo, não fazia mal ficar mais ferrada ainda.
– Eu não controlei isso, simplesmente aconteceu – ela disse – eu o amo pai e não posso viver sem ele.
Edwin riu.
– E quem é o sortudo? – ele disse com um sorriso irônico.
– O nome dele é Charlie Martin, e ele é um guarda do palácio.
– Um guarda? Jura? Pensei que tivesse bom gosto! – ele bateu com as mãos ao lado do corpo – obviamente você está com a cabeça fora do lugar...
– Não estou. Eu sei muito bem o que estou fazendo e sinceramente já devia ter feito isso a um belo tempo. Eu o amo e é com ele que vou me casar, ou com ninguém.
– Ele é um guarda! O que você está pensando Emily?
– Eu não estou nem ai para títulos pai, se ele fosse um garçom eu o amaria da mesma forma.
– Agora que extravasou está melhor? Ótimo porque isso não vai acontecer, fora de cogitação.
– Então quer dizer que dane-se eu e meus sentimentos? – ela levantou um pouco a voz e depois suspirou – você teve sorte de achar a mamãe, agora, por favor, me deixe ser feliz.
– Nem pensar!
– Edwin – a Rainha saiu do nada ficando ao lado do Rei – se ela o ama, deixe.
Emily sorriu.
– Ele é um guarda Anne!
– E daí? – as duas falaram ao mesmo tempo.
– E daí que Princesas não se casam com guardas.
– Interessante você dizer isso – Emily sorriu – porque a séculos na família real que vários Príncipes e Princesas tem se casado com plebeus.
O Rei arqueou o cenho.
– Como você...
– Eu achei os livros em um esconderijo na biblioteca e quase todos os Príncipes e Princesas se casaram com plebeus.
– Isso não vem ao caso...
– Vem sim. Porque eles puderam escolher e eu não posso? Porque eu tenho que me submeter aos seus caprichos? Parece justo pra você? – Emily perguntou retoricamente – e eu sou maior de idade, EU decido o rumo da minha vida.
– Emily Milhonnet Kristen Davis, você não vai se casar com um plebeu e pronto!
– Ela vai sim – a Rainha se intrometeu.
O Rei a olhou.
– Anne!
– Edwin! – ela disse igual – será que não percebe que os olhos dela brilham quando ela falasse desse Charlie? Não percebe que ela não estaria aqui te enfrentando se não fosse realmente sério? – o Rei se calou – não quer a ver feliz?
Ele suspirou e olhou para Emily.
– Se você se casar com esse guarda, não será Rainha.
Houve um silencio.
– E então, prefere a coroa, ou "ele"?
O Rei pensou que ela fosse pensar, ou ao menos hesitar em responder, mas Emily sorriu.
– Ele – ela disse sem rodeios – eu nunca quis ser Rainha para falar a verdade, eu não levo jeito pra isso, Carter seria bem melhor do que eu. Obrigada por tirar isso das minhas costas.
O Rei pareceu surpreso, mas a Rainha sorriu.
– Agora se me permitem, tenho um anúncio a fazer, com licença – ela saiu andando até o salão.
– Emily – ele segurou o braço dela – depois que fizer, não poderá voltar atrás.
– Eu sei, por isso mesmo vou fazer.
Edwin olhou para sua mulher bravo e subiu as escadas para seu quarto. Porém Anne foi atrás da filha, queria ver aquilo de perto, sempre amou um barraco.
Emily entrou no salão seguida pela Rainha. A loira foi andando até o altar ignorando que todos os olhares estavam nela e subiu ali pedindo licença para o padre e pegando o seu microfone.
Notou que Simon e a família não estavam mais ali e suspirou aliviada ao ver isso, não queria que Simon ouvisse o que ela iria falar naquele momento.
Houve muitos cochinhos enquanto Emily respirava fundo para falar. Ela olhou para Charlie e tomou coragem batendo duas vezes no microfone pedindo atenção.
Ela se amedrontou um pouco ao ver todos em silencio concentrados nela. Era agora que ela desmaiava.
Emily respirou fundo novamente olhando para Charlie que parecia confuso, mas continuava sério com seu perfeito uniforme de guarda impecável.
– Hã... eu sei que vocês esperavam um casamento essa tarde, mas ele não irá acontecer – ela disse e várias pessoas murmuraram algo – eu... – ela travou e olhou para sua mãe que sorria e fez com a mão para ela continuar – eu há algum tempo venho pensado em mim como Rainha, e simplesmente não cosigo enxergar algo bom por que... eu não acho que eu seja a pessoa certa a assumir esse trono – mais murmúrios – mas, tem alguém que é mais qualificado agora do que eu jamais seria, ele pode ser mais novo que eu, um pouco chato as vezes, mas com certeza será um ótimo Rei. Por isso eu renuncio meu direito ao trono e passo o bastão para meu irmão mais novo, Carter – ela olhou para Carter que estava com os olhos arregalados – confio em você, nanico – ela sorriu para ele que sorriu de volta – E quanto ao casamento – ela chamou a atenção de todos novamente – eu sei que eu deveria me casar com alguém da realeza, a pedido do meu pai, mas... o problema, é que eu me apaixonei – ela olhou para Charlie e respirou fundo – não fizemos nada para isso acontecer, simplesmente aconteceu. Ele me ajudou em um momento de tristeza minha e eu sou grata a ele por ter me feito sorrir aquele dia até hoje – Charlie sorriu – ele não é um Príncipe, Conde, Lorde, Sir ou qualquer título que diz respeito a monarquia. Ele é um guarda, o guarda mais simpático, divertido, atencioso e amável que eu já conheci na minha vida e é com ele que eu vou me casar.
Ela passou novamente o microfone para o padre que sorriu para ela e segurou com as duas mãos o vestido descendo do altar.
Emily foi andando e sorriu ao ver que Charlie estava saindo de seu posto e andando ao encontro dela sorrindo igualmente.
Os dois pararam um frente ao outro e Emily praticamente avançou nele o abraçando com força. Charlie fechou os olhos e a abraçou com mais força.
Se soltaram depois de um tempo e olharam nos olhos um do outro.
– Eu fui uma covarde, uma covarde idiota. Desculpa por tudo que eu fiz... eu te amo muito, e se você ainda me amar... eu... – ela começou a chorar.
Ele segurou o rosto dela o acariciando devagar fazendo os olhos da garota se fixarem nele.
– Eu nunca deixei de te amar – ele disse limpando o barrado de sua maquiagem.
– Me perdoa? – ela perguntou baixinho.
Ele sorriu colocando sua testa na dela assentido levemente. Ele não conseguia parar de sorrir.
– Você desistiu do trono... por mim?
– Eu nunca quis ser Rainha, e mais uma vez você me livrou, obrigada – ela disse.
– Eu que agradeço.
Ele sorriu mais abertamente antes de fechar os olhos e tocar gentilmente seus lábios nos dela. Um selinho demorado, mas que expressava toda a saudade dentro deles.
Emily só foi se lembrar de que estavam no meio do salão quando ouviu os aplausos. Eles se separaram sorrindo um para o outro. Emily olhou em volta e segurou a mão de Charlie o puxando depressa para fora do salão.
Eles foram correndo rindo um pouco até um corredor deserto. Ela o puxou pela nuca lhe dando um selinho.
Ele agarrou com força a cintura dela e a beijou de verdade. Emily sorriu durante o beijou arranhando o couro cabeludo dele com força.
– Então quer dizer que eu vou me casar com você? – ele perguntou sorrindo.
– Pois é – ela sorriu de volta.
– Certo, mas acho que está faltando uma coisa – ele sorriu para ela antes de se ajoelhar na sua frente.
Charlie tirou o anel dela do bolso e ela sorriu.
– Guardou meu anel?
– Óbvio – ele segurou com cuidado a mão dela tirano o anel que já estava ali – esse não será o oficial, mas é só pra eu ter algo pra colocar no seu dedo – os dois riram e Charlie respirou fundo olhando para ela – Emily Milhonnet Kristen Davis, você aceita se casar comigo?
– Hum... deixa eu pensar... é claro que sim!
Ele riu colocando o anel no dedo dela e se levantando a envolvendo pela cintura.
– E agora vou ter que usar terno todos os dias e virar um mauricinho?
Emily riu acariciando a nunca dele.
– Sim, você vai ter que usar terno e eu estou doida pra ver isso, e nem pense em virar um mauricinho Charlie Martin.
– Ok, acho que posso me acostumar com isso.
– Você será o Príncipe, vai participar de coisas importantes e...
Ela parecia toda elétrica enquanto ela falava e Charlie acabou sorrindo, não fazia a ideia sobre o que ela falava, mas sorria ao ver que ela parecia tão animada.
– Porque está me olhando assim? – ela parou de falar e olhou para ele.
– Porque minha noiva é linda – ele disse – e está me deixando com dor de cabeça com esse papo de jantares reuniões e etc.
Ela riu enterrando a cabeça na curva do pescoço de Charlie.
– Aguenta essa nova vida? – ela perguntou dando vários selinhos no pescoço dele que estavam tirando o foco do garoto.
– Por você eu aguento tudo, meu amor.
Emily sorriu o abraçando com força, que saudade que ela tinha daquela voz a chamando de "meu amor".
– Sabe, no fundo eu tinha esperanças de que algo ia acontecer para o casamento não dar certo – ele disse acariciando os cabelos dela – eu estava apostando que o lustre ia cair ou sei lá.
Ela riu baixinho no ouvido dele.
– Se você não estivesse ali talvez eu teria dito sim – ela respirou fundo – mas quando eu te vi... não deu.
– Eu sei que eu sou genial, obrigada.
Elas se viraram de súbito vendo Carla juntamente com Sarah a Rainha e Carter.
Emily franziu o cenho para Carla.
– Como?
– Eu que escalei Charlie para o casamento, estava torcendo para você tomar juízo e fazer o certo, e bem a Sarah me ajudou um pouco.
– Inconscientemente, mas sim – Sarah disse.
– E eu não sabia de nada, né! – Carter parecia um pouco bravo.
– Não é o único, filho – e Rainha acariciou o ombro do filho – então, não vai nos apresentar formalmente ao seu noivo?
Emily sorriu segurando a mão de Charlie.
– É claro – ela sorriu – Charlie, esses são minha mãe, meu irmão e minha melhor amiga. A Carla você já conhece.
Charlie sorriu apertando a mão da Rainha que o puxou para um abraço apertando.
– Faça minha garotinha feliz – ela disse e Charlie sorriu.
– Pode deixar, majestade.
– Por favor, só Anne.
Charlie sorriu olhando para Carter que parecia meio bravo.
– Prazer Carter – ele estendeu a mão ao garoto que demorou, mas a apertou.
– Estou de olho em você – ele disse e Charlie sorriu para ele piscando com o olho direito.
– Emily desculpa, mas eu tenho que abraçar ele – Sarah abraçou Charlie com força o assustando, mas Emily apenas riu.
Quando ele e Sarah se soltaram, ele foi até Carla sorrindo.
– Obrigado, não sei como te agradecer – ele disse e Carla piscou para ele.
– Mantenha esse sorriso no rosto dela que já está mais do que agradecido.
– E o papai? – Emily perguntou quando Charlie terminou de cumprimentar todos indo novamente para o lado de Emily a envolvendo pela cintura.
A Rainha engoliu seco e respirou fundo.
– O seu pai... ele não está reagindo muito bem. Talvez demore um pouco para ele se conformar. Já peço desculpas antecipadamente pelo futuro comportamento do meu marido, Charlie.
– Tudo bem, eu não esperava que fosse diferente – ele disse e Emily olhou meio com medo para ele.
– O tio Eddie vai relaxar – disse Sarah fazendo um sinal de desdém com a mão.
– Bom, melhor deixarmos os pombinhos a sós – disse Carla.
– Eu vou preparar seu novo quarto...
– Mãe, falando nisso eu quero continuar com meu quarto, podemos fazer algumas reformas para acomodar Charlie comigo depois do casamento, não é?
– Claro querida, mas e o casamento? Quando será? – a Rainha franziu o cenho.
– Podemos fazer semana que vem, amanhã... por mim tanto faz, só quero o mais rápido possível.
A Rainha pareceu pensar.
– Tudo bem, faremos seu casamento semana que vem.
Elas foram embora e Emily puxou Charlie para seu quarto e quando entraram Charlie suspirou com um sorriso.
– Terei que me acostumar a entrar pela porta.
Emily riu o envolvendo pelo pescoço.
– Eu te amo – ela disse.
– Eu te amo – ele respondeu e Emily sorriu o beijando.
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