Primeira Canção

15 A Historia da Família Swan


Edward e eu conversamos por duas horas. Planejando tudo em nossa vida, para quando eu fosse embora . Não deixamos escapar nenhum detalhe: escola, faculdade, igreja, profissão... Mas chegamos a um ponto onde nenhum de nós queria discutir. Casamento.

Como reagiríamos a isso? Edward repetiu três vezes, sem olhar em meus olhos que queria que eu me casasse. Eu preferi não dizer nada, porque estaria mentindo ao dizer que gostari de ver ele nos braços de outra. No fundo, eu ainda tinha esperança de que nos reencontraríamos. Impossível, eu sei, mas eu queria tanto!

Não achava que eu seria capaz de amar outra pessoa como o amo. Mas e ele? Eu só sou uma garotinha de 17 anos, que se fingia de incompreendida e vitima, ele poderia encontrar alguém mais interessante, mais vivida (em todos os sentidos), que gostasse das mesmas coisas e freqüentasse os mesmos lugares.

Suspirei. Na vida dele sempre haveria alguém melhor que eu. E quando eu saísse de cena seria como deixá-lo a mercê desse mercado de solteirona. Seria como se eu atestasse o certificado de liberdade dele. Mas e aí? Ele devia ser meu, somente meu, e eu não o dividiria nem quando estivesse longe... O que eu estou pensando? Sou a favor do livre arbítrio, ele tem a liberdade de escolher com quem vai ficar, e pelo visto, a escolhida não sou eu. Sei que estou sendo egoísta, mas e daí? Eu quero ele pra mim, sempre comigo, pra sempre, independentemente do seu estado de saúde. Queria cuidar dele, estar perto, amá-lo... Por que tem que ser tão difícil?

Me aconcheguei mais em seu peito e senti ele apertar as mãos em volta da minha cintura. Comecei a brincar com a gola de sua camisa, ele se remexeu e sorriu. Eu o encarei e sorri também.

–o que é? Faz cócegas. – ele se justificou como se fosse obvio.

–Hm... então você sente cócegas? – disse ficando por cima de seu corpo, sentei-me em sua barriga e me inclinei para falar em seu ouvido. – você não devia ter dito isso.

O ataquei como uma louca, distribuindo cócegas por todo seu corpo definido. Ele se contorcia e ficava sem respirar de tanto rir. Eu gargalhava junto com ele, enquanto ouvia seus suplícios para parar. De repente ele me encarou com cara de mau e sorriu de canto, eu parei imediatamente e o olhei de lado com os olhos semicerrados.

– o que você vai fazer? – perguntei amedrontada.

Ele nem me deixou terminar, me pegou no colo e me jogou em seu ombro, sorrindo como criança que acaba de aprontar.

–Edward me solta! Me põe no chão, agora! Edward você está me escutando – repetia em vão causando risadas vindas dele.

Ele deu três voltas em volta de si mesmo rindo como criança que acabou de ganhar doces. Eu ri junto com ele, incapaz de levar essa história de que eu estava com raiva mais adiante. Ele parou no lugar, perto da ma e então me colocou de volta em seus braços. Eu estava no meio de uma crise de risos e não conseguia parar com ela, até perceber que ele estava soltando o braço que estava embaixo da minha cintura. E comecei a cair devagar, tencionando a barriga para o impacto ser menor. Ele me olhou gargalhando, mas o sangue que estava em cimas bochechas me impediam de fazer o mesmo.

–Bella, você quer que eu te ponha no chão? – ele perguntou inocentemente. Eu disse um “Sim” muito estridente e ele riu novamente da minha cara – tem certeza ? – ele disse abaixando o braço que me deixava pendurada.

–Edward, pára! E me Poe no chão devagar.

Ele me puxou de novo para o seus braços e me deitou na cama vagarosamente, eu o observei com cuidado esperando mais alguma gracinha. Então ele me olhou profundamente e depois me deu um beijo na testa. Sorri para ele. Quando ele retribuiu foi como se o mundo tivesse sumido da minha volta.

– eu jamais vou te deixar cair. Não importa a distancia que te separe do chão, ou o tamanho do seu impacto. Eu sempre vou estar lá. – ele disse.

–você não pode me prometer isso. – falei olhando para o lado, vendo que toda a magia havia ido embora quando me lembrei de sua doença.

–olha, então faz assim, enquanto nós estivermos juntos – ele fazia muito esforço pra continuar olhando pra mim – eu vou cuidar de você.

–Por enquanto, isso serve. – respondi beijando a ponta do seu nariz.

Descemos minutos depois e ávidos por comida. Fui esquentar algo pra nós no microondas, enquanto ele pegava refrigerante e carne na área de churrasqueira. Esperei alguns momentos até ele chegar para começarmos a comer.

–ta gostando do dia? – eu olhei levantando uma sobrancelha – quero dizer. Depois da confusão e tal. – continuei confusa – ah, Bella, coopera! Você gostou da minha família?

–ah, entendi... Ela é incrível! Alice teve onde puxar. Esme é um amor de pessoa, e Carlisle é o pai dos sonhos de qualquer um.

–Falar em pais. Bella, sua família… – não o deixei terminar, sabia o que ele queria saber, então simplesmente interrompi.

–é uma história complicada e eu mesma não a entendo. – disse balançando a cabeça de um lado para outro tentando colocar as idéias no lugar. Ele segurou minha mãe e acariciou devagar a palma.

–posso te ajuda a entender se você quiser – ele disse simplesmente e depois sorriu de canto. Abaixei o rosto tentando pensar por onde começar.

–quando eu tinha cinco anos, minha mãe fez um intercambio para a Europa que duraram dez meses. Ela estava grávida de Felipe e a gravidez era de risco, então ela ficou sob os cuidados da minha avó. Meus pais estavam brigados quando ela saiu de casa. Foi tudo tão confuso, tão repentino. – balancei a cabeça novamente, uma lagrima escapou involuntariamente do meu olho direito, larguei o garfo no prato para secá-la, sem olhar para Edward. – depois que minha mãe foi para a Espanha, Charlie se tornou meu maior pesadelo. Ele parou de me amar, de me cuidar. Só pensava em me transformar uma pianista de renome – ri sem humor pensando em como por um tempo isso funcionou – quando minha mãe voltou, ficou tudo pior. Ficávamos horas dentro de uma sala aprendendo piano e essa era nosso maior contato.

–e a relação dele com Felipe? – ele questionou para logo depois enfiar uma garfada de comida na boca.

– Melhor que a minha – disse e ele levantou uma sobrancelha em busca de uma resposta satisfatória – ele tratava Felipe bem. Nunca bateu ou maltratou, nem nada disso. Mas não dava muita atenção. Aí agora ele inventou uma história pra minha mãe dizendo que queria resgatar o tempo perdido. – fiz uma careta quando terminei.

–talvez seja verdade – ponderou.

–talvez não seja. E eu não queria correr esse risco e muito menos sujeitar Felipe a isso.

– você o ama, não é?

– mais que minha própria vida... quero dizer, não quero que ele passe pelo que eu passei. A rejeição depois de ser tão amada. Charlie era o pai dos sonhos de qualquer um e, no entanto, ele me desapontou tanto! – ele segurou minha mão me incentivando a continuar. – eu tinha 14 anos quando ele foi embora de vez. Mas nesse meio tempo não conversávamos muito e ele me dava pouca atenção... e com mamãe e Felipe era a mesma coisa. Então em um domingo ele saiu de casa, assim, do nada. E nós nunca mais nos vimos.

–e por que agora?

–deu a louca no velho! – falei causando uma onda de gargalhadas – ah, garoto! Vai comer! – falei revoltada por ele rir de mim, mas mantendo um sorrisinho bobo no rosto.

Edward se levantou da cadeira e pegou todos os pratos e copos quando acabamos de comer. Depositou-os na pia e começou a lavar a louça. Admirei a cena calada com um sorrisinho de canto, meio bobo. Ele me encarou por cima do ombro e depois voltou a prestar atenção no que estava fazendo.

–O que foi? – perguntou.

–que cavalheiro, ele lava a louça pra namorada! – fiz uma cara de deboche enquanto o via procurar alguma coisa. Encontrou um pano sobre a bancada e o pegou, jogando-o em mim em seguida, acertando minha cara surpresa.

–olha, que gentil, ela vai secar as vasilhas. – e gargalhou.

O encarei estupefata, sem acreditar em sua audácia. Dei-me por vencida e fui secar as vasilhas, dando um tapinha com o pano em sua perna. Ele disse um “ai” fraquinho e riu abobado. Peguei o prato que ele tinha acabado de lavar e comecei a sacar, mas aconteceu que no fundo tinha um pouquinho de água. Sorri maliciosa e joguei tudo na cara de Edward que me olhou de boca aberta e braços estendidos como se estivesse perguntando aos céus o que ele tinha feito pra merecer aquilo. Eu sentei no chão me contorcendo de tanto rir, e encarar seu rosto só piorou a situação. Ele murmurou um “Vai ter volta baixinho” e voltou a lavar tudo. Eu ainda ri um pouco antes de voltar pro serviço, respirando fundo, na tentativa de esquecer a cara de palhaço que ele havia feito.

Edward começou a murmurar uma musica baixinho. Observei a melodia... era lenta e suave. A conhecia de algum lugar. Quando ele chegou ao refrão tudo veio tão claro que eu cantei baixinho.

“Oh meu Deus me traz de volta essa menina
Porque tudo que eu tenho é o seu amor
João de Barro eu te entendo agora
Por favor me ensine como guardar meu amor”

O olhei pelo rabo de olho, mas ele tragicamente me evitou. Perguntei-me se ele sabia o que aquela musica traduzia pra mim. Nós dois sabíamos que a única coisa que eu queria agora era mantê-lo preso junto a mim. Nós dois sabíamos que eu faria de tudo para fazê-lo se sarar e poder ficar comigo. Nós sabíamos que eu só queria vê-lo bem... não sabíamos? De um hora pra outra eu me questionei se eu realmente demonstrava que amava Edward, se eu o dava todo o amor, carinho, atenção, se eu havia deixado claro o quanto ele era importante pra mim.

Durante o tempo que ficamos na cozinha eu esperei um jato de água na cara ou detergente no cabelo. Mas nenhuma dos dois veio. O ar na cozinha era meio tenso, estranho, gélido em grande parte. Eu fiquei meio decepcionada, confesso. Será que o ruivo era do tipo que não cumpria suas promessas?

Quando acabamos ele me pediu pra ir na frente, porque tinha que fazer uma ligação. Estranhei, mas não insisti, sai da cozinha um pouco tímida, com uma mão presa ao meu cotovelo... quando penso que Edward estava tentando me evitar depois daquela musica, sinto suas mãos me pegando no colo e me jogando na piscina. Eu mergulhei com tudo, engolindo um pouco de água no processo. Alice e Rose também estavam dentro d’água e, como todos, caíram na gargalhada assim que viram a cena. Quando emergi, vi com uma (maldita) câmera na mão, Edward Cullen parado mirando mim.

–Você me paga desgraçado! – falei, saindo pela beirada da piscina. Sentei-me na mesa e tentei respirar, mas quando penso que não, Emmet me joga lá dentro de novo. – virou festa agora? – perguntei retoricamente. Eles explodiram novamente na gargalhada.

–sabe, Bella, você tem que se lembrar sempre que tuas blusas brancas devem ficar guardadas quando você saí com a gente. – Emmet brincou.

Imediatamente minhas mãos vagaram para o meu seio tentando tampar o que já fora mostrado. Sorri de canto e levantei a sobrancelha, ao mesmo momento que levantava o olhar para ver a reação do ruivo. Ele tinha nas mãos a maquina preta e grande, mas ela não estava bem aprumada no rumo de seus olhos verdes. Na verdade ela tinha um angulo desconexo, confuso e contraditório, mirado para a cerca viva que Esme tinha no fundo do jardim. Sua boca rosada, estava entreaberta e por ela escapava um ar rápido e descompassado. Me perguntei o que estava acontecendo com ele logo quando Alice – em sua inestimável inconveniência – começou a gritar em plenos pulmões.

– misericórdia! Que pouca vergonha é essa? – Ela me encarava com olhos arregalados em horror me causando uma momentânea onda de pânico. Olhei para baixo tentando ver alguma coisa errada. Mas não havia nada, apesar da blusa estar transparente só deixava transparecer... – que Porra de sutiã de florzinhas é isso, Bella? Saia já daí que temos que resolver isso. Onde já se viu uma futura Cullen vestir isso? Pelamor!

Quando ela disse a ultima frase tudo me caiu na cabeça como uma bomba. Eu não seria a senhora Cullen, não teria um futuro com Edward, e muito menos poderia continuar sendo amiga de Alice. Ah! Eu iria sentir falta dessa baixinha inconveniente.

Deixei-me ser puxada pra fora, sem o menor animo pra fazer nada. Tinha acabado de perceber que havia perdido quem me fez retornar à vida de verdade. Alice.

Notas finais
Tudo bem eu sei que demorei. Muitas leitoras desistiram de ler e eu entrei em desespero nos ultimos dias. Primeira Canção é um sonho pra mim. Um sonho com apenas 24 pessoas lendo. 35 Comentários e 2 recomendações. '-' rss' Bom, té breve eu espero. Cometem e recomendem , qualquer erro me falem, fiz esse cap meio triste e distraída. Beijo beijo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.