Primeiro Amor
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Depois de deixar a oficina e dirigir alguns minutos sem rumo, Emma retornou para casa abatida e derrotada.
— Filha, o que aconteceu? — Ingrid perguntou, claramente assustada.
— Eu a perdi para sempre — ela disse, sendo amparada pelos braços de sua mãe.
— Por quê? O que houve?
— Regina foi embora…
— Querida, tome um banho para aliviar essa tensão e então você me explica o que aconteceu, certo?
Enquanto Emma se encontrava no banho, Ingrid procurou o nome de Regina em sua agenda telefônica, todavia, recuou antes que a ligação fosse completada ao se dar conta que seria um erro interferir, uma vez que sua filha era adulta o suficiente para resolver seus problemas. Seus pensamentos foram interrompidos quando a porta do banheiro se abriu e Emma apareceu. Ambas sentaram lado a lado na cama, e em seguida, Emma explicou todo o ocorrido, desde o tapa diante de todos, até a descoberta sobre a demissão.
— O que eu faço, mãe? — ela perguntou.
— Se você a ama, procure-a. Mas antes, seria bom esclarecer as coisas e consertar o seu erro.
— Eu o farei…só não sei por onde começar.
— Comece consertando o seu erro e depois você a procura. Lembre-se, Emma…todo bom filho a casa torna — dito isso, Ingrid se retirou.
Depois de se encontrar devidamente pronta, Emma saiu em seu carro rumo ao hospital mais uma vez. Diferente do que costumava perguntar, ela pediu uma conversa com o diretor e sem qualquer demora, ele a recebeu em sua sala.
— Srta. Swan, como vai? Em que posso ajudá-la? — ele perguntou, indicando uma cadeira para que ela sentasse.
— Senhor diretor, quero falar a respeito da Dra. Mills.
— Srta., eu sinto muito por tudo o que aconteceu. Mas não se preocupe, seu pai já falou comigo e eu tomei as devidas providências. A Dra. Mills foi demitida.
— Meu pai falou com o senhor?
— Sim, e explicou que a Dra. Mills se aproveitou de sua gratidão para seduzi-la.
— Mas isso é uma mentira!
— Srta…
— O senhor sabia que isso pode prejudicar a carreira dela?
— Eu não informei isso ao conselho, eu apenas…
— Escute bem, diretor…se Regina for prejudicada por causa dessa mentira, juro que levarei essa infâmia aos tribunais e não sossegarei até vê-lo fora deste hospital!
— Como se atreve a me ameaçar?
— Não estou ameaçando, estou avisando! E se eu fosse o senhor, reconsideraria essa demissão! Tenha um ótimo dia! — dito isso, ela se retirou.
Antes de retornar para casa, Emma se dirigiu ao escritório de James. Sem ser anunciada, ela adentrou a sala do seu pai e diante de todos se pronunciou.
— Como foi capaz de descer tão baixo, papai? — indagou Emma.
— Filha, não acho que seja o melhor momento nem o lugar adequado para conversarmos…
— Eu não vim conversar! Vim dizer que o desprezo e que você ficará sozinho porque é isso que você merece!
— Emma…
— Não me toque! O veneno que você gosta tanto de destilar se voltará contra você! — ela exclamou, se retirando em seguida.
Passava de meio dia quando Emma apareceu mais uma vez na oficina. Um dos mecânicos informou que Robin havia saído para almoçar, dessa forma, aproveitando a ausência dele, ela pediu permissão para esperar no escritório. Assim que adentrou a sala, Emma vasculhou cada centímetro do ambiente na tentativa de encontrar alguma informação sobre o paradeiro de Regina, todavia, para sua tristeza, ela nada encontrou.
Emma se preparava para deixar aquele lugar quando ouviu a voz de Robin. Aparentemente, ele falava ao telefone com Regina sobre o clima em Storybrooke.
— É isso! O bom filho a casa torna! Regina voltou para Storybrooke! — Emma exclamou consigo mesma, esboçando um largo sorriso.
— O que está fazendo aqui? — Robin perguntou.
— Eu já estava de saída! — ela disse, saindo apressadamente.
Enquanto dirigia rumo à Storybrooke, Emma ligou para sua mãe informando que havia descoberto a localização de Regina e que naquele momento, estava indo à sua procura.
Depois de algumas horas na estrada, ela finalmente avistou a placa “bem-vindo a Storybrooke” e instintivamente, um sorriso brotou em seus lábios ao saber que estava tão próxima de Regina, todavia, o mesmo sorriso rapidamente se desfez quando o motor do seu carro começou a falhar.
— Não posso acreditar nisso! Mas que droga! — exclamou Emma, dando-se conta de que estava sem gasolina.
Ao descer do seu carro, ela caminhou alguns metros na tentativa de encontrar um mínimo de sinal que fosse em seu aparelho celular, mas para seu azar, isso não aconteceu.
— Era só o que me faltava… — ela murmurou, quando sentiu os primeiros pingos de chuva sobre si. Sem outra opção, Emma acionou o alarme de seu carro e continuou seu percurso a pé.
A cada metro percorrido, a chuva se tornava mais forte e o frio sentido por ela mais intenso. Para seu alívio, as primeiras casas já podiam ser avistadas mais à frente, e embora se sentisse mais tranquila perante esse fato, Emma também sentia seu corpo todo implorar por descanso. Quando finalmente chegou ao centro da cidade, ela adentrou uma lanchonete para pedir informações sobre Regina, mas ao se aproximar do balcão, antes que pudesse se pronunciar, seus joelhos fraquejaram e ela desabou no chão.
— Chamem uma ambulância! — uma garçonete gritou. Granny, dona do estabelecimento saiu às ruas para pedir socorro quando avistou Regina que se aproximava e rapidamente pediu-lhe ajuda.
— Gina, graças a Deus você está por perto! — ela disse, claramente nervosa.
— Granny, o que houve? — indagou Regina.
— Uma moça desmaiou agorinha na lanchonete! — ela exclamou, e no mesmo instante, Regina correu para dentro do estabelecimento. Grande foi a sua surpresa quando se deparou com aquela figura bastante familiar.
— Emma?! — sussurrou Regina, assustada e surpresa ao mesmo tempo.
— Você a conhece? — Granny perguntou.
— Sim… — ela disse. — Will, pode levá-la até meu quarto? — indagou Regina, ao checar a pulsação e constatar que Emma respirava, bem como não apresentava nenhuma lesão.
Emma foi levada até o quarto onde Regina se encontrava hospedada até o final da construção de sua nova casa. Depois de acomodá-la sobre a cama, Will se retirou ao lado de Granny restando apenas Regina.
— Droga! — ela exclamou, ao perceber só agora que as roupas de Emma se encontravam encharcadas. — Como é possível que você tenha todo esse poder sobre mim? Perco a noção de tudo quando está por perto… — ela dizia, enquanto retirava-lhe rapidamente as roupas.
— O que aconteceu? — Emma perguntou, enquanto seus olhos percorriam o ambiente. — Regina…que bom que eu te encontrei — acrescentou, e ao tentar levantar, sentiu-se tonta e recuou.
— O que está sentindo? — indagou Regina.
— Tontura e o um pouco de dor de cabeça…
— Aposto que passou o dia inteiro sem se alimentar.
— Eu precisava te encontrar…
— Como sempre, impulsiva! Você poderia ter morrido se esse desmaio tivesse acontecido em outro lugar.
— Ao menos eu teria morrido procurando você…só me dói morrer se não for por amor — ela disse, exibindo um pequeno sorriso.
— Vou buscar algo para você comer, fique quieta — dito isso, ela se retirou.
Minutos depois, Granny subiu para o quarto portando uma bandeja em mãos com a comida sugerida por Regina. Emma não conseguiu esconder seu abatimento ao constatar que Regina a estava evitando.
— Eu lembro da senhora…eu estive nessa cidade há muitos anos procurando Regina e a senhora estava recolhendo algumas coisas de lá da casa dela…
— Oh, sim! Eu lembro! Nossa, a senhorita mudou muito, está muito mais bonita.
— E idiota também. Perdi a Regina pela segunda vez e não sei como recuperá-la. Ela nem voltou mais pra saber como eu estava…
— Gina teve uma vida difícil e isso fez com que ela se tornasse um tanto dura. Ela se mostra forte e indiferente, mas é toda amor.
— Onde ela está? Preciso falar com ela.
— Está no quarto ao lado…ela deixou essas roupas quentinhas pra você usar.
— Obrigada, senhora.
Após se encontrar devidamente vestida, Emma se dirigiu ao quarto de Regina. Depois de algumas batidas na porta, ela finalmente abriu.
— Podemos conversar? — Emma perguntou.
— Fale — Regina respondeu.
— Posso entrar?
— Não.
— Bom…eu queria me…
— Queria se desculpar por tudo e blá, blá, blá… Eu já conheço esse discurso e o que está feito, está feito.
— Regina…
— É melhor você ir descansar e amanhã fazer alguns exames para ter certeza sobre a causa do desmaio — dito isso, Regina fechou a porta.
Na manhã seguinte, enquanto tomava um café na lanchonete, Regina sentia a angústia do arrependimento pela forma como havia tratado Emma na noite passada. Seus pensamentos foram interrompidos quando Granny puxou uma cadeira para sentar ao seu lado.
— Ela ama você, Gina.
— O que?
— Foi ela quem veio te procurar alguns dias depois de você ter se mudado para a capital com seu irmão. Coitada, estava tão triste…o único consolo que teve foi uma fotografia sua que ela pegou da caixa que eu estava trazendo para a pensão — ela disse, e as lembranças daquela manhã ensolarada vieram à tona e Regina se deu conta de que Emma havia carregado consigo aquela fotografia por todos esses anos, até o dia em que a deixou cair nas proximidades da praça central de Augusta.
— O destino não nos quer juntas… — murmurou Regina.
— Não é o destino quem decide isso, somos nós mesmos. Se você a ama, não a deixe escapar porque depois, pode ser tarde demais.
— Estou confusa…eu a amo mas não suportaria uma outra decepção amorosa…
— Todo mundo merece uma segunda chance, Gina. Principalmente quando se trata de pessoas que amamos. Não perca tempo alimentando sua dor, suas mágoas. Afaste os empecilhos, resolva os contratempos e seja feliz — Granny falou, pousando sua mão enrugada sobre a mão de Regina.
— Você tem razão. Eu já perdi tempo demais remoendo o passado e guardando tantas mágoas…eu vou lá falar com ela — disse Regina, levantando-se em seguida.
Parada diante da porta do quarto em que Emma estava, Regina bateu à porta algumas vezes, no entanto, não recebeu nenhuma resposta.
— Ela já foi embora? — indagou Regina, direcionando seu olhar à Granny.
— Só se ela saiu de madrugada porque acordei bem cedo hoje e o portão continuava fechado.
— Emma! Se estiver aí, responda por favor… — Regina falou, já apresentando sinais de preocupações.
— Gina, veja se a porta está destrancada…
— Sim, está! — disse Regina, ao girar a maçaneta. Assim que a porta foi aberta, Regina pôde respirar aliviada ao perceber que Emma se encontrava na cama, todavia, o alívio deu espaço ao desespero quando ela se aproximou, deparando-se com sua amada banhada em suor. — Por Deus, ela está ardendo em febre! — exclamou Regina, claramente assustada. — Granny, ligue para o hospital e chame uma ambulância! — acrescentou, ajoelhando-se ao lado da cama. — Querida, fale comigo por favor… — ela murmurava, enquanto tentava compreender as palavras desconexas que Emma balbuciava.
Alguns minutos depois, Granny retornou informando que uma ambulância já estava a caminho. Regina continuava na mesma posição, ajoelhada ao lado de Emma.
— O que ela está dizendo? — Granny perguntou.
— Está delirando…suspeito que tenha contraído o vírus da gripe porque a febre está acima dos 38º graus e seu rosto está muito vermelho — disse Regina, e antes que pudesse dizer algo mais, o socorro chegou.
Emma foi colocada sobre uma maca e levada até o pronto-socorro. Regina permaneceu ao seu lado o tempo todo e só se afastou quando a equipe médica pediu para que ela esperasse no corredor.
Aproximadamente uma hora se passou quando o médico responsável pelo atendimento de Emma apareceu.
— E então, Dr.? — indagou Regina.
— Dra. Mills, fique tranquila…não é nada além de uma gripe.
— Graças a Deus!
— Já a medicamos e a febre já está baixando, não há com o que se preocupar.
— Posso vê-la?
— Sim, mas já adianto que ela está dormindo.
— Não tem problema, eu quero estar ao lado dela quando despertar…
— Compreendo…vou acompanhá-la até o quarto.
— Obrigada, Dr.
— Fiquei sabendo que a senhora trabalhará aqui conosco…isso é verdade?
— Recebi uma proposta mas ainda não dei uma resposta.
— Espero que aceite. Será uma honra para nós trabalharmos ao seu lado.
— Obrigada — ela disse, adentrando a sala em que Emma se encontrava.
— Qualquer coisa, pode pedir para uma das enfermeiras me chamar — dito isso, ele se retirou.
Regina se aproximou em passos lentos e instintivamente, seus dedos roçaram o rosto da mulher amada.
— Quando é que você vai parar de me dar dor de cabeça e preocupações? — murmurou Regina, beijando-lhe a testa.
— Quando você perdoar minhas idiotices e voltar para mim… — Emma respondeu, exibindo um meio sorriso.
— Você parece uma criança mimada…
— Talvez…mas eu te amo. E vou amar pelo resto da vida…nem a morte me fará desistir de você.
— Eu não quero que desista de mim…
— Diga que ainda me ama.
— Eu te amo, Emma…e amarei até meu último suspiro.
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