Princesa Emily
45 Eu quero morrer!
Notas iniciais
Emily estava no salão, quieta ouvindo seus pais falarem e falarem como seria daqui pra frente. Simon só poderia vir no dia do casamento enquanto quem teria que tomar todas as decisões era ela.
Em certa hora da conversa Emily se acomodou melhor no sofá olhando para seus pais, mas não ouvindo absolutamente nada. Sua mente estava em outro lugar muito distante do que ela estava vivendo no momento. Charlie.
As cenas da briga daquele dia ficavam passando e repassando em sua cabeça.
"Acabou Emily". Emily fechou os olhos sentindo as lágrimas.
– Filha? – Anne perguntou com o cenho franzido, ela havia começado a chorar do nada.
Ela e o Rei se olharam com aquela cara de "o que aconteceu?".
– Eu falei algo errado? – perguntou o Rei.
– Não – Emily negou com a cabeça – eu só preciso... de um tempo.
Ela se levantou e saiu correndo até seu quarto, fechou a porta com força e se jogou na cama abraçando o travesseiro e começando a chorar nele. O pior de tudo isso é que o cheiro de Charlie ainda estava ali, a presença dele ainda estava ali.
Ela fechou os olhos com força tentando segurar as lágrimas, mas elas saiam normalmente. O coração da menina batia rápido, a respiração estava pesada e ela terminava de encharcar seu travesseiro com suas lágrimas.
Não tinha como não se culpar por tudo aquilo, porque pra ela tudo tinha acontecido por sua culpa. E agora estava praticamente casada com Simon e tudo que ela acreditava que iria acontecer, que ela seria feliz com Charlie... tudo ia embora junto com suas lágrimas.
Novamente ele parecia apenas uma ótima lembrança na mente dela. Faria uma semana que ela não o via e tinha a impressão de que não ia mais vê-lo e ela não sabia se isso era bom ou era ruim. Queria vê-lo, mas sabia que se o visse iria chorar e tudo ia voltar.
Ela daria tudo por apenas um abraço dele. Poder enterrar a cabeça em seu peito e sentir sua presença por apenas um momento, sentir suas costas contra suas mãos e aquele cheiro de loção pós barba que ele exalava.
Emily estava com tanta raiva, seu sangue fervia de raiva e tristeza. Tudo se mesclava e resultava em um choro estrondoso.
Carla abriu a porta vendo sua garota chorar feito uma condenada na cama.
Ela sentiu um peso no coração e se aproximou de Emily. Apesar de tudo, Emily ainda era sua irmãzinha, e doía muito ver que ela estava sofrendo tanto.
– Querida...
Ela, porém não reagiu, continuou chorando. Carla se desesperou, nunca havia visto Emily daquele jeito, claro que já havia presenciado Emily chorar várias vezes, mas aquele choro era diferente. Era um choro de desespero.
Carla segurou Emily que imediatamente a abraçou com força chorando agora nela.
Carla optou por não falar nada, apenas abraçou a garota com força afagando seus cabelos esperando que ela se tranquilizasse um pouco.
Depois de uns dez minutos, o choro da menina foi se cessando aos poucos até soltar o último soluço e deixar cair a última lágrima.
– Eu sou tão idiota, Carla – ela disse apoiando a cabeça no ombro de Carla.
– O que você fez?
– É o que eu deixei de fazer – ela suspirou.
Carla entendeu, ela ainda estava se remoendo pela decisão de uma semana atrás. Seria o momento errado dela dizer "eu te avisei"?
– Então vai tomar alguma atitude?
– Como se eu tivesse escolha, não tem mais nada que eu possa fazer, eu fracassei e agora não posso fazer nada para mudar isso.
Carla suspirou.
. . .
–... E como eu sou uma ótima mãe, vou te ajudar com tudo – disse Anne animada enquanto ela e Emily iam ao salão organizar tudo.
Emily só olhava para o chão, a última coisa que queria era organizar seu casamento com Simon.
–... Primeiro precisamos do mais importante, seu vestido! – ela disse animada e Emily lançou um sorriso forçado para a mãe que decidiu encarar aquilo como somente e puro nervosismo – estava pensando em algo clássico com um véu...
Novamente Emily apenas olhava para frente fingindo que prestava atenção, mas não prestava nada.
–... E a decoração...
A assim a Rainha continuava e continuava falando, mas Emily pouco ligava. Ela sabia que no final seria tudo como sua mãe planejou porque Emily apenas acabaria concordando com tudo para evitar ter que pensar em algo.
Carter entrou no salão e olhou para as duas. Ele apenas foi andando e pegou um baralho em cima de um dos sofás.
– Perdoe-me irromper os preparativos para o... casamento – ele engoliu seco – já estou de saída.
E assim ele saiu.
Emily franziu o cenho, porque havia agido daquele modo?
– Ele não está muito feliz com seu casamento – a Rainha disse vendo que a filha achou a atitude de seu irmão muito suspeita.
"Não é o único" Emily pensou, mas acabou só perguntando:
– Por quê?
A Rainha sorriu.
– Ele tem ciúmes de você, meu bem – ela disse.
– Como?
– Ele é seu irmão mais novo, e bem, você sabe que ele não parece que tem 10 anos. Ele acha que tem que te proteger, e como qualquer bom irmão ciumento ele amedrontou seu noivo.
Emily riu pela primeira vez naquela semana.
– Ele amedrontou o Simon?
A Rainha assentiu feliz por ter feito sua filha rir, ela parecia abalada por algum motivo.
– Esse garoto vai dar trabalho – Emily disse sorrindo.
– Sempre deu – a Rainha fez um gesto de desdém com a mão e as duas riram.
Emily tentou se esquecer um pouquinho de Charlie e deixar sua mãe sugerir tudo que queria. Há um bom tempo elas não tinham um momento mãe e filha daquele jeito, Emily decidiu aproveitá-lo.
. . .
– Mãe, não sei – Emily disse, o momento mãe e filha já estava indo para o buraco.
– Como você não sabe a cor da decoração do seu casamento?
– Não sabendo, poxa.
– Mas como assim? – a Rainha parecia indignada.
– Eu não sei!
Ela se virou para Emily.
– Você nunca sonhou com esse momento?
– Sim – Emily disse como se fosse obvio.
Vamos encarar toda mulher já sonhou com seu casamento.
– Então! – a Rainha disse.
– Mas não foi desse jeito que eu imaginei! – Emily disse enfezada.
Logo depois abaixou a cabeça. Pronto, Charlie havia voltado em sua mente e as lágrimas já iam sair.
A Rainha engoliu em seco. Queria tanto saber o que estava acontecendo com sua garotinha, mas não tinha ideia do que era e tinha a completa certeza de que ela não falaria, Emily sempre foi muito fechada com seus sentimentos, até mesmo para ela e por isso ficava daquele modo quando algo a incomodava, porque ela sufocava tudo dentro de si até explodir em lágrimas que ao invés de ajudar, não aliviavam em nada a tensão.
Era preocupante a Rainha conseguir se relacionar melhor com o filho do quem com a filha, sempre achou que seria ao contrário.
– Filha, o que está acontecendo com você?
– Nada – respondeu com a voz meio chorosa obviamente se segurando para não desmoronar na frente de sua mãe.
Anne tornou a se sentar do lado da filha a abraçando de lado.
– Pode confiar em mim.
Emily olhou para ela, sabia que podia confiar, mas do que adiantava contar agora que tudo havia acabado? Levar bronca pra nada? Não obrigada.
– Eu sei – ela disse.
– Então me diga, por que está tão abalada desse modo?
Emily suspirou.
– É tudo isso – ela apontou para frente – é muita mudança de um dia pro outro... eu só estou sobrecarregada de pensamentos. Eu não aguento isso.
– Eu sei que não é só isso – Anne disse – tem algo a ver com o Simon.
Emily suspirou. "Eu não consigo nem interpretar direito!" ela pensou.
– Você não gosta dele de verdade, por isso está tão estressada com o casamento.
Emily levantou a cabeça para ela com o cenho franzido.
– Você é vidente, bruxa ou o que? – Emily disse séria e Anne sorriu.
– Nenhum dos dois, sou apenas sua mãe – ela piscou para a filha com um sorriso.
Emily acabou sorrindo minimamente.
– Mas então eu acertei – ela disse sorrindo.
– Sim – Emily concordou.
– Você não gosta do Simon?
– Eu gosto, ele é ótimo e me trata muito bem... mas eu não o amo.
– E como tem certeza que não o ama? Já amou outra pessoa para saber?
Bingo, havia chegado ao verdadeiro X da questão. Emily não respondeu e quem cala consente.
– Como assim você se apaixonou por alguém e não me contou?
Emily permaneceu calada.
– Espera... você ainda o ama! – ela exclamou – oh meus deus!
– Mãe...
– Vamos, me diga quem é! – ela disse – por favor, não me diga que era o Dylan...
– Não, é claro que não – Emily disse com a voz baixa.
– Então quem é?
Emily a olhou, suplicante para eu não a pedisse para fazer aquilo.
– Mãe eu não quero falar sobre isso, por favor.
Anne suspirou. Droga.
– Ok – ela disse.
E tudo só complicava para Emily cada dia mais.
. . .
_ Charlie, Mason está te chamando _ Nathan entrou no quarto.
_ Pra que?
_ Pergunte a ele.
Charlie com muito custo se levantou da cama e saiu do quarto.
Encontrou Mason do lado de fora do quarto.
_ Ah, oi Charlie. Só queria avisar que seu turno de amanhã muda, você vai cuidar do salão durante o casamento.
_ O quê? _ ele gritou.
_ Hã... você está na lista passada a mim.
_ Quem fez essa lista?
_ Carla, a serviçal da Princesa.
Carla queria ver Charlie sofrer vendo sua... ex Princesa se casar com um engomadinho?
_ Não pode me trocar por ninguém?
_ Não, você foi exigido, tem que comparecer.
Charlie fechou os olhos colocando a mão no rosto. Dava pra ficar pior?
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