Prig Stígur- A Atrevida

8 Eu vejo o colorido


Notas iniciais
Bem, eu esperava postar mais tarde, mas eu preciso mesmo postar esse, amei muito >.< lembrando que esse continua o flashback do último capítulo, aproveitem ^-^

Prig Stígur, o monstro que habita o convento, conhecida por ser assassina, sem pudores, dona de si, lasciva, manipuladora, mora na torre, diz ter vozes na cabeça, evitada por todos, repreendida por nada, ficava em seus aposentos o dia inteiro, pintava paisagens alegres, calmantes e reconfortantes para espalhar pelo quarto que estava sempre limpo.

Ela ficava bem mais calma sozinha, sem aquela pressão em seus ombros, sua mente gritava "deixe ir, deixe ser, já não suportamos mais", mas ela sacudia a cabeça, fazia um novo corte e murmurava:

–Não os deixe ver, não os deixe saber, vou ser a menina boazinha que eles querem ver, não vou mostrar minha fraqueza, eles não vão saber- A morena tornou aquilo uma regra, um rito, uma forma de a manter ocupada, isso antes de descobrir a pintura

Depois de tudo o que passou, a tela e tinta foram reconfortantes, não que seus desenhos fossem bons, mas eram passáveis, ela não se incomodava com isso, ninguém sabia das pinturas, se soubessem tirariam o único conforto dela.

Aquela tarde em especial trasmitia uma melancolia contida, era mais uma tarde chuvosa de primavera, a menina queria sair, tomar chuva como antigamente, levantou-se do banco onde estava, tirou o avental de pintura, largou a tabela de cores e o pincel, abriu a porta o suficiente para examinar o corredor deserto, saiu cautelosa e silenciosamente, as botas ressovam baixinho no chão de madeira, desceu escadas, avançou em corredores, o chão mudou de madeira para pedra, ela acelerou, todos deveriam estar rezando naquela hora, a morena sorriu e esticou o braço, as gotas caíam apressadas, ela sorriu boba e correu para a chuva, as gotas estavam geladas e refrescantes, a moça correu pelo jardim, o mais longe possível do convento.

O convento ficava isolado da cidade, cercado de um campo maravilhoso, florido e agradável, Prig sentia como se pudesse correr de seus problemas, fugir do convento... Não, ela não podia, uma cerca se estendia no limite da propriedade, um pouco depois da cerca uma casa de fazendeiro erguia-se imponente, a moça conhecia aquela casa, ali morava o jardineiro do convento, um católico fervoroso de cinquenta anos e seu filho de quinze anos, dois anos mais velho que ela.

O garoto era alto, loiro com olhos verdes, a pele levemente queimada pelo sol, geralmente usava uma boina junto com uma blusa com mangas arregaçadas, um suéter de lã e uma bermuda, ás vezes estava descalça, ás vezes com galochas, o fato é que a morena gostava dele, de conversar com ele, afinal, ele não sabia de nada dela.

Mas a casa estava fechada, de repente a chuva pareceu triste, incômoda, ela precisava voltar, ela o fez mais devagar do que tinha chaegado lá, foi chutando qualquer moita que aparecesse, passando a mão nas árvores, respirando fundo, chorando... Desabando aos poucos, precisava voltar para a sua pintura. Quando chegou estava encharcada e tinha cortado o tornozelo em uma moita que havia chutado, a água ecorria em seu corpo e diluía o sangue, deixando uma trilha rosada, a menina tremia de frio, entrou no quarto soluçando, pegou uma toalha esfarrapada e se secou, trocou de roupa e voltou para a pintura, ignorou o corte, era pequeno e logo iria parar, preferiu se concentrar na pintura, era uma clareira na mata, com pequenos coelhos beges a pular, um cervo bebendo a água de um lago próximo, alguns pássaros azuis empoleirados...Algo gentil.

Estava tentando pendurar o quadro quando abriram a porta abruptamente, a morena paralisou, escutou um som abafado de surpresa, virou-se lentamente, lá estava uma das freiras:

–Olá, bem vinda ao meu cantinho da loucura- Prig falou olhando para os pés da mulher

–Você não pode fazer isso- A freira disse ríspida

–Não posso te dizer olá? Que regra esquisita- A menina respondeu torcendo o nariz

–Vou recolher seu material

–Mas eu não pinto nada demoníaco! Eu só faço paisagens!

–Mas você está sendo influenciada pelo demônio, assassina- Prig fechou a mão em punho e respirou fundo- Viu? Ele está te tentando

–Deve ser mesmo- Prig disse, ela finalmente encarou a freira com quem falava, seu sangue ferveu, era a mesma freira que sempre a atormentava, a que a acusara de estar possuída só porquê havia passado mal em uma missa- Quer saber? Cansei de você

A freira pareceu não entender até a menina jogar o quadro no chão e dar um murro na cara da mesma que ficou em choque, Prig não parou por aí, empurrou a freira no chão, sentou-se em cima e começou a socar a cara dela, gargalhava como uma maníaca enquanto a freira lutava para se libertar e gritava:

–QUEM É A PERTURBADA AGORA FREIRA?- A menina falou gritando de raiva

A porta se abriu novamente, imobilizaram Prig e ajudaram a freira que virou-se para a menina e falou:

–Você

A morena chorava enquanto todo o seu trabalho era levado de seu quarto, tudo acabado, depois disso reuniram todos os quadros e materiais de pintura em uma pilha e a queimaram, obrigando a menina a ver tudo, ela chorava ininterruptamente, a cabeça latejava, as mãos doíam, mas não a deixaram descansar, levaram a menina para um quarto pequeno e abafado, a prenderam na cama e fizeram um sinal da cruz. Todas as freiras saíram quando um padre entrou segurando uma bíblia, a morena suspirou quando ele trancou a porta:

–Demônio que possui a alma, deixe seu esconderijo, revele-se- O padre parecia confiante, determinado, isso só fez a menina bufar- Libera..

–A alma inocente e blábláblá- Prig terminou a frase do padre revirando os olhos- Patético, ótima encenação, mas eu não estou possuída, só fiquei com raiva, só isso

–Não fale comigo demônio- O padre continuou falando suas baboseiras de exorcismo, sem resultado obviamente- Pois bem, fase dois- Ele pegou um terço e colocou na barriga da menina

–Sério? Você vai acabar ganhando um prêmio de criatividade- A moça debochava, o terço foi colocado em seu peito, onde o padre apertou levemente- Muito bem seu pervertido, tire a mão daí

O padre ignorou, era um velhote nojento e fedido, ele arrastou a mão para o outro seio da menina onde apertou mais forte, Prig tentava se livrar daquela prisão, queria matar aquele gorducho nojento, ele deslizou a mão para o meio das pernas da menina e sorriu:

–Se você me tocar aí eu te mato- A menina falou convicta, ele a ignorou- PEDÓFILO! PORCO NOJENTO!- Ela gritava e esperneava, o velhote a amordaçou e fez o que queria na menina

Nossa personagem só queria morrer naquele momento, acabou desmaiando, acordou no seu quarto da torre, sangue escorria por entre suas pernas, ela tombou a cabeça, ouvia sussurros na sua cabeça, ecoavam e preenchiam sua consciência, ela levantou e foi mancando até a parede, tudo estava vazio, só tinha uma cama, um guarda roupa e um banheiro, a menina molhou a mão no sangue e foi riscando a parede, fedia, realmente fedia, mas ela não se importava, escrevia, pintava, girava e cantarolava. Isso se seguiu por vários dias, ela estava esquecida em seu quarto, não comia, não saía, via o garoto pela janela, ele acenava para ela e ela respondia alegre, mas ele esqueceu dela, começou a conversar com uma mocinha loira, uma noite Prig fazia o mesmo de sempre, cortava seu braço e pintava com o sangue:

–Senhorita Stígur?- Uma mocinha loira entrou no quarto de Prig relutante- Você tem que comer alguma coisa

–Onde está o colorido?- Ela perguntou apontando para a parede, a mocinha gritou e Prig a puxou pelo cabelo- Shhhh, quietinha, eles estão perguntando onde está o colorido

–Eles?- A mocinha soluçava e tentava manter a calma

–As vozes, não tá ouvindo? Elas estão sussurrando, querem o colorido

A morena não tinha mais o colorido dos olhos, seus olhos não tinham brilho, o quarto fedia a sangue, ele estava cheio de rabiscos nas paredes, manchas no chão e na cama, tudo sujo e fedido, a morena estava com o cabelo comprido e bagunçado, cheio de nós, as mãos manchadas de sangue, os braços cheios de cicatrizes e no rosto... Um rosto que já havia sido lindo, um sorriso maníaco, o que antes poderia ter sido lindo estava destruído:

–Eu sou uma bela tragédia ou não sou?- Prig disse apertando a garganta da mocinha

Notas finais
Lembrando que todas as imagens dessa fic são do deviantart ^-^ e então?????? Gostaram??? Bem, vou começar o próximo agora mesmo >.< Reviews por favor!!!!!!!!! Espero ansiosamente suas opiniçoes, sugestões e o que mais quiserem me falar Até a próxima *-*