Primavera
22 Os pais dele.
Voltamos para Forks depois de ficarmos o fim de semana inteiro no Brasil. A viagem de volta para ‘ casa’ foi melhor que a de ida. Taylor estava mais relaxado, mas eu sentia que ele ainda estava tenso. Eu estava em um estado de perfeita calma.
– Está tudo bem, Jules? – Taylor perguntou de repente – você parece nervosa.
– Se eu estivesse mais calma, estaria morta – brinquei.
Ele estremeceu a possibilidade.
– Um mundo sem Juliet... – ele murmurou e depois balançou a cabeça;
– Eu estava brincando – eu disse, o encarando e sorrindo um pouco.
– Eu sei – ele sorriu – Você me mata quando me olha desse jeito, sabia?
– Que jeito?
Ele não disse nada. Só se abaixou para beijar minha bochecha.
– Eu te amo – ele sussurrou em minha orelha.
Eu estremeci.
– Eu também.
Os pais de Taylor moravam em Seattle. Eu achei que os conhecia também, mas ele disse que tinham se mudado para lá há apenas três anos. Quando chegamos à casa de seus pais ele parecia estar ansioso. A casa era enorme. Tinha várias janelas e parecia ser pintada de uma cor azul que desbotou com o tempo.
Taylor me ajudou a sair do carro e tocou a campainha. Depois de alguns segundo um homem que parecia ter uns 56 anos aproximadamente, apareceu na porta. Ele tinha cabelos pretos como carvão, com apenas uma grossa mexa grisalha em sua franja. Ele tinha olhos grandes e claros. Seus cílios compridos tinham fios grisalhos.
Quando o homem viu Taylor ele sorriu de um jeito que fez várias rugas aparecerem em volta de seus olhos.
– Wes, quem é? – Perguntou uma voz de sinos, de dentro da casa.
Ele sorriu.
– Taylor! – suspirou Wes, abraçando o filho.
Ele também abraçou o pai fazendo com que ele quase sumisse o envolvendo em seus braços compridos e fortes. Eu sorri com a cena. Na porta da casa uma senhora apareceu, ela devia ter a mesma idade que Wes. Ela tinha cabelos dourados, curtos e ondulados. Sua pele era branca e no rosto e nas mãos havia inúmeras sardas douradas e prateadas. Os olhos escuros eram enquadrados por espessos cílios dourados.
– Taylor! – ela quase gritou e também abraçou o filho. Ele conseguia envolver os dois facilmente em seus braços.
– Eu disse que viria, não disse? – Perguntou ele, rindo.
Quando se soltou dos braços do filho, Wes me olhou. Ele corou num rosa claro e deu um pigarro.
Taylor se assustou e olhou para mim.
– Oi – eu disse sorrindo.
A mãe dele sorriu para mim.
– Ah! Você é a famosa Juliet, certo? – ela perguntou – Prazer, Trudy.
Eu sorri e Taylor corou.
– Muito prazer – eu disse apertando sua mão – Famosa? É mesmo? – Perguntei, o olhar hesitando entre Taylor e Trudy.
As bochechas de Taylor estavam vermelhas como uma pimenta. Ele me deu um sorriso constrangido e eu sorri de volta para ele.
– Taylor fala muito bem de você, Jules. Disse inclusive que você não gosta que te chamem pelo nome inteiro.
Eu sorri.
– É verdade.
– Ela é realmente linda – disse Trudy sorrindo – Eu acreditei quando você me disse, mas não pensei que ela parecia tanto com uma boneca.
Eu corei.
– Obrigada – disse com uma voz fininha.
– É a verdade. Entrem queridos – Convidou Trudy.
Perguntei-me se Taylor também teve essa primeira impressão sobre meus pais. Wes e Trudy eram tão adoráveis! E pareciam me conhecer a anos. Talvez ele tenha mesmo falado muito de mim. Entramos na grande sala, era linda. As paredes pintadas de laranja claro em contraste com o sofá marrom escuro. Havia quadros espalhados por todo o cômodo.
– Então ... o que você tinha que nos contar?
– Nós temos uma boa noticia. – Taylor disse tenso.
– Boa noticia? – Wes levantou uma sobrancelha.
Talvez eu devesse dar a boa noticia. Ele estava nervoso e talvez sua tensão fizesse com que eles pensassem outra coisa. Sua mão agarrava freneticamente a minha, seus pais nos encaravam desconfiados.
– Ela está grávida! – Explodiu Wes.
Embora a pergunta fosse claramente dirigida a Taylor, Trudy me encarou ferozmente e eu me encolhi.
– Eu tenho um problema na formação das trompas – menti rapidamente. Tinha visto isso num livro certa vez e nunca mais me esqueci. Pelo visto ler aquele livro terrível serviu de alguma coisa – não posso ter filhos.
Taylor ouviu a dor em minha voz e apertou minha mão com força. Depois começou a fazer carinho em meus dedos com o seu polegar.
Eles nos encararam e depois pareceram ficar envergonhados.
– Desculpe-nos – pediu Wes.
– Desculpas aceitas. – Decidi que eu teria que dar a noticia e antes que Taylor pudesse começar a falar, eu repeti as mesmas palavras que ele disse aos meus pais – Trudy, Wes, eu amo Taylor mais que tudo no mundo. Amo ele mais do que minha própria vida e faria de tudo para vê-lo feliz. De um modo milagroso, ele sente o mesmo por mim. Acho que devia ter feito essa visita antes, mas... Eu e Taylor vamos nos casar. Eu gostaria de saber se vocês nos dariam sua bênção.
Eles arregalaram os olhos e depois sorriram.
– Ah! Também gostaria de saber se – bom, nós nem sabemos se realmente vai ter alguma festa– mas se vocês gostariam de ir.
Eles não tinham palavras.
– É claro! – Trudy ofegou emocionada.
– Vocês têm a nossa benção – disse Wes.
Eles nos convidaram para jantar. Wes tinha convidado a família inteira para uma festa dias depois de Taylor ter dito que iria fazer uma visita. Todos já me “conheciam”, pelo menos já tinham ouvido falar de mim.
Quando estava ajudando Trudy a levar a comida para o quintal ela me puxou e me abraçou.
– Obrigada. – sussurrou ela – Obrigada por ter nos convidado! Eu achei que nunca poderia fazer parte disso, estou muito feliz que você nos considere como parte da família.
Eu sorri.
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