Primeiro Amor
6 Visita ao Shopping
Notas iniciais
Lucy POV
Virgo me levou para um quarto bem grande nos tons de azul marinho e bege. Havia uma cama de casal no centro e ao lado dela duas cômodas luxuosas, na parede ao lado da cama haviam dois abajures acoplados com a parede; frente a cama havia uma Televisão do que julguei ser umas 50 polegadas na parede, algumas decorações estavam no quarto, haviam duas portas. Andei até a primeira e descobri ser o closet, que estava vazio, com certeza o hóspede deve colocar suas roupas aqui. A outra porta era o banheiro, que havia um tapete sob uma grande banheira, bem luxuoso, assim é como era no castelo que eu morava há muito tempo atrás. Mesmo vendo todos esses lugares eu não consigo parar de pensar no Natsu... Isso é estranho demais! Talvez... eu passei tempo demais com ele?
–Para de pensar nisso Lucy.- Disse para mim mesma.- Ah! Esqueci a caixa lá fora.
Ando até a porta e já ia saindo, quando lembrei da cena de agora há pouco. Sinto meu rosto ardendo cada vez mais rápido, vou até o banheiro e me assusto ao notar que ele está vermelho.
–P-por quê?
Coloco as mãos nas bochechas um pouco apavorada, como se talvez estivesse quente ou algo assim, estava, mas não ao ponto de queimar, ouço a porta abrir e me viro na sua direção.
–Hime, você esqueceu essa caixa do lado de fora da porta. Como você estava segurando ela forte enquanto subíamos até o andar do apartamento do Ouji, presumo que seja importante.
–V-Virgo!
Andei até Virgo rapidamente, agarrei suas mãos e coloquei em meu rosto.
–O que foi, Hime?
–Eu estava pensando sobre o que aconteceu e fiquei vermelha, e agora meu rosto está quente! S-será que eu peguei alguma doença?!- Questionei desesperada.
Olhava bem nos olhos de Virgo, e ela mantinha sua expressão de sempre, mas vi que ela mordia o canto dos lábios, e de repente ela começou a rir... não pouco, mas muito mesmo!
–Poxaa Virgo!- Disse fazendo biquinho.
–D-descullpe Hime... É q-que... N-não dá pra n-não achar cômico!
–Mas o que eu tenho?!
Virgo parou de rir, apenas colocou um sorriso travesso no rosto, ela colocou a caixa no chão, me deu um peteleco na testa e foi em direção a porta, mas antes de chegar ela se virou para mim novamente.
–Em breve você irá descobrir.- Virgo disse enquanto piscava e saia do quarto cantarolando.
Fiquei confusa ao extremo, o que aquilo queria dizer? É nessas horas que eu gostaria de ter mais costumes humanos. Suspirei e me voltei para a caixa que estava em perfeitas condições, dei um sorrisinho
–Tomara que ele goste.
Natsu POV
Eu, de certo modo ainda não posso acreditar que Lucy estava ali. Não ali! Aqui! Na minha casa! Isso é... surreal. Me deixo cair no sofá, extremamente zonzo com os últimos acontecimentos. Realmente aconteceu? Então eu não estive sonhando tudo isso? É difícil saber.
Virgo aparece, ela está toda sorridente e parece muito feliz, são raros os casos que Virgo muda sua expressão, parece até a Jenny Swan daquele filme Anoitecer, que só fica com a mesma cara, mas o rosto da Virgo é fofo, não é todo mundo que tem cabelos rosa choque e olhos azuis. Talvez ela tenha se dado bem com a Lucy.
–Haha, espera aí Natsu, isso é impossível.- Resmungo comigo mesmo.
O celular começa a tocar, eu demoro um pouco pra atender pois estou no meu modo pensativo.
–Alô?
–Fala seu fósforo ambulante!
–Oi Gray...
–O quê?!- Gritaram várias vozes do outro lado da tela. Reconheci como sendo do pessoal.
–Ué, o que foi?
–V-você não me provocou de volta?!- Perguntou Gray abismado.
–Tenho coisas mais importantes pra pensar agora.
–Tô no chão!- Gritou Levy do outro lado.- Natsu, vem pro nosso Shopping, vamos passar a tarde aqui.
–Ai, ai... Tá, eu vou. Mas...
–Maas?
–Eu tenho que levar uma convidada que está se hospedando na minha casa.
–O quê?! Outra vovó?! Da última vez nós tivemos que conversar sobre costura!
Suspirei e desliguei na cara deles, mas... aquela Senhora foi mesmo entediante...
–Virgo! Chama a Lucy pra mim!
Poucos segundos depois Lucy apareceu, ela começou a me encarar com uma das sobrancelhas erguidas.
–Você é mesmo um preguiçoso, né?
–Eu não!- Disse virando a cabeça para o outro lado.- Eu que fiz sua comida nos últimos dias.
Lucy levantou o dedo para argumentar, mas logo abaixou e colocou uma expressão de derrotada no rosto, não pude evitar dar um sorriso travesso.
–Nee Luce, o pessoal quer que eu vá até o Shopping.
Ela virou a cabeça como se não tivesse entendido.
–Pode ir, ué.
–Mas... eu não posso te deixar aqui sozinha.- Protestei cruzando os braços.
–Eu acho que eu estou doente, não posso ir.
Rapidamente Virgo apareceu ao lado de Lucy, como se fosse um fantasma que tivesse brotado do chão.
–Eu falei que você iria descobrir, mas... VOCÊ NÃO ESTÁ DOENTE! NEM NADA DO TIPO, HIME!- Gritou a rosada furiosa.
–Eu acho que hoje vai chover porcos, porque a Virgo está cheia de expressões. E que história é essa de doente?
–Não é nada, Ouji... Nada. Agora trate de ir ao Shopping fazer amigos ou você vai ficar de castigo, Hime.
Vi que Lucy estremeceu da cabeça aos pés.
–S-sim.
–Precisamos comprar roupas pra você, Luce, então vamos lá, não vai demorar muito.
Levantei em um pulo, corri até Lucy, arrastei ela até a cozinha, peguei a chave na bancada, fui correndo pra porta, mas antes virei e gritei:
–Estamos saindo!
–Até mais!- Respondeu Virgo.
Arrastei Lucy até as escadas (que são mais rápidas), e fomos direto para o estacionamento, que ficava no subsolo, ela parecia estar zonza com meu ritmo, mas só queria chegar logo no carro, então poderíamos conversar. Quando finalmente entramos no carro Lucy estava ofegante, eu estava normal.
–VOCÊ TÁ QUERENDO ME MATAR?- Gritou ela irritada.
–Calma aí! Desculpa, eu me empolguei demais.
Dei partida no carro, e em pouco tempo já estávamos no trânsito. Lucy deu um sorrisinho e me acalmei também.
–Brincadeirinha.
–Não faça essas brincadeirinhas, poxa.- Reclamei fazendo biquinho.
Eu não sei o que procedeu direito, mas só sei que Lucy chegou perto de mim e me deu um beijo na bochecha. Eu dei uma freiada tão grande que fez um enorme barulho; olhei para a Lucy que antes aproveitava o vento que batia em seu rosto, mas que agora estava me encarando profundamente.
–Você quer parar com isso?!- Gritei um pouco irritado e voltando a dirigir. Eu não a entendo.
–D-desculpe. Em Jalus isso é um meio de dizer "Obrigado", "Fico feliz" ou coisas assim.
–Eh? Obrigado pelo quê?
–Por tudo! Desde que eu te conheci minha vida foi um mar de rosas. Foi pouco tempo mas foram os melhores dias da minha vida. Obrigado por ter feito o desejo que fez, você não imagina o quanto isso me faz feliz, Natsu! Desculpe se te assustei com meu LO.
–A-ah...- Foi provavelmente a única coisa que consegui dizer.
Lucy me olhou aflita.
–Natsu! Você também está doente?!
–Quê?
–Não se faça de desentendido! Quando você fica vermelho, é uma doença? Porque eu também fico, e não é a primeira vez, mas eu acho muito estranho, eu não percebia quando era uma fada ainda, mas agora...
Se eu pudesse rolar de tanto rir dentro do carro, eu estaria fazendo exatamente isso neste momento. Era tão cômico que eu dirigia com uma mão e com a outra apertava minha barriga, que doía de tanto rir.
–Pooooxa!- Resmungou Luce fazendo biquinho.- Eu nunca vou saber o que é!
Parei o carro frente ao Shopping, peguei um dos meus cartões de créditos e dei para Lucy.
–Tome, eu vou ali em um lugar e já volto, nos encontramos por aí. A senha é 7295
–Ok.
Eu achei até incrivel como ela aceitou facilmente ficar sem mim, talvez um pouco emburrado, chateado...
–É... Não é hora pra pensar em coisas idiotas assim, Natsu.- Murmurei quando vi que Lucy já ia longe, voltando a dirigir.
Lucy POV
Eu entrei naquela enorme construção, que parecia um pouco pequeno graça aos grandes prédios de 55 andares de Jalus. Havia um estacionamento e vários tipos de carros, mas havia 6 que se destacavam dos demais.
"De quem serão?" Perguntei mentalmente enquanto andava em direção a porta.
Agora, imagine meu susto quando a porta abriu sozinha. Eu dei um pulo pra trás que foi tão longe que acho que bati o recorde mundial! Depois eu andei até ela novamente, enquanto ainda estava aberta, vai que ela me esmaga! Dessa vez passei correndo, porque eu não quero morrer logo no primeiro dia que virei humana!
–Uau...
Há várias e várias lojas por torno da largo corredor, são tantas juntas que me deixam até zonza, em Jalus não há aglomerados assim de lojas. Logo achei um elevador, subi até o segundo andar, que havia mais e mais lojas, mas acima de tudo uma praça de alimentação. Já o terceiro andar? Era totalmente reservado para um cinema com várias salas, com opções 2D, 3D, 6D, 8D, e outras coisas que ainda não tinha ouvido falar. Desci até o 2º andar, porque era o aparentemente menos movimentado, mesmo havendo várias pessoas por ali. Fiquei apenas andando, já que não sabia como as coisas funcionavam por ali e não queria me meter em confusão. De repente senti uma pancada e fui arremessada ao chão.
–Ouch...
Olhei para cima e vi um grupo de... 1, 2, 3... 6 pessoas da minha idade praticamente. Havia uma ruiva com cabelos vermelhos que estava vestida com um look um tanto moderno mas ousado; duas azuladas, uma delas era baixinha e se vestia de forma meiga e delicada, parecia uma boneca, já a outra também era fofa, e se vestia no estilo vitoriano (?). Havia dois morenos, um deles tinha o cabelo longo e bagunçado(o que julguei impossível pelas leis da física), e usava roupas no estilo rockeiro... já o outro... bem, ele só usava uma calça preta; e havia outro garoto, um de cabelos azuis com uma estranha tatuagem no rosto, mas que ao mesmo tempo era seu charme, ele estava vestido normalmente.
–Desculpe ter trombado em você.- Disse a ruiva com um sorriso amigável me estendendo a mão, que agarrei e usei para me levantar.
–Como você é desastrada, né, Erza?- Comentou o moreno sem camisa.
–CALA A BOCA, GRAY.- Gritou a garota chamada Erza.
–Juvia acha que Gray-sama deveria ser um pouco menos encrenqueiro.- Pera... ela fala na terceira pessoa?
–Poxa gente, vocês vão assustar a garota. Ela já deve nos conhecer, não?- Questionou o cara de cabelo azul com tatuagem.
–Então... Quem são vocês?
Eles pareceram chocados.
–Você tá brincando, né? Somos nós.- Disse o moreno sem camisa apontando para todos eles.
–Desculpe... Eu não sou desse país.- Disse mentindo; "Eu nem desse mundo sou." pensei.
–Ah... Então você é estrangeira? Mas isso é estranho, mesmo os estrangeiros nos conhecem.- Disse o da tatuagem no olho.
–É que... Eu era privada de diversão, não podia ver televisão, mexer no computador, e coisas assim, eu tinha que estudar e fazer etiqueta, para um dia poder me casar com alguém decente.- Disse sorrindo.
–Nossa...- Disseram em coro espantados.
–Então você é uma garotinha do papai?- Perguntou o moreno cheio de piercings.
Revirei os olhos e comecei a gargalhar.
–Acho que meu pai é a 2º pessoa que mais me odeia, tirando minha madastra.- Dei um sorrisinho sarcástico no final.
Eles arregalaram os olhos.
–Essa é do meu tipo. Prazer, eu sou Gajeel Redfox.- Disse o Moreno com piercings.
–Eu sou Levy McGarden!- Gritou a baixinha azulada pulando na frente de todos e girando em minha volta.
–Eu sou Erza Scarlet.
–Gray Fullbuster.
–Jellal Fernandes.
–E a Juvia é a Juvia Loxar.
–A-ah, eu sou Lucy Heartfilia.
–Heartfilia? Eu acho que já ouvi esse nome em algum lugar.- Disse Levy com o dedo no rosto, como se estivesse afundada em pensamentos.
Engoli em seco, vai que existem aqui livros que falam sobre o reino das fadas? A família Heartfilia foi sempre da linhagem real, vai que... Não Lucy, isso é impossível.
–Bem, Lucy.- Disse Erza dando um sorrisinho.- Agora você é da nossa gangue.
–Gangue?!
–Isso aí.-Disseram todos em coro.
–Você agradou a Juvia e a todos os outros da Gangue.
Levantei as sobrancelhas.
–Mas vocês nem discutiram.
Todos eles riram.
–Nós não precisamos discutir sobre algo para saber o que o outro pensa, Lucy.
Erza me puxou pela mão, todos os outros sorriram para mim.
–Agora vamos lá.
Eles me arrastaram por vários metros até chegarmos a uma barraquinha que parece se chamar McDonald's.
–O que é McDonald's?- Perguntei confusa.
Eles me olharam como se eu fosse uma louca, Levy até chegou a vir até mim e colocar a mão na minha testa.
–Seis sorvetes, por favor, como sempre... E... Lucy, você quer de quê?
Pisquei várias vezes, olhei para as figuras em cima da barraca, que estavam escrito várias coisas, olhei para o pessoal novamente, pisquei ainda mais.
–O que é sorvete?
Agora não só eles olharam para mim, todo mundo que estava por perto começou a me encarar, todos com caras de chocados, como se tivessem ouvido que o mundo vai acabar.
–Tô p-a-s-s-a-d-a.- Disseram Erza e Levy me olhando, novamente como se eu fosse uma louca.
–Oi, sério isso?- Dessa vez foi a hora do Gray se pronunciar.
–Oi, moça por favor me dá o maior sorvete que você tem aí, o maior, melhor e mais caro.- Disseram Jellal e Gajeel em conjunto.
Pouco tempo depois todos já estavam com seus 'sorvetes' na mão, eu olhava curiosa para aquela comida, doce ou salgada? Azeda? Amarga? Bem, só vou saber provando. Peguei a colherzinha que acompanhava aquilo, peguei um pouco de sorvete, hesitei um pouco, mas logo já estava degustando o... O TESOURO DO MUNDO.
–GENTE, ISSO É MUITO BOM! TEM GOSTO DE CÉU!- Gritei extremamente feliz, impressionada com o gosto doce e saboroso do sorvete.
Todos me lançaram um sorriso grande, como se estivessem realmente contentes de ver aquela cena.
–Bem, agora vamos dar um jeito nas suas roupas.
–Ah é, eu nem tenho roupas...
Erza, Levy e Juvia imediatamente começaram a me puxar para várias lojas, nós fomos em tantas que eu perdi a conta, provamos tudo que é tipo de roupa, até de homem eu tinha me vestido, foi muito divertido estar com todos eles, nós conversamos por um tempo. Até que eu comecei a pensar: "Cadê o Natsu?", e acabei me preocupando.
–Ué, cadê aquele desgraçado do cabeça de fogo?- Perguntou Gray a todos, que fizeram a mesma pergunta. Me surpreendi, eles se conheciam?
–Ele acabou de me mandar uma mensagem.- Disse Gajeel balançando o seu celular.- Pelo jeito ficou preso mas já está no Shopping.
Eu fiquei parada ali, pensando, enquanto eles já estavam a frente. Eles conheciam mesmo o Natsu? É óbvio que todos o conheciam de vista, mas eles eram aqueles que viemos encontrar?
–Oy Lucy! Vem logo.
Fui correndo atrás deles, com um sorriso no rosto. Quando cheguei lá, todos estavam conversando com Natsu, me surpreendi, ele me viu e lançou um daqueles sorrisos calorosos dele que eu gosto tanto. Espera aí... Eu gosto?
–Hey Luce, pelo jeito você já se enturmou, desculpe ter te abandonado naquela hora.
–Poooxa, Natsu, seu idiota.- Disse pulando em cima dele.
Natsu POV
Lucy pulou em cima de mim, confesso que me surpreendi, mas vai saber o que isso significa em Jalus? Mas vejo que ela está um pouco corada quando a coloco no chão depois de retribuir o pulo a abraçando. Olho para o pessoal, prestes a falar o motivo de ter demorado tanto, mas eles estão com uma cara enorme de Poker Face, não posso evitar rir.
–Vocês deviam ver a cara de vocês.
–Ué! Ninguém me contou que vocês se conheciam!
Lucy começou a esfregar os dedos indicadores, como quando está constrangida.
–D-Desculpem.
–Oy, você não precisa de desculpar, Lu-chan!- Disse Levy.- Na verdade, eu estou muito surpreendida, a maioria das garotas que ficam com o Natsu são um tanto intrometidas, patricinhas e loucas por ele, mas você não tem cara disso. Você finalmente arranjou uma boa garota, hein? — E deu uma piscadela na nossa direção.
–Não estamos juntos!- Gritamos eu e Lucy em coro.
Todos colocaram um beicinho no rosto.
–Poxa, que pena. Nós aprovamos a Lucy.
Engasguei.
–Como é que é? Vocês gostaram tanto assim dela?!
–Natsu, essa garota é um anjo que desceu a terra para ser o nosso último membro!- Disse Erza apontando o dedo indicador para o céu, e todos concordaram.
–Acho que está mais para uma fada, né?- Perguntei dando um sorrisinho sarcástico bem discreto para Luce, que sorriu juntamente comigo.
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