Princesa Emily

12 Eu não posso.


Notas iniciais
Oi povo, to postando mais tarde pq não tava em casa, sei que amaram o capitulo anterior, mas já vou avisando que vão querer me matar depois desse... boa leitura.

Emily dormiu sorrindo para o nada aquela noite, fechava os olhos e sentia o beijo de Charlie em seus lábios, seus braços a envolvendo com força, mas delicadeza.

Ela deveria ter ficado com medo de ser vista no meio do jardim aos beijos com um guarda enquanto estava tendo de certa forma uma competição para ganhar sua mão, mas não ficou. Em meio os braços do seu guarda ela se sentia protegida de tudo e de todos e ninguém os viu ali.

Eles ficaram ali até mais ou menos 11h00min. Sentados no banco, trocando sorrisinhos e beijos, ainda se sentiam meio envergonhados pelos recentes acontecimentos, mas o desejo de ter um ao outro era maior. Ela se divertia acariciando o rosto dele enquanto ele acariciava a mão dela com o polegar sem desgrudar os olhos um do outro, como se pudessem conversar através dos olhares.

"– E agora? – ele perguntou baixinho pra ela depois de um longo tempo em silêncio."

"– Eu não sei – ela respondeu sabendo exatamente do que ele falava, os 3o garotos no castelo."

"– Mas têm os meninos..."

"– Não fale neles – ela o calou com o dedo em frente a sua boca de leve, a mãos dela tinha cheiro de creme, um creme bem gostoso."

"– Eu não quero te dividir com ninguém – Charlie disse sério olhando meio triste para Emily."

"Emily sorriu dando um selinho nele e se espremendo em seu peito um pouco mais, não queria falar de algo tão complicado em um momento tão simples e maravilhoso como aquele"

Um calafrio corria seu corpo ao lembrar de como estava confortável apoiada nele que a abraçava de lado.

Ficou triste quando Sylvia a avisou que seu primeiro encontro começava em 30 min. Não queria encontro nenhum, queria o Charlie e pronto.

Se entristeceu mais ainda quando viu que não podia escolher Charlie, ele não era uma opção.

Não quis pensar nisso na hora, só pensou que depois de seus últimos encontros (amém Jesus) iria atrás de Charlie, estava louca por aquele beijo de novo e de novo e de novo...

. . .

– Gosta de arco e flecha pelo jeito – disse Aidan colocando outra flecha em seu arco.

– Na verdade é meu irmãozinho que gosta, porque eu sou péssima – ela disse atirando outra flecha que como as outras passou longe do alvo.

– Eu também não me deu muito bem com isso – o garoto gentil e muito engraçado tentava se arrumar com o arco – parece que essa coisa não vai muito com a minha cara.

– Nem com a minha.

– Então é fato que o arco odeia a realeza – disse ele fazendo uma careta que fez Emily rir.

– É, deve ser isso – Emily riu.

– Arco recalcado, vê se pode, desrespeitando um Príncipe importante como eu e uma Princesa linda como você.

Os dois riram, ele realmente era uma pessoa muito engraçada.

A flecha enroscou no terno dele e Emily riu enquanto Aidan o tirava. Ergueu as mangas da camisa até os cotovelos e suspirou vendo o buraco.

– Tenho a leve impressão de que minha estilista irá se zangar comigo – ele cocou os cabelos castanhos bem claros levemente encaracolados.

– Não se preocupe, qualquer coisa diga que fui eu quem te acertei – ela disse.

– Ok, você leva a bronca – ele sorriu.

Aidan era um cara divertido e Emily estava adorando conversar com ele. sua lista dos 15 candidatos que continuariam na "disputa" estava quase pronta e Aidan estava nela.

"É inútil" Emily pensou consigo mesma. Estava pensando naquela lista com 15 meninos... quando só se importava realmente com um, e esse um não estava nessa lista.

Sim, ela gostava do guarda, é a triste realidade. Pensou em como se sentia bem com um monte dos 30 garotos, mas como se sentia ainda melhor com Charlie, eram sentimentos bons, mas de caráter diferente.

Ela não podia estar começando a se apaixonar por ele, não poderia se casar com ele, não era uma opção e com certeza isso não estava no roteiro, e o Rei gostava de seguir o roteiro estipulado por ele, seguir a risca.

Respirou fundo de olhos fechados, de um jeito ou de outro quando ela ficava feliz, surgia algo que a derrubava.

. . .

– Senhorita Emily – sua professora de história a chamou, Emily saiu de seus devaneios olhando para ela.

– Me desculpa, eu não ouvi.

Ela refez a pergunta, Emily olhou brevemente suas anotações e respondeu, uma resposta comprida e complicada que ela sempre acabava decorando.

– Ótimo – a mulher disse.

Olhou para fora da janela e viu um guarda, mas não era o SEU guarda, era um guarda aleatório.

Ela tocou os lábios lembrando do beijo suave, lento e gostoso de Charlie. Aquilo havia sido tão irreal que ela cogitou estar dormindo, mas não estava, ele havia mesmo dito a ela que a amava e eles haviam mesmo se beijado.

No noite passada ao ouvir aquelas palavras saindo da boca dele foi realmente chocante, ela já havia cogitado que ele poderia ter uma quedinha por ela, assim como a que ela achava ter por ele. Mas amar? Não era algo que passou por sua cabeça.

O problema era que ELA estava cogitando sentir aquilo por ele, a pesar que nuca havia sentido então não podia dizer ao certo o que era aquilo tamborilando seu corpo. Só tinha certeza que gostava dele, muito.

Pensou se era certo gostar dele sendo que não havia a mínima possibilidade de conseguirem ter algo.

Não podia fazer isso com ele, não podia fazê-lo a amar sendo que no final não poderia ficar com ele, não poderia fazê-lo sofrer assim, não podia se torturar daquele jeito.

Sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos ao pensar no que teria que fazer.

Se concentrou na lição, não era uma boa hora para chorar.

. . .

Emily foi cavalgar para esfriar os ânimos, mas seu irmão não podia fazer companhia para a mesma.

– Porque ele não pode ir comigo? – ela perguntou para Anne.

A loira já estava com a roupa completa, prontinha para cavalgar.

– Seu irmão está tendo aula de estudos sociais agora, filha – Anne disse distraidamente anotando algo em varias folhas.

– Mas eu não gosto de cavalgar sozinha.

– Não seja por isso – Anne pegou o telefone ligando para algum lugar – olá, pode avisar Samantha que a Princesa quer cavalgar com ela?

Emily arregalou os olhos. NÃO! ELA NÃO QUER!

– Ótimo, obrigada – ela desligou o telefone – pronto, já tem companhia.

Emily fez uma careta.

– Sem cara feia, diga a Samantha que ela pode usar o meu cavalo, agora vá se divertir.

– Com Samantha? Impossível – ela sussurrou saindo da sala de sua mãe.

Entrou no estábulo vendo Andrew dar banho no cavalo da Rainha, "Apolo", ele deu esse nome a ele porque o achou muito bonito. O cavalo era bege com a crina quase loira, era realmente lindo, mas ela ainda preferia o seu bom e velho Russel.

– Oi Andrew – Emily disse.

– Oi Emily, vai pegar o Russel?

– Sim, mas tenho que esperar uma pessoa.

– Vai cavalgar com Carter?

– Na verdade não.

– Com quem, então? – ele sorriu de lado pensando ser algum dos meninos.

– Com Samantha.

– Ah, a Princesa Belga?

Emily assentiu.

– Legal – ele disse – vai pegar o Russel e qual mais?

– Apolo – Emily disse e ele assentiu – Russel está precisando de alguma cosia?

– Não, acho que não, mas ele é bem esfomeado, talvez já esteja com fome de novo.

– Certo, posso dar uma maçã e uma cenoura?

– Pode, mais só uma maçã e uma cenoura, não queremos engordar o pobrezinho.

– Sim senhor.

Emily deu uma cenoura ao seu cavalo e logo depois uma maçã, ele relinchou feliz e Emily levou aquilo como um "obrigado".

– De nada, Russel – ela acariciou o rosto do animal.

Enquanto Samantha não chegava ela pegou a escova e começou a pentear a crina e o pelo branquinho de seu cavalo.

– Desculpa por não estar te visitando tanto, tenho andado meio ocupada – sim, ela falavam com o cavalo, problem?

– Emily, está falando com o Russel? – perguntou Andrew com um sorriso.

– Sim, estou conversando com o meu cavalo – ela disse – a menos que tenha algo contra a uma pessoa necessitada desabafar com seu animal de estimação.

Ele levantou as mãos rendido.

– Tudo bem, continue sua DR com o cavalo.

Andrew saiu e Emily gargalhou.

Pouco tempo depois Samantha chegou e elas saíram sem comentar muita coisa sobre aquilo.

Emily gostava de sentir o vento contra o rosto enquanto Russel corria livre pelo jardim.

– Me falavam que cavalgava bem – Samantha riu – agora sim eu concretizo que o pessoal desse castelo é cego.

. . .

Você pode imaginar oque é uma pessoa em pleno pré ataque cardíaco?

É, Emily estava exatamente assim.

Jantava em silencio pensando o que estava prestes a fazer. Um erro? Talvez. Se arrependeria amargamente por isso? Era bem provável. Estava prestes a desmaiar? Com certeza.

– O que foi filha? Parece meio tensa – Edwin disse – é a decisão de amanhã.

Emily olhou para o pai. "Não pai, não é a decisão de amanhã sou eu mesma. Estou amando um guarda, mas irei fazer a maior cagada da minha vida por sua culpa!"

– Sim, é claro – ela disse.

– Acalme-se, faz parte – ele acariciou o ombro dela – você tem que se desligar de varias coisas durante a vida para garantir seu próprio bem.

"Nem sempre".

– É, eu sei – ela disse furando seu frango com o garfo.

– Não fique triste – ele acariciou o ombro dela – tudo ficará bem.

"Não, não vai ficar nada bem".

Assim que terminou de comer foi para o jardim esperar Charlie no lugar de sempre, ela sabia que ele chegaria.

Olhou em volta e depois para o banco, estava sentada exatamente naquele lugar ontem enquanto Charlie a segurava e acariciava seu braço e seu cabelo delicadamente.

"Boa noite, Princesa".

Aquilo era mais difícil e dolorido do que ela pensou que seria, cogitou muitas vezes levantar e sumir, mas não podia, tinha que fazer o que era "certo", ou o que seria melhor para os dois.

Sentiu duas mãos sobre seus olhos.

– Quem é? – ele sussurrou em seu ouvido a fazendo arrepiar.

– Charlie – ela virou a cabeça lentamente para ele que tirou as mãos de frente aos olhos dela.

– Acertou – ele sorriu de lado dando um selinho doce e um pouco demorado nela.

Ele deu a volta no banco se sentado ao lado dela.

– Contei as horas do dia pra te ver – ele a segurou a beijando.

Emily não era de ferro por isso retribuiu ao doce beijo do guarda Martin. Ele a puxou para si encostando levemente o corpo no dela. A língua dos dois dançavam deliciosamente, o beijo tinha sido um pouco melhor do que o de ontem, talvez por estarem menos nervosos, ou era só impressão mesmo.

Seu corpo esquentou por inteiro e ela sentiu uma necessidade enorme de abraça-lo, mas não o fez.

Charlie a soltou e olhou para a loira sorrindo, mas não a viu retribuir o sorriso.

– Esta tudo bem, Emy?

"Não, não me chama de Emy, por favor".

– Charlie, preciso falar com você – ela disse mexendo no anel em seu dedo. Estava muito nervosa, não sabia como fazer aquilo.

O coração de Charlie subiu até a boca e a respiração começou a ficar pesada, ele não gostava daquele tom de voz.

– Emy – ele acariciou o rosto dela a fazendo delirar, ainda não acreditava que teria que dizer aquilo.

Ela segurou a mão dele a tirando de seu rosto delicadamente e a colocando sob o banco de madeira com sua própria mão por cima da dele.

– Fala pra mim, o que ouve? – ele perguntou já extremamente preocupado.

Ela olhou para a mão dele em baixo da sua e depois subiu os olhos até os deles.

– Eu não posso, Charlie – ela fechou os olhos sentindo as lágrimas brotarem – não posso alimentar esperanças... não posso ficar com você – ela abriu os olhos marejados deixando uma lágrima escapar.

Charlie a olhou atônito. Não, não, não!

Notas finais
Então, com questão a maratona, eu só irei realizá-la quando uma capítulo tiver 10 comentários, até lá, nada de maratona. Devem estar querendo me matar agora por esse capítulo, mas não me xinguem, foi doloroso pra mim escrever isso também, e no proximo capítulo melhora, eu garanto. Até amanhã.