Prince

3 ❀ Capítulo 03: Príncipes e pérolas


Notas iniciais
E aí, amados? Há quanto tempo, não é? Poshaaaaaaaaa, demorei muito mais do que eu esperava e peço mil desculpas por isso. Ia postar o capítulo em maio, mas eu não tinha conseguido terminar e tinha tanta fic pra escrever, que acabei deixando essa de lado. Me perdoem. T_T Agradeço de todo o meu coração por todos os favoritos, acompanhamentos e reviews. Obrigada pelo apoio. :) É bom saber que se eu continuar escrevendo SasuHina, alguém vai ler. KKKKKKKKKKKKKKKK E me deixar reviews maravilhosos! Agradecimentos especiais a minha waifu (Mellbourne) e minha diva (Luka-chi). ♥ Obrigada suas lindas! Depois desse tempão, aqui está o último capítulo dessa fic. Aleluia! Mais uma terminada. KKKKKKKKKKKKKKK Enfim, ficou um pouco grande - como prometido - e espero que gostem! Boa leitura e até as notas finais! ps: Revisei, mas tive que editar pelo celular. Pode ter escapado alguma coisa. Qualquer erro, mesmo que simples, me avisem, ok? :) ps²: Estou avisando isso em praticamente todas as fics que ando postando, mas o editor do nyah! tá dando pau com HTML, então pode acabar engolindo alguns trechos da fanfic e eu não percebi. Por isso, se algo ficar sem sentido, me avisem tbm.

PRINCE

Príncipes e Pérolas

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“E eu te seguirei

Através do olho da tempestade

Não se preocupe, eu vou mantê-la aquecida.

Eu te seguirei

Enquanto nós estivermos atravessando o espaço

Eu não me importo se cairmos em desgraça.

Eu te seguirei.”

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Hinata estava cansada de tantas perguntas. Quando o boato sobre o seu namoro com Sasuke se “confirmou”, foi como se alguém tivesse explodido alguma coisa. De aluna reservada e tímida, Hinata passara a ser o assunto mais comentado do colégio. E ao contrário de muitas pessoas, ela não estava nenhum pouco feliz com isso. Perguntas de todos os tipos surgiram — das inocentes até as mais vergonhosas — o que a deixou de cabelo em pé.

Sasuke é bom de cama? Sasuke é tão gostoso sem roupa como é com ela? Sasuke é um bom namorado? Aposto que ele é romântico, não é? Há quanto tempo vocês estão namorando? Sasuke é isso? Sasuke é aquilo?

E essa nem tinha sido a pior parte. A pior veio quando seus amigos também vieram perguntar sobre o assunto. Tudo que queria era contar a verdade, que tudo não passava de uma farsa e simplesmente NADA tinha acontecido entre os dois. Entretanto, Sasuke tinha a recomendado a não falar sobre o assunto com ninguém — mesmo que fossem amigos dela.

Doía no seu coração ter que mentir para eles, mas foi justamente o que fizera. Kiba foi o que mais reclamou, argumentando que:

— Você e o Uchiha? Ele não merece você. — Estava claramente chateado, ela presumiu que fosse pelo fato de não ter contado nada. — Aquele cafajeste safado. Não acredito que seduziu você! Se ele fizer alguma coisa, acabo com a raça dele! Pode me contar, Hinata-chan!

Tenten fora a que mais se animara com a “revelação”.

— Quem poderia imaginar, hein? Hein? — Dera-lhe cotoveladas de leve, com um sorriso, no mínimo, sugestivo. E que tinha feito Hinata corar até não poder mais. — Hinata tá pegando o Sasuke!

Temari pareceu mais objetiva e desconfiada do que todo o resto, a opinião de Shino era parecida com a dela, apesar de não ter dito absolutamente nada sobre o assunto. Porém, a jovem Hyuuga conhecia-o bem o suficiente para saber quando estava de acordo.

— Eu só estava me perguntando em que hora isso poderia ter acontecido — Temari disse com o indicador no queixo. — Você é muito boazinha, Hinata. Desde quando você gastaria seu tempo para namorar com Uchiha Sasuke?

Isso era uma grande verdade, sua vida era repleta de obrigações e deveres, normalmente não teria tempo para manter um relacionamento as escondidas. Além disso, de acordo com Sasuke — e a própria Temari —, todos sabiam dos sentimentos que nutria por Naruto. Claro que, ninguém precisava saber que ela sabia, então, limitou-se a dar um sorriso nervoso, como se pedisse desculpas.

Hinata nunca tinha agradecido tanto como tinha feito quando chegara em casa.

— Finalmente em casa! — Suspirou ao sentar-se na cama de solteiro, deixando a pesada bolsa no chão.

Atirou-se para trás apenas para encontrar a maciez do travesseiro — cheirava a lavanda — e fechar os olhos com força.

— Por que isso está acontecendo? — perguntou para ninguém em específico e virou-se de barriga para baixo, afundando ainda mais o rosto no travesseiro.

Queria gritar, quebrar coisas ou apenas chorar. Estava carregada de estresse, de emoções com quais não sabia lidar. Precisara apenas de algumas garrafas de bebida alcoólica para ferrar com tudo.

— Hinata-burra! Hinata-burra! — Socou a cabeça no travesseiro até ficar tonta.

Encolheu-se na cama e encarou um ponto na parede azulada do seu quarto. Deixou que a mente divagasse e eventualmente Sasuke veio a sua cabeça — por mais que estivesse evitando — e teve que grunhir. Ainda mais quando os lábios finos a assombravam.

— Por que raios estou pensando na boca de Uchiha Sasuke? — resmungou baixinho. — Príncipe... Só se for do inferno. Bastardo arrogante.

“Olhe pelo lado bom, bobinha! Ao menos ele é um gato!”, uma voz sussurrou em sua mente.

“Vá para o raio que o parta!¹”, pensou de volta, carrancuda.

E ainda assim, de algum modo, o pensamento a fez sorrir.

♛

Sasuke estranhou quando chegou em casa e a porta estava entreaberta. Estava sendo assaltado? Com o cenho franzido, espiou antes de entrar. Não demorou a notar a chave de Itachi jogada na mesa de canto e o sobretudo negro pendurado na porta. Relaxou um pouco e suspirou.

O que seu irmão estava fazendo ali? Pelo que ele tinha dito antes, não era para estar em casa até a próxima semana, então... Por quê? E ainda tinha deixado a porta escancarada! Temia encontrá-lo aos amassos — ou coisa pior — com uma garota qualquer.

Para sua surpresa, Itachi apareceu no corredor, quase vestido devidamente, se não fosse pelo fato de estar sem camisa, com apenas uma calça cinza de moletom. Algumas gotículas de água escorriam pelo seu peito nu, e a toalha branca pendendo nos ombros denunciava que tinha acabado de sair do banho.

— E aí, irmãozinho — cumprimentou com um sorriso suspeito.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou com as sobrancelhas juntas. Observou o irmão sentar no sofá e ligar a TV despreocupadamente, sem se importar em responder. — Achei que só chegaria semana que vem.

— Preocupado? — provocou sem olhá-lo. — Então, quem é a garota que você está trazendo pra casa? Pra isso acontecer, ela deve ser realmente importante.

— Eu não sei do que você está falando — resmungou ainda de pé ao lado do sofá.

— Ah, entendi. — Itachi balançou a cabeça como se estivesse se lembrando de algo. — Então presumo que os fios de cabelo gigantescos no chão do banheiro sejam seus. Me conte, Sasuke, desde quando você virou travesti?

— Vai. Se. Ferrar! — amaldiçoou antes de revirar os olhos e rumar na direção do quarto.

Não queria falar sobre Hinata com Itachi. Não queria ter que explicar nada e nem ter que ficar aguentando as piadinhas ridículas que, com certeza, ele iria fazer.

Amaldiçoou mais algumas vezes, entrou no quarto e fechou a porta. As cortinas escuras estavam fechadas e ele preferiu deixar assim. As paredes azuis também escuras deixavam tudo do jeito que ele preferia e fazia contraste com o piso de cerâmica branca. Os móveis de mogno eram distribuídos de uma forma que o quarto parecia ainda mais espaçoso.

A cama de casal ficava próxima a janela, a escrivaninha ficava perto da porta, junto com uma estante repleta de livros, mangás e filmes. Uma TV de 32 polegadas estava de frente para a cama e ao lado desta, um guarda-roupa embutido com portas de correr.

Sasuke deitou na cama e fechou os olhos, pensando. Ele estava feliz, muito feliz para ser mais exato. Namorar com Hinata, ainda que não fosse realmente de verdade, trazia a sensação de que tinha alcançado um sonho impossível. Durante um considerável tempo, ficou pensando que jamais seria capaz de alcançar o coração dela.

O Uchiha não era idiota, sabia que Hinata não pararia de fantasiar com Naruto ao menos que algo acontecesse — e com certeza, nada disso envolvia se declarar ou se esforçar muuuito para conquistá-la, afinal, ainda era orgulhoso e arrogante demais para simplesmente se ajoelhar aos pés dela, sem contar que não ia adiantar muita coisa. Enquanto ela continuasse apaixonada pelo seu melhor amigo, suas chances eram completamente nulas.

Então, depois de vários anos com Sakura no seu pé, resolveu sair em um encontro com ela — que poderia ser chamado de tudo, menos de encontro — para que pudessem conversar. Obviamente a garota ficou radiante, achando que ele finalmente iria correspondê-la ou ao menos dar a chance de conquistá-lo.

Porém, ele acabou com todas as esperanças dela ao dizer:

— Sakura, isso não é o que você está pensando. Só te chamei aqui para conversarmos. — Ela se manteve em silêncio, claramente receosa, e ele continuara: — Nada vai acontecer entre nós. Você gosta do Naruto, não é?

— B-bem — gaguejara, sem saber o que deveria dizer. Ainda estava atônita pelo fora tão repentino. — Eu gosto, mas não tanto quanto gosto de você.

— Certo — murmurara, para depois apertar os lábios em uma linha reta. — Eu não gosto de você dessa forma, Sakura. Você é minha amiga e nunca iremos passar disso. Entretanto, ainda que houvesse uma única chance, Naruto sempre gostou de você. Ele ficaria feliz por nós dois e ao mesmo tempo sofreria. — Deu uma pausa demorada e conteve um suspiro. — Se o que te impede de corresponder os sentimentos dele, sou eu, então isso não será mais um problema.

Depois disso, Sasuke foi embora sem olhar para trás. Não queria ficar para vê-la chorar — não por maldade, mas principalmente porque não teria nada que pudesse dizer para consolá-la.

Uma semana depois, Sakura e Naruto estavam namorando. Ele ficou feliz que a breve conversa deu algum resultado, e só ia depender dele para conquistar a Hyuuga a partir daquele momento.

Voltando o pensamento para o presente, tateou o bolso da calça jeans e puxou o enfeite de celular que tinha comprado. Tinha visto em uma vitrine e achou que combinava com Hinata; um pingente em formato de lua, com pequenas pedras brilhantes. Poderia usar como desculpa o fato de serem namorados e ela não ter nenhum presente — além do suéter — vindo dele e isso poderia gerar suspeitas.

Ou era o que planejava dizer.

E esperava que desse certo, porque esse era um dos primeiros passos para que o plano “Conquiste Hinata-hime” desse certo.

— Sasuke! Vem pra cá! A pizza já chegou! — Itachi gritou da sala e Sasuke soltou um suspiro.

Fazia um tempo que não ficava com o irmão, ele trabalhava demais e quando voltava para casa, sempre não ficava mais que alguns dias. Ainda que brigassem muito — principalmente pela falta de paciência de Sasuke em lidar com as provocações bobas de Itachi —, era bom passar um tempo com ele para relembrar o passado.

Com isso em mente, o Uchiha mais novo voltou a se levantar da cama e seguiu na direção da sala novamente. Encontrou a mesa de centro já pronta, com a caixa de pizza no meio, os copos e a garrafa de refrigerante ao lado.

— Pedi o sabor que você gosta — Itachi murmurou quando o viu parado. Ficou encarando-o por alguns segundos antes de continuar: — Sobre antes, Sasuke, você sabe que eu estava brincando, né? Quero dizer, não precisa me dizer nada e não tem nada demais em...

— O nome dela é Hinata — Sasuke acabou por dizer, as mãos enfiadas no bolso do casaco, constrangido por ter falado aquilo alto. — E eu gosto dela.

Itachi sorriu. Era bom ver seu irmãozinho voltar a abrir o coração.

— Vocês estão namorando? — perguntou.

Pergunta difícil. Considerando que a resposta era “sim” e “não” ao mesmo tempo. Não queria bem falar dessa parte do assunto, então optou pela resposta mais simples:

— Ela não gosta de mim. — Pôde ver que havia várias perguntas passando pela cabeça de Itachi, então já que estava “se abrindo”, falaria logo tudo: — Eu a trouxe para cá, porque ela estava bêbada e totalmente fora de si. E como não seria legal se o pai dela a visse no estado em que estava, foi o que aconteceu... — explicou.

— Você já falou pra ela como se sente? — quis saber.

Sasuke andou até a mesa e sentou do lado oposto ao do irmão. Pegou uma fatia de pizza com bastante queijo e tomate seco, mordeu um pedaço, depois de mastigar, respondeu:

— Ela meio que deduziu e eu não neguei. — Bebeu um gole de refrigerante e continuou: — Nós... Eu beijei ela, mas ela não se lembra. Nem que eu gosto dela ou do beijo. — Ao ver o olhar do irmão sobre si, perguntou: — O que? Não tenho culpa se ela é uma bêbada esquecida.

— Por favor, Sasuke. — Revirou os olhos. — A culpa é sua. Você não diz, ou melhor, “deixa a garota presumir” os seus sentimentos enquanto ela está bêbada! Você deve dizer diretamente. Garotas gostam quando falamos o que realmente sentimos de forma sincera e muitas vezes... De forma romântica.

Sasuke torceu os lábios de desagrado. Se fizesse isso, a situação com Hinata iria ficar muito estranha, e havia uma grande chance de receber um sonoro e gigantesco “não”. E não era isso que queria.

— Garotas não querem garotos cheios de incertezas, Sasuke. Você precisa falar pra ela.

— Nii-san — antes que percebesse já tinha saído. Costumava chamá-lo assim quando era menor. Mas continuou mesmo assim: —, Hinata quer um príncipe e eu não sou um. E mesmo que eu queira...

— Você é um Uchiha, pode fazer qualquer coisa. E... — Aproximou-se com um ar suspeito e um sorriso malicioso. — E quem disse que você não é um príncipe?

♛

Uma semana tinha se passado. Hinata era otimista o suficiente para achar que nesse tempo ela deixaria de ser o centro das atenções — e fofocas — de toda a escola. Mas como em outras vezes, estava completamente enganada. Ao invés de ter diminuído, aconteceu justamente o contrário. Parecia que o falso namoro com Sasuke abalara todas as estruturas da vida social daqueles alunos bisbilhoteiros.

Poderia suportar os olhares de ódio das admiradoras-nem-tão-secretas de Sasuke, os toques inoportunos que recebia do “namorado”, como beijos no rosto, apertões na cintura, abraços apertados — e os cheiros no pescoço, que quase a matavam do coração de tanta vergonha —, mas não podia fazer nada quando ele justificava tudo com “namorados fazem isso o tempo todo”.

Achava que ele tinha esquecido um detalhe básico: ELES NÃO ERAM NAMORADOS DE VERDADE!

Urgh. Aquilo era tão estranho. Ter um namorado, ainda que fosse de mentira, mudava um pouco a perspectiva das pessoas sobre si, e isso era uma das únicas coisas boas que toda aquela confusão tinha trazido. Costumavam subestimá-la, achando que não era capaz de fazer grandes coisas, ela era apenas Hyuuga Hinata, a aluna estudiosa e tediosamente tímida. Mas agora ela era a garota que tinha ganhado o coração de Uchiha Sasuke.

Se eles soubessem a verdade...

— Por que você está tão pensativa? — Tenten interrompeu os pensamentos dela e antes que Hinata tivesse a chance de responder, terminou em um tom provocativo: — Pensando no Sasuke-kun?

— Quê? — Não pôde evitar de corar um pouco. — Não! Não é nada disso!

— Então o que é? Desde que você assumiu o namoro com o Sasuke, você anda mais pensativa.

— Sério? — Ajeitou-se sobre a cama de solteiro e puxou o livro para a altura do peito. — Só estou um pouco preocupada com os testes, ainda não estudei nada.

— É mesmo, né? Essa semana você tem estado tão distante, admito que até senti um pouco de inveja. Queria um namorado que me paparicasse e me levasse de um lado para o outro.

— Mas você tem o Neji-nii-san. — Ela queria dizer que nada daquilo era real, mas se calou.

— É... Éeee. Mas seu primo é... Bem. — Procurava uma palavra para defini-lo. — Você sabe como o Neji é. E não somos namorados oficiais, como você também sabe. O que me faz querer saber: quando você ia me contar sobre essa coisa com o Sasuke? Esperei esse tempo todo para ficar sozinha com você e perguntar sobre isso. Desde quando? Isso ficou um pouco confuso, sabe? Porque todos sabiam o quanto você era apaixonada pelo idiota do Naruto e parece que você e o Sasuke já estão em um momento... Avançado.

Hinata corou.

— Nós nunca fizemos aquilo, Tenten-chan. — Sentiu-se bem por isso ser a única verdade dentro de todas as mentiras que estava contando. E por isso, continuou: — Não sei bem como aconteceu, foi depois da terceira ou quarta vez que o Naruto-kun se declarou para a Sakura-san. Nós conversarmos um pouco na aula de culinária...

— Eu nem sabia que você fazia parte desse clube, muito menos o Sasuke.

— Mas eu não faço, só passo lá às vezes. — Essa parte também era verdade e ela se impressionou com a facilidade que começou a contar mentiras. Isso não era o jeito dela, mas estava acontecendo. — Eu ajudo eles com os biscoitos, eles acham que os meus são macios. — Bateu um indicador no outro e desviou o olhar para continuar: — Eu sei que é estranho, mas o Uch... Sasuke-kun também aparece lá para ajudar de vez em quando. E como fomos nos encontrando, acabamos conversando e... Tudo isso aconteceu — finalizou o assunto depressa, não aguentaria inventar mais coisas.

— Então toda aquela tensão nos corredores era encenação?

— Não, não era. S-sasuke kun — ainda engasgava quando tentava chamá-lo pelo primeiro nome — é muito implicante na maior parte do tempo.

— Isso é tão fofo! Vocês formam um lindo casal, inesperado, admito, mas muito bonito! E parecem tãããão apaixonados! — Hinata franziu o cenho. Apaixonados? Que piada! — Quero algo assim!

— Você acha? — a Hyuuga quis saber e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.

— É claro! Depois que vocês oficializaram, descobrimos que o Sasuke tem expressões diferentes das de: desprezo, desconfiança, indiferença e entediado. Nunca reparou? Ele até sorri quando está com você. É um pouco assustador ver essa mudança de atitude tão de repente. — Levou a mão ao queixo, pensativa. — Mas isso não importa! A questão é que ele está completamente apaixonado por você! Dá pra perceber só de olhar! Vai por mim, Hinata-chan!

Ela conteve a vontade de revirar os olhos e deu uma risadinha. Aquilo era uma das coisas mais absurdas que já tinha escutado.

O bastardo Uchiha apaixonado por ela... Até parece.

Não é?

♛

Mais um intervalo longo demais em uma das melhores escolas do Japão. Lá estava ela, sentada — a contra gosto — entre as pernas de Sasuke, enquanto dava mordidas fortes demais em seu pão de yakisoba. Ele parecia tranquilo, enquanto comia os rolos de omelete da marmita que tinha trago, alheio aos olhares dos colegas.

— Eu acho que isso não está dando certo — Hinata se manifestou de repente e quando ele continuou em silêncio, continuou: — Esse namoro falso. Estamos chamando mais atenção do que se tivéssemos deixado os boatos se espalharem.

Sasuke se manteve impassível. Só precisava ficar calmo e poderia resolver tudo. Já tinha imaginado o momento tantas vezes que parecia até já ter ocorrido. Terminou de mastigar o rolinho de omelete e replicou:

— Você está terminando comigo? — Arqueou as sobrancelhas levemente e ela teve que se virar um pouco e levantar o rosto para poder olhá-lo nos olhos. A proximidade inesperada assustou-a e fez com que o sangue subisse para o seu rosto. — É isso?

Hinata quis bufar, mas segurou-se. Os olhos leitosos ainda fixos nele, sustentando o seu olhar incisivo demais. Reparou que a boca dele estava suja, e, por impulso, limpou ali, tirando os farelos do canto dos lábios dele.

— Limpe a boca — resmungou e preparou-se para virar o rosto, mas ele a segurou pelo queixo e a manteve naquela posição. — Eles estão olhando.

— Vai terminar comigo na frente de todos eles? Você é má.

Perto demais.

— O que temos não é um namoro de verdade, então não temos nada para terminar — voltou a dizer, tentando se concentrar no que ele dizia e não em seus lábios.

Hinata disse para si mesma que tudo que estava sentindo era uma reação normal do seu corpo, afinal, além de Neji — que não tinha nada a ver com um relacionamento romântico —, nunca ficou tão próxima de um garoto.

Tudo que estava experimentando era novo. E era com Sasuke. Os toques, as sensações, os sentimentos. E isso era tudo confuso demais. Daquela distância, conseguia enxergar todos os detalhes do seu rosto: os lábios rosados e finos em contraste com a pele pálida, os olhos escuros e misteriosos, o nariz pequeno e afilado. Percebeu quase com humor, que a barba começava a se sobressair no queixo dele.

— Continua cruel — Sasuke murmurou, um sorriso discreto e irônico no canto dos lábios. — Você está vermelha.

— Está calor — mentiu. O que ela queria dizer, era que ele estava perto demais, mas desistiu. Não queria dar o prazer a ele de admitir que estava morrendo de vergonha. — Você deveria se afastar, ainda estamos na escola e é proibido... — A voz morreu quando ele se aproximou ainda mais, fazendo os narizes se roçarem.

— Deveria te beijar?

O coração de Sasuke batia tão rápido que ele achava que ia ter um infarto. Temia que pudesse ser escutado por ela. Aquilo tudo era muito mais difícil do que tinha imaginado. Seguir os conselhos de Itachi para conquistá-la... Onde estava com a cabeça quando tinha aceitado aquilo?

“Você tem que dizer pra ela o que sente, mas também não pode ser assim na lata, porque senão vai assustá-la. Vai fazendo pequenas coisas e fique próximo, vai ter uma hora que ela não vai resistir...”

Ele que não estava resistindo, isso sim. Assustá-la? Ele que estava assustado. Fora a semana mais difícil e assustadora de sua vida. Nunca tinha se esforçado para conquistar nenhuma garota e só por causa disso entendia o que Naruto sofria quando corria atrás de Sakura. Tudo seria muito mais fácil se ao se declarar, simplesmente fosse correspondido.

E ali, com ela tão próxima, os lábios entreabertos, cálidos e os olhos brilhantes e assustados, encarando-o daquela maneira e as bochechas rosadas... Jesus. Ele não iria resistir. Não era de ficar mostrando afeto em público — mesmo com Naruto ou Sakura, as pessoas mais próximas que tinha —, mas com ela, tinha um sentimento de possessão com qual ele não conseguia lutar.

Ele se aproximou ainda mais, mas ao invés de beijá-la, desviou os lábios para sua orelha e mordiscou ali.

— Brincadeira.

Ela arquejou, surpresa e sentindo-se traída sem motivo aparente. Novamente, por impulso, se afastou e deu um soco com toda sua força no meio do peito dele. Sasuke também pego de surpresa, soltou um gemido e caiu para o lado na grama.

— Idiota! Não faça mais essas coisas!

— Você é forte — sussurrou com a voz engasgada. Estou morrendo, pensou dramaticamente. — De onde você tirou essa força, Hyuuga?

Hinata achou que depois daquilo, não se surpreenderia mais, só que estava errada. Sasuke deu uma risada, o que foi completamente estranho e assustador. Jamais tinha o visto rindo daquela maneira. Ele sempre soltava risadas e sorrisos irônicos, sarcásticos ou de deboche. Mas aquela ali... Era uma risada de verdade.

Não pode evitar ficar boquiaberta com a situação e totalmente paralisada.

— Você está rindo — sibilou baixinho, parecendo uma acusação.

De repente as palavras de Tenten vieram a sua cabeça.

Ele até sorri quando está com você.

— Sasuke — voltou a chamar sem o honorifico, o que soou estranho em sua boca. — Você está rindo, mas sabe o que é engraçado? Em uma semana fizemos as pessoas acreditarem que estamos namorando, até Tenten-chan disse que parecemos apaixonados. Isso não é engraçado?

Nesse momento ele ficou totalmente sério. Oh. Estava sendo tão óbvio assim? De repente veio uma luz em sua mente. Talvez deveria dizer, ali, naquele momento...

— Hinata, eu...

— Ei! Teme! Chega desse grude na frente de todo mundo, ninguém aguenta mais! Todos já entendemos que vocês estão apaixonados e não conseguem sair de perto do outro! — Naruto berrou, delicado e sutil como sempre.

A Hyuuga se levantou rapidamente e bateu a mão na saia para tirar os resquícios de grama que estavam ali. Fez várias reverências, desculpando-se, totalmente morta de vergonha. Viu Sasuke dar um suspiro e uma veia saliente se destacar em sua testa. Também percebeu que havia um leve rubor em seu rosto.

— Sasuke-kun, você está corado? — Não era para soar como uma provocação, mas foi exatamente assim que pareceu.

— Não vamos falar disso — rebateu e apertou os lábios, constrangido. — Vamos embora.

Dessa vez ela não reclamou pelo fato de ele sair arrastando-a pela mão através dos corredores. Apenas seguiu-o em silêncio. E, sem saber, encantada com aquelas reações.

E pegou a si mesma no flagra, vendo que:

Uchiha Sasuke conseguia ser fofo, mesmo sendo um idiota.

Estava se sentindo atraída por ele — e rezava para que parasse por aí.

Queria que aquele beijo tivesse acontecido.

♛

Naquela noite, depois do jantar, Hinata se trancou no quarto escuro e afundou o rosto no travesseiro. Precisava pensar, era isso que tinha que fazer.

Já tinha se dado conta que havia atração e tensão entre eles — ele não poderia estar brincando, não é? —, e isso já era vergonhoso o suficiente para admitir. Mais do que isso, era o fato que pela primeira vez depois de anos, Naruto não tinha passado por sua cabeça durante uma semana inteira.

O que era aterrorizador.

Ainda era apaixonada por ele, porque os sentimentos não desapareciam assim, de uma hora para outra. Só que, ao mesmo tempo, havia um sentimento de conforto em seu peito, que diminuía aquela sensação de estar sendo sufocada.

Não doía mais olhar para Naruto e ver que ele estava feliz com Sakura. Esteve ocupada demais tentando lidar com a bagunça que sua vida tinha virado para poder se importar com isso. E só nesse instante percebeu sua condição atual.

Depois de tanta confusão, a situação não era de todo ruim. Tinha que ser otimista, alguma coisa teria que começar a dar certo. Só não tinha muita certeza se Sasuke era a melhor opção para isso. Deixar-se levar por ele, poderia ser um perigo. Apaixonar-se por ele poderia acarretar uma consequência muito pior do que tinha ocorrido com Naruto.

Estaria disposta a se magoar mais uma vez? Já tinha percebido que esperar por um príncipe era idiotice, essas coisas realmente não aconteciam na vida real — tudo não passava de um conto de fadas. Pedir um príncipe era demais. E quando parava para pensar nisso, percebia que mesmo não sendo um dos mais cavalheiros, Sasuke tinha a ajudado várias vezes: quando ficou bêbada, emprestando o casaco, fazendo tudo aquilo para que ela não ficasse com uma má reputação. Tinha até mesmo a escutado falando do que não devia.

Ele não era tão ruim como tinha imaginado. Ainda era um idiota, isso era fato, porém, não tanto quanto ela pensava que ele era.

E já que, de algum modo, ele estava fazendo tão bem para si no sentido de se livrar de sentimentos ruins, poderia se aproveitar do namoro falso para não pensar mais em Naruto... Não era? Afinal, não tinha nada de errado nisso. Eles não namoravam de verdade... Não precisava se sentir culpada por pensar nisso... Ou devia?

Suspirou e se encolheu na cama em posição fetal, abraçando as pernas com força. Poderia fazer o que quisesse, ainda que terminasse com aquela farsa, nunca mais sua vida seria a mesma. Ela ainda seria lembrada como a garota que namorou Uchiha Sasuke oficialmente.

Deu um sorriso com isso. Não sabia por que sentia orgulho desse feito, mesmo que fosse uma mentira.

— É isso. Não preciso terminar com essa farsa agora, posso continuar com isso. Só não posso me apaixonar por ele.

E repetiu isso até dormir, para que não esquecesse.

♛

Um mês depois e Hinata já tinha se acostumado totalmente as “investidas” de Sasuke. Ainda ficava com muita vergonha e tinha batido nele umas duas ou três vezes por reflexo, quando ele a mordera na orelha. Mas tirando esses detalhes, sentia-se mais à vontade em volta dele.

Eles se compreendiam no silêncio, ele ainda implicava e ela retornava. As pessoas finalmente também começaram a se acostumar com os dois como um casal e deixaram-nos de lado só um pouquinho. Eles conversaram sobre coisas que ela sequer imaginou que ele poderia gostar, enquanto ele descobriu que ela era muito mais do que deixava transparecer.

Chegou a um ponto em que ambos tinham esquecido que o relacionamento que tinham não era real. Isso só foi relembrado, quando depois da aula, eles saíram casualmente para uma lanchonete para descansar um pouco.

Hinata estava sentada do outro lado da mesa, confortavelmente, bebericando o enorme copo de chá gelado. Sasuke a observava discretamente por cima da revista que estava fingindo ler.

Respirou fundo. Uma. Duas. Três vezes.

— Hinata? — chamou baixinho e colocou a revista em cima da mesa.

— Hum? — Desviou o olhar para ele, parecendo ter sido tirada de algum devaneio. — Você me chamou?

— É. — Enfiou a mão no bolso do uniforme apenas para garantir que aquilo estava lá, em segurança. — Eu tenho uma coisa pra você.

A Hyuuga franziu o cenho, desconfiada, mas assentiu.

— O que é? — perguntou timidamente. — Não é outro truque igual aquele do bolinho, não é?

Uma semana antes Sasuke tinha “tacado” um bolinho no rosto dela de propósito, só para a cobertura sujar o canto de seus lábios e para que ele pudesse limpar... Com a língua.

— Sobre aquilo? Eu não estava falando sério. — Deu de ombros.

— Eu tinha praticamente certeza que você iria me lamber — retrucou baixinho para si mesma, mas ele acabou ouvindo.

“E eu teria, se você não tivesse limpado antes com as mangas da sua blusa de frio”, pensou.

Sasuke engoliu em seco e disfarçou o nervosismo. Tateou a caixinha mais uma vez no bolso e contou até três antes de tirar. Colocou em cima da mesa e empurrou na direção dela.

— Aqui. Abra.

Hinata pegou a caixinha de veludo azul, o coração batendo forte e a boca repentinamente seca. Prendeu a respiração e abriu, soltou um arquejo de surpresa: um anel simples, com duas pérolas pequenas. Totalmente adorável.

— Eu não posso...

Antes que ela pudesse completar a frase que ele já esperava, interrompeu-a:

— Achei que combinava com os seus olhos.

Ela parou no mesmo instante, o olhar alternando entre ele e o anel. Tinha que falar alguma coisa... Tinha que recusar. Qual teria sido o preço daquilo? Não era certo aceitar. Entretanto, como podia recusar quando ele tinha dito aquilo e os olhos escuros estavam fixos em si, com um brilho tão misterioso que a fazia se arrepiar?

— Olha só o que diz nessa revista! — a garota da mesa de trás falou alto demais, assustando-a. — Se apaixonar leva 0.2 segundos.² Impressionante, não é?

A Hyuuga engoliu em seco, sentindo-se nervosa de repente. As mãos tremeram, e ela apressou-se em tentar pará-las. Precisava pensar em outra coisa, iria tirar o anel da caixa, quando a mão de Sasuke cobriu a sua devagar.

— Eu vou fazer isso — decidiu e ela não pôde negar. Quando ele tirou o anel da caixa e deslizou o anel pelo seu dedo anelar da mão direita, um arrepio atravessou toda a sua espinha. — Parece que eu acertei o número.

— Nee-chan?

Hinata ficou paralisada e virou a cabeça lentamente para o lado — igual ao filme do exorcista —, apenas para encontrar Hanabi parada ao lado da mesa, segurando a bolsa da escola. Parecia totalmente surpresa em vê-la ali, o que não durou muito, já que a expressão de surpresa passou rapidamente para euforia, para ficar na maliciosa.

“Ai Meu Deus!”, Hinata rogou.

— Você e o Sasuke-kun estão mesmo namorando!

— Hanabi, por favor, não faça isso — pediu, as bochechas vermelhas. — S-sasuke-kun, me desculpe. — Fazia tanto tempo que ela não gaguejava, o que chamou a atenção dele.

— Está tudo bem. — Fez um gesto com a mão que dispensava esse tipo de coisa. — Nós...

— Nee-chan, nee-chan. — Balançou a cabeça de um lado para o outro em sinal de aprovação. — O que eu faço com você, sua danadinha? Chamando-o tão informalmente... Aaah!

— Hanabi! — Levantou da cadeira rapidamente e pegou a bolsa que estava na cadeira ao lado, ajeitando-o no ombro em seguida. Depois, pegou a mão da irmã. — Desculpe! Estou indo agora!

Saiu arrastando Hanabi para fora, sob os protestos dela que não adiantou de nada, e Hinata só parou quando estavam no meio do caminho.

— Não é nada disso que você está pensando!

— Não ééééé?! — esticou a palavra em um tom provocativo. — Então é o quê? E esse anel no seu dedo? Nee-chan, você não sabe mentir pra mim, eu sou muito melhor nisso do que você. Estou impressionada, você estava mesmo namorando com o Sasuke-kun e conseguiu esconder de mim durante todo esse tempo? Não acrediiiiiiito!

— Não é isso! — choramingou. — Nenhuma palavra sobre isso, ok? Nenhuma. Palavra!

— Eeh? Por que? — resmungou.

— Apenas me prometa que não vai falar disso para suas amigas ou para o Neji-nii-san ou para...

— Tá, tá. Entendi. Ok, deixa comigo — desdenhou com uma expressão emburrada.

— Obrigada, imouto³.

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Enquanto colocava o jantar na mesa, Hinata percebeu que seu pai a observava discretamente por cima do jornal. Se ela já não fosse uma observadora nata, jamais teria notado. Franziu o cenho, desconfiada. O que era aquele clima esquisito?

Colocou a tigela de arroz na frente do pai e juntou as mãos.

— Coma bem, otou-san!

Hiashi apenas balançou a cabeça em agradecimento e abaixou o jornal. Estudou-a cuidadosamente enquanto ela ia para o seu lugar, em completo silêncio. Depois olhou para Hanabi, que estava sorrindo tanto que parecia uma psicopata.

Começaram a refeição em silêncio e só quando estavam na metade que ele disse alguma coisa:

— Hinata, soube que você está namorando um Uchiha. — Hinata teve que juntar toda sua força de vontade para não cuspir todo o arroz. Aquela peste da sua irmã! Ah! — É verdade?

O arroz desceu rasgando por sua garganta e ela forçou para baixo, na tentativa de não perder a compostura na frente do pai. Antes de responder, desviou o olhar para Hanabi e fuzilou-a com os olhos, e esta apenas deu de ombros, sorrindo por detrás do guardanapo.

Não poderia dizer que “não”. Não quando Hanabi já tinha fofocado tudo para o pai, e presenciado aquela cena que era, no mínimo, suspeita, na lanchonete.

— Sim, otou-san. — Desviou o olhar para as próprias mãos em cima do colo. Já previa um sermão a caminho.

Maldita Hanabi!

— Hum... — murmurou. — Bom, você deveria trazê-lo aqui para me apresentar.

— QUÊ? — Hanabi berrou. — Uchiha Sasuke aqui em casa? O senhor está falando sério?

— Hanabi — Hiashi a repreendeu com as sobrancelhas franzidas.

— O senhor está falando sério, otou-san? — Hinata perguntou, atônita. Esperava tudo, menos aquilo. Aquele era mesmo o seu pai?

— Claro. Por que eu brincaria com algo assim? — Apertou os lábios em uma linha reta e calou-se por um instante. — Traga-o aqui. Preciso saber se o Uchiha está aos pés da minha filha.

Mais um longo minuto de silêncio.

— C-certo — concordou. — Vou falar com ele.

Eles voltaram a comer em silêncio, cada um com seus pensamentos. Ainda assustada, Hinata ficou observando seu pai, enquanto terminava sua tigela de arroz. Que raios de reação tinha sido aquela? E por que ele parecia tão... tão... Satisfeito?

Assim como para várias outras perguntas que rondavam em sua mente; não tinha resposta para essa.

♛

Sasuke chegou à escola mais cedo do que o de costume e a primeira coisa que viu foi um tumulto na frente do mural de avisos da escola. Tentou se lembrar se algo importante tinha acontecido recentemente, como um teste ou algo assim, porém, nada lhe veio a cabeça.

Por que todos estavam em cima do mural?

Curioso, andou até onde todos estavam e facilmente abriu o caminho no meio dos outros curiosos. Encontrou Hinata no meio deles, atolada, e empurrou-a para frente enquanto andava.

— O que está acontecendo? — perguntou em voz baixa.

— Eu não sei, ainda não consegui ver — respondeu.

Depois de alguns segundos eles ficaram bem na frente, podendo ver do que exatamente aquilo se tratava. Um cartaz branco, bem grande estava colado ali, e estava escrito:

Peça escolar do festival de verão: Romeu e Julieta. Com Uchiha Sasuke como Romeu e Hyuuga Hinata como Julieta.

Dali a lista continuava com o restante do “elenco”, mas assim que lera o nome dos dois, Sasuke tinha paralisado.

— Parabéns, Teme! — Naruto apareceu do nada e deu um tapa de leve nas costas de Sasuke. — Tenho certeza que você será um ótimo Romeu e com a Hinata-chan como Julieta, óh, vai ficar perfeito! — Fez um sinal de OK com a mão.

— Como... Quem... — Hinata não tinha palavras, só sabia que iria entrar em pânico a qualquer instante. — Quando...?

Era péssima para falar em público, ficava nervosa demais e começava a gaguejar. As mãos suavam e as pernas amoleciam e admitira ter desmaiado uma vez ainda no ensino fundamental em uma peça.

— Vamos. — Quando recobrou os sentidos, Sasuke puxou-a pela mão na direção da sala dos professores.

A primeira coisa que fez quando chegaram lá, foi abrir a porta com força.

— Jiraya! — chamou em voz alta.

— Você deveria me chamar de Jiraya-sensei, seu pirralho mal educado! — Apareceu entre as cabines, comendo uma rosquinha. — O que foi?

Sasuke terminou de arrastar Hinata até onde o professor de Literatura estava e parou bem na frente dele, carrancudo.

— O que foi? Como assim? O que significa aquela maldita peça de Romeu e Julieta?

— Uma peça de Romeu e Julieta? — replicou com um leve toque de humor.

— Eu entendi isso. Eu quero saber porque os nossos nomes estão lá! — sibilou, ranzinza. — Nem eu, muito menos Hinata nos inscrevemos para algo assim, então por que nossos nomes estão nessa coisa? — explodiu.

Jiraya olhou para ele como se ele fosse um retardado ou tivesse perdido um detalhe óbvio.

— Não é óbvio? — Sem resposta. — Vocês são o casal mais popular da escola, e como a peça tem um beijo, não teria nada demais para vocês dois fazerem isso. Seria muito desconfortável para outros alunos fazerem isso, então escolhi vocês.

— B-beijo? — ela gaguejou ao mesmo tempo em que o Uchiha dizia:

— Escolheu nós dois?

— É — assentiu, não parecendo nenhum pouco culpado por isso.

— Escolha outras pessoas! Tem vários outros casais na escola.

— Não, todos já concordaram que devem ser vocês dois. — Enfiou o resto da rosquinha na boca e terminou de boca cheia: — Agora, saiam daqui e parem de reclamar. Não tem volta. Entrego o roteiro da peça quando entrar em sala de aula. Vão, vão! — enxotou-os.

Sasuke e Hinata saíram da sala como duas pessoas saindo de uma guerra: desolados, perdidos e “tristes”.

— Eu não posso fazer isso — Hinata sussurrou. — Eu não posso fazer uma peça.

Ele passou os dedos entre os cabelos, bagunçando-os ainda mais e soltou um suspiro.

— Vamos ter que fazer, não tem jeito — declarou, conformando-se rápido com a ideia. Conhecendo bem Jiraya, nada o convenceria do contrário. Quanto mais eles tentassem dissuadi-lo, mais ele resistiria. — Jiraya é um pé no saco quando quer, não temos como fugir.

Ela estava prestes a chorar. Por que ela?

— Eu não consigo falar na frente de muitas pessoas — choramingou.

— Nós vamos dar um jeito nisso — afirmou. — Confie em mim.

— O que vamos fazer?

— Só precisamos treinar. Vai dar tudo certo.

— Você parece suspeito — ela sibilou. — Aceitando isso facilmente, do nada.

Sasuke deu de ombros; odiava peças escolares, mas como não tinha nada a ser feito a respeito daquilo, simplesmente tentaria aproveitar a experiência e colocar tal coisa em seu “álbum” mental de momentos com Hyuuga Hinata.

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Depois de quinze dias de intensos ensaios, o dia da peça chegou. Hinata sentia-se muito mais confiante para fazer aquilo depois de ter treinado tanto. Tirando a parte do beijo — que tinha sido a única coisa que não havia ensaiado —, conseguia se lembrar de tudo perfeitamente. Pegava-se recitando as falas enquanto tomava banho ou penteava o cabelo, e quando menos imaginava, tinha gravado todas as falas.

Realmente tentou não ficar pensando no beijo que daria em Sasuke, só o pensamento fazia com que suas bochechas corassem e as pernas ficassem trêmulas. Esperava que não desmaiasse na hora da peça, porque seria outro vexame a ser anotado em sua extensa lista.

— Você está bem? — Sasuke perguntou, olhando-a por um instante. Ela balançou a cabeça em afirmação.

“Você está bonita”, ele pensou e escondeu um sorriso.

Tinham-na colocado um vestido azul claro longo, com mangas que iam até os cotovelos. A roupa fazia com que as curvas sinuosas e pouco discretas dela ficassem ainda mais evidentes. O cabelo preto-azulado estava trançado e havia uma presilha de borboleta presa no final da trança. Não usava maquiagem alguma e a única joia que usava era o anel que Sasuke tinha lhe dado antes. Os olhos estavam mais claros do que o de costume e expressavam o nervosismo crescente que a dominava.

— Não desmaie.

Ela sorriu brevemente, os lábios rosados segurando uma risadinha.

— Vou tentar.

— Eu vou estar lá.

— É. Eu sei — murmurou. — É engraçado vê-lo nessa roupa. Até parece um príncipe.

— Se você decidir beber algo alcoólico por acidente dessa vez, poderei dizer que vim ao seu resgate, mas sem o cavalo branco.

Sasuke estava vestido com uma roupa bem mais simples, mas ainda assim, estava muito elegante e bonito — fazendo com que as meninas suspirassem. As roupas pretas, juntamente com o blazer, faziam-no parecer mais velho do que realmente era, e o cabelo penteado para trás, deixava-o particularmente sedutor.

Dessa vez ela riu de verdade.

— Nunca mais vai precisar fazer aquilo, porque nunca mais eu vou beber — afirmou.

— Não tenha tanta certeza disso — avisou com deboche.

— Eu tenho...

Iria continuar, quando a voz de Jiraya a fez parar:

— Hora de começar, pirralhos. Vamos lá, todos para os seus lugares.

Antes que fosse empurrada para o lugar que deveria ir, Hinata sussurrou para que apenas ele pudesse ouvir:

— Depois da peça preciso te dizer uma coisa.

— Também tenho que te falar uma coisa — confessou. Depois de mais de dois meses enrolando, tinha decidido que aquela era a hora de falar a verdade sobre o que sentia.

— Tudo bem — moveu os lábios e sorriu.

Ele apenas balançou a cabeça em concordância.

Cada um foi para o seu respectivo lugar e não demorou para que a música preenchesse todo o ambiente, depois as cortinas do palco do auditório foram abertas e a peça teve início.

Os minutos se passaram rapidamente, e todos os participantes faziam seus papéis muito bem. Hinata tinha gaguejado algumas vezes, mas logo se recuperava, quando alguém esquecia uma fala, improvisavam uma parecida, e assim se seguiu até o ato final.

E lá estava ela, Hyuuga Hinata, parada em frente ao corpo do seu “Romeu”. Engoliu em seco, nervosa, e continuou sua fala:

— Vou beijar esses lábios; é possível que algum veneno ainda se ache neles para me dar alento e dar morte. — Abaixou-se na direção dele, alguns fios de cabelo que tinham escapado da trança deslizaram pelo seu rosto, até pegar no dele.

Fechou os olhos com força e foi se abaixando ainda mais. Ah, Deus. Iria desmaiar.

— Hinata — Sasuke chamou baixinho, para apenas ela escutar, e abriu um olho. Ela parou ali, bem pertinho dele. Os que assistiram aguardaram, achando que tudo fazia parte da atuação; de onde estavam não dava para ver que Sasuke falava. — Eu queria te dizer isso só depois, mas eu vou dizer agora. — Uma pausa.

Ela olhou brevemente para cima e viu Jiraya murmurando um “vai logo”, mas ignorou-o e voltou os olhos para o Uchiha mais uma vez.

— Sasuke-kun, eu vou fazer isso agora — sussurrou.

Antes que encostasse os lábios aos dele, ele ergueu a mão e com o polegar, traçou o contorno de uma de suas bochechas, carinhosamente, e com um sorriso pequeno, disse:

— Esse não é o nosso primeiro beijo. — E trouxe-a para si, beijando-a de forma muito mais lasciva do que deveria naquela ocasião.

Ninguém pareceu se importar, os gritos invadiram o auditório e uma música qualquer começou a tocar. Mas ela não ouvia nada daquilo, naquele momento, só existia Sasuke. Sua mente tinha sido tomada por uma névoa branca, que fazia com que seus membros amolecessem e uma vontade de rir tomasse conta de si.

Esse não é o nosso primeiro beijo.

E tudo veio de repente, como se um raio tivesse caído em sua cabeça.

“Você gosta de mim.”

“Talvez. Mas isso não importa, porque você só gosta de príncipes e eu não sou um.”

“Uchiha-san, você é bonito o suficiente para ser um príncipe.”

E um beijo.

Ela se afastou dele, com os olhos arregalados de surpresa e encontrou-o com um sorriso malicioso.

— Você se lembra agora? — perguntou.

— Acho que essa é a hora que eu morro.

— Você está sendo dramática — sussurrou.

— Eu morro agora... Na peça. — Pigarreou, com o rosto completamente vermelho. — Teus lábios estão quentes! — disse alto, retomando o diálogo.

Pegou o punhal de mentira que estava no cinto de Sasuke e fingiu se esfaquear, para depois cair em cima dele, de forma desajeitada.

— Você não é bonito o suficiente para ser um príncipe — disse baixinho, enquanto a peça continuava em suas cenas finais.

— Não sou? — sussurrou de volta com a voz embargada; o cabelo dela estava em sua boca.

— Não é — afirmou e aproveitou que não estava olhando para ele para poder continuar, com muita coragem: — É mais. — Ele ficou em silêncio. — E você mentiu pra mim!

— Eu omiti, é diferente.

— Calem a boca — Jiraya resmungou.

A peça terminou tranquilamente e o público aplaudiu. Depois de agradecer todos, Hinata andou para um lugar mais tranquilo e Sasuke a seguiu, indo alguns passos atrás. Ela parou na árvore em que outra ocasião, tinha acordado no ombro dele.

Sem se virar para olhá-lo, a Hyuuga começou:

— Então, você gosta de mim. — Se virasse para encará-lo, iria ter um troço. Nem sabia como ainda estava de pé.

— Sim. Dessa vez você não está bêbada e não vai esquecer, porque eu estou dizendo “sim” e não “talvez”.

— Mesmo?

— Sim, eu gosto de você, Hyuuga Hinata. De verdade. Eu não te disse sobre o beijo antes, porque você não gostava de mim e admito, com nenhuma culpa, que usei o boato como desculpa para me aproximar de você. Talvez assim, eu pudesse mostrar que poderia ser o príncipe que tanto desejava ou talvez...

— É a primeira vez que o ouço falar tanto, Sasuke — interrompeu-o e dessa vez, voltou-se para ele. Prendia um sorriso. — Você nunca vai ser o príncipe que eu tanto desejo — murmurou. Sasuke abaixou a cabeça, em um claro sinal de derrota. — Porque você é muito melhor.

O Uchiha encarou-a, em choque. Hinata juntou as mãos no peito, e trocou o peso do corpo de um pé para o outro, envergonhada.

— Eu não entendi...

— Durante todo esse tempo que estivemos nesse namoro falso... Você acreditaria em mim se eu dissesse que depois de um tempo não era mais falso para mim? — tentou explicar. — Obrigada. Obrigada, Sasuke, por estar do meu lado e fazer eu me apaixonar por você. Durante todo esse tempo, eu estive procurando pelo príncipe errado, porque, no fim, ele sempre foi você.

— Incrível, você não gaguejou nenhuma vez dizendo isso — provocou enquanto diminuía os poucos passos que os separavam.

Os braços dele envolveram a cintura feminina, puxando-a de encontro a si. Ela colocou as mãos no ombro dele, vermelha como um tomate, mas o sorriso nunca abandonando o seu rosto.

— Efeito Uchiha Sasuke — justificou.

— Continue apaixonada por mim, Hinata-hime.

Hinata riu e apertou os dedos nos ombros dele, esperando que aquela onda de sensações a arrebatasse novamente, e não demorou muito para que seu desejo fosse concedido.

Os lábios dele pressionaram contra os dela, primeiro devagar, apreciando o contato morno de sua pele contra o dela, desfrutando de sua inocência tentadora. Só depois deixou que sua língua se encontrasse com a dela, timidamente, em um ritmo lento e ao mesmo tempo... Mágico.

— Eu vou, Príncipe Sasuke.

— Você queria me dizer alguma coisa antes... O que era? — perguntou ansioso.

— Você quer saber isso agora? — Apertou os lábios, ainda agarrada a ele. Ele balançou a cabeça, murmurando um “sim”. — Meu pai quer conhecer você.

Sasuke fez uma careta e escondeu o rosto na curva do pescoço dela.

— Preciso fazer isso?

— Sim. Príncipes normalmente são corajosos, você sabe disso, não é? — provocou.

— É, estou lembrado disso.

— Não se preocupe, ele vai gostar de você.

Ele fez outra careta.

Ah... Depois de tudo, aquilo era o mínimo que poderia fazer por sua princesa. E com isso, Hinata aprendeu três coisas muito importantes:

Príncipes realmente não existem, mas você pode conseguir um de qualquer jeito. Só não era bom esperar que viesse com um cavalo branco, porque, de acordo com Sasuke, isso era muito brega.

Ele podia ter virado seu namorado, mas continuava sendo um bastardo idiota e arrogante.

Uma pessoa demora apenas 0.2 segundos para se apaixonar, mas ela demorou quase um mês. Segundo Sasuke, talvez tivesse algo errado com o cérebro dela, por não ter o notado desde o começo e com isso, ele descobriu que ela tinha um soco ainda mais potente do que imaginara.

Notas finais
¹ A Hinata é boazinha demais para falar "foda-se". AUHAUHA. Ainda que ela esteja OOC em relação ao Sasuke aqui, não é o suficiente para essa palavra. ² Tirei daqui http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/se-apaixonar-leva-0-2-segundo-diz-estudo-27102010-8.shl ³ Irmã mais nova. Tem uns erros gramaticais propositais, não me matem. AUYHAUAHU. Aliás, devem ter notado que pulei um monte de coisas, né? É porque não achei importante o suficiente para descrever e etc. Espero que não tenham se importado com isso. E a fala da Hinata, eu tirei do roteiro de Romeu e Julieta mermo, só avisando. E mais importante: Gostaram? ♥ Com todo meu coração, espero que sim, porque eu adorei escrever cada pedaço dessa three-shot. De verdade. E com ela, me veio muita mais vontade de terminar minha longfic dos dois, se eu receber toda essa recepção maravilhosa e esse carinho, hehehe. GAMEI. *-* É isso. Comentem o que acharam, podem ser sinceros, eu não mordo e nem dou piti. Você que não comentou antes? Não precisa ter vergonha, pode comentar agora, não tem problema. UAHAUHAUAHUAH. Isso me deixaria feliz! :D Muito obrigada por me acompanhar, foi um prazer! Com isso, deixa eu ir! Beijo e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!