Primeiro Olhar

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Minha amiga secreta na brincadeira da Liga dos Betas é uma menina maluquinha, que fez uma apresentação que me deixou assim.... Como diria... de cabelo em pé!
Ainda não tivemos oportunidade de conversar melhor, mas ela me deu um tremendo desafio! Naruto, o fandom que nunca, nunquinha nem vi em comercial...
Espero que goste, esforcei-me para que a história fizesse sentido e houvesse um pouco de drama.
Beijos!

Nada se comparava, para Ino Yamanaka, ao sabor de um delicioso pudim depois de uma tarde de compras e fora isso que Ino fizera, ainda que sem companhia, precisava de um tempo apenas para ela, as ideias ainda desorganizadas após fracassar com Sora, dominado e ferido profundamente pelo chakra da Kyubi. Por um breve período, unicamente sentar na praça externa no shopping e repensar em uma maneira de se fortalecer como Iryonin, ainda acreditando que a medicina poderia ir mais além.

Um pequeno tumulto tirou sua atenção, dois rapazes corriam assustados, enquanto um terceiro incitava uma briga, zombava, ria alto. Ino, levantou-se para uma visão melhor e assim compreender o que estava acontecendo. O alvo das piadas era um ruivo, era um tal que vivia sempre na companhia de Naruto, lembrou-se dele, mas não de seu nome, ainda sentado, o ruivo ouvia atentamente o que dizia o moreno, quando finalmente se pôs de pé, ficou evidente a diferença de tamanho entre eles, o moreno, desconhecido por Ino, era um terço mais alto que o ruivo. Mas Ino pôde sentir qual deles não teria a menor chance.

Não levou mais que cinco minutos para que o ruivo dominasse seu adversário, alguns curiosos acompanhavam a cena de longe, a praça externa quase nunca utilizada, estava sendo palco de uma covardia, Ino pensou em intervir, mal deu um passo e o ruivo levantou o olhar em sua direção, pressentindo uma possível ameaça, mas Ino congelou. Gaara, que mantinha o braço do rapaz sob seu corpo a ponto de esmagá-lo, afrouxou o golpe e se afastou. O moreno, reuniu forças, rastejou até estar fora, do que ele julgava ser, o alcance de Gaara.

Ino, sentiu o olhar do rapaz atravessar sua alma.

Gaara, confuso com a estranha familiaridade daquele olhar, afastou-se, indo em sentido oposto ao que fora seu adversário, por mais que quisesse terminar o que o outro havia começado.

Ino, por sua vez, sentiu-se atraída pelo ruivo de olhos verde azulados, mas estranhamente encabulada com a tensão que se estabeleceu entre eles, em um momento nada casual.

O estranho encontro conseguiu desestabilizar Ino, que não conseguia se concentrar em nada que não fosse a lembrança daqueles olhos e a maneira incoerente com que o rapaz se afastou.

Na manhã seguinte, atrasou-se para o trabalho na floricultura, e durante quase toda a manhã, manteve-se dispersa.

Gaara, esforçava-se para compreender suas ações, a maneira como Ino o olhou, foi singular, ele sabia que a intenção dela era intervir, afinal o rapaz do shopping não teria a menor chance, era apenas um idiota, como pensou Gaara, e como tal, merecia uma lição. Mas ela o havia feito desistir, não por algum motivo banal, apenas por piedade, seria algo mais intenso e perturbador.

Sufocado, Gaara, soube o que deveria fazer assim que se pôs de pé na manhã seguinte, visitar o túmulo de sua mãe.

***

— ...não sei, o que você acha? — Ino, inclinou seu ouvido para a flor, como que esperando uma resposta, sorriu — Sim, ele é muito bonito. — Novamente inclinou-se para a flor, distraída.

— Está falando com uma flor?

O tom de incredulidade e desdém de Gaara, despertou a loira de olhos esverdeados de sua brincadeira particular, com o susto, causado pelo aparecimento de Gaara, tombou da banqueta, mas Gaara a segurou a tempo, antes que pudesse cair de costas nas prateleiras de vidro, repleta de jarros e flores.

— Ei, cuidado, Ino.

— Obrigada.

O toque de Gaara, a adrenalina da queda interrompida, a íris de seus olhos tão de perto. Ino, compreendeu o que a havia incomodado, assim que seu coração disparou, era o ruivo que fizera isso acontecer.

Gaara a pôs de pé e arrumou sua postura, pigarreando em seguida.

— Você lembra de mim? Sou Gaara.

— Eu não, quero dizer, eu lembro, mas o seu nome havia me falhado...

— Preciso de flores! — praticamente exigiu, alterando o tom de voz.

— Tudo bem, Gaara, não esquecerei mais seu nome. Que tipo de flores?

— Do tipo mais bonita que tiver. São pra uma pessoa especial.

— Ah. — Ino, corou, sentiu-se uma tola diante das palavras de Gaara.

— São pra minha mãe. — Como se precisasse justificar, diante do desapontamento de Ino, as palavras apenas saíram.

A nuance de um sorriso tímido atravessou os lábios de Ino.

Aproximando-se de uma das prateleiras, mostrou um buquê vermelho.

— Dê a ela um buquê de Kaneshon, ela ficará muito feliz! Sabia que o Kaneshon ou o cravo são flores para o dia das mães? Vermelho simboliza o amor e o respeito, mas a amarela, rejeição.

— Então me dê a amarela. Ela está morta. — Não poderia ter rejeição maior que morrer após meu nascimento, pensou Gaara.

Um desconfortável silêncio se estendia entre eles.

— Outra. — Gaara referia-se às flores.

— Ah, sim, bem, nesse caso, sinto muito eu... aconselho aquelas ali. — Ino andou até o lado oposto da loja — É uma Suitopi, é bonita, não é?

— Tanto faz. — deu de ombros como se nada daquilo não o estivesse afetando mais do que pudesse supor.

— Eu adoro essa cor, roxo. — Ino divagou — Bem, essa aqui é a mais adequada, Suitopi, Flor de Ervilha Doce, simboliza despedida. As muitas... palavras das... flores... — A voz de Ino foi diminuindo quando percebeu que Gaara a observava com atenção.

— Pode ser essa mesmo, Ino.

Ino arrumou um belo arranjo para Gaara, algumas coisas começavam a fazer sentido em suas lembranças, a frieza do rapaz, a maneira como agia com seus companheiros... Talvez — pensou Ino — Tivesse algo a ver com a morte de sua mãe.

Gaara pagou pelas flores e do mesmo modo como entrou, sem cumprimentos ou formalismos, partiu, como agradecimento, um aceno de cabeça e saiu.

Algo tomou forma no interior de Ino, vendo Gaara partir, não pode conter-se.

— Mamãe! Por favor, fique na frente da loja, preciso resolver uma coisa!

Ino, deixou a loja antes mesmo que sua mãe pudesse responder, tentou alcançar Gaara, que já estava longe.

— Gaara! Espera! — gritou, desviando de um e outro pela calçada.

Gaara não parou, apenas diminuiu o passo, havia ouvido a garota, mas não queria dar atenção demasiada a ela ou ao fato de que algo estava acontecendo com ele quando ouvia a voz de Ino.

— Puxa, você anda muito rápido! — alcançando-o, esboçou um sorriso, reestabelecendo aos poucos o ritmo de sua respiração.

— Deu o troco errado?

— Não, não. Eu... vou com você.

Gaara freou.

Ino ainda deu alguns passos até perceber-se sozinha, voltando.

— Não quero companhia.

— Não, mas eu não estou perguntando, eu disse que vou. Tenho algumas coisas para ver por aqueles lados, vamos juntos.

Poderia ser pela forma autoritária de Ino falar, ou pela determinação de Gaara em provar para si mesmo que não havia nada de errado com a voz dela ecoando em sua mente, poderia ser, e Gaara revirou os olhos e seguiu, com Ino ajustando o passo vez e outra para acompanhá-lo.

***

Ino se manteve longe, enquanto Gaara, parecia meditar sobre algo em sua mente. Ino aproximou-se aos poucos, até parar por detrás do rapaz, que inclinou-se e deixou as flores sobre o túmulo, levantando em seguida. Ino, motivada pela tristeza carregada no olhar de Gaara, sem nem pensar, segurou-lhe a mão. Gaara, surpreso, rejeitou o toque, entalando as mãos no bolso da calça escura.

Ino, poderia ter entrado na mente de Gaara, poderia, mas não o fez. Talvez se o fizesse, teria compreendido que no primeiro olhar que Gaara e ela trocaram, havia uma ternura, muito similar com a imagem guardada no subconsciente do rapaz, a imagem de sua mãe, a forma como ela jurou protegê-lo. Gaara, entenderia que Ino não queria salvar apenas o rapaz moreno do shopping, mas o próprio Gaara, salvá-lo de si mesmo.

Notas finais
Espero que tenha gostado, Thais! Valeu o desafio! Beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!