Primeira Melodia
4 CAPÍTULO III - ">", *crescendo.
Damen foi o primeiro a despertar na manhã seguinte — a luz interrompendo o sono profundo causado pela bebedeira da madrugada.
Percebeu, tarde demais, que estava no parque — usando como cama a mesma grama que os cachorrinhos das madames do condomínio usavam como banheiro.
Sua cabeça martelava com a ressaca.
Ele praguejou baixo, pressionou a pálpebra, massageando a região dolorida, e quando se virou, fugindo do sol da manhã, deu de cara com as costas de Isabella.
Ela usava sua jaqueta como coberta, mas os ombros estavam expostos à brisa fria da manhã.
Sem pensar muito sobre isso, Damen se aproximou para encobri-la.
Empurrou o emaranhado de cabelos ondulados na direção de seus ombros, mas ao invés de puxar a jaqueta, como deveria, tocou a ponta do polegar sobre a pele pálida da nuca da garota. Ele subiu o dedo devagar, perdido nos próprios pensamentos, e prendeu o fôlego ao senti-la se remexer.
Damen sentiu o calor subir pelo corpo e obrigou-se a sentar.
Obrigou-se a pensar.
Ele não era um cafajeste… Pelo menos não mais. Não desde que havia se comprometido com Alice, no último inverno. Desde o início do namoro, converteu-se em um cavalheiro — um homem correto, e era perfeitamente capaz de controlar os próprios impulsos.
Se nem Kloe o tinha feito cair em tentação nos últimos meses, mesmo com as incansáveis investidas, não seria Bells — adormecida na grama, roncando suavemente pelo cansaço da apresentação — que o faria.
Foi o que ele pensou. Mas, quando espiou a Seymour uma segunda vez, seu corpo não considerou nenhum compromisso que não fosse com o impulso de se aproximar e afundar o rosto na curva do ombro dela.
Ele engoliu em seco e a encobriu, por fim voltando atenção à Maya.
Não tinha que lidar com impulsos sexuais enquanto olhava para Maya, já que a tinha visto usar fraldas.
Oposta à delicadeza de Isabella, a jovem Renée estava deitada de bruços na grama, usando um dos braços como travesseiro.
Os cabelos cacheados tinham se tornado um ninho bagunçado, mas ela parecia muito mais confortável do que a amiga, já que tinha trocado o uniforme escolar por um conjunto de moletom quando passou em casa.
Damen estava decidindo se devia acordá-las ou não, quando o celular tocou alto, o som vindo do carro estacionado perto deles. Levantou-se num pulo e rapidamente alcançou o aparelho escondido no porta-luvas.
— Mamá!
Ele sussurrou ao atender, fechando a porta para evitar que as outras escutassem.
— Onde você está?... Eu disse que íamos fazer algo importante hoje.
Era difícil dizer se su madre estava mais irritada, ou decepcionada.
— Ah… Era hoje? Sinto muito. Acabei vindo comemorar com a Maya… Foi a primeira vez que ela se apresentou na abertura, lembra?
Apesar de genuinamente ter se esquecido do encontro semanal com os Montgomery, Damen não se importou em perder o compromisso. Na realidade, era difícil pensar em algo menos importante do que tomar café com aquela parte da família.
Quanto menos ficassem juntos, melhor seria seu dia.
— É bom levantar seu traseiro daí agora, garoto, ou eu…
— Eu entendi, eu entendi. — Ele suspirou, voltando os olhos para a janela. — Vou acordar as garotas e volto assim que deixar elas em casa.
— Ga- Garotas?!
Mentalmente, ele se amaldiçoou pela sinceridade.
— Damen Lopez, o que diabos você…
— Até mais, mamá. – Despediu-se, desligando antes que Santana pudesse voltar a retrucar — e torcendo para que ela estivesse ocupada demais com aquele encontro indigesto para pensar em uma forma de retaliação.
— Parece que alguém se encrencou.
A voz rouca de Bells fez os pelos de sua nuca se arrepiarem, mas quando a olhou pela janela, sentiu a culpa voltar a remexer no peito.
A garota estava meio sentada, meio deitada. Coçava os olhos remelados inocentemente no meio do gramado, soltando bocejos curtos que não conseguia controlar — definitivamente longe de parecer uma grande sedutora.
Ele devia estar subindo pelas paredes. Era a única explicação.
— Bom dia, Bells… Te acordei?
Saiu do carro enquanto ela bocejava mais uma vez.
— Não tem problema… — Ela balançou a cabeça, meio que para despertar. — É um péssimo lugar para dormir. Vamos ficar doloridos o dia inteiro.
Quando esticou o tronco, todo seu corpo estalou com o movimento.
Damen não pôde evitar um meio sorriso, e tomou o lugar ao lado dela.
— Já se acalmou pelo papel?
O nariz delicado se estreitou, reflexivo.
— Não. — Confessou. — Talvez eu mande mesmo uma carta anônima para a direção reclamando do favoritismo do Sr. Smythe.
Ela riu quando o rapaz arqueou a sobrancelha.
— Claro que não vou… — E suspirou. — É só que… Não sei. Acho que sou um pouco parecida com a Cosette.
Os cabelos dela brilhavam na luz do sol.
— Cantar sobre um passado desconhecido… Sobre conhecer o mundo… Tudo isso me soa muito mais importante do que um romance idiota. Mas as pessoas não ligam para o que passa na cabeça dela sobre isso, todo mundo só quer saber se ela vai ficar com o cara.
Damen conteve a vontade de prender os fios desarrumados para trás da orelha dela. Ao invés disso, bateu o indicador no meio de sua testa, sorrindo quando a ouviu grunhir.
— Quem liga para o que os outros pensam?
Ele se levantou, oferecendo a mão para ajudá-la.
— Você é a Cosette, e é isso o que importa… Está muito reclamona, para uma protagonista.
Isabella ainda resmungava sonolenta quando aceitou a ajuda, e o rapaz sentiu um vazio esquisito em seus dedos quando a sentiu soltá-lo para se aproximar da outra.
A observou se agachar para remexer nos ombros de Maya, a despertando com delicadeza. Como era de se esperar, a Renée estava com ressaca — provavelmente acompanhada de uma dor de estômago desgraçada, já que tinha comido todo o tipo de porcaria ao longo da madrugada.
Ela manteve a cara fechada por quase toda a viagem de volta.
Só voltou a abrir a boca quando se viram sozinhos no carro, após deixarem Bells sã e salva no casarão Seymour.
— Você tem uma namorada.
Ela o lembrou, muito direta.
— Não devia dar em cima dela.
Damen fez uma careta, mas não tentou negar.
— Bella e Alice têm uma história esquisita que nem eu sei direito… O que eu sei é que ela se importa com sua namoradinha sem sal, então prometa que não vai instigá-la a fazer algo que vai se arrepender depois.
— Eu nunca traí a Ally, Maya. Não pretendo começar agora, então só…
Ele fez um sinal de silêncio, que fez a outra cerrar os olhos.
Maya não voltou a falar, mas continuou a encará-lo com aquele olhar de julgamento até ser deixada na casa do irmão, minutos depois daquela conversa desagradável.
Damen enviou uma mensagem à mãe, desculpando-se pela ausência no compromisso, e não voltou para casa até o anoitecer.
= ♫ =
— Hunter Bedwyn.
O representante de seu ano era um cara sério, Dylan percebeu. Ele tinha os olhos azuis centrados e, assim como o Montgomery, usava seus cabelos quase loiros jogados para trás com a ajuda de algum gel.
Seu uniforme era impecavelmente formal, e um pin com o símbolo do conselho estudantil brilhava no bolso do paletó passado.
— Dylan Montgomery.
Dylan apertou a mão de Hunter, satisfeito em não precisar lidar com Kloe Smythe pelo segundo dia consecutivo. Estava cansado pela noite mal dormida e, honestamente, só queria matar alguma aula para cochilar.
— Devíamos ter nos encontrado ontem, mas soube que a senhorita Smythe…
Bedwyn respirou fundo e afundou as mãos nos bolsos para disfarçar a exasperação.
— Decidiu guiá-lo sozinha.
Ele seguiu para fora da secretaria e mesmo sem ser convidado, Dylan o acompanhou.
— Eu não sabia que estava sendo sequestrado — Tentou brincar, mas Hunter o ignorou, continuando os passos firmes pela escola.
— A senhorita Smythe é uma das abelhas rainhas do colégio. — Explicou, desviando o corpo para uma peça que alguém arrastava pelo corredor. — É uma amizade útil, eu diria.
Dylan sentiu um calafrio, mas manteve a boca fechada.
— Socialmente falando, pelo menos… — o outro prosseguiu — Ainda assim, vou ter que te dar algumas orientações na tour. Se importa se resolvermos isso depois das aulas, ainda hoje?
O Montgomery negou, naturalmente.
Hunter claramente não estava satisfeito por ter que repetir o trabalho, e sua postura formal deixava claro que não gostava muito dele, depois do episódio. O mínimo que ele podia fazer era ajudá-lo a resolver aquilo rápido.
— Pelo que vi na sua grade, você e a senhorita Smythe têm algumas aulas juntos. — o representante observou, voltando a andar. — É um bom começo, não acha?
Ser odiado por um membro do conselho estudantil e se tornar alvo de uma garota malvada soava como um péssimo começo para Dylan.
— Não acho que temos muito em comum. — esclareceu com um dar de ombros. — Sinto muito por dobrar seu trabalho. Foi culpa minha… Devia ter percebido como seria estranho andar sozinho por aí com uma garota em um dia tão agitado.
O pedido fez com que Bedwyn o olhasse por cima do ombro. Dessa vez, levou um tempo maior para analisá-lo — talvez avaliando o nível de honestidade em sua declaração.
— Ela é uma pessoa difícil. Se não for amigo dela, tente evitá-la.
Antes que pudesse absorver o conselho, o representante puxou um formulário do quadro de aviso e estendeu em sua direção.
— Atividades extracurriculares são obrigatórias na British. — Ele voltou com o tom orientador. — Temos muita variedade, como pode ver… mas preciso que me entregue até o fim do dia. Precisa escolher pelo menos duas turmas.
Dylan passou os olhos pela lista de possibilidades, voltando a andar quando ouviu os passos de Hunter ressoarem pelo piso.
Ele praticava natação desde menino e desenhar era a única coisa que sabia fazer voltada para artes — então preencheu os dois quadradinhos que ficavam ao lado das descrições. Embora só duas fossem necessárias, varreu o documento até encontrar o que buscava.
— Vocês têm três classes de piano?!
Ficou surpreso ao perceber. Bedwyn anuiu.
— Iniciante, intermediária e avançada.
Alice certamente estaria na turma avançada.
— Suponho que não posso escolher em qual me inscrever…
Hunter o fez parar antes de esbarrar com uma garota que corria pelo corredor, mas Dylan não se importou — estava distraído demais pela curiosidade.
— Poder, você até pode… Mas a senhora Winter deve te fazer passar por um teste de nível.
Com uma careta, ele voltou ao formulário.
Pressionou um ponto tenso do pescoço, percebendo que fazia muito tempo desde a última vez em que tinha se sentado em um piano… Mas tocar um instrumento era como andar de bicicleta, não é?
Esperava que fosse.
Ele entregou o documento com três turmas escolhidas, e arrancou um sorriso de satisfação do senhor Bedwyn, que o guiou até a sala de aula.
Quando Dylan entrou no laboratório de química, sentiu que o destino havia sorrido para ele pela primeira vez naquele dia terrível… Porque Alice estava sentada sozinha na terceira mesa, na fileira que ficava ao lado da janela.
Um CD Player pousava sobre o livro da matéria e sua cabeça pendia de um lado para o outro, distraída pelo ritmo de alguma música.
O representante foi esquecido.
Dylan seguiu reto até o lugar vago ao lado dela, soltou o material sobre a mesa em um baque surdo — que foi o suficiente para chamar a atenção da garota — e afundou na cadeira vazia e lançou um sorriso que esperava ser simpático.
— Parece que vamos ser parceiros.
Foi tudo o que conseguiu soltar, já que seu coração se agitava no peito.
Com o passar da semana, Dylan percebeu que se interessar por alguém era difícil.
Complicado em todos os sentidos da palavra.
Para começar, ele simplesmente não fazia ideia do que dizer, ou quando falar.
Cada palavra parecia mais idiota do que a outra, embora não fossem tão idiotas quanto os olhares que ele inevitavelmente lançava na direção da colega. Olhares que já tinham sido percebidos por colegas e professores, mas nunca pela desligada senhorita Darcy.
Os dois tinham apenas três aulas juntos — inglês, química e cálculo.
Eram dupla em apenas uma delas, mas isso não o impedia de passar boa parte daqueles tempos observando, atento ao jeito como Alice escrevia, como batucava a caneta no papel, no ritmo de suas músicas e como fingia prestar atenção nos professores — mesmo quando escondia os fones atrás do cabelo.
Ela era fascinante, mas Dylan percebeu que os colegas consideravam seu descaso irritante.
Alice nunca prestava atenção em nada que não fosse de seu interesse, e os alunos da British não estavam acostumados a serem tratados com irrelevância.
Como consequência, Alice não tinha muitos amigos e entre as poucas pessoas que se aproximavam para conversar com ela, Amélia Woodsen se destacava. Além dela, havia também Hunter Bedwyn — que não era um amigo óbvio, mas a tratava com mais atenção e consideração do que a maioria dos colegas.
Como queria fazer parte daquele mundo, Dylan se esforçou para se aproximar.
Na aula de inglês, conseguiu ocupar a cadeira atrás dela.
Na de cálculo, reservou um lugar na fileira ao lado.
Se oferecia como parceiro em trabalhos em dupla, quando Amélia não estava na turma e sempre a convidava quando precisavam se separar em grupos para alguma atividade.
Nos tempos vagos, arrastava a cadeira até a mesa dela, e se oferecia para revisarem o tema do dia. Considerando a atenção quase nula aos professores, Alice certamente precisava de ajuda para não ficar para trás na matéria.
A cada dia que se passava, mais idiota ele se sentia.
Queria conhecê-la melhor. Falar mais com ela.
Queria brincar com ela, fazer parte de sua vida… E protegê-la, é claro.
Por isso, quando Kloe Smythe se aproximou da mesa vazia de Alice numa tarde de quarta-feira e começou a abrir seu caderno de partituras, ele não pôde deixar de observar. Os olhos castanhos da garota pareciam divertidos — e aquilo o incomodou profundamente.
Quando Kloe puxou a tampa da caneta vermelha com a boca, Dylan não se segurou.
— Perdeu alguma coisa aí, Kloe?
♪
Alice Darcy sempre foi boa em aprender, mas nunca em prestar atenção.
Para ela, era mais fácil entender as coisas sozinha. No silêncio do quarto, quando podia se concentrar apenas nas linhas de um livro — e não em uma sala de aula com vinte alunos, onde o professor dificilmente se concentrava em um assunto só.
Ainda assim, quando Dylan Montgomery se sentava ao seu lado para explicar alguma coisa que ela não teria dificuldades para aprender sozinha, Alice não se incomodou.
Ficou tocada, na verdade. Porque pela primeira vez em muito tempo, alguém de fora parecia notar sua silenciosa existência…
Naquela quarta-feira, decidiu retribuí-lo.
Após o inspetor avisá-los sobre um tempo vago na aula de cálculo, ela fugiu para a cantina, onde pediu duas caixas grandes de macarons, e voltou para a sala torcendo para que seu novo amigo gostasse de coisas doces.
— Perdeu alguma coisa aí, Kloe?
Alice parou na entrada, bem a tempo de ver Kloe em sua mesa. Ela tinha uma caneta presa à boca e estava pronta para atacar mais uma partitura que — com sua cabeça de vento — a pianista tinha deixado desprotegida na sala.
— A senhorita Darcy e eu temos um trabalho juntas!
Linda Evans entrou em cena, enlaçando o braço ao da Smythe.
— Pedi para Klo dar uma olhada…
— Deviam esperar ela voltar, não mexer na mesa.
Apesar do tom suave, a voz de Dylan estava carregada de autoridade.
— Tem razão, Montgomery. Foi um pedido bobo, desculpe.
Ally viu Linda arrastar Kloe pelas fileiras de cadeira vazias, e precisou abrir espaço para as duas fugirem dali — nenhuma delas se dignou a olhar para ela, embora a tivessem usado como desculpa um minuto antes.
A cena devia fazê-la rir.
Não era todo dia que alguém dava uma dura em Kloe Smythe — e certamente ninguém perderia tempo fazendo isso por ela… Mas o choque a tinha paralisado, de certa forma.
Quando os olhos de Dylan encontraram os seus, o coração de Alice deu um salto esquisito. Ela ignorou a sensação e se aproximou quando ele a chamou com um aceno.
= ♫ =
Damen não pisava na British desde o festival de abertura.
Embora quisesse culpar Dylan, se conhecia o suficiente para saber que era mentira.
Sua vida estava uma bagunça. Esse era o motivo.
Seus dias eram infernais.
Ele detestava perder tempo na faculdade, e odiava ainda mais ficar em casa. A relação de parceria com su madre não existia há semanas, graças aos Montgomery.
Os dois brigavam o tempo todo.
Entre esses dias vazios e as discussões acaloradas, sonhar com Isabella Seymour havia se tornado um incômodo frequente — mas também um consolo inesperado.
Damen não tinha controle sobre os próprios sonhos, é claro… Mas em algum lugar, sua mente ficava aliviada quando a encontrava lá — onde ele podia tocá-la e beijá-la sem o julgamento de ninguém, além de si mesmo.
Quando a repetição daquele sonho se tornou perturbadora, ficar longe da British se tornou uma questão de autopreservação — mas evitar a escola não era uma desculpa para evitar Alice, e era exatamente o que ele vinha fazendo.
Não sabia se a namorada realmente acreditava na desculpa de estar ocupado com a faculdade, mas era a única que ele podia dar.
Damen adorava Alice. De verdade, com todo o seu coração.
Ela era especial e quando se conheceram, quis ser exatamente como ela: focada e apaixonada… Desligada de tudo ao seu redor, exceto o que importava.
Naquele tempo, gostava de ser uma das poucas coisas que importavam para ela, além da música. Com o passar dos anos, se encantou ao vê-la desabrochar, mas quando os colegas começaram a admirá-la pelos corredores, se irritou.
Quando a pediu em namoro, sabia estar apaixonado, mas agora… Era difícil pensar que continuava apaixonado por Ally, quando não parava de sonhar com Isabella.
— Cheguei.
Damen entrou em casa exausto, mas parou na soleira da porta.
Byron Montgomery estava sentado no sofá de sua sala, com uma mala enorme ao seu lado.
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