Prig Stígur- A Atrevida

18 Interlúdio- Na visão de Mary Daves


Notas iniciais
Oi, faz mais de um mês que esse capítulo está entalado na minha garganta, não conseguia resolver se o colocava ou não, como sempre tem spoilers escondidos tanto nas imagens (que vou voltar a colocar) como no capítulo em si, senti saudades galera ^-^

Televisão, aquela monstruosidade me encantava com sua magia negra e boa resolução, os anos devolveram a calmaria à minha vida pacata, minha irmã havia morrido há tempos e havia deixado de habitar tanto esse mundo quanto meus pensamentos, já sua filha... Quando deixei Prig no convento estava certa que ela tomaria jeito, viraria um anjinho dócil sem aquelas baboseiras de Jack... Qual era o segundo nome mesmo? Não importa, o que é importante é que o convento não surtiu efeito, longe disso, ele piorou minha pobre sobrinha.

Tenho plena consciência de que ela deve me odiar com todas as suas forças, mas fiz o que fiz pensando apenas no seu bem, o convento me ajudou quando precisei, por que não ajudaria Prig e aquele seu gênio bruto que implorava por lapidação? Mas nada ocorreu como imaginei, eu vi as manchetes nos jornais, vi as reportagens na TV e fui interrogada sobre isso pelas freiras da Igreja que frequento.

Sentei calmamente no sofá permitindo que o ar de meus pulmões saísse lentamente para me relaxar, respirei fundo novamente e alcancei o controle da televisão, liguei-a e mais uma vez fiquei maravilhada com a imagem se formando, era um homem de terno que segurava alguns papéis, era um jornal televisivo e parecia estar transmitindo alguma notícia trágica, aumentei o volume e franzi o cenho:

–Todos reconhecemos e somos gratos ao trabalho que St. Agnes tem feito pela nossa sociedade e é por isso que nos abalamos ao receber a informação de uma falha ocorrida no monitoramento de pacientes- O homem de terno informou sério

Pisquei várias vezes e estreitei os olhos em direção àquela caixa quadrada, St. Agnes era o manicômio de Prig, o manicômio de Prig teve um problema, minha primeira reação foi respirar fundo e pensar nas orações para me acalmar, depois sentir o desapontamento pela possibilidade de o problema ser Prig, aquela menina não se ajudava, se pudesse simplesmente parar quieta e se deixar ser ajudada, mas não, ela tem que tentar fazer as próprias escolhas, e a que isso a havia levado?

Prig Stígur, a assassina mirim era o que diziam os jornais quando o acidente de Prig no hospital vazou para os jornais, matar a própria mãe... E depois o padre responsável por sua educação, agora tudo se repetia, só podia rezar para que fosse a última, deixei meus pensamentos de lado e foquei na TV:

–Temos a confirmação que uma briga entre internos resultou na morte de dois pacientes, nossa correspondente informará mais, é com você Marina- A imagem mudou, uma mulher bem vestida e já aparentando uma idade de peso estava em frente ao manicômio St. Agnes

–O supervisor geral de St. Agnes nos concedeu uma entrevista nesse belo jardim há poucos minutos, ele nos informou que ontem à tarde a situação se tornou caótica aqui em St. Agnes quando a paciente Prig Stígur foi encontrada morta enforcada em seus aposentos...- Mary Daves vacilou em sua máscara piedosa e impenetrável por um momento, só por um momento

E por esse rápido e torturantemente lento momento, uma dor insuportável tomou conta de si, lembrou-se de cada frase, cada palavra, cada mão erguida, cada olhar jogado contra a sobrinha era uma faca enfiada em si e eram tantas as memórias que continham esses episódios, voltou sua atenção para a TV novamente, a mulher ainda falava sobre o incidente:

–Alguns minutos depois do recolhimento do cadáver um outro paciente, chamado William, subiu nos telhados do manicômio segurando um megafone e declarou sua culpa pela morte da outra paciente, antes que a equipe de enfermeiros chegasse ao telhado, o assassino declarou sua paixão secreta pela paciente morta e se jogou, uma altura mortal o matou assim que relou no chão, os outros residentes ainda estão chocados e todos estão sendo submetidos à um tratamento preventivo para impedir possíveis traumas...

Mary Daves nunca saberia o que viria a seguir, nunca saberia o que a jornalista revelaria a seguir, pois uma campainha a despertou de seu quase início de um luto profundo, ela esqueceu da TV ligada e caminhou para a porta, nem pensou e a abriu em plena madrugada, se deparou com um jovem de aparentemente dezesseis anos com cabelos castanhos e pálido com os olhos arregalados e assustados, ele segurava uma moça desacordada nos braços que não podia ser bem observada por estar enfiada em um sobretudo enorme(provavelmente era do rapaz):

–O que aconteceu?- Mary Daves nem percebia o fato de ser suspeito esse tipo de visita

–Ela... Ela escorregou e bateu a cabeça, eu tentei achar um hospital, mas me perdi...- O jovem tinha um desespero sem tamanho na voz, parecia a beira das lágrimas, Mary concordou com a cabeça e o deixou entrar na casa carregando a moça

–Pode deixá-la no sofá, eu vou pegar o kit de primeiros socorros- E assim ela saiu da sala rumando para a cozinha, agarrou a maleta cheia de remédios e bandagens e voltou para a moça desacordada, olhou-a por longos e confusos minutos, ela lhe parecia familiar, a pele pálida quase doentia e os cabelos loiro acastanhados não ajudavam a lembrar, Mary suspirou e olhou o jovem enquanto abria a maleta- Não foi nada grave, ela só deve ter batido a cabeça, não vai ter nem mesmo um hematoma, ela é uma garota de sorte- Explicou enquanto colocava uma bandagem com um pouco de pomada anti-inflamatória na testa da menina onde havia uma região levemente avermelhada

–De fato- O jovem concordou relaxando os ombros e respirando fundo, os fios castanhos deixando sua aparência largada- Ela tem muita sorte- Completou sorrindo e fazendo os pensamentos da dona da casa voarem para o natimorto que tivera, ele seria daquela idade, quem sabe até daquela aparência?

–Tem dois quartos, um no primeiro andar outro no segundo, acho melhor ela ficar no do segundo andar- "No quarto de Prig", ela pensou receosa- E você fica no do primeiro andar

–E a senhora?- O jovem questionou levantando a sobrancelha

–Não gosto de altura- Mary Daves confidenciou- Durmo aqui no térreo

–Certo- Ele a abraçou- Obrigado- Soltou-se dela e pegou a moça no colo subindo as escadas

–Tem toalhas no banheiro caso queira- Mary falou sem obter respostas e foi para o seu quarto, aquele rapaz habitaria seus pensamentos naquela noite e quem sabe algo mais

Enquanto isso no quarto que pertencia a Prig, o jovem encarava a vista da janela, a menina que estava desacordada sentou-se de uma vez e sem cerimônias, bufou e revirou os olhos em desgosto enquanto o menino ria:

–E então? Aquela megera acreditou em você?- Ela perguntou sorrindo de canto

–Minha querida gralha, nunca ouviu falar que os albinos são os mais persuasivos?- Ele respondeu olhando as unhas, suspirou e encarou a moça com um sorriso brincalhão -E aí? Gostou de morrer?

Notas finais
Eu sei eu sei, curtíssimo, mas mesmo assim gostei, o que acharam??? Descobriram algo?? O próximo capítulo está pela metade ainda, então acho que semana que vem já publico ele... Definitivamente tenho que parar de trabalhar com prazos... Dica pra vocês: Prestem muita atenção na imagem desse capítulo e na imagem do próximo, elas vão se relacionar muito ainda, hehehehehe Ah sim, no próximo capítulo vai ter hot (porque a escritora tá louca de vontade de colocar um hot desse ship desde que começou a fic)