Primeira vista de Sasuke
1 Capítulo único
Notas iniciais
Fanfic de presente pelo dia dos pais.
Façam bom proveito e não tem lemon! Mas... Tem um agrado.
-Uma vez aqui dentro, só a morte os livrará de nós! – falava o capitão responsável pelos blocos, caminhando com as mãos atrás de seu pesado casaco verde militar, abotoado bem abaixo de suas brilhantes medalhas – Foda-se quem são vocês! Foda-se quem são os contatos de vocês! Para mim não passam de uma pilha mal feita de merda amontoada bem na minha frente, que merda!!! – ele realmente parecia muito furioso, mesmo que seus olhos não pudessem ser vistos por causa de seu quepe.
Eu queria olhar para o lado e ver as caras dos outros presidiários, mas eu sentia que se fizesse eu apanharia e não precisei testar para confirmar. De repente o capitão carrancudo, ainda mais do que eu, parou sua marcha, quase como se fizesse uma inspeção visual dos presidiários, e se aproximou de um dos “coitados”, eu supus. Ousei, porque a vida é uma ousadia, dar uma olhadela de lado para entender o que estava acontecendo.
-Por que está olhando para o lado?! – eu estremeci com a careta de fúria que ele fez — Por algum acaso essa puta vai te ajudar?! – ele gritou praticamente cuspindo na cara do outro – Eu tenho um aviso para lhe dar, sua pequena vadia: eu sou o seu deus agora e quando eu falo, é para você me ouvir, seu merda!!! – o capitão gritou ainda mais alto.
-S-Sim... Senhor... – gemeu o outro.
-Está com um pau no rabo, seu merda?! – o capitão empurrou o cara para o piso bem a nossa frente e foi até o corpo dele, para continuar gritando – Fale alto para que o meu pelotão possa ouvir essa sua voz de merda!!! – o capitão chutou a barriga dele e o cara se retorceu – Se quer dar o rabo para alguém aqui, procure um jumento e então venha gemer perto de mim!!!
O cara foi espancado até ele desmaiar. O capitão ajeitou suas roupas e nos fitou, senti seu olhar lentamente chegar até mim e um sorriso maligno me foi direcionado. Devo admitir que a princípio eu me senti nervoso a princípio, mas depois fiquei mais calmo e tentei não transparecer nada. Ele veio caminhando com as mãos atrás de seu casaco verde militar. Senti como se o diabo estivesse me encarando.
-Não me digam que enviaram as princesas do planeta para o meu batalhão?! Mostrem as porras das mãos!!! – todos nós estiramos as mãos para frente e ele as observou – Olha que lindas unhas e que peles bem cuidadas... Parecem um bando de idiotas que vivem na manicure!!! Para que diabos, senhoritas, tem mãos tão lindas?! Para foderem o rabo de alguma mulher desavisada?! Que porra é isso?! Abaixem essas merdas!
Todos nós abaixamos e ele apontou para mim.
-Se aproxime, princesa japonesa. – eu dei dois passos para frente e seu sorriso se alargou. Eu não sabia que poderia haver um homem tão alto quanto eu nesse mundo, parece uma muralha de tão quadrado que é – Linda como um sonho. Eu vou adorar acabar com a sua vida, seu merdinha filhinho de papai!!! – seu rosto veio até mim e eu senti seu hálito de hortelã – Meus superiores me disseram que você está aqui para aprender!!! Adivinha, eu vou te ensinar a se ferrar como a vadia que você é!!!
E sem que eu estivesse psicologicamente preparado, eu levei um soco no rosto, mas não expressei nada, ao contrário do outro desmaiado, e o soco não foi suficiente, pois eu vi uma barra de ferro reluzir em sua mão e ela vir zunindo contra mim. Eu não gritei, eu nada fiz, só continuei recebendo surra após surra, com a cabeça voltada o chão entre as mãos. Eu senti que a qualquer momento meus ossos iriam se romper, mas continuei sem nada dizer.
-Olha só para essa bunda linda!!! Meu sonho é fodê-la até se tornar a bunda de um homem, seu viado de merda!!! Acha não sei que você vende esse seu corpo para a máfia, seu filho da puta, acha que eu não sei que você é um assassino de merda?! Seu pai pode ter piedade de você, mas eu não sou seu pai, eu sou o pior cafetão que já pareceu na sua vida e você é minha puta favorita!!!
De repente um estrondo o fez parar de me bater. Eu achei que foram minhas costelas se partindo, mas o estalido metálico me fez entender que fora a barra de ferro que voara pelo ambiente e acertara um homem que limpava o chão com o esfregão como se estivesse sozinho ali. Eu vi o balde cair juntamente com o esfregão e o homem cair de joelhos esfregando a cabeça com força. A barra de ferro rolou pelo piso molhado e veio parar perto de mim.
Os outros presidiários me levantaram e me apoiei num baixinho. Tentei fitar o capitão, apesar da dor intensa que eu estava sentido nas costas. Aquela muralha vestida de terno verde fitou desesperadamente suas costas, procurando seus guardas.
-Quem, merda, foi que eu acertei?! – ele gritou furiosamente.
Um dos guardas se adiantou em posição de sentido.
-O senhor acertou a cabeça do 328 Joker, senhor!
-Mas que merda!!! – ele gritou e eu fiquei sem entender, por pouco tempo. O tal 328 Joker se ergueu lentamente e se virou para o capitão, caminhou até ele e os dois se encararam. O capitão tremia sutilmente, só olhos treinados como os meus percebem movimentos assim, tentando encarar aquele homem com a mesma fúria anterior – O que quer, 328?
-Senhor, por que jogou a barra de ferro na minha cabeça?! – ele falou friamente, sem alterar muito sua voz – Acha que estou sem porra nenhuma para fazer, seu idiota cabeça de prego milico de merda! – todos arregalaram os olhos e fitaram a muralha. Ela estava ruindo – Eu devia esfregar a porra desse chão com a sua cabeça!!!
-Olha como fala comigo, 328... – o capitão gemeu.

O homem, loiro e de olhos de um tom de âmbar muito intenso, estrangulou o capitão velozmente, que mal pudemos perceber suas mãos se movendo.
Os olhos do capitão se esbugalharam.
-Está com um pau no rabo ou enfiado na garganta?! Fale direito homem!!! Eu estou aqui há tanto tempo que vi a vadia da sua mãe nascer, então não me venha com ameaças, seu pedaço de merda!!! Não é o primeiro capitão que me acerta que eu mato – então a cabeça dele fora arrancada fora do pescoço e lançada para perto de nós – E não será o último!
O homem nos fitou e sorriu de maneira boba. Eu me lembrei de que tinha que respirar e piscar, e o fiz. Eu acabara de ver um homem arrancar a cabeça de militar só com as mãos sem se importar com a presença de outros soltados, ou com o que fora surrado, pela simples razão de ter recebido um golpe na cabeça. Esse cara deve ser muito esquentado.
-Ouçam... – ele nos fitou com uma calma que não era coerente – Não se preocupem com esse cara, ele é novato aqui... Vocês estão no Centro de Treinamento de Suicidas, então estejam preparados para ver a morte, porque ela vai estar constantemente ao lado de vocês. Se estão aqui ou merecem a morte ou estão em busca dela. – seu sorriso aumentou e ele coçou os cabelos – As pessoas me conhecem como 328 Joker, porque 328 é o número da minha cela e Joker porque eu vivo sorrindo, na verdade meu nome é bem mais idiota que isso. Naruto e é um prazer conhecê-los.
Os rapazes riram do que ele dissera e eu notei que pareceram relaxados. Naruto veio até mim, me apoiou em um braço e segurou seu esfregão no outro, e me levou para a enfermaria. Ele é bem mais baixo que eu, mais magro e não parece com um lutador. Que tipo de cara é esse?
Percebi em sua mão esquerda uma aliança dourada um pouco arranhada. Então ele é casado e logo eu descobri que sua esposa era a enfermeira do lugar. Ela não atendia ninguém, pois ele me avisara que sua amada esposa era cega. Estava grávida e cega. Sim, aquele cara era apaixonado por aquela moça pálida de longos cabelos negros, quase azuis, e olhos esbranquiçados. Fui atendido por outras pessoas, mas ele ainda estava lá, me fitando e sorrindo para mim.
Por que ele sorri para mim? Nem me conhece! Recebi as medicações e fiquei por algum tempo por ali, deitado de bruços em um dos leitos. Naruto ficou no leito ao meu lado, enquanto sua esposa fazia um exame de rotina. Sua cabeça estava enfaixada.
-Ainda doí sua cabeça? – indaguei, tentando entender porque diabo ele ainda sorria para mim.
-Um pouco... No dia que eu não receber uma pancada, é porque estou livre daqui. – ele me fitou e sorriso puro ainda me era mostrado – Por que está aqui?
-Não ouviu o capitão falar...?
Ele negou.
-Eu fui enviado para ser treinado.
-Treinado? – ele franziu as sobrancelhas, ainda sorrindo – Treinado para morrer? Ninguém precisa de treinamento para morrer. Apenas se morre.
Eu tive que rir da cara de seriedade com que ele proferiu aquilo.
Naruto acabou por rir também, mesmo que seus olhos me dissessem que sua cabeça doía e que minhas costas doessem miseravelmente. Eu gemi de dor novamente, sentido as pontadas agudas da minha espinha. Naruto se levantou de seu leito com cuidado e se apoiou na cama.
-O mundo está rodando... – ele sussurrou rindo – Aquele cabeça de prego bateu com força mesmo... Ai... – eu ri, mas parei ao sentir dedos em minhas costas.
-O que está fazendo?
Virei-me com cuidado e notei que ele estava massageando minha coluna, tocando de leve cada ponto em que eu me feri com a ponta dos dedos e fazendo pressão neles. Eu ouvi meus ossos estalarem, mas não era de dor, era bom, como um massagista profissional. Baixei meu rosto entre as mãos e arfei sentindo a dor se esvair aos poucos. Os dedos de Naruto são quentes e a energia emanada dele é forte, boa.
Minha cauda enroscou em sua cintura e eu ouvi sua risada novamente. Antes que enlouqueça, sim, eu sou um bichano, um felino de pele negra e muito selvagem. Provavelmente foi para isso que meu pai me enviou para cá. Acabei por ronronar, o que é muito humilhante para um homem da minha estirpe, o que só provocou ainda mais risos em Naruto.
-Não vá se excitar, gatinho. – ele sussurrou espalmando as minhas costas e pressionando-as com alguma força – É bom, mas não é para todos.
-Como assim? – sorri sentindo seus dedos em meus ombros e no meu pescoço – Do que fala?
Senti um sopro quente em minha orelhada direita. Virei-me bruscamente e sem querer, mas sem querer mesmo, eu vi o rosto de Naruto perto de mais do meu, com suas cicatrizes faciais estranhas, e nossos lábios se encontraram involuntariamente. Estávamos sozinhos naquele lugar imenso e apenas iluminado pelo sol, através de estreitas janelas com grades.
Naruto tentou se afastar de mim, empurrando minhas costas contra a cama. Eu até pensei que deveria me afastar também, soltá-lo, mas aquele azul intenso em seus olhos abertos, o dourado de seus cabelos roçando os meus negros. Estirei meu braço e o puxei para perto de mim forçando sua cabeça contra a minha. Rolamos no leito e eu o deixei embaixo de mim, aprofundando nosso beijo.
Por mais que fosse errado aquilo, eu não podia negar uma boca tão boa de beijar que se oferecera tão facilmente para mim. Seus lábios resistiram, mas eu de tanto forçar com minha língua áspera de gato, ele abriu e sorri, podendo finalmente chupar descentemente aquela boca macia e quente, apesar de ser masculina. Minhas costas já não doíam mais, meu corpo clamava por aquela boca que eu só soltava para tomar fôlego para continuar.
-Dobe... – sussurrei ao sentir suas mãos acariciarem a linha dorsal das minhas costas, subindo e descendo apenas com a ponta dos dedos – Dobe...
Arqueei minhas costas novamente com aquelas carícias e o ouvi rir.
-Sempre se comporta assim com quem cuida de você?
Desatinei a rir e recostei minha cabeça na curva do seu pescoço. Ele tem razão.
-Não. Na verdade... – iniciei sem erguer o meu rosto, enchendo os meus pulmões com aquele cheiro quente e ensolarado – Eu me interesso muito pouco por pessoas... Prefiro ficar sozinho, sem ninguém me enchendo o saco, sem ninguém me tocando...
-Mas eu estou te tocando. – ele falou cinicamente.
Desatinei a rir novamente e saí de cima dele, sentando-me no leito ao lado, mais iluminado pelo sol. Naruto continuou rindo de mim, até que parou e me fitou.
-Não está com raiva? Enojado por eu ter lhe beijado? – eu ri – Eu sou um homem, você é um homem e ainda casado, com a esposa grávida.
Ele suspirou e sentou-se no leito.
-Não, não estou. Se você precisa de um pouco de carinho, eu posso lhe dar, mas não espere mais do que beijos. Sou um homem casado e preso pelo respeito que conquistei com muita dificuldade aqui. – ele beijou as alianças – Eu sou feliz com Hinata e não pretendo mudar isso.
Assenti e senti algo estalar em minha mente. Arregalei meus olhos e meu corpo se arrepiou completamente, como se uma panela borbulhasse dentro do meu estômago e uma chaleira explodisse em minha cabeça. Saltei sobre o corpo de Naruto e nós rolamos pelo chão da enfermaria, rosnando e empurrando coisas de metal para todo lado. Novamente fiquei por cima dele e comecei a beijá-lo com furor, sugando seus lábios com possessão.
Naruto chutou meu estômago e eu rolei para trás, sentindo novamente dor na altura do baixo ventre. O loiro se levantou, cruzou os braços acima do peito e suspirou, como um pai encarando um filho. Esfreguei minha barriga com força e fitei-o.
-Por que fez isso?! – rosnei.
Vi sua cauda laranja surgir misteriosamente atrás de seu corpo, escorregando lentamente para o chão e circundando os seus pés. Suas orelhas se elevaram acima da sua cabeça e eu vi suas pupilas se dilatarem, eu arregalei meus olhos. Um gato? Não. Seu cheiro não me dizia que era um gato, era mais próximo para um cão. Porém mais forte. Um lobo.
-Acha mesmo que eu vou deixar alguém abusar de mim? – ele rosnou furiosamente. Naruto estava furioso e eu me senti acuado. Mas por que eu estou acuado? Passei minha vida inteira enfrentando toda classe de gente, sem medo algum, então por que eu estou com medo dele – Acha mesmo que por que você ganhou um beijo meu, eu vou te deixar agir assim, que nem um animal selvagem?
Fitei-o.
-Me desculpe... Eu... Não sei o que deu em mim...
Ele sorriu e suspirou. Estirou uma mão para mim e eu me levantei. Naruto me fitou e penteou meus cabelos lentamente. Baixei minhas orelhas, quase me senti acalentado.
-Curiosamente você vai estar no mesmo quarto que eu, então é melhor que saiba com quem vai viver. – ele foi organizar os leitos – Minha esposa via chegar logo, então deite-se e relaxe.
Assenti e nos deitamos. Passei a noite inteira pensando nele, pensando em seus lábios e em seu corpo quente, em sua pele macia, em seu cheiro doce e no seu gosto incrível. Eu teria transado o dia inteiro com ele, constatei ao fim. Teria sim, sem pestanejar nem uma só palavra ou atitude, mas eu não o tive e provavelmente nem o teria.
Até que um dia a morte e o acaso nos conectaram, dois anos depois.
Notas finais
Não esqueçam de ler a fanfic original, "Amor à moda antiga" para saberem mais sobre essa história.
Agradeço a todos.
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