Princesa Emily 2
19 Treinos não aprovados.
Notas iniciais
Emily foi praticamente correndo até a entrada principal, ao sair pela porta viu seu filho saindo da limusine preta passando rapidamente a mão no cabelo.
– Filho!
Tyler olhou para mãe e sorriu abrindo os braços vendo a mulher ir apressada até ele com Alex rindo logo atrás.
– Oi querido – ela abraçou o filho com força.
– Oi mãe, como vai?
– Melhor agora que meu bebê chegou.
– Não sou mais bebê, lembra?
– Quando você tiver 30 anos ainda vou te chamar de bebê então acostume-se.
Ele riu.
– Ok.
Alex apareceu atrás da mãe com um sorrisinho.
– E ai, chato?
– Oi maninha.
Ela suspirou e o abraçou sentindo os braços fortes do garoto a apertarem.
– Grandão!
Joey apareceu com Charlie que sorria vendo o filho correr até o irmão.
– Oi tampinha – Tyler pegou o irmão no colo.
– Oi filho – Charlie sorriu para Tyler e eles trocaram um toquinho de mãos.
– Oi pai... que uniforme é esse?
Emily e Charlie se olharam e Emily abraçou o marido de lado.
– Temos um General na família.
Tyler arregalou os olhos.
– Sério isso? – ele perguntou e Charlie assentiu – minha nossa pai, que incrível! – o garoto voou no pai que o abraçou com força.
– Certo, ok – Charlie disse e todos o olharam – vamos comer algo como uma família normal e depois vou levar você pra conhecer os guardas – Charlie disse mexendo no cabelo de Tyler que sorriu.
– E eu não? – Alex ergueu as sobrancelhas.
– Você quer? – Charlie perguntou e ela riu.
– Claro que não, apesar que tem guardas muito bonitos aqui– ela fez cara de pensativa e Emily riu.
– Concordo plenamente filha – Emily disse e Charlie olhou indignada para as duas que riram.
– Como é? – ele levantou um pouco a voz.
– Estou falando de você, seu bobo – Emily deu um selinho no marido o olhando... aquele olhar que Alex via em Tyler e Isabelle, nos seus pais... queria muito que alguém a olhasse daquele jeito um dia.
– Ah bom – ele sorriu contornando a cintura da mulher com o braço.
– Já eu falava dos guardas mesmo – Alex deu de ombros.
– Não teste minha paciência Alexandra – Charlie disse e Alex riu.
– Oque? A mamãe se casou com você e você era um guarda, não posso fazer o mesmo?
– Quando você tiver 18 a gente conversa – ele disse e Emily riu enquanto Alex fazia bico.
– Papai – Joey cutucou a perna do pai que o olhou.
– Oi filhote – ele pegou o caçula no colo.
– Eu posso ir com você e o Tyler?
– Claro que pode tampinha.
– Vai ficar mostrando as pessoas se batendo pra uma criança? – Emily ergueu as sobrancelhas para Charlie como um olhar de alerta, é claro que ela não daria um chilique com os filhos ali, mas pretendia que Charlie entendesse o claro recado de "não, você não vai os levar para o treino".
– Qual o problema? – mas Charlie sendo Charlie, não pegou o olhar de Emily.
Charlie pai nota 10.
– Não falo nada – ela saiu a frente indo até a entrada do castelo, Alex olhou para seu pai.
– Eu voltaria com uma armadura se fosse você.
E depois seguiu a mãe.
* * *
– E aqui é o centro principal de treinamento – Charlie mostrou aos garotos o campo.
Os guardas jogavam futbool, alguns lutavam, outros treinavam tiros e Charlie quase riu ao ver dois garotos com espadas brilhantes lutando.
Tyler olhou admirado para aquilo e Joey parecia bem atento tentando entender exatamente oque estava acontecendo.
– Eu posso atirar? – Tyler perguntou olhando para Charlie que mordeu a boca pensando.
– Pode, mas com bala de borracha e sua mãe jamais poderá saber que eu permiti isso.
– Ok – Tyler sorriu.
– Papai, eu posso jogar com eles? – Joey perguntou olhando para os homens jogando futbool.
– Hã... espere aqui com seu irmão que eu já volto.
Charlie foi até os garotos que jogavam e pegou seu apito no bolso o assoprando com força.
– Vamos, todos aqui!
Os guardas pararam de jogar, deixaram a bola no chão e foram rapidamente até Charlie.
– Meu filho quer jogar com vocês, então peguem leve e o façam se divertir que darei folga do treino amanhã para vocês descansarem, certo?
Obviamente eles concordaram porque não tinham folga do treino nenhum dia da semana, só tiravam folga dos turnos de guarda, não dos treinos o que Charlie estava pensando em mudar e dar folga do treino para todos todo domingo, mas eles não precisavam saber disso por enquanto.
– Chame o garoto – um dos guardas disse olhando para Tyler e Charlie sorriu.
– É o mais novo – ele riu e chamou Joey com a mão que foi correndo até os guardas – Joey, se divirta.
– Ok papai.
– Vem Joey, vou te ajudar – James, um guarda muito amigável que tinha um filho mais ou menos da idade de Joey chamou o garotinho e ali Charlie viu que poderia ficar tranquilo.
– Vou estar logo ali, se precisar, assopra isso – Charlie entregou seu apito ao filho que se sentiu ultra-mega-hiper importante com aquele apito em volta do pescoço.
Chegou perto de Tyler que havia tirado a blusa e apenas fez um sinal com a cabeça para ele ir até os alvos e assim ele fez. Charlie pegou um revolver simples trocando as balas normais pelas de borracha e Tyler fez bico.
– Que foi?
– Ah, eu queria aquela arma nervosa ali – ele olhou para a metralhadora e Charlie riu.
– Essa é só para os experientes seu garoto precosse – ele entregou o revolver carregado com as balas de borracha com tinta vermelha dentro para o filho.
– Então eu posso me tornar experiente não é?
– Se sua mãe não implicar você pode treinar com os guardas.
– Sério?
– Claro – Charlie sorriu – sempre quis que vocês três tivessem um certo conhecimento com lutas, armas e coisas do gênero para em uma emergência saberem se defender, mas sua mãe sempre foi contra. Ela chegou a cogitar quando você fez um ano e eu continuei insistindo que você quando fosse maior pudesse treinar, mas ai Alex nasceu e ela ficou toda medrosa de novo e bem, eu desisti de tentar.
– Porque a mamãe... ?
– Não tente entender, filho – Charlie olhou para o alvo – só ponha na cabeça que tudo o que ela fez, faz e fará é porque ama muito vocês.
– Eu sei – Tyler assentiu.
– Prometo que vou tentar convencê-la, mas não garanto.
– Tudo bem.
– Agora vamos, segure a arma do jeito mais confortável que achar.
Assim Tyler fez e Charlie sorriu.
– Agora tire a trava de segurança.
Charlie novamente sorriu.
– Agora está vendo o mais alto? – ele perguntou olhando para os alvos em forma de pessoas.
– Sim.
– Acerte a cabeça.
Tyler respirou fundo apontando com o dedo no gatilho olhando fixamente para a cabeça do alvo.
– Não se assuste com a pressão que a arma vai fazer quando atirar, só mantenha o pulso firme, sempre.
Tyler assentiu.
– Atire.
O garoto apertou o gatilho sentindo uma pequena pressão da arma e seus olhos se fixaram na mancha vermelha bem longe da cabeça, para a direita.
– Errei, bem feio – Tyler disse meio cabisbaixo – desculpe.
– Estaria surpreso se tivesse acertado – Charlie sorriu – cá entre nós, demorou uma semana para eu atingir meu alvo em cheio.
Tyler sorriu, imaginava seu pai com 18 anos chegando no palácio, magricela como disse que era antes dos treinos e todo medroso, era algo bem difícil de imaginar olhando para ele hoje, confiante, forte e o homem mais corajoso que Tyler já conheceu.
– Então de novo? – ele perguntou ao garoto que assentiu voltando a posicionar a arma.
* * *
– Mãe – Alex entrou no castelo vendo sua mãe ir até o salão principal.
– Oi?
– Ficou brava com o papai? – a menina alcançou a mãe.
Emily suspirou e fechou os olhos.
– Digamos que você não puxou sua teimosia do nada.
Alex sorriu.
– Mas qual o problema deles irem lá com o papai?
Emily subiu as escadas até seu quarto com a filha.
– É muita violência, não quero que vocês três fiquem no meio disso.
– Mas o papai trabalha com isso e ele não é violento.
– Ele é controlado, é diferente – Emily abriu a porta do seu quarto e indicou para a filha entrar.
Não importavam quantas vezes Alex entrasse ali sempre se admiraria ao ver como aquele quarto era a cara tanto de seu pai quanto de sua mãe, sem falar daquele painel enorme que era a porta do closet deles. Ele era repleto de fotos, desde o casamento deles até agora, todas as fotos em preto e branco, Alex achava tudo maravilhoso e dentre todas as fotos a sua preferida era uma deles no casamento com as testas encostadas e ambos sorrindo de olhos fechados, mas todas eram lindas.
– Você adora essas fotos, não é? – Emily sorriu fechando a porta – sempre quando vem aqui fica as olhando.
– É que são muito bonitas – ela sorriu.
– Eu também gosto delas – Emily sorriu esquecendo por um momento a raiva que estava de Charlie – essa foi a primeira foto que tiramos – Emily apontou para uma em que ela estava muito bonita com um vestido lindo e Charlie com o uniforme de guarda – foi no dia em que eu parei de ser covarde e falei pro seu vô que amava seu pai.
Alex sorriu, adorava quando ela contava suas histórias.
– E essa? – Alex apontou para uma que Charlie estava ajoelhado no chão com a testa apoiada na barriga de Emily que sorria.
– Foi quando soubemos que Tyler estava a caminho – Emily sorriu – e essa aqui foi quando soubemos de você – ela apontou para outra foto bem parecida – e essa do Joey – ela apontou para outra – e essa daqui que seu pai está com essa coisinha linda no colo, foi depois que você nasceu. Eu estava tão fraca, tão mal que quase matei seu pai do coração, mas você apesar de ter sido difícil, nasceu e eu ainda estou aqui né.
Alex sorriu.
– Isso é injusto, até com cara de cansada você fica bonita mãe.
Emily riu.
– Não exagere querida – ela beijou a testa da filha.
– Não estou – ela voltou a olhar o painel – então esse painel, basicamente é de momentos importantes que você passou com o papai?
– Exato – ela assentiu – bem criativo não? A ideia foi dele.
– É claro que foi – Alex sorriu.
– E como vai o Connor?
– Sei lá, deve estar no curso Nerd dele agora, por quê?
– Nada, só curiosidade – Emily deu de ombros.
– Ok...
As duas ficaram conversando um bom tempo sentadas na cama, passaram por assuntos como aula e como Alex odiava biologia, também discutiram viagens, festas, revistas, repórteres, o povo...
E no meio disso tudo Charlie abriu a porta parecendo cansado até olhar para as duas sentadas de perna cruzadas na cama.
– Oi – ele disse tirando o casaco.
– Alex, você não tem aula de história agora? – Emily olhou para a filha que franziu o cenho, mas entendeu a dica.
– Ah sim, tenho, depois eu falo com você – ela abraçou rápido a mãe, beijou a bochecha do pai e saiu rapidamente.
Assim que Alex fechou a porta Emily se levantou guardando os álbuns que haviam pego e pegou seu livro sentando na cama.
Charlie a olhou, é, ela estava brava.
– Emy.
Ela não o olhou. Charlie passou as mãos no cabelo e foi até a cama se sentando na frente da mulher pousando a mão em sua perna.
– Por favor, não diga que está brava comigo.
Ela o olhou e fechou o livro.
– Você me decepciona, Charlie.
– Mas eu só...
– Não quero que nossos filhos se tornem adultos violentos e você estimula isso.
– Eu não estimulo violência, eu estimulo autodefesa que é algo muito importante por eles serem quem são.
Ela não falou nada, apenas abriu o livro novamente.
– Olhe pra mim, meu amor – ele segurou o rosto dela – eu sou violento?
– Você se controla, mas tem horas...
– Isso se chama raiva, eu não sou violento – ele disse –a última pessoa que eu enfiei a mão na cara foi o Dylan quando ele estava saindo do castelo, mas não conta.
– Graças a deus temos filhos calmos, inteligentes e amorosos, não quero que isso mude.
– Não vai – ele sorriu pra ela – eles vão continuar sendo quem são. Mas Tyler se interessa por essas coisas como forma de esporte e de autodefesa, ele não pretende pegar a arma e sair atirando em todo mundo, ele apenas quer aprender.
Emily o olhou e suspirou.
– Jamais faria nada que os prejudicasse de alguma forma, você sabe disso – ele acariciou o rosto dela.
– Eu sei, mas... – ele a interrompeu com um selinho.
– Depois conversamos com Tyler e decidimos sobre isso, ok?
Emily assentiu.
– Agora sorri pra mim?
Ela o olhou sem expressar muitas emoções e se levantou.
– Vou tomar um banho.
Charlie até pensaria que aquilo era uma dica, mas ela trancou a porta.
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