Primos conflitantes

2 Neve derretida - O fim do vermelho


Notas iniciais
Nunca demorei tão pouco pra postar o prox capitulo de uma fic.
- se não gostarem de algo ou gostarem, façam o favor de me dizerem o que -

Neve derretida – O fim do vermelho

“-A violência nos dias de hoje está crescendo absurdamente. Vocês lembram daquele senhor gentil que deixava vocês usarem os games dele de graça as vezes? Ele foi morto em frente ao banheiro masculino naquela lojinha. Saiu nos jornais e ninguém sabe nada sobre o assassino. Ele morreu no mesmo dia em que vocês foram para lá, meus filhos. Fiquei apavorada quando soube.

-Sim. Eu também, Gertrude. Se o assassino tocasse em algum de vocês eu não sei se meu coração velho iria suportar. Já perdi os pais de vocês. Não queremos perder mais ninguém.”

Katherine Pov’s On

Isso foi dito uma semana antes de viajarmos todos juntos para longe daquele lugar “amaldiçoado” como chamavam nossos avós. Um lugar onde havia assassinos não era digno da pureza das crianças. Preferimos interpretar isso como medo de nos perder.

Um sonho. Um pesadelo. Já haviam se passado um mês e 7 dias desde que o incidente vermelho houvesse ocorrido e todos haviam se mudado para uma nova cidade. Pessoas desconhecidas em uma cidade desconhecida. Nada conhecido. Apenas eu, Meu primo e meus avós. Minha família.

Noites e mais noites de pesadelos assombrados pelo vermelho daquele dia tenebroso.

Eu não conseguia dormir direito, mas não me dignava à falar para meus avós, mas vez ou outra eu dormia com eles na mesma cama. Me sentia protegida de certa forma.

Ao amanhecer do dia seguinte, tivemos de nos mudar de cidade mais uma vez. Outra pessoa assassinada. Um desconhecido que vez ou outra viera à nossa casa como vendedor.

Katherine Pov’s Off

Outra cidade, outro martírio.

Mais uma vítima do vermelho. A terceira vítima do escarlate.

Outra cidade, estado, país. Outra vítima do liquido rubro que flui em todos os seres viventes.

“Porque? Porque tantos corpos? Porque tanto sangue? Porque o sigilo?”

Pensamentos assim rondavam a mente da menina de olhos claros, que se trancava cada vez mais, até que um dia, percebeu que seus avós estavam diferentes com ela. Não deixavam mais ela dormir no quarto com eles, com a desculpa de que ela já era bem grandinha para dormir com eles e vez ou outra os pegava a olhando estranho.

Eles desconfiavam dela. Desconfiavam que ela era a assassina. Como isso aconteceu e desde quando? Não se sabia.

Vermelho. Katherine as vezes presenciava seu primo e novamente o limpava com suas lágrimas. Mais uma vez o ajudava a encobrir.

-Porque você me ajuda?

-Porque eu te amo. — Silêncio.

Não importa por onde fossem. Não importa para que cidade, país Fugissem do vermelho. Nada iria mudar. Estariam sempre juntos em um mundo de desconhecidos. Um universo onde o vermelho fazia parte do dia a dia.

Toc-Toc-Toc-

O detetive Ramalho foi recebido pelos avós carinhosos com receio no olhar. Ele, um senhor entrando na casa dos 50, esperava logo por sua aposentadoria. Passando sempre as mãos por seus cabelos grisalhos, tinha um aspecto jovem em seu olhar e falar descontraído, mas com um agravante. Ele sabia que o culpado era uma das pessoas daquela casa alugada. Todos tinham aparência inofensiva. Dois velhos e duas “crianças”. Como descobrir?

Mauro o olhava com ar severo e cauteloso. “Ele sabe de alguma coisa”. Somente isso passava pela mente dos dois. O detetive e o moreno trocavam olhares constantes e ao final da tarde, Ramalho saiu do local e em seguida, Mauro levantou-se, falando que cortaria lenha. Logo Katherine se sobressaltou, indo atrás do moreno. Ela iria com ele dessa vez, mas para impedi-lo.

-Não! Você não pode! Já basta, por favor! – Ela lhe suplicava com ar choroso, segurando-lhe as mãos.

-... Eu vou apenas cortar lenha. – Em um solavanco fez com que ela o soltasse, soluçando na neve perto de casa.

Ao voltar pra casa com a lenha, encontrou a menina aos prantos no quarto. Ela sabia que o detetive Ramalho estava morto.

No dia seguinte, foi encontrado enforcado na floresta o detetive que embora de férias, tentava solucionar alguns assassinatos em série. Sim, logo descobririam de quem se tratava, pois havia algo em comum em todas as vítimas.

A idade aparente, seus cabelos, o modo distorcido como eram encontradas as vítimas. Todas caídas em frente ao banheiro como se houvessem sido atropeladas e em seguida, esfaqueadas com um pequeno canivete. Canivete este, que o garoto havia ganhado de seu pai um ano antes de falecer.

Depois deste assassinato, os avós dos adolescentes resolveram que não mais se mudariam. Finalmente haviam entendido que isto iria continuar não importava para onde fossem. E em um dia calmo, o jovem casal resolveu passear pelo bosque em busca de frutos, pois a neve derretia e alguns galhinhos verdes brotavam. Seria possível que encontrassem alguma frutinha, mesmo que não fosse comestível. E perto de arbustos com um montante destas frutinhas em galhos aleatórios, o moreno parou sério, olhando fixamente para o chão.

-O que foi? Porque está parado? Ah, você encontrou as frutinhas antes de mim rsrs.

-Kath... Eu não entendo você. – E ao dizer isso, o alto garoto de cabelos escuros se voltou para a prima, ficando de frente para a mesma que se assustou com o soco que sentiu no estômago. A garota sentira os joelhos se curvarem e caiu no chão ajoelhada, segurando a barriga com as duas mãos e os olhos abertos lacrimando pela dor.

-Menina burra. – Ao tirar seu canivete do bolso, ela entendeu. Ele não havia feito aquilo da primeira vez para protege-la. Quando a compreensão chegou a sua mente, imediatamente ela agiu, fazendo com que o mesmo cravasse o canivete em sua mão esquerda, ao invés de ser em sua barriga e o puxou com a outra mão, apontando a arma para a face do moreno, que recuou.

Em pouco tempo o rapaz estava deitado na neve irregular. A neve antes branca, Havia sido tingida pelo inegável vermelho. O ar estava cheirando ao vitae que escorria do pescoço do mesmo.

Na verdade, ela sempre soube. Para ela, ele era um livro aberto e apenas ela conseguia saber o que ele pensava. Os seus gostos, seus desejos, o que ele detestava. O que ele odiava. Tudo sobre ele. E ele odiava a raça humana. Toda ela. Ele odiava seus avós por lamentarem a perda de seus entes queridos. Odiava seus pais por morrerem daquela forma, que para ele era patética e odiava aquele homem da loja de videogames, que era nojento por tentar violar uma garota contra a vontade dela.

Odiou aquele vendedor que sempre sorria para o moreno de forma gentil. Para ele, aquilo era falsidade, pois ele não o conhecia e não tinha motivos para sorrir pra ele, afinal não havia como gostar de alguém assim que a visse.

Odiou a prima, por dizer que o amava, mesmo que ele já soubesse. Ela não deveria amar um monstro como ele.

Isso tudo se passou pela mente de ambos. Ele sabia. Ela sabia. Ambos sabiam, mas nada poderia ser dito. Nada poderia ser feito.

Ele a amava? Ele não sabia ao certo, mas com certeza, foi a única pessoa que sentiu verdadeiro afeto.

Mas isso, ela nunca soube.

Eles haviam saído de casa pela manhã pelo bosque e já de tardinha, ainda não voltaram.

O sol estava se pondo e podia ser ouvido ao longe uns rosnados e latidos, que a menina julgou serem lobos, afinal estavam ambos melados pelo sangue. Sangue este, que se mesclava na neve. Sentada no frio, ela havia posto o moreno deitado em suas pernas como se estivesse a dormir o sono dos inocentes e afagava seus cabelos, quando foram encontrados não pelos lobos, como julgava, mas pela polícia e seus avós, que gritando e chorando, se abraçaram e a ultima coisa que ela disse, com um sorriso insano nos lábios, derramando lágrimas contínuas fora:

-Ele tentou me matar... Então, eu o matei.

Fim

Notas finais
*GAME OVER*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!