Primeiro Amor
9 Capítulo 9
— Nós nos beijamos — disse Regina. — Brigamos, discutimos o passado e depois nos beijamos — acrescentou, assim que seu irmão fechou a porta do pequeno escritório de sua oficina.
— Isso significa que pretendem esquecer o passado e começar do zero? — Robin perguntou, acomodando-se em sua cadeira.
— Ainda não sei como será daqui pra frente.
— E quanto a Milah? Pelo que sei vocês ainda estão juntas…
— Sim, ainda estamos juntas mas nosso relacionamento já deu o que tinha que dar. E falo independente de me envolver ou não com Emma.
— Não acredito que Milah aceitará tudo isso tão facilmente. Ela gosta muito de você, Regi.
— Eu sei, mas estou cansada das brigas, dos desentendimentos sempre pelo mesmo motivo. Além disso, não a amo, não consigo mais…
— Regi, não é nada pessoal…mas a Milah é uma boa mulher, além de muito bonita. Porque insiste nessa garota que partiu seu coração?
— Ela não é mais uma garota…é uma mulher, uma linda mulher. E quanto a sua pergunta, eu não sei, Rob…
— São mais de quinze anos, Regi…em todo esse tempo, não conseguiu esquecê-la?
— Eu juro que tentei…mas não consegui. A memória do meu coração eliminou as más lembranças e enalteceu as boas, e foi graças a esse artifício que eu consegui suportar o passado. E agora, com ela tão perto, eu não sei se poderei resistir — Regina falou, levantando-se em seguida. — Ontem quando nos beijamos, meu Deus! O beijo dela é diferente de todos, me causa sensações que jamais senti com outra mulher. O cheiro, o sorriso, a voz…tudo nela me fazer estremecer e perder os sentidos e…
— Tudo bem, Regi, eu já entendi — ele disse, não contendo o riso. — Olha, irmã…tudo o que eu desejo é a sua felicidade e o que você decidir, terá meu apoio incondicional — acrescentou, aproximando-se para logo em seguida, envolvê-la num abraço.
— Obrigada, Rob…isso é muito importante para mim.
[…]
— Você ainda não me disse o nome da sua amiga — disse James, sentando-se à mesa para tomar o café da manhã.
— Você não a conhece — Emma falou, servindo-se de café.
— James, por favor. Agora deu para implicar com as amizades da nossa filha? — indagou Ingrid, claramente aborrecida.
— Não estou implicando, apenas perguntei. Para onde vai?
— Tenho uma consulta essa manhã — Ingrid falou, levantando-se em seguida.
— Está tudo bem, mamãe? — questionou Emma.
— Sim, meu amor, não se preocupe…é apenas mais uma consulta de rotina — ela disse, beijando-lhe a testa. — Dê um beijo na sua irmã por mim — acrescentou.
— E eu? Não ganho beijo? — indagou James, num tom brincalhão.
— Claro, querido — ela falou, beijando-lhe o rosto e se retirando em seguida.
Embora seu casamento com James se apresentasse aparentemente tranquilo, Ingrid não se encontrava satisfeita ou de acordo com a ideia do seu marido se candidatar a governador do estado e usar a família como exemplo para “cativar” os eleitores e, consequentemente, conseguir os votos daqueles que se dizem prezar pela família. Perdida em pensamentos, ela não percebeu que o sinal havia se fechado, e dessa forma, acabou colidindo na traseira do veículo à sua frente.
— Ai, meu Deus! — exclamou Ingrid, descendo do carro rapidamente.
— Mas que merda! Você está bêbada ou o que? — indagou Regina, num tom exaltado, recuando ao perceber de quem se tratava. — Senhora Swan?!
— Dra. Mills! Perdão, eu me distrai e…
— Não, tudo bem…desculpe pela grosseria, eu não imaginei que…
— Não se desculpe! Quem deve desculpas aqui sou eu. Estraguei seu carro, perdão! Mas prometo que pagarei e…
— Não se preocupe, não foi nada e o seguro arcará com tudo.
— Está indo para o hospital? — Ingrid perguntou.
— Sim, tenho uma cirurgia para realizar dentro de algumas horas.
— Dentro de algumas horas? Isso significa que poderá me acompanhar até uma cafeteria aqui perto, muito agradável por sinal — Ingrid falou, exibindo seu melhor sorriso.
— Acredito que um café cairá bem depois desse pequeno incidente.
— Vamos então, já atrapalhamos o trânsito demais por hoje — ela disse, num tom brincalhão, recebendo um sorriso encantador por parte de Regina.
Alguns minutos após chegarem ao local de destino, Regina seguiu acompanhada por Ingrid até uma das mesas, constatando que o ambiente era de fato bastante agradável. Ambas optaram por um capuccino, conversaram amenidades e alguns assuntos mais sérios, entre eles, estava Emma e sua recuperação. Regina respirou aliviada quando o garçom acabou interrompendo a conversa, uma vez que falar de Emma naquele momento não estava em seus planos.
— Obrigada pelo café, Sra. Swan — disse Regina, enquanto caminhavam em direção ao local onde os veículos foram estacionados.
— De nada, e por favor, me chame de Ingrid. Esse Sra. Swan tão formal me faz se sentir um tanto velha — ela falou, exibindo um meio sorriso.
— Só se esquecer o Dra. Mills e me chamar apenas de Regina — disse ela, retribuindo o sorriso. — E não se sinta velha, você é uma mulher jovem e muito bonita. Nem parece que tem duas filhas adultas — completou, e mais uma vez, Ingrid lhe sorriu.
— Obrigada, Regina — ela falou.
— Até breve, Ingrid — dito isso, Regina se retirou.
O dia se passou tranquilamente e no horário combinado, Regina se dirigiu a praça central de Augusta, onde Emma, inquieta e ansiosa, a aguardava. Tão logo os olhares se cruzaram, um sorriso em ambos os lábios brotou, denotando a felicidade que uma sentia por encontrar a outra.
— Achei que não viria mais — disse Emma, num tom quase inaudível.
— Aconteceu alguns imprevistos e precisei ficar mais tempo no hospital — Regina falou, surpreendendo-se ao receber um abraço apertado da mulher diante de si.
— Passei o dia inteiro desejando sentir o seu cheiro, a sua pele em contato com a minha — Emma murmurou, e instintivamente, os olhos de Regina se fecharam e seus braços firmes e bem torneados, envolveram a mulher amada com mais força e precisão.
— Vamos para um lugar mais reservado, sim? — sugeriu Regina, e sem questionamentos, Emma concordou.
Assim que estacionou seu carro numa área mais afastada da multidão que se encontrava na praça central do centro de Augusta, Regina teve seus lábios capturados pela boca de Emma. Não havia delicadeza no beijo, só urgência e paixão.
— Por Deus, eu te amo, Regina! Faça amor comigo… — sussurrou Emma, inclinando a cabeça para o lado enquanto seu pescoço era explorado pela mulher por quem estava enlouquecidamente apaixonada.
— Emma, não quero que a nossa primeira vez seja dentro de um carro…além disso…
— Não me importa se é dentro de um carro, numa esquina ou em cima de uma cama. O que me importa é que será com você, meu amor — ela disse, interrompendo-lhe a fala, enquanto desabotoava a camisa que Regina usava.
— Emma, precisamos conversar…
— Você não me quer? Emma perguntou, recuando no mesmo instante.
— Não houve um só dia nesses quinze anos que eu não tenha desejado você — Regina revelou, exibindo um semblante aflito. — Mas existem algumas coisas que precisamos resolver antes de darmos esse passo tão grande e importante para mim.
— Para mim também será importante…todos os dias da minha vida eu sonhei com esse momento — disse Emma, acariciando-lhe o rosto.
— Eu tenho alguém em minha vida — Regina falou, de supetão.
— É aquela mulher que apareceu na sua sala?
— Sim, é ela.
— Isso quer dizer que não poderemos…
— Isso quer dizer que eu preciso terminar meu relacionamento com ela antes de começar com você — ela disse, recebendo um largo sorriso como resposta.
Após alguns minutos entre beijos e carícias, Regina retornou para a praça central onde o carro de Emma continuava estacionado. Sorridentes e felizes com a possibilidade de um novo recomeço juntas, despediram-se com um forte abraço. Do outro lado da rua, James, pai de Emma, observava a cena, intrigado com aquela “intimidade” entre sua filha e a Dra. Mills.
— Alô, August? Como vai, meu amigo? — indagou James.
— Futuro governador do estado! A que devo a honra dessa ligação? — questionou August, na outra linha.
— Preciso de um favor seu…por um acaso você conhece aquela médica, acho que é uma neurocirurgiã, se chama Regina Mills…
— E quem não conhece a vencedora do prêmio nobel de medicina desse ano?!
— É verdade…mas eu me refiro a outras coisas. Você poderia me enviar um relatório sobre a vida dela?
— Por quê? Está interessado nela?
— Não seja curioso! Você pode ou não?
— É claro que posso.
— Ótimo! Quero saber absolutamente tudo!
— Tudo? Se quer tudo nos mínimos detalhes, o valor é dobrado.
— Não se preocupe com o preço! Quero tudo o mais rápido possível! — dito isso, James desligou.
[…]
Assim que chegou ao seu apartamento, Regina se deparou com Milah que já aguardava na sala de estar. Ambas se olharam, cumprimentaram-se e antes que Regina pudesse se pronunciar, Milah tomou a vez.
— Estava me perguntando por quanto tempo mais você pretendia me ignorar — ela disse.
— Não estava te ignorando. Só estive ocupada esses dias. Enfim, você sabe que detesto rodeios e por esse motivo, vou direto ao ponto — Regina falou, suspirando em seguida. — Milah, eu quero pôr um fim no nosso relacionamento.
— Você quer, mas eu não!
— Milah, por favor…
— Por favor o que, Regina? Você acha que eu sou o que? Um objeto que você descarta quando não precisa mais?
— Não estou te descartando!
— Está jogando fora dois anos de relacionamento!
— Não complique as coisas, Emma!
— Do que você me chamou? — questionou Milah, estreitando os olhos. — Você me chamou de Emma? É por isso que está terminando comigo, não é? Você tem outra!
— Independente de ter outra ou não, nosso relacionamento já deu o que tinha que dar! — Milah, por favor…eu não te amo — disse por fim, recebendo um tapa na cara como resposta.
— Eu te odeio, Regina! — dito isso, Milah se retirou.
Regina se deitou em sua cama enquanto sua mente vagava de Milah, à Emma. Estava triste pela forma como sua ex companheira reagiu em relação ao fim do que viveram juntas por aproximadamente dois anos, entretanto, estava feliz pelo seu reencontro com Emma e por finalmente, se permitir ser feliz ao lado da mulher que realmente ama. Foi tirada de seus pensamentos quando seu telefone celular vibrou, informando que uma nova mensagem de texto havia chegado. Instintivamente um sorriso brotou em seus lábios quando seus olhos se depararam com o conteúdo e no final da mensagem, estava a “assinatura” de Emma.
[…]
Na manhã seguinte, antes de se juntar à família para tomar o café da manhã, James analisava em seu computador, o relatório sobre Regina Mills enviado por August. No mesmo instante, discou o número do “amigo” para fazer alguns questionamentos.
— August, eu pedi um relatório sobre a Dra. Mills, não sobre uma santa! — James falou, num tom extremamente irônico.
— Desculpe, meu amigo, mas, segundo as minhas fontes, ela realmente é uma santa! — August falou, na outra linha.
— Nenhum escândalo? Nenhum erro numa cirurgia, nada?
— Nada! Quer dizer, as más-línguas falam que ela não aprecia tanto o sexo masculino.
— Está querendo dizer que ela é gay?
— Eu diria que ela está mais para lésbica — August disse, não contendo o riso.
— Dá no mesmo, idiota!
— Por que ficou irritado? Foi melhor saber antes de se apaixonar, não acha?
— Não diga bobagem! Há alguma verdade nessa informação?
— Bom, ela nunca falou sobre sua vida privada. Não é casada e sempre é vista na companhia de uma morena muito bonita por sinal.
— Está bem, August. Eu tenho que desligar agora.
— Meu pagamento?
— Estará ainda hoje em sua conta — dito isso, James encerrou a ligação.
Enquanto se dirigia para a sala de refeições, James organizava seus pensamentos em relação à informação que obteve sobre Regina. Se ela já não o agradava antes, agora, depois de tomar conhecimento de sua orientação sexual, sua antipatia por ela apenas aumentou, principalmente por ter flagrado sua filha mais nova ao lado dela.
— Bom dia, meus amores — ele disse, sentando-se ao lado de Emma.
— Bom dia, papai — as duas responderam, em uníssono.
— Onde está a mãe de vocês? — James perguntou, e antes que uma delas pudessem responder, Ingrid apareceu, cumprimentando-os. — Com quem falava ao telefone? — ele indagou, direcionando seu olhar a sua esposa.
— Com a seguradora. Meu carro está pronto — ela disse.
— O que houve com seu carro, mamãe? — Emma perguntou.
— Me distrai por alguns segundos e acabei batendo na traseira de outro veículo. Por sorte, se tratava do carro de Re…, da Dra. Mills, e não houve problemas entre nós — ela falou, exibindo um largo sorriso.
Emma não conseguiu esconder sua expressão surpresa mediante aquela revelação. Já havia estado com Regina e a morena nada comentou sobre esse fato. Ao fazer menção de se pronunciar, foi interrompida pela voz de seu pai.
— Ouvi um comentário que a santa Dra. Mills não é tão santa assim — ele disse, recebendo um olhar confuso de todos à mesa. — Dizem que ela vive com outra mulher, é lésbica — concluiu, esboçando uma expressão de desaprovação.
— E qual o problema nisso, papai? — questionou Elsa.
— Não sou de acordo com esse desvio de comportamento e…
— Uma coisa não tem nada a ver com a outra, James! Além disso, a vida é dela e você não é obrigado a estar de acordo com nada! — exclamou Ingrid.
— Nossa! Vejo que essa mulher tem um fã clube dentro desta casa! — ele falou, seu tom estava carregado de ironia.
— Lembre-se que foi essa mulher quem ajudou nossa filha!
— Ingrid, eu não acho que…
— Papai, por favor. Mamãe tem razão…a vida pessoal da Dra. Mills só diz respeito a ela — Emma falou, e em seguida, o silêncio tomou conta do ambiente.
Encerrado o café da manhã, cada membro da família Swan seguiu para seus respectivos afazeres. Elsa se dirigiu à universidade, James seguiu para seu escritório e Ingrid, a mais um evento beneficente dos quais adorava participar. Emma, por sua vez, decidiu se trancar em seu quarto, uma vez que a noite, se encontraria com Regina.
— Oi — ela disse, assim que Regina abriu a porta de seu apartamento.
— Oi — Regina falou, inclinando-se para beijar-lhe os lábios.
— Você é a primeira médica que não faz plantão a noite — ela comentou, exibindo um meio sorriso.
— Uma cirurgia só é realizada a noite em casos de extrema necessidade — ela rebateu, enlaçando a cintura de Emma com seus braços.
— Não havia pensado nisso. Mas mudando de assunto, você resolveu aquele problema com a sua…bom, com…
— Sim, terminamos.
— Ela aceitou numa boa?
— Claro que não. Mas eu não quero falar disso.
— Sobre o que quer falar? — Emma perguntou.
— Sobre nós — Regina respondeu, segurando-lhe a mão delicadamente.
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