Princesa Emily
7 Um concorrente descente enfim.
Notas iniciais
Milagrosamente, a ocupadíssima Rainha Anne havia conseguido um tempo em sua agenda para passar com a filha como não fazia a um tempo. Mas é obvio que isso não era por acaso, ela não daria um tempo em suas obrigações como rainha por nada, e Emily sabia disso e também sabia o exato motivo para ela querer conversar.
Logo após o café as duas foram andar pelo jardim, conversar um pouco ou o que quer que seja que Anne queria falar.
– Como foram os encontros de ontem? – perguntou ela de repente, e quando digo de repente é tipo, do nada mesmo.
Queria ter dito "Péssimos! Me chamaram de gostosa, só riram, concordaram com tudo o que eu disse, não pararam de fazer e foram amigáveis de mais".
– Normais – foi o que acabou saindo de seus lábios.
– Algum interessante?
– Não.
– Ah, que legal – ela disse sarcástica e Emily riu fazendo a Rainha sorrir.
– Mas ainda têm 25 pela frente – ela lançou um sorriso encorajador para a filha esperando que la respondesse aquele sorriso dizendo em um acordo silencioso de olhos "prometo que vou me esforçar mais". Mas o sorriso não foi retribuído.
– Sinto que nenhum deles será o certo – Emily deu de ombros mordendo o lábio inferior – não da pra algo certo acontecer nessas condições.
– É... eu sei – ela disse suspirando, não sabia o que fazer – mas tente ver o lado bom da coisa...
– Sinceramente mãe, não vejo nenhum lado bom – Emily disse virando o rosto para a mãe – você faz ideia o quão desconfortável é sair com garotos que eu não conheço, ser simpática mesmo que sejam uns malas e ainda no fim de tudo escolher um deles para me casar e passar o resto da vida comigo?
Anne acariciou o rosto da filha.
– Eu também não queria que fosse assim, sempre fui totalmente a favor de deixar você escolher quem quisesse quando quisesse, eu deixaria até você se casar com um mendigo se ele a fizesse feliz – Anne a olhou fundo nos olhos e Emily viu que era tudo verdade.
– E porque não é assim? Porque não pode ser assim?
– Porque seu pai quer que você se case com um sangue azul... a pesar de você ter todo direito de escolher um plebeu.
– Porque o papai tem sempre que complicar tudo?
– Acredite, eu venho me perguntando isso há 18 anos.
Emily suspirou.
– Mas creio que a vinda de Samantha amanhã lhe anime um pouco – Anne disse sorrindo.
Emily sorriu forçado olhando para frente.
– É sempre um prazer tê-la aqui – o olho dela tremeu levemente com a estrondosa mentira.
– Ela é mesmo uma ótima garota – Anne comentou.
"Isso porque você não conhece aquela piranha" ela pensou consigo mesma.
– Agora vá atrás de seu irmão, ele está se sentindo meio excluído desde sexta.
– Coitadinho – Emily olhou para a grama.
. . .
– Comi sua Rainha – Carter sorriu tirando a peça do tabuleiro de xadrez.
– Hum – Emily murmurou de corpo presente, mas a mente estava bem além de Marte.
– Xeque – Carter movimentou o cavalo.
– Hum – Emily movimentou o pião.
– Xeque-Mate – ele pegou o Rei, mas nenhuma reação saiu da loira, nem um "Hum".
– Ok, o que ouve com você?
Emily não respondeu, estava novamente em Marte.
– Emily!
A loira piscou várias vezes seguidas olhando para o irmão sem entender porque havia gritado.
– Que foi?
– Você parece um Zumbi – ele disse olhando para a irmã que tinha o queixo apoiado na mão e ainda parecia bem avoada... tão avoada para não ligar para ter perdido no xadrez para seu irmãozinho mais novo.
– Desculpa, nanico – ela disse respirando fundo se endireitando na cadeira – é que eu não to muito bem hoje.
– Por quê? Seriam os idiotas no palácio ou é TPM mesmo?
Emily quis rir, Carter era muito informado para um garoto de 10 anos, informado DEMAIS.
– Não os chame de idiotas... a pesar que alguns merecerem esse titulo – Emily coçou o queixo.
Carter riu.
– Não gosto deles.
– Por quê? Algum motivo especial?
– Só não gosto.
– Ok.
– Você não pode meio que mandar todo mundo pra casa e morrer solteira?
Emily riu.
– Eu bem que queria poder mandá-los todos embora, de verdade, mas não posso – ela deu de ombros olhando para seu irmão que ainda tentava entender tudo aquilo, era muito recente e confuso para ele.
– Porque não?
– Isso você pergunta para o seu pai – ela disse com um misero sorriso – agora aonde estávamos?
– No jogo de xadrez que eu acabei de ganhar – o menino pegou o rei branco mostrando-o para a irmã que suspirou sorrindo. Para ela ainda estavam na segunda jogada.
– Quer jogar de novo? – ela perguntou querendo mesmo passar um tempo com Carter, ele devia mesmo estar se sentindo excluído da situação já que era o único que não tinha nada a ver com ela... não queria de modo algum que se sentisse mal.
– Chata, me desculpa, mas tenho aula de geometria – ele disse se levantando.
– Boa sorte – ela sorriu – Carter – ela o chamou.
– Que? – ele perguntou se virando.
Emily se levantou indo até ele e se agachou a sua frente arrumando sua gravatinha.
– Te amo, seu baixinho – ela arrumou a lapela de seu palitó cinza escuro.
Carter avermelhou e sorriu meio surpreso.
– Também te amo, chata – ele sorriu e ela se levantando enquanto ele saía.
Carter saiu do quarto da loira que se jogou na cama se deitando calmamente, de acordo com Sylvia seu primeiro encontro do dia era em duas horas, e era com o Príncipe Dylan, dele Emily se lembrava muito bem, afinal através dele que ela soube dessa "invasão" no palácio.
Ela tentava de alguma forma se imaginar casada com um dos garotos com quem dançara na sua festa, mas não conseguia. Dormir na mesma cama que algum deles, ter um filho! Não! Ela não conseguia visualizar isso.
Sempre imaginou que sua primeira vez seria mágica, muito romântica e com o amor da sua vida... estava resolvido, ela não teria filhos.
Acreditem, ela ficou tanto tempo deitada sem fazer nada (10 minutos) que acabou dormindo logo depois do almoço.
. . .
– Emily – Carla disse meio assustada.
A garota abriu os olhos bocejando vendo o rosto meio perturbado de Carla.
– Ahn?
– Você tem um encontro! O que faz ai dormindo? – ela parecia um pouco aflita de mais, talvez pela maquiagem ter borrado ou por agora Emily estar com cara de sono.
– Oh deus, já está na hora? – ela se sentou na cama mais que imediatamente.
– Já!
– Ahhhhhhh! Me arruma rápido!
– Vai jogar uma água no rosto para acordar que eu vou arrumar as coisas.
– O que?
– Vai lavar o rosto!
– Ta bom!
Foi uma correria, mas Emily ficou pronta, desceu as escadas com um pouco mais de pressa que o normal e logo viu Dylan, sentado na salinha á entrada do castelo alisando o palitó.
A garota sorriu ao ver que ele parecia relaxado, "pelo menos ele" ela pensou já que não estava relaxada, nem um pouco. E isso também significava que ele não estava bravo pelo atraso da loira.
Emily se aproximou devagar e assim que Dylan a localizou, se levantou e tomou sua mão dando um delicado beijo nas costas dela como um digno cavalheiro.
– Olá Princesa – ele disse sorrindo.
– Me perdoe pelo atraso, eu acabei pegando no sono – ela tentou explicar porque estava 30 minutos atrasada.
– Não se preocupe, está tudo bem – ele disse sorrindo colocando as mãos nos bolsos da calça.
– Bom, vamos?
– Claro.
Ele cedeu sei braço para que ela o segurasse e ela assim fez... o braço dele era duro, ele era forte. Emily piscou esquecendo desse detalhe começando a andar.
Ela o levou a um de seus lugares preferidos do castelo, a biblioteca, ou melhor dizendo, a extraordinária biblioteca.
– Então, gosta de ler? – ele perguntou mesmo a resposta sendo bem óbvia.
– Adoro – Emily sorriu – em um castelo tão solitário qualquer companhia é bem vinda, mesmo sendo em forma de palavras e pessoas que não existem.
– Então você é uma Princesa solitária? – ela falou de um jeito engraçado.
– Bem, o meu irmãozinho de 10 anos é o meu melhor amigo... então diria que sim.
Os dois riram baixinho.
– E você, gosta de ler?
– Na verdade não muito – ele disse, Emily ficou feliz por ele não mentir só para agradá-la – mas gosto de ver as figuras.
Emily riu.
– Gosta de esportes? – ele perguntou.
– Gosto de cavalgar, isso conta?
– Conta, e eu também gosto – ele sorriu.
– Mesmo? Poderíamos fazer isso outro dia.
– Isso quer dizer que terá um segundo encontro? – ele sorriu de lado olhando com os olhos brilhando para a loira.
– As chances são boas – ela disse sorrindo – mas não posso garantir nada, sou bem exigente – ela brincou e ele riu.
– Eu tenho esperanças.
Os dois se sentaram no sofá e Dylan literalmente colou seu corpo com o dela sentando bem juntinho ao seu lado.
A mão dos dois se tocaram por acidente e ela sorriu envergonhada enquanto ele fazia o mesmo.
Depois desse evento um pouco constrangedor, tudo fluiu normalmente, e acabou sendo mais divertido do que ela imaginava que poderia ser um daqueles encontros arranjados.
. . .
Ela entrou no quarto e viu Carla assistindo televisão com o rosto sério. Ouviu o barulho da porta sendo fechada e olhou naquela direção vendo Emily.
– E então, como foram os encontros? – ela perguntou ansiosa com um leve sorriso.
– Quatro foram... normais, e um foi interessante.
– Interessante? – ela sorriu mais abertamente
– É, mas no geral foram bem melhores do que os de ontem – ela disse sentando na poltrona fofinha.
Carla levantou depressa se sentando ao lado de Emily.
– Interessante? Defina o que seria um encontro interessante – ela enlaçou as mãos uma na outra apoiando seu queixo entre elas com os olhos reluzindo de curiosidade.
– Ah, digamos que não foi estranho – ela deu de ombros – conseguimos conversar, e diferente do Conde Nicholas não foi uma conversa de amigos...
– Rolou uma química?
Emily assentiu sorrindo envergonhada.
– Aleluia! – Carla comemorou abraçando Emily – Me conte tudo!
– Não tem nada interessante, só conversamos e... o sorriso dele é lindo.
Carla estava quase pulando de alegria e Emily rindo da sua afobação.
– É esse, sinto que é esse, por favor que seja esse –Carla disse e Emily sorriu.
– Calma Carla, ainda faltam 20 para conhecer.
– Não tem problema, pelo menos você já gostou de algum.
– Não posso dizer que gostei já que só passei uma hora com ele...
– Pare de ser pessimista, Emily!
Emily riu.
– Ok isso merece uma comemoração, que tal assistirmos um filme com pipoca e sorvete?
– Sorvete de flocos?
– Como quiser.
– Sendo assim acho uma ótima ideia.
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