Notas iniciais
Eis uma nova fanfiction SwanQueen. Espero que essa história agrade a todos que vem acompanhando minhas fanfictions, assim como outras agradaram.Boa leitura!

— Regi, faz uma hora que você disse que ia desligar esse computador. Todo mundo já chegou, só falta você — disse, Robin, irmão de Regina.

— Eu já estou indo, Rob…só mais um minuto — ela falou, sem desgrudar os olhos da tela do computador. — Mas que droga! — vociferou logo em seguida.

— O que houve?

— A internet parou. Tenho certeza que foi o chato do irmão da Ariel quem desligou o Wi-Fi — ela disse, batendo com a palma da mão sobre a pequena mesa onde ficava o objeto.

— Você usa a internet dos outros sem pagar e ainda acha ruim quando desligam?

— Robin, sai do meu quarto!

— Esse quarto também é meu! Agora levanta dai e vamos de uma vez!

— Tá, eu vou desligar o computador e já vamos…

Regina e Robin eram irmãos órfãos de pai, e tudo indicava que em breve, ficariam órfãos de mãe, uma vez que a doença de Cora a deixava cada dia mais debilitada. De família extremamente humilde, os dois irmãos eram os únicos responsáveis pelo sustento da casa, onde viviam de uma pequena plantação de maçãs num pedaço de terra deixado pelo falecido pai. A colheita e venda dos frutos, era a única fonte de renda da família Mills.

— Oi, Regi! — disse Ariel, envolvendo-a num abraço apertado. — Achei que você não viria.

— Não perderia por nada — ela disse, tentando soar convincente.

Naquela noite, seria comemorado o aniversário de dezessete anos de Ariel. Na próxima semana, Regina completaria dezoito e Robin, faria vinte dentro de três dias. Na festa de aniversário, todos pareciam estar se divertindo, exceto Regina, que a cada cinco minutos, inclinava a cabeça para capturar as horas no relógio de parede na sala da casa de sua amiga.

— Algum problema? — questionou Ariel.

— É que…você sabe. Mamãe está doente e não gosto de deixá-la sozinha por muito tempo — Regina explicou.

— Tem razão…você pode ir, se quiser. Direi a seu irmão que leve um pedaço de bolo pra você.

— Obrigada — ela disse. — Ah, Ariel…você poderia ligar o Wi-Fi da sua casa? É que os testes para ingressar na universidade estão se aproximando, e eu não tenho como comprar os livros, então…

— Não se preocupe, eu vou ligar sim.

— Obrigada — dito isso, Regina se retirou.

Tão logo adentrou a pequena casa, Regina se dirigiu ao quarto da mãe e como era de se imaginar, Cora já estava dormindo. Sem pensar duas vezes, Regina ligou o computador e subitamente, um sorriso brotou em seus lábios ao perceber que o sinal de internet estava de volta.

— Antes de dormir, eu juro que leio pelo menos as duas primeiras páginas da apostila — ela murmurou para si mesma, uma vez que ignorara os conteúdos que deveria estudar, para dar início a mais uma sessão de bate-papo em uma rede social.

Passava das vinte e duas horas quando Robin chegou em casa. Ao abrir a porta do quarto que dividia com a irmã, suspirou ao se deparar com ela outra vez de olhos grudados na tela do computador.

— Regi, é sério…a conta de energia virá estourando esse mês e você sabe que o dinheiro está limitado — ele falou.

— Eu sei, eu já vou desligar…é só que…eu conheci alguém — ela confessou, enquanto desligava o aparelho.

— Já ouvi esse papo antes — ele disse, acomodando-se na pequena cama.

— Ela é diferente, é divertida…a conversa flui assim, naturalmente como se fosse…

— Regina, essa história de namoro virtual, amor virtual, ou sei lá o nome disso, sempre acaba te fazendo sofrer!

— Eu não estou namorando…

— Mas vai namorar, vai se apaixonar, se iludir e depois se ferrar como sempre! A realidade é diferente, minha irmã…seria melhor você se focar nos seus estudos para conseguir uma boa nota que te ajude a entrar numa boa universidade.

— Não sei porque você me deu essa droga de computador então!

— Eu dei pra você estudar, não foi pra ficar batendo papo! — ele disse, num tom exaltado. — Como é o nome dela? — questionou, dessa vez, sem levantar o tom de sua voz.

— Emma… — ela sussurrou, esboçando um largo sorriso.

— Bonito nome.

— Sim…muito bonito.

— Você já viu uma foto dela?

— Ainda não. Mas ela me prometeu que mostrará amanhã.

— Quero só ver o dragão.

— Dragão é a sua avó!

— Não esqueça que minha avó é sua avó também.

— Palhaço!

[…]

A manhã seguinte transcorreu com a mesma rotina daquela família. Regina e Robin levantavam cedo como de costume, irrigaram a pequena plantação e colhiam as poucas maçãs disponíveis. Depois de retornarem para casa e tomarem o café da manhã ao lado da mãe, Robin se dirigiu ao centro da cidade para vender os frutos, enquanto Regina, ajudava a mais velha com os afazeres domésticos.

— Tudo bem, mamãe? — Regina perguntou, ao notar uma expressão diferente nas feições da mulher.

— Minha visão está embaçada, turva… — ela falou, sentando na cadeira próxima a mesa.

— Já tomou seus remédios?

— Ainda não…

— Deve ser isso. Venha, tome seus remédios e se deite um pouco…eu cuido de tudo por aqui.

O restante do dia se passou de forma rápida e tranquila. Robin só retornou para casa a noite e após o banho, se juntou à sua irmã para jantar, uma vez que Cora rejeitou a refeição queixando-se de cansaço e falta de apetite.

— Por que demorou tanto hoje? — Regina perguntou.

— Granny me ofereceu alguns trocados para ajudá-la a limpar a lanchonete.

— Quanto ela pagou?

— Dez dólares.

— Só isso? — indagou Regina, claramente revoltada. Robin, por sua vez, deu de ombros. — Não se preocupe, irmão…quando eu ingressar na universidade e me formar em medicina, tirarei nossa família dessa pobreza.

— Deus te ouça…mas se continuar batendo papo em vez de estudar, ficará difícil — Robin disse, e antes que Regina pudesse protestar, ele prosseguiu. — A propósito, sua namoradinha já te mostrou uma foto?

— Fala baixo! Mamãe pode ouvir!

— Você não pretende mesmo contar a ela sobre sua orientação sexual?

— Mamãe está doente…não sei como reagirá, então é melhor evitar.

— Tem razão…mas então, recebeu ou não a foto?

— Ainda não, vou acessar agora.

Enquanto Robin preparava sua cama para deitar, Regina ligava o computador. Tão logo acessou o bate-papo, sentiu uma pontada de tristeza bem no fundo do seu coração ao se dar conta de que Emma não estava online.

— Levou bolo, foi? — Robin perguntou, num tom zombeteiro.

— Não enche! — ela rebateu, abrindo as apostilas para estudar.

Regina passou praticamente duas horas estudando. Já sentia seus olhos arderem devido ao sono e a claridade da tela. Quando estava prestes a se desconectar, o nome de Emma passou de offline para online. O “encontro” não fora muito diferente dos encontros anteriores. As conversas eram sempre agradáveis e divertidas, algumas vezes, carregadas de malícias.

Regi says: Eu preciso ir. Encontro-te amanhã?

Emma says: Nesse mesmo horário!

Regi says: Que bom! Até amanhã então.

Emma says: Até…boa noite e espero que goste da foto! (Emma is offline)

— Minha nossa! — exclamou Regina. — Rob, vem aqui, rápido! Olha isso…

— Uau! Retiro o que eu disse…no lugar do dragão, diria que é um avião! — ele falou, arrancando uma risada de Regina.

— Ela parece uma Deusa… — murmurou a morena.

— Que idade ela tem?

— Tem dezesseis.

— Tem certeza que é ela mesmo? Você sabe…muita gente mostra foto de outras pessoas.

— É claro que é ela…ah, não! E agora?

— E agora o que?

— Eu não tenho nenhuma fotografia minha pra mandar pra ela.

— Tira uma e manda, ué.

— Não tenho máquina fotográfica e as fotos tiradas pelo meu celular são de péssima qualidade!

— Regi, deixa de besteira! Não percebeu que na foto ela está toda maquiada? Além disso, com certeza tem photoshop.

— Não sabia que você entendia dessas coisas, Rob — disse ela, arqueando uma sobrancelha.

— Você está boba e apaixonadinha! Por isso, não enxerga as coisas.

— Ok, vou tirar algumas fotos e você me diz se ficou boa…

Depois de quase uma hora procurando o melhor ângulo, a melhor pose, finalmente Regina se agradou de uma foto sua, guardando-a no computador para que no dia seguinte, Emma pudesse “conhecê-la” também.

A rotina de Regina continuava a mesma dia após dia, exceto a noite, onde dia sim, dia não, ela dedicava algumas horas para desfrutar da companhia virtual daquela garota por quem dizia estar totalmente apaixonada. Depois da troca de imagens onde uma pôde conhecer um pouco do físico da outra, vieram as mensagens de voz e finalmente, o pedido de namoro.

[…]

— Outra vez conversando com a caipira? — indagou Ruby, ao entrar no quarto de Emma.

— Ela não é caipira — disse Emma, enquanto digitava uma mensagem.

— De onde ela é mesmo? Storybrooke? Isso existe? Nunca vi essa palavra no mapa!

— Você é muito ciumenta!

— Claro! Você esquece as amigas para ficar batendo papo com pessoas insignificantes!

— Ela é um doce, linda e a voz…

— Emma, você esqueceu do…

Antes que Ruby pudesse concluir o seu questionamento, Ingrid apareceu, interrompendo a conversa.

— Posso saber porque faltou a aula de piano? — Ingrid perguntou.

— Estava com dor de cabeça, mamãe — disse Emma.

— Acredito que a dor de cabeça tende a piorar enquanto estiver diante desse computador.

— Eu já vou desligar. Papai já chegou?

— Sim, está na biblioteca com sua irmã.

— Bom, Emma…eu já vou. Boa noite senhora Swan — disse Ruby.

— Espera, te acompanho até a porta — Emma falou.

A rotina de Emma era totalmente oposta à rotina de Regina. Filha de Ingrid e James Swan, Emma era a caçula da família, tendo como irmã apenas dois anos mais velha, Elsa Swan. Dona de uma das universidades privadas mais prestigiadas de Augusta, a família Swan portava riqueza e poder em seu sobrenome.

— Ela quer me encontrar pessoalmente — Emma comentou.

— E você quer? — indagou Ruby.

— Sim…mas fico com medo, sei lá…

— Emma, encontros com pessoas que se conhecem na internet é perigoso.

— Ela não parece ser perigosa.

— Talvez seja algum maníaco disfarçado de mulher.

— Eu ouvi a voz dela.

— Pode ser uma cúmplice, ué.

— Para de fantasiar!

— Você vai aceitar se encontrar com ela?

— Sim…mas deixarei claro que se ela realmente quiser me encontrar, terá que vir aqui.

— Se seus pais souberem…

— Não saberão. Direi que é uma amiga da aula e ponto.

Alguns dias se passaram e o entusiasmo e o desejo por parte de Regina em encontrar sua amada, era tanta que chegava a doer em seu peito. Sua mãe continuava doente e o dinheiro, mal dava para pagar as despesas da casa e dos remédios.

— Tem certeza, Regi? A capital é imensa e cheia de perigos — dizia Robin.

— Ela quer que eu vá encontrá-la e eu quero encontrá-la…sonho com isso todos os dias — Regina falou.

— Tudo bem, você é maior de idade e sabe o que faz. Só me diga uma coisa…com que dinheiro comprará as passagens?

— Tenho algumas economias…

— E quando irá?

— Semana que vem.

Uma semana depois…

— Cuide bem da mamãe…e cuidado para não falar demais. Não quero que ela acabe descobrindo a verdadeira razão da minha viagem para a capital — dizia Regina, no ponto de ônibus.

— Não se preocupe, irmã — ele disse, envolvendo-a num abraço. — Aqui, leve sua garota pra tomar um sorvete — acrescentou, entregando-lhe algum dinheiro.

— Não, Rob…não precisa…

— Precisa sim!

— Onde conseguiu?

— Vendi umas coisas velhas de papai…aí, seu ônibus chegou. Boa viagem e se cuide, por favor.

Depois de mais um abraço de despedida, Regina seguiu rumo à Augusta. A viagem seria longa, cinco horas na estrada que para ela, não seria nada diante da emoção e alegria que seria encontrar com o seu amor. Após algumas horas, Regina acabou adormecendo e quando acordou, faltava pouco tempo para que chegasse à capital.

Quando finalmente chegou, esboçou um enorme sorriso enquanto seus olhos apreciavam as belezas da cidade grande. Diferente do que muitos poderiam imaginar, apesar de ter nascido e crescido em uma pequena cidade considerada interiorana, Regina era destemida e inteligente demais para se deixar assustar pelo desconhecido.

— Minha nossa! Ela veio mesmo! — exclamou Emma, ao se deparar com uma mensagem de texto enviada por Regina, informando que já se encontrava na capital. — O que eu faço?

— Você aceitou esse encontro, então vá encontrá-la! — disse Ruby.

— Vem comigo, por favor…

Depois de se informar com Regina qual o local exato em que ela se encontrava, Emma, ao lado de Ruby seguiram ao encontro da morena.

— Numa rodoviária? Achei que ela viesse de avião! — dizia Ruby, enquanto dirigia seu carro de luxo.

— Nem todo mundo prefere avião.

— Ou talvez ela não tenha dinheiro para pegar um avião.

— Não importa! Independente do transporte utilizado por ela, estou feliz em poder encontrá-la e conhecê-la pessoalmente!

Assim que chegaram à rodoviária, Emma nem precisou procurar por muito tempo. Tão logo desceu do veículo, seus olhos verdes cruzaram com os olhos castanhos de Regina.